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Eu sei, e o pior é que eu sei sempre!, que entre a miragem e o registo físico eu devia sempre optar pelo registo físico. Mas continuo a seguir caminho na miragem, aquele caminho que não leva a sítio nenhum porque…não existe.

Não existe. Não é real. De um lado, o meu!, existe algo real. Muito forte. Muito intenso. Não é palpável? Pois…não. Mas não é por isso que não é real. E acredito que, na realidade da miragem, também existe algo não palpável que não deixa de ser real.

Mas depois há tanta coisa que sustenta a miragem, seja o tempo, seja o hábito, eventualmente o medo?, medo da mudança depois de tanto tempo de hábito que, mesmo com momentos de desconforto, se tornou demasiado confortável para decidir começar de novo noutro registo.

E eu, deste lado, a saber, porque sempre soube!, que devia ter feito uma curva à esquerda em vez de continuar em frente, em direcção à tal miragem que se confirma agora ser o que sempre soube: o verdadeiro precipício, profundo, abismal, sem retorno…

Eu sei. Eu sei porque sempre soube! O registo físico em primeiro lugar. Porque esse, ao contrário da miragem, corresponde ao que sei merecer e tantas vezes distorço a realidade e acho que, afinal!, não!

É uma luta interna muito pesada. E que só eu posso travar. Só eu posso resolver. Mas, para mim!, aquilo que é chamado de miragem é tão mais do que isso. É palpável? Pois…também não. Mas não deixa de ser real! E é também por isso que eu não quero esta luta. Uma luta que me faria, ou que me fará?, recomeçar tudo de novo. Tudo a partir do zero. E eu…

…eu NÃO quero!…

Não quero recomeçar tudo mais uma vez quando ainda estou a aprender a lidar com peças defeituosas que trago de origem. Não quero voltar a ver-me sozinha, mãos à frente do corpo, com os dedos entrelaçados e a olhar à volta para decidir uma nova direcção.

Eu sei. Eu sei!, o registo físico tem toque, tem cheiro, tem som, tem sabor! Tem isso tudo! Mas eu não sei ter isso num registo físico quando já encontrei naquilo que me garantem não ser mais do que uma miragem…e eu não quero, não quero, NÃO QUERO abrir mão desta so called miragem onde tenho tudo o que há tanto tempo acreditei que não seria para mim e que hoje tenho a certeza que também é para mim!

Estou em luta interna comigo mesma. E também não quero…mas eu sei! Porque sempre soube

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