Author Archives: Kooka

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Se perguntarem por mim, dir-vos-ei que não estou. Esta que vos fala é outra que não eu.

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Não gosto de fazer planos, mas pedem-me que comece a programar os meses lá mais para a frente. Como é que se sabe hoje o que se vai querer fazer daqui a 6 meses?

Por outro lado, sei que gostaria que esse tempo fosse tranquilo, mais do que há 6 meses. E quero acreditar que vai ser.

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Às vezes apetece-me escrever coisas bonitas. Mas nem sempre o dia colabora e o frio, esse, nunca ajuda. Como hoje.

Falta muito para estar um bocadinho menos frio?

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Das pequenas coisas: 18h e ainda não é de noite. E a vontade de escrever coisas mais animadas. Porque, ao contrário de há 6 meses, é esse o espírito: animado. Mas acho que só sei escrever quando me dói.

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Mimos na caixa de correio. Arrancam-me sempre sorrisos.

Falta muito para a Primavera…? Começo a perceber como se sentem as flores no Inverno e a necessidade que os animais têm em hibernar.

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“A vida corre sem rédeas, deixa-te surpreender…”

E eu que sim, que deixo. A medo, sempre a medo, mas aos poucos a deixar que a vida vá correndo solta e que me surpreenda como já o tem feito. E faz todos os dias um pouco mais. Mas sim, vou permitir-me ser surpreendida.

Porque olhar em frente é também uma forma de me surpreender. Que a vida corra, então.

E sim, “eu também”…

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Tenho vontade de te perguntar: caminhas comigo? A meu lado, do meu lado. Prometo fazer o melhor que sei, ser o melhor que sou. Não sou tão difícil como posso parecer. Não exijo nada, mas sei o que mereço e o que já não é para mim.

Tenho vontade de te perguntar. Tanta coisa que no fundo é tão pouca. Não exijo nada, e se peço é tão pouco.

Caminhas comigo? Em frente, sempre, um dia atrás do outro atrás do um. O que for, será. O que tiver que ser, seja.

Caminhas comigo? Eu caminho contigo se os caminhos forem os mesmos.

Caminha comigo. Vai valer a pena o caminho.

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Acho que assusto. Especialmente quem vem de novo. Mas, apesar de parecer complexa e de trazer comigo alguma bagagem, sou tão mais simples do que posso parecer. E bagagem todos trazemos.

Sim, talvez assuste, especialmente pelo que escrevo e pelo que revelo. Mas é tudo tão simples……

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Detesto estar doente…

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Andar na corda bamba. Sou especialista nisso.

Mas algum dia terei que ajustar a tensão da corda porque é importante regular o equilíbrio. E é do desequilíbrio que estou cansada.

Andar na corda, sim. Mas não bamba ao ponto de cair novamente.

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“Ar a mais?”

Sim, às vezes é uma questão de ar a mais. E eu rio-me porque acho efectivamente piada a pequenas coisas como esta. Mas rio-me aquele risinho não só de quem achou piada mas também de quem percebeu o tipo de humor e identifica-se com ele. E solto um daqueles risinhos quase infantis e ao canto da boca porque, afinal, foi um ar que me deu.

E depois desconstruo e volto a desconstruir e afinal se calhar há filmes que não passam disso mesmo, filmes, ficção. E há outros pormenores que ainda não são claros mas que para mim fazem cada vez mais sentido.

Mas é tudo uma questão de ar. E se, um dia, o ar me faltar novamente que seja não pelos filmes que faço na minha cabeça mas sim porque é a corrente de ar certa.

É tudo uma questão de ar. A mais. E a forma como me rio. Do ar a mais.

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Partilhar momentos. Não peço muito, na verdade. Apenas poder partilhar momentos.

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Ainda a tentar perceber se ontem vi ou não vi o que me convenci a mim mesma que vi.

E se não tiver visto, apenas tiver achado que vi porque os olhos também enganam e os meus já tiveram melhores dias?

E se, por outro lado, tiver mesmo visto o que acho que vi sem ter já certeza de nada?

Um gesto. Um simples gesto. De cumplicidade, de união, de uma história… Vi ou imaginei?

A dúvida vai ficar por cá algum tempo. Talvez um dia se dissipe ou talvez se esclareça. Mas não vou perguntar. A menos que me seja aberta a porta directamente para o fazer. E mesmo assim…mesmo assim prefiro manter comigo o pior cenário.

Dói menos. Mesmo que a dúvida se instale e corroa.

{#28.338}

Borderline é sentir tudo ao extremo. É criar filmes na minha cabeça e ter que lidar com eles, sejam mais ou menos próximos da realidade. É ter que senti-los ao extremo sem saber o que fazer com todo o turbilhão que se sente. É a ansiedade ao extremo que fica durante horas a moer até que chega aquele momento em que todo o corpo treme porque já não aguenta deixar as dúvidas todas cá dentro.

Borderline também é isto. E desejar ser uma pessoa normal com reacções normais em situações normais que acontecem de mal entendidos ou subentendidos ou nada entendidos ou simplesmente entendidos porque o que se vê está ali. Ou se calhar não se viu, imaginou-se. E do que se imaginou aceitar à partida o pior cenário.

Porque o pior cenário é mais fácil de aceitar à partida porque, se estiver certa, não vai custar tanto e se estiver errada tanto melhor.

Podia não ser Borderline. Não, na realidade não podia. Mas todos os dias tento aprender a lidar com isto de sentir tudo demasiado, para o bom e para o mau. Tento aprender a ser um bocadinho menos Borderline a cada nova situação que surge. Como hoje.

Mas não consigo. Porque quando sinto, sinto muito. Tudo. E hoje gostava de não ter começado a sentir assim.

{#27.339}

Faço hoje o que não conseguia fazer há 6 meses: estar sozinha em casa. Passar várias noites sozinha em casa…

E cada vez mais me parece que não sei estar sozinha comigo mesma… Se por um lado é bom esta espécie de autonomia, por outro lado confirma-me que ainda tenho um longo caminho a percorrer para uma autonomia plena.

Mas devagar… Devagar, um dia atrás do outro atrás do um. Há 6 meses era impensável estar assim, sozinha. Quem sabe como será daqui a mais 6 meses?

{#26.340}

A Depressão disfarça-se de muitas formas. E quando tudo parece estar melhor, e está, ela veste um dos seus muitos disfarces e faz-se presente.

A viagem no carrossel comboio fantasma montanha russa que não precisa de moedas está muito mais suave, mas nem por isso terminou. E fechar-me na concha é só um dos muitos disfarces que lhe tenho visto nos últimos tempos.

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{…………}

{#24.342}

Parar uns segundos para aproveitar as coisas bonitas. Como o nevoeiro ao longe ao nascer do dia.

{#23.343}

Entendes o conceito de Esperança quando, em pleno mês de Janeiro, algo te faz voltar para trás para perceberes que encontraste a primeira papoila do ano. Fora de tempo, mas a lembrar que sim, tudo melhora.

São estas pequeninas coisas que me fazem parar na correria da manhã a caminho dos transportes e voltar para trás apenas para guardar o registo.

São estas pequeninas coisas que contam como grandes. E me fazem ganhar o dia. Mesmo que o dia ainda estivesse tão no início, mesmo que passasse pouco tempo das 7 horas da manhã. Tudo o que bom veio depois foi apenas lucro.

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{………}

{#21.345}

Os domingos também podem ser assim: tranquilos e sem culpas.