“Há sempre uma primeira vez“, toda a vida ouvi esta frase que, querendo ou não, faz todo o sentido por ser verdade. O que nunca ouvi porque por algum motivo ninguém diz é que, às vezes, a primeira vez dói. É difícil de acontecer. Não tanto pela inexperiência normal de uma primeira vez, mas tantas vezes por ser uma espécie de choque de realidade.
Hoje foi dia de uma primeira vez que aconteceu sem preparação prévia, sem anestesia e com uma valente tentativa de florear a questão. Uma questão que é minha e que, já percebi, ainda não aceitei.
Hoje liguei a um amigo a pedir orientações para encontrar a pessoa certa para me ajudar com a questão da dor violenta no meu braço. Já não falávamos de viva voz há algum tempo, mas não foi por aí que gelei de cima abaixo. A conversa começou como todas as conversas. E, de repente, disse-lhe: “como já deves saber, eu estou doente…”……eu…estou…doente……parece uma frase tão simples…
………é uma frase violenta porque verdadeira numa história que tem que se ajustar à nova realidade e ainda nem sequer aprendi a escrevê-la……
Foram 3 palavras.
3.
…só eu sei o que me custou esta primeira vez de ter que dizer 3 palavras que dizem tanto e que eu insisto que é tanto mas não é tudo porque eu sou tão mais do que 3 palavras…
Há sempre uma primeira vez. E hoje houve. E foi provavelmente a primeira vez que mais me doeu em apenas três palavras……

