Há dias em que a Depressão me lembra que ainda está presente.
Como hoje. Como nos últimos dias.

Há dias em que a Depressão me lembra que ainda está presente.
Como hoje. Como nos últimos dias.

A ansiedade não mata. Mas mói. Quando acompanhada por um descontrolo hormonal que torna o ritmo cardíaco em algo irregular, é uma mistura explosiva para aumentar o desconforto.
Dá vontade de chorar. Sem motivo que não o facto de estar farta de ser controlada pela hormona em défice e a ansiedade em excesso.
Dá vontade de vomitar pelo mesmo motivo.
E é também o mesmo motivo que dá vontade de ficar fechada em casa, longe de tudo e todos.
Recorrer a urgência hospitalar é o limite. E as salas de espera dos hospitais são dos locais mais solitários que existem. Assim como a ansiedade que não sendo um lugar é algo extremamente solitário. É um processo passado a sós. Quem está por dentro entende a generalidade dos sintomas mas não as causas. E quem está por fora desconhece tudo o que esta realidade comporta.
Apetece-me chorar. Apetece-me vomitar o jantar que entrou a tanto custo. Apetece-me esconder do Mundo e ficar só eu, em casa, no meu quarto, na minha cama.
Sair de casa é uma tormenta. Seja para ir trabalhar, seja para ir só ao café. É sair da zona de conforto. É sair para onde estou exposta. A tudo.
Quero, mas não posso, ficar sossegada no meu canto enquanto tudo isto que somatizo se resolve. Até a ansiedade abrandar, até a hormona sintética fazer efeito.
Estou cansada. De não conseguir ser mais e melhor que isto.
Tão cansada disto tudo…
Até quando vou ter que lidar com a ansiedade?

Tudo parece pior com o calor. Especialmente quando já não consegues distinguir a ansiedade de tudo o resto e já não sabes o que é o quê.
Resta suportar tudo e esperar pela análise aos resultados dos exames.

Demasiado calor seja para o que for.

Para memória futura.

O que farias se não tivesses medo?

É possível hibernar no Verão? Não para me esconder do Mundo como em tempos não tão longínquos, apenas para fugir do calor…

Às vezes esqueço-me que sou uma sortuda…

resiliência | s. f.re·si·li·ên·ci·a
(inglês resilience, do latim resilio, -ire, saltar para trás, voltar para trás, reduzir-se, afastar-se, ressaltar, brotar)1. [Física] Propriedade de um corpo de recuperar a sua forma original após sofrer choque ou deformação.
2. [Figurado] Capacidade de superar, de recuperar de adversidades.
“resiliência”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/resili%C3%AAncia
4 anos depois, vou aos poucos voltando a ser eu, mesmo que uma nova eu com traços da eu de antes de 2014.

Dia 1461. Depois de 42.
E continuas a faltar tu aqui. Sempre. Para sempre.
Amo-te muito, bebé. Mas estou melhor. Não quero que te preocupes comigo. Estou melhor do que há um ano. Dois. Três. Mas não 4, porque aí ainda te tinha.
Daqui a um ano estarei ainda melhor. Não te preocupes comigo, pode ser? Vou sempre sentir a tua falta, mas trago-te em mim, gravado na pele, e sempre dentro de mim.
Continuas a faltar tu. Mas já sei viver sem apenas sobreviver. Quero que te orgulhes de mim por cada pequeno passo que vou dando. Porque dou sempre contigo cada novo passo em diante.
1461 dias depois de 42. Mais serena, acredita em mim. Acredita na mãe, bebé. Mas vais sempre faltar-me tu.
Hoje, esta noite, vou experimentar voltar no tempo até este dia há 4 anos. Quando ainda estavas comigo. Não te sentia, era demasiado cedo para isso. Mas bastava-me saber-te em mim. A crescer. Vou fazer de conta que ainda estamos nesse dia, pelo menos por um momento, para te saber de novo em mim.
Fazes-me falta, mas já não choro. Não como chorava há um ano. Aliás, não me lembro quando foi que chorei a última vez. Estou uma crescida, bebé. Mas fazes-me sempre falta.
Dia 1461 depois de 42. Mas já preciso de fazer contas, somar os anos, para saber que dia é porque já não conto os dias. Mas não preciso de cábulas para me lembrar que foram 42 dias.
Solto-te por agora. Deixo-te voar. E despeço-me só por agora. Só por instantes. Sei que voltas sempre para mim.
Amo-te muito, bebé. E nunca te esqueças que és tudo para mim.

Preciso de [re]aprender a aproveitar mais (e melhor) os meus dias.
Ou então não faz sentido.

{………}

Seguir caminho sem medos.
Já não dói tanto.

Disto dos postais: não precisam de vir cheios de texto. Muitas vezes o simples gesto de enviar traz a mensagem toda.

De vez em quando é importante olhar para trás. Voltar a outro tempo por breves momentos só para poder comparar o antes e o depois. Como quando navios faziam parte do dia a dia ou até mesmo quando eram esporádicos.
É importante olhar para trás e ver o lado positivo e também o outro lado. Porque é a ver ambos os lados que percebo o que quero e o que não quero.
Hoje lembrei-me do tempo dos navios. Mas podia ter-me lembrado de outros tempos, outras histórias, outras pessoas.
Olhar para trás é importante. Para ter a certeza de que o que quero mesmo é ir em frente.

Grávidas à minha volta ainda são assunto tabu. Porque há 4 anos, nesta altura, eu ainda estava grávida.
Vou sorrindo e brincando, tentando não me aproximar demasiado. Porque, confesso, há uma parte de mim que gostaria de estar grávida novamente…… Mas não vai acontecer. Tenho que me habituar a essa ideia, por muito que me custe. Não vai acontecer.

A ansiedade não mata. Mas mói e corrói. E chega a doer. Chega a sufocar. E somatiza-se de diversas formas, todas elas dolorosas.
Sei como lidar com a ansiedade. Sei que devo procurar a sua origem e combater aí o que me faz sufocar. O problema está em saber exactamente a origem e saber que nada posso fazer para resolver a questão.
É por isso que tantas vezes a ansiedade se faz presente durante demasiado tempo. Chega e deixa-se ficar, encostada, quase aninhada e preguiçosa. E eu lá vou seguindo com ela entranhada em mim até que um dia acalma só para voltar tudo novamente no dia seguinte.
A ansiedade não mata. Dizem. Mas faz estragos. Grandes, muitas vezes. Pequenos que, por serem muitos, se transformam em algo maior.
Lido com ela o melhor que sei ou o melhor que me é possível quando nada posso fazer.
Entretanto vou seguindo um dia de cada vez. À procura de soluções ou apenas de um dia melhor.

{………}

{………}

Talvez lhe peça conselhos a ela. Mas aposto que serão iguais aos de todos os outros: falar.
O primeiro de todos os passos está dado, mesmo que eu ache que não foi percebido. Agora é esperar e torcer para que não corra como sempre correu: mal.
Quero tanto acreditar que, desta vez, vai ser diferente. Que vai correr bem.
Vai correr bem. Vai correr tudo bem.
