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Janeiro, dia 31. Aquele dia em que o mês mais comprido do ano, com uma duração média entre os 3 e os 6 meses e nunca os 31 dias que o calendário conta, chega ao fim. É sabido que este período, que corresponde ao início do ano e coincide com o doloroso pico do Inverno, é uma espécie de estágio para o resto do ano. Funciona um pouco como uma espécie de menu de degustação com a diferença de não ser possível mandar para trás para pedir algo diferente ou simplesmente deixar à beira do prato porque houve por ali qualquer coisa que não correu tão bem.

Estágio concluído nestes 31 dias de três a seis meses de duração, acho que já posso dizer que estou pronta para o resto do ano. É sempre um dia de cada vez, claro que sim, para mim e para as árvores despidas pelo Inverno que mantêm a rota dos seus muitos ramos nus em direcção ao céu. Ramos nus que desenham o céu quando olho para cima, com riscos que lembram cicatrizes dos caminhos já percorridos ao mesmo tempo que parecem trajectos delineados num mapa geral com todas as possíveis opções de escolha para chegar não sei muito bem onde. Mas, e lembrei-me de repente, o destino ou meta final não é o mais importante. O caminho percorrido, esse sim!, é o que faz toda a diferença. Seja pela rota levada, pelas pessoas com quem nos cruzamos, pelas experiências vividas. Ou o que for que componha essa viagem nesse caminho que é o de cada um.

Estou cansada. Dos 31 dias de Janeiro entre os três e os seis meses? Talvez um pouco por causa do frio deste período, sendo sempre o frio a pior de todas as experiências deste estágio.

Continuarei a olhar para cima. Continuarei a olhar para as árvores. E, com mapa ou sem ele, continuarei a fazer o meu caminho. Devagar. Devagarinho. Sem pressa. Com ele de mão dada comigo enquanto percorro o meu caminho, onde todos os dias cresço mais um bocadinho graças ao que aprendo, ao que experiencio e ao que vivo no meu caminho com algumas pistas que posso ou não seguir e que me farão chegar não sei onde, não sei quando, não sei com quem, mas decididamente comigo mesma. Seja lá eu quem for nessa chegada, mas serei sempre eu

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