Dia que despertou demasiado cedo, especialmente depois de uma noite em branco entre as 2h e as 5h com o despertador a tocar às 6h. Noite em branco assombrada e agitada e muito dorida por causa de um qualquer curto-circuito que acontece nas ligações nervosas do meu braço esquerdo e que, por força e violência da dor que me queima e corrói o braço e que sobe para o ombro e daí se dispersa, dizia eu que é um curto-circuito cuja dor me faz gritar e contorcer cada músculo do meu corpo…e a cada novo pico de dor que me faz reagir gritando a dor que me assalta claro que tenho medo. Como não ter medo? Não sei até quando vou conseguir suportar o que só posso descrever como insuportável…! Violenta! Agressiva! Excruciante! Porque dizer apenas que é demasiado dolorosa não chega…
Dia que despertou muito cedo, que me pôs em trânsito cedo, tão cedo que pude ainda matar saudades do nascer do Sol, do nascer do dia. E as saudades que eu tinha desse momento, dessas luzes, dessas cores…!
Se puder, guardo as memórias deste dia naquela caixa que é para esquecer por aí cheia de memórias menos boas. Porque o meu dia hoje teve muito desses momentos, em que visitada pelos picos de dor só quis desaparecer, mudar de corpo, sei lá eu o que mais…!
Do dia de hoje guardo esse nascer do Sol e começo de dia que há tanto tempo não via, guardo os momentos a dois com ele em que, acolhida no melhor abraço que existe!, me abstraí de tudo o que me dói e também do que me faz doer…não interessa! Guardo, como todos os dias, os momentos que são só nossos e que nos fazem tão bem.
Amanhã não há despertador a tocar. Não há fisioterapia para fazer. Mas é preciso, é-me obrigatório!, mexer! As pernas reagem mal ao frio. Mas vamos ter que descobrir a melhor forma de conseguir reagir e mexer e não deixar de andar só porque o frio é uma treta!!
Para já, é hora de ir descansar. E tentar ter uma noite sem dor…
…porque eu não sei até quando é que consigo aguentar isto…

