Daily Archives: 28/11/2025

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Há muito que não vou até ela. A minha árvore. Aquela que eu visitava todos os dias no regresso do trabalho. Ou era ela que esperava por mim junto à paragem do autocarro no meu caminho de regresso a casa…? Na realidade, não sei. Mas também nunca achei importante saber. O importante é que durante anos nos cruzavamos todos os dias depois do trabalho. Mas agora…há meses, muitos meses!, que não a visito. E nem está assim tão longe que eu não consiga lá ir. E, já decidi, acabei de decidir!, um dia destes vou até lá…sozinha.

É estranho sentir que preciso de me encontrar com uma velha árvore morta mas toda ela cheia de provas de vida? Pode até ser. Mas eu também nunca disse que eu própria não era estranha. Mas preciso, muito!, de a visitar! Recolher dela a sabedoria da transformação, de quem passou de fonte de vida a suporte de prova de vida.

Há ali, naquela velha árvore morta, qualquer coisa que me chama. E por isso tenho que ir até lá. Sempre à distância, claro, porque o caminho até ela não é estável nem seguro. Não o é para os outros, muito menos será para mim

Tenho tantas perguntas sem resposta que ela me poderá responder. As outras, que não lhe cabe a ela responder, podem sempre ser largadas ao vento para aguardar resposta que irá surgir na volta do vento no momento em que tiver que haver resposta.

Mas o que mais admiro nesta velha árvore morta é exactamente a força que a mantém de pé depois de uma vida inteira à força de Sol e vento, a beleza que a idade lhe confere, a imponência de quem se afirma até aos carros que circulam do outro lado da via rápida…

É a minha árvore. A minha velha árvore morta. Que hoje vi de passagem mais uma vez pela janela do autocarro. Não. Não é a mesma coisa que ir visitá-la mais de perto, sem horário ou pressa para sair. Mas é sempre tão bom saber que, apesar de tudo, continua lá. E continua a albergar provas de vida. Tantas provas de vida. E a árvore, velha e morta…mantém-se firmemente de pé! E isso enche-me de orgulho! E também de esperança, vá…não nego!

A minha árvore. Velha, morta, mas de pé!