Daily Archives: 08/12/2025

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115… Que, para mim!, será sempre um número de emergência. E hoje, 3 meses, 3 semanas e 2 dias depois, ninguém faz ideia do esforço que tenho estado a fazer para……

……não fumar um cigarro! Que, já sei!, nunca seria só um. Um de cada vez, certamente. Mas nunca só um!

Mas o 115 já não existe e o actual número de emergência, o 112, não me pode ajudar. Talvez se eu seleccionasse a opção 4

As lágrimas estão à beira dos meus olhos e não me parece que peçam licença para começar a cair quando…

…quando voltar aos cadernos para continuar a escavacar-me completamente: joelhos e mãos esfolados, pés descalços a pisar pedrinhas no alcatrão quente

Não me posso esquecer: são palavras vs números. E um factor irrevogável: o Tempo.

Escrever a carta que me pediram. Não a de amor, ridícula como todas as cartas de amor, ou assim o afirma o Poeta. Escrever a carta que em Outubro disse não querer escrever…e que, neste momento, não vejo motivo para não escrever

Um cigarro na esplanada das mesas infinitas…alguém me traz, por favor…?

Obrigada.

…………

Duas horas se passaram na mesa do canto na esplanada das mesas infinitas. Dois cadernos onde a ideia era escrever, gravar num suporte físico tudo o que já deitei no éter. Powerbank para manter o telemóvel, não à tona de água, mas metaforicamente a salvo de um eventual mergulho em apneia a dois, o telemóvel e eu. Em apneia e sem saber nadar


O afogamento que não aconteceu porque, ao contrário do planeado, não me permiti ser vulnerável e escavacar-me por inteiro, joelhos e mãos esfolados e pés descalços a pisar pedrinhas no alcatrão quente. Porque ser vulnerável requer o que já não tenho: força. Para aguentar. Para sobreviver à vulnerabilidade.

…não escrevi. Não me escavaquei. Mas não me esqueci

Os números vão de 0 a 9 na sua raiz unitária, mas quando compostos são infinitos
vs
As letras são apenas 26, mas com a capacidade infinita de criação de palavras entre o nada e o tudo.

10.959 é sem dúvida um valor sobejamente mais elevado do que 915. E, por muito que se queira dizer o contrário, não é possível elevar 915 a algo que não é, nunca foi. E nem a organização semântica das letras com capacidade infinita de criação de novas palavras consegue fazer possível o que é irreal. Na balança que mede o peso, a força e o poder dos números infinitos e das letras e consequentes palavras, nem sempre vence o que queremos dizer, o que dizemos ou até o que já dissemos. Muitas vezes, vence a quantidade de vezes do que já foi ao longo do tanto tempo que também os números contabilizam.

Palavras vs números. Tanto uns como outros perdem qualquer significado quando confrontados com um factor irrevogável…: o Tempo.

E hoje foram 2 horas na esplanada enquanto o silêncio e a ausência já contam 7 horas…e continuam a somar…

…e, se calhar, joelhos e mãos esfolados, pés descalços a pisar pedrinhas no alcatrão quente e com isto acabei por me escavacar no permanente silêncio de quem não se pode queixar…de nada…e as lágrimas que hoje teimam em não cair são engolidas a seco e à força

…………

…e depois há aquele momento em que o tampo riscado da mesa da esplanada me leva de volta a 2017. Quando riscar a pele era tão fácil. E estupidamente apaziguador da dor que sentia, vivia?, naquela altura ainda…

os riscos na pele que traduzem dores numa linguagem que poucos entendem… É preciso chorar, as lágrimas teimam em não cair na ausência de quem me permite chorar. Permite…? Como se fosse preciso eu pedir permissão seja a quem for para verter as minhas dores em forma de lágrimas. Como se fosse preciso eu pedir permissão seja a quem for para simplesmente existir exactamente como sou! Nem mais nem menos do que e quem sou!

Vulnerável.

Escavacada.

Mas reconstruída. À força do “tem que ser“. Quando tudo o que eu queria era simplesmente poder ser. Naturalmente. À força de nada…!

As lágrimas acabarão por cair. Os riscos na pele? Tatuagens de vulnerabilidade

…e eu, aqui…

……sozinha……Sempre……

…………

São as noites. São sempre as noites. Vazias de pessoas. No silêncio para lá da música que me acompanha sempre. São sempre as noites que me confirmam: sozinha. Sempre. Desde sempre. Só eu e a música que está sempre presente.

Overwhelmed. Não gosto da tradução para português, não define exactamente o que sinto, o que estou para além de sozinha: overwhelmed. Como se tivesse nos meus ombros o peso todo do Mundo inteiro.

Mas à noite, no silêncio para lá da música que me acompanha sempre, não há ninguém. Que se sente comigo, me dê a mão enquanto procura resposta para as minhas perguntas, me acolha num abraço protector quando as respostas me agredirem com aquele choque de realidade do qual faço por fugir.

Não quero encarar o que já sei. O que vou conhecendo todos os dias mais um bocadinho depois de me ter apanhado na curva sem pedir licença.

Continua a não haver ninguém comigo que me recorde que eu não carrego o peso do Mundo inteiro nos meus ombros. Mas, quando aceitar o choque de realidade por completo, o peso de estar overwhelmed passa a ser suportável. Os ombros aliviam do peso que estupidamente carrego quando me recordar da luta dos números vs palavras. Aquela luta dos 10.959 vs a infinitude da mistura de letras cujo resultado se resume a Tempo. E é o Tempo que define a derrota. Que, como sempre, me pertence.

São as noites. São sempre as noites. Vazias de pessoas. Assim como os dias, também eles cada vez mais preenchidos de ausência e silêncio. Mas são definitivamente as noites, às 3h da manhã, em que não há ninguém para me aconchegar e me sussurre que está tudo bem…mesmo que não esteja. E são as noites que recebem aquele meu sussurro de quem, já sem voz, grita por socorro.

Socorro
que
não
vem…