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Não são promessas de amor eterno, essas já caíram em desuso por serem palavras apenas. Não são declarações de amor, essas já não se fazem com espectáculo, música e dança porque o corpo já não vai nisso. Não são nada dessas coisas, com ou sem ramos de flores que habitam a Primavera noutra latitude que não a nossa de pleno Inverno, flores que, por muito bonitas, não lhes dou mais de 3 dias numa jarra esquecidas num qualquer canto para onde nem se olha. Também não são postais, menos ainda cartas de amor. Daquelas que, acreditando nas palavras do poeta, serão ridículas. Não serão essas palavras gravadas a tinta no papel, não serão essas palavras num suporte físico em contraponto ao digital.

…não será nada disso…

Serão aqueles momentos únicos que pertencem em exclusivo a quem os vive em conjunto. A quem, a dois, escreve uma história que ninguém lerá por ser exclusiva de quem a escreve, de quem a sente, de quem a vive. Serão aqueles momentos de descoberta, sempre os dois, que exploram caminhos com as pontas dos dedos, que sentem cada traço como pertencendo a ambos. Serão aqueles momentos, sempre os dois, de partilha depois da descoberta daqueles traços que lhes pertencem, partilha do que faz sentido a cada um para regressar à descoberta e reconhecer na partilha desse momento, que só eles entendem porque só eles o sentem e vivem, esse momento de união em que dois são só um.

Não, não será nada como nos livros, nas histórias, nos poemas. Não será nada como nos filmes no cinema, como as séries na televisão, como nas tábuas do teatro. Não, nunca será nada assim. Porque ser assim é quase banal por ser tão corriqueiro, tão demasiado normal, sem a magia do encontro, sem o encanto da partilha, sem a devoção da descoberta. Por isso não!, não vai ser nada disso assim!

Não haverá promessas do que não se consegue garantir. Não haverá declarações romantizadas do que é sentido nas entranhas, não haverá nada disso!

Mas o toque, o cheiro, a necessidade, a urgência! O toque explosivo de pele com pele. A embriaguez olfactiva daquele cheiro único que não se encontra em mais lado nenhum. A pele que estala antes de tocar noutra pele, como um grito de quem precisa de um toque para se encontrar, a urgência de quem se perde a tentar encontrar o caminho. Haverá tudo isso! O (re)encontro, o (re)conhecimento. O encontro com aquela realidade que há tanto tempo, tantos anos!, estava logo ali, em silêncio, recatado? Talvez, ou distraído, quem sabe? Ninguém. Nem é importante saber o antes, porque o logo ali passou agora para já aqui. E é já aqui que começa a surpresa da descoberta que todos os dias se renova, da partilha. De histórias, memórias, experiências, emoções… Emoções que inspiram e geram sensações. A dois ou a…

São momentos. A dois. Dos dois. E serão, sempre!, momentos de partilha que resultam numa explosão unânime de emoções, sensações……momentos de uma união sem comparação, vinda de outros tempos. Outras vidas?, quem sabe. Mas haverá essa partilha que levará a essa explosão. Dos dois. Como um só.

Nada é como já foi escrito. Porque os dois ainda não pararam para escrever a história. Numa prosa mais ou menos complexa, numa poesia mais ou menos bonita, num livro mais ou menos expressiv, numa biblioteca mais ou menos completa. A um. A dois. A……

Ninguém tem que entender. Aceitar? Não nos cabe a nós decidir. É a nossa melhor versão que (d)escreve a nossa história. É a nossa melhor versão que vive a nossa história. A nossa melhor versão, mas sempre sempre sempre por inteiro. Tenha o volume que tiver. Tenha quantas personagens tiver. Ter-nos-á, sempre!, por inteiro! Aos dois! Aos…

São momentos. A dois. Dos dois. De partilha. De união. De fusão. Por completo. Por inteiro!

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