A última noite, ou a noite passada como prefiro chamar ao que vai sucedendo sem ter prazo de validade pré-definido, essa noite…a noite passada em branco, ao sabor dos picos agudos de dor muito violenta e agressiva de me fazer gritar alto a dor…a noite toda passada em branco enquanto lá fora uma gigante tempestade solar pintava o nosso céu nocturno de auroras boreais cor de rosa choque. E a ideia, disparatada por não ter condições para concretizar em segurança e de forma confortável, de ir fixar o olhar na linha do Horizonte sobre o Mar na noite escura de Lua Nova sem conseguir distinguir o escuro do céu e a escuridão do Mar.
Noite miserável passada em branco ao som de quem grita a dor para tornar suportável o insuportável. Adormecer, esgotada, muito perto das 6h da manhã para acordar às 10h e muito pouco para mais uma entrega da Alma dos Livros que, mais uma vez, me aconchegou logo pelo embrulho.
Tê-lo perto, à distância de um clique, partilhar momentos. Que são nossos, tão nossos. Tão metade um do outro como duas peças de Lego que encaixam na perfeição. Tê-lo tão perto, tão já ali e poder dizer tudo e sentir tudo. Ou simplesmente estar ali. Com a minha cabeça no colo dele enquanto os dedos passeiam no meu cabelo até eu adormecer. É tão isto. É tão SÓ ISTO…
A noite tão miserável, tão cheia de dor e os gritos de quem tenta fazer suportável o insuportável. A manhã e a tarde em sossego sem dor e ele já ali, à distância de um clique. É a isto que chamam de equilíbrio? Provavelmente.
Agora? Hora de enfrentar a próxima noite preferencialmente de forma tranquila, sossegada e sem dores mas nunca esquecendo que à distância de um clique está um colo para eu adormecer de mão dada com ele…

