Eu tento realinhar a energia. Que tenho e que sou. Ela? De vez em quando vem ver se está tudo bem. E apesar de vir tomar conta de mim quando eu menos espero, não atrapalha.
Esteve presente quando o Fisioterapeuta me espetou aquelas 15 agulhas da cabeça aos pés.
Deitou-se à beira da minha cama a tomar conta de mim durante a minha prática de Yoga em casa.
Depois de jantar: com lugar vago com mantas em dois sofás, quatro cadeiras à volta da mesa, dois poisos habituais numa das estantes da sala, o colo da minha mãe livre e foi nas minhas pernas que ela se veio deitar. Claro que sim. E começo a achar que ela sabia que vinha aí mais uma onda de picos de dor violenta no meu braço esquerdo.
Já ganhou a alcunha de Paracetamol, que no caso da minha dor no braço é um bocadinho como o Melhoral: não faz bem nem faz mal. Assim como assim, os opióides também não fazem grande coisa, mas não digam a ninguém…
Dizia eu que a minha gata ganhou a alcunha de Paracetamol porque, quando chegam os picos de dor violenta, é em cima de mim que ela aninha.
Dizem que os gatos nos “limpam”, que à sua maneira nos tratam e cuidam de nós. Talvez por isso ela esteja sempre tão presente junto de mim…
Seja como for, eu faço a minha parte. Ela faz a dela. As 15 agulhas da Acupuntura farão o seu trabalho. Sexta feira volto ao que nunca deveria ter deixado. E a voz do Rui mantém-se em loop na minha cabeça: “Somos todos energia…”. E somos. Mas, por vezes, é preciso realinhar. E é isso que estou a tratar de fazer. Ela? Inspecciona o trabalho e limpa o que for necessário.
(e entretanto é tão tarde e amanhã tenho que acordar tão cedo e já não escrevo nada de jeito e é melhor ficar por aqui esta noite…)

