Dia 29. De Janeiro, do ano, de publicações no blog desde que mudámos de ano. Podia ter um outro significado qualquer, até mais interessante ou até importante. Não tem. É só mesmo um número de uma contagem de calendário, não representa absolutamente nada e não interessa a ninguém. E, só por isso!, reafirmo a importância de assumir a postura de pinguim de Madagascar: encolher os ombros, sorrir e acenar.
E percebo agora que o simples acto de encolher os ombros está cada vez mais presente em mim. Funciona como dispositivo interno de autodefesa para quando a realidade à minha volta parece não fazer qualquer sentido. Em vez de me chatear, de me preocupar, de perder tempo a construir uma teoria que aparente explicar o que de tão estranho se passa e que consiga ser ainda mais estranha e sem sentido, simplesmente encolho os ombros, não oferecendo qualquer tipo de sustentação ao que, para mim, não faz qualquer sentido…
O que também não faz sentido é o que não acontece nos meus dias…porque, na realidade, os meus dias estão resumidos a fisioterapia a meio da manhã às segundas, quartas e sextas, Yoga às quartas ao fim da tarde e aos sábados de manhã e rigorosamente mais nada. Regressar ao trabalho? Continua a não estar nos planos. Estar com alguém daqueles a quem já me atrevi a chamar de amigos? Diz quem sabe que as redes de apoio constituídas pelos amigos são essenciais para uma boa saúde mental. Talvez a ausência de rede de apoio, mas especialmente rede de apoio de proximidade, explique a minha permanente luta para melhorar a minha saúde mental e o recorrente seguimento clínico.
Talvez assim consiga explicar, de modo que EU entenda, este dia 29. Que todo ele foi estranho e vazio ao ponto de não conseguir organizar muito bem a ordem cronológica. Pelo menos não até às 16h40m. Até aqui a minha memória diz-me que não aconteceu rigorosamente nada. Como se o dia não tivesse existido. Ou……ou sei lá eu o quê! E este vazio na minha memória incomoda e faz confusão!
Se, ao início da noite, o Bruno não tivesse vindo cá para mais uma sessão de Acupuntura, então aí sim!, teria sido um dia sem existência. Um dia profundamente vazio…e eu estou tão cansada de resumir os meus dias a isso mesmo, ao vazio, à não existência…
Um dia. Um dia os meus dias vão melhorar. Eu, fisicamente, nem por isso. Mas continuarei por aqui. A fazer não sei exactamente o quê. Mas cá estarei…

