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Fazer de conta continua a ser uma espécie de passatempo para quem também não tem muito para fazer. Assim tipo eu. Por isso é que me atrevo a assumir a perícia no papel de quem brinca ao Faz de Conta.

Todos os dias faço de conta alguma coisa: que estou bem, que os meus dias são muito interessantes e tranquilos, que não tenho dores, sei lá eu o que mais.

Os dias chegam, as datas passam, outras aproximam-se ainda à distância e eu faço de conta. Que são dias sem importância, datas sem relevo, as que passam e as que se aproximam. Que numa data ou na outra eu não gostaria de fazer diferente, de estar e ser presente. De, numa data ou outra, fazer acontecer.

Faço de conta também que não tenho sinais activos, já confirmados por quem sabe, de uma perturbação de personalidade que treme de medo do abandono. Efectivo ou imaginado. Possível ou nem por isso. E hoje, neste dia específico do mês mais longo do ano, Janeiro do frio imenso, o medo do abandono mais parece o pânico ou o pavor do abandono. Mas irei continuar a fazer de conta que estou tranquila e que tenho exactamente 2 meses para fazer não sei o quê de diferente numa data que é minha e que quero partilhar e fazer acontecer.

Mas continuo a fazer de conta. Que está tudo bem, que não se passa nada, que não tenho medo. Do abandono, efectivo ou imaginado, possível ou nem por isso…mas o medo que é pânico que é pavor é profundamente real. E é tão parte intensa de mim que, neste ponto, não consigo fazer de conta que estou tranquila…

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