Daily Archives: 25/11/2025

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Nunca, seja em que situação for, eu sou de fugir. Não.
Posso eventualmente esconder-me durante um momento, deitada em posição fetal em cima da cama, em silêncio como naquele Agosto há 11 anos em que não disse uma palavra durante 3 dias. Em silêncio mas não calada. Seja no papel com caneta, seja nas redes que tantas vezes me salvaram sem sequer imaginar que estender a mão é tantas vezes um gesto de salvação, seja no blog onde há mais de 11 anos todos os dias escrevo e tantas vezes vomito o que trago cá dentro e me sufoca…

Não fujo. A nada. Brinco muitas vezes ao Faz de Conta precisamente enquanto me escondo momentaneamente em busca das peças da minha armadura que, à primeira vista, passa a mensagem de que está tudo bem. Quando, como agora, não está

Durante 2 anos e meio não conseguia chorar. Com tanta coisa a acontecer comigo e as lágrimas a insistir em não cair…até que descobri a única coisa que me faz chorar MUITO em menos de nada. Ontem chorei. Muito. Hoje, na Teleconsulta com a Psicóloga, é praticamente garantido que irei chorar novamente. Seja! A única ferida que eu nunca quis está aberta, ainda tão recente e a precisar de espaço e tempo para sarar. E escrever esta última frase foi o suficiente para me devolver as lágrimas que tinha posto de lado por um momento…

…dificilmente voltarei a despir a minha armadura. Mas, mesmo que volte a optar pelo meu silêncio, mesmo com a Teleconsulta a ter lugar daqui a 30 minutos, mesmo que o som da minha voz se volte a recusar a fazer-se ouvir, não abrirei mão do uso da palavra escrita, seja aqui ou no Instagram, para conseguir digerir e vomitar todas as palavras que se acumulam cá dentro porque a perda DÓI!

…e eu estou cansada de perder…sempre

E sim, a Teleconsulta é com a Psicóloga. Mas não, ela não é responsável por eu querer fazer acontecer. Até porque quis fazer acontecer exactamente o mesmo a 26 de Janeiro de 2024. E a resposta…?

Foi
exactamente
a
mesma
:
NÃO!

O que eu NÃO SOU…

Das coisas que já há algum tempo que não digo: eu TENHO uma doença, eu NÃO SOU essa doença.

Achava que essa parte já estava esclarecida. Mas, pelos vistos, não…

Então vá, vamos lá.

Eu fui totalmente apanhada na curva por um diagnóstico que não esperava, que não procurei, mas que me encontrou e veio para ficar. Traz-me dificuldades e limitações? Traz. Traz-me dores que não sei descrever e que não me deixam dormir? Traz. Mas é a MIM que traz isso tudo. E até muito mais. Tanto mais que não cabe tudo aqui!

Mas NINGUÉM tem o direito de se rir na minha cara quando partilho o meu plano de superação. Que ME é tão importante para provar a MIM MESMA que AINDA CONSIGO!

Também NINGUÉM tem o direito de usar o MEU estado como uma qualquer desculpa para que as coisas não aconteçam. Porque dizerem-me “contigo assim” não pega.

Eu NÃO SOU o meu diagnóstico. NÃO SOU a minha doença. SOU MUITO MAIS. É uma situação difícil de entender para quem está de fora? Então ponham-se no MEU lugar e imaginem o que é isto tudo para mim, quando para vocês já é incompreensível e frustrante