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Sentir TUDO à flor da pele não tem necessariamente que ser mau, disse-me ele. Não tem, é verdade. Mas, quando se fala de sentir TUDO, esse TUDO engloba tanta coisa não necessariamente boa.

Não sei o que fez disparar a intensidade do sentir durante o dia de hoje, mas alguma coisa foi. E com essa intensidade gigante de sentir TUDO à flor da pele tive a necessidade de escrever tanto e tanta coisa para ele como há tanto tempo não fazia, se é que algum dia o fiz como hoje.

Mas sentir TUDO também significa TER MEDO. TANTO medo! De, por algum motivo, perder aquele abraço que sabe a casa, que é conforto, segurança, protecção e tudo de bom. De, por algum motivo, a soma de “EU” e “ELE” deixar de dar “NÓS”. Medo de perder, medo da perda, medo, ponto final.

Não sei se foram as estrelas que se alinharam para que, aleatoriamente, finalmente nos cruzassemos ao fim de 11 anos a trilhar os mesmos caminhos, a ocuparmos o mesmo espaço, 11 anos em silêncio, sem palavras de um para o outro. Até aquele “Olá” se soltar daqui e ser bem recebido lá.

Não sei. A frase que mais tenho repetido nos últimos dias com especial ênfase no dia de hoje: “não sei“. Porque não sei mesmo. Tanta coisa que não sei, tanta coisa que tenho medo de saber, outro tanto de não saber nunca. Mas…

Mas tenho medo, claro que sim! E se sinto TUDO à flor da pele com uma intensidade desmedida o MEDO faz parte do TUDO que sinto. Medo, tanto, de perder o abraço que precisava de sentir agora só para ter a certeza que preciso ter: que está TUDO bem.

E percebo que foi naquele abraço de sabor a casa que encontrei tanta coisa, mesmo quando me perdi, quando nos perdemos!, em loucuras e devaneios, encontrei aquele pedaço de mim que eu não sabia que me faltava.

Perdi-me. Encontrei-me. Rendi-me às palavras que me recuso a escrever, mesmo que inclua a maior de todas!
Podia fazer um desenho para substituir as palavras que recuso, mas continuo a preferir a junção das letras ao traço do lápis. Pego nas letras baralhadas como um baralho de cartas e formo palavras que, juntas, formam frases que em poesia ou prosa transmitem tudo aquilo que sinto à flor da pele

…incluindo o medo

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