Há dias em que a vontade é fazer fast forward para chegar mais rapidamente ao dia seguinte. Não que o dia seguinte prometa qualquer coisa, seja o que for!, de diferente ou melhor ou mais interessante. Porque, já se sabe, os meus dias não variam muito. E, estando eu já habituada a essa repetição diária, está tudo bem. Mas essa vontade de fazer fast forward existe até mais vezes do que eu gostaria que acontecesse…
Está muito relacionada, essa vontade de fazer fast forward, com o que me acontece todos os dias: as ondas de picos de dor violenta. Como está a acontecer neste preciso momento quando, a julgar pela hora da madrugada, eu devia estar a dormir…
A dor que não tem relação com nenhuma lesão física porque não existe qualquer lesão traumática que justifique a existência da dor, mas existe uma enorme falha na comunicação entre nervos e cérebro. Porque, quando existe essa comunicação num sistema já de si lesionado, alguma coisa vai falhar e o cérebro vai ler e transmitir erradamente uma dor neuropática violenta como se efectivamente houvesse uma lesão…
…e seria tão mais fácil de tratar, aliviar e até curar essa dor se estivesse realmente a ser provocada por uma lesão física! Dizem que um braço partido dá muitas dores. E eu não duvido que dê. O máximo que já tive que tratar e curar, depois de vários entorses, foi uma rotura de ligamentos num tornozelo. Na altura doeu? Claro que sim. A recuperação da lesão foi lenta, 10 meses até deixar as muletas de vez. Fisioterapia e uma muito dolorosa infiltração, mil cuidados para tratar e curar a rotura de ligamentos mas sempre com um objectivo muito concreto: a cura e a recuperação total dos ligamentos.
Mas, no caso da rotura de ligamentos, havia dor com origem perfeitamente identificada. E havia também uma garantia tão importante: poderia demorar alguns meses, como aconteceu!, mas era possível tratar, recuperar e curar! E no decorrer desse processo de tratar, recuperar e curar a dor foi-se dissipando até desaparecer de vez…
A dor que tenho no meu braço, apesar de resultar de uma leitura incorrecta do meu cérebro, existe!, é real, dói bastante e chega a ser incapacitante. Mas aqui não é possível aplicar aquelas três etapas de tratar, recuperar e curar a dor. Porque não existe qualquer lesão traumática associada.
Por isso, por favor!, deixem-me fazer fast forward para o dia seguinte! Nem que seja só para não continuar a suportar os picos de dor violenta de hoje…

