Daily Archives: 30/01/2026

{#030.336.2026}

Janeiro a chegar ao fim ao mesmo tempo que eu inicio um percurso de…nem sei exactamente o que lhe chamar porque não gosto do termo “reabilitação” assim como também não gosto de “recuperação” porque ambos me remetem para uma perda que eu ainda não aprendi a encaixar. Eu sei que tenho dificuldades e até limitações. Mas não consigo dizer que são resultado de perdas de pedaços de mim, que existiram no meu “antes” e que praticamente não reconheço o que sobrou para o meu “depois“, que já é “agora“. E é neste agora que tenho que me focar e aceitar que o percurso que agora inicio na fisioterapia não é uma reabilitação nem uma recuperação mas é, sem qualquer dúvida, um intenso trabalho de manutenção. Porque preciso manter o que tenho! Por não querer ter ou ser ou o que seja aquela imagem com a qual não me identifico nem me reconheço.

Eu achava que estava bem acompanhada na clínica, mas apesar disso também sentia que faltava qualquer coisa importante para activar a neuroplasticidade, a capacidade de adaptação do cérebro carregado de lesões que é o meu. Até me cruzar com o Bruno. Não sei como não dei por ele antes na clínica, talvez por incompatibilidade de horários e de distribuição de trabalho na clínica. Sei, sim, que bastou um momento de crise de picos de dor violenta para ele se aproximar, me mexer na Cervical como nunca ninguém tinha mexido e falar-me da Acupuntura.

Foi aí que abri a porta de casa ao fisioterapeuta que também é acupuntor e pedi na clínica para trocar de fisioterapeuta. O inicial está seriamente lesionado, de baixa para recuperação de cirurgia após lesão severa do menisco e sem previsão de data para regressar. E quem ficou a substituí-lo…bem, não me fez sentir motivada nem me apresentou qualquer objectivo concreto com os poucos exercícios que me apresentou.

Com o Bruno o trabalho é muito diferente. E começa logo por ser, para mim!, um trabalho e não um tratamento. É intenso e vai exigir muito do meu corpo. Há muito tempo que não me mexia desta forma. É quase como ir ao ginásio! Mas todo o trabalho tem um objectivo claro, e relembrar o meu cérebro de como manter o equilíbrio é apenas uma parte do que estamos a fazer.

E ter no fisioterapeuta alguém em quem eu confio e que me está a ensinar e a relembrar como dar “só mais um passo” e ainda fazer de mim um desafio e também um caso de estudo para apresentar nem sei bem onde…estou bem acompanhada! Não consigo ficar desanimada quando percebo ter ali alguém que, já sei, vai puxar muito por mim e vai fazer o percurso ao meu lado!

Um dia de cada vez. O Bruno tem o que eu preciso, começando pelo ânimo e passando pelo percurso delineado que é sempre possível reajustar.

Vai correr tudo bem. Desde o primeiro dia, e esse primeiro dia já vai fazer 2 anos, que eu digo que não quero caminhos fáceis, já sei que esse caminho fácil não me vai levar longe. Por isso, aplico a minha norma: se é para fazer, é para fazer bem feito. E agora, depois de perceber o desvio na rota para caminhos mais fáceis e de regressar ao trabalho com sentido para activar a neuroplasticidade, estou no caminho certo.