Author Archives: Kooka

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Se perguntarem por mim, dir-vos-ei que não estou. Esta que vos fala é outra que não eu.

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Tentativa e erro. Um dia eventualmente acertas. Se não acertares então é porque provavelmente não é para ti. Siga!

Faltam 20 dias para acabar o ano e tenho na minha cabeça uma reflexão constante sobre os últimos 345 dias. Talvez ainda venha a escrever sobre isso, uma vez que falar com alguém sobre isso tem sido constantemente adiado. Siga também!

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Fim de férias.

Dizem que as rotinas fazem falta. Não sei se estou preparada para regressar.

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– Sabes fazer tricot e crochet?

– Não…

– Então porque insistes em fazer?

– Porque posso!

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“Não conhecemos o amor antes do amor.”

José SaramagoDeste Mundo e Do Outro (crónicas)

E saberemos reconhecê-lo? Há tantas formas diferentes de o identificar que podem muitas vezes gerar confusão. Assim como também há tantas formas de o expressar que podem muitas vezes não ser entendidas.

Mas não conhecemos mesmo o amor antes do amor, tenha ele, o amor, a forma que tiver. Tal como o vento que só conhecemos quando o sentimos tocar-nos no rosto. O amor não precisa de toque. Pode tocar-nos mas não precisa de toque para ser sentido.

Pode ser um sorriso. Expressivo, de adolescente, por vezes quase infantil. Ou pode vir num voto estrelado de boas noites. Ou simplesmente num olá, estou aqui mesmo que não esteja aí.

Não conhecemos o amor antes do amor. E depois de o conhecermos damos-lhe cor, cheiro, forma, gesto, toque.

E o sorriso que se guarda cá dentro porque oferecido, porque sentido.

Não. Não conhecemos o amor antes do amor. E nunca deixamos de o reconhecer. Mesmo de longe.

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Assintomática. Nem por isso mais segura. Talvez um pouco confiante. Mesmo que por vezes duvide se o que eu vejo é realmente o que me parece ser ou as coisas são simplesmente assim e não querem dizer mais nada.

Fazer, desfazer, voltar a tentar. É assim a aprendizagem. Talvez seja isso, uma aprendizagem. Embora eu veja algo mais.

Um ponto luminoso por cima do ombro? Talvez. Queria acreditar que sim.

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Ainda te lembras da importância de um sorriso? Claro que te lembras. E é por isso que guardas contigo os sorrisos com que te cruzas.

Como hoje. Mesmo que, ou especialmente quando, o sorriso que recebes te leve de volta à adolescência.

Em troca devias abrir mais o teu sorriso. Sei que sorris de volta e sei também que é a insegurança que te prende o sorriso. Não só, também sei. E nem sempre te é fácil. Mas acredita na importância dos sorrisos e, especialmente, acredita em ti.

Vai correr tudo bem. Porque, já sabes, “está tudo bem”.

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Lembra-te: sem pressa. Mas sem perder Tempo.

Tudo acaba por se encaixar. E, quando se encaixar, o que tiver que ser, será. Cliché? Talvez. Mas não deixa de ser verdadeiro.

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Reconheces os sinais? Está na hora de aprenderes como reagir.

O receio do abandono e o medo da rejeição farão sempre parte. Só te falta saberes como domesticá-los.

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Cinzento também é cor. Mas, apesar de ser uma cor tipicamente Borderline, continuo a preferir as outras. Por isso vou jogando com todo o espectro e todas as tonalidades de cinzento.

Especialmente quando sinto falta daquilo a que me habituei tão facilmente e o ar parece faltar pela ausência e de repente faz-se presente e o cinzento desaparece… O ar volta. Volta sempre.

Não deixo que o cinzento se instale. Mesmo que se tente instalar devagarinho. Simplesmente tento baixar as expectativas e aguardo. Porque o ar tem voltado sempre.

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São Dois. Tão diferentes, tão meus.

“Vês, tia, aquilo é que era o emprego ideal para ti”, diz-me o Meu Um ao ver as bancas do Mercado de Natal.

Ou “A tia sabe fazer tudo. E faz tudo connosco”, diz o Meu Dois enquanto procuramos por pilhas e desmontamos brinquedos à procura delas.

Subir ao telhado, que é o mesmo que vir ter com eles, tem sido difícil. Tenho evitado porque as vozes ainda me sussurram a vertigem do salto. Mas desta vez não havia como evitar. E ainda bem.

Os Meus Dois, os Meus Tudo. Amor maior.

“Gosto de ti, tia”, seguido de “eu não gosto” e sei exactamente o que cada um me diz.

Tinha saudades deste Amor, aquele do A maiúsculo. Aquele que, sei-o, será para sempre porque eles são meus e eu sou deles.

Talvez me falte algo mais, mas estes Dois nunca me irão faltar.

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É tão bom ainda acreditar na magia. Seja ela a magia de uma roda gigante ou a de um carrossel de balões de ar quente.

Ou simplesmente acreditar em coisas boas que nos fazem sorrir.

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Das coisas que sabem bem: rever amigos, ser recebida com abraços e no final ouvir “gostei mesmo muito de te ver”.

Por outro lado, tenho saudades das feiras. Especialmente nesta época do ano. Não fazendo feiras há 14 meses, fiz amigos em 11 anos de feiras. E isso ninguém me tira.

É bom saber que gostam de nós.

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Cá em casa, já se sabe, não há árvore de Natal. Há muitos anos que é assim. Tantos que já passou a ser normal.

Às vezes tenho vontade de ter árvore de Natal. E hoje dei por mim a olhar para decorações de Natal e a pensar que gostava de voltar a decorar uma árvore de Natal.

Não vai acontecer. Mas este ano, ao contrário de anteriores em que não havia sequer vontade de ter Natal quanto mais árvore, este ano não há árvore de Natal apenas por ser incompatível com uma gata de 4 meses.

Quem sabe para o ano. Ou, quem sabe, alguém queira ajuda para decorar uma árvore de Natal.

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Ainda a vontade de verbalizar. De encher os dias de outras cores.

Ainda o medo, o receio. A cautela.

Não verbalizo. Mas também não o nego. Nem negarei se questionada.

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Apetece-me dizer coisas. Verbalizar. Constatar o que já é um facto. Não o faço. Não o vou fazer. Mas a vontade é grande e cresce todos os dias um pouco mais.

Volto a rotinas de mexer onde dói para que deixe de doer. Continuo a fazê-lo de outra forma para outros pontos que ainda doem.

E a vontade de verbalizar é tanta… Mas não o vou fazer. Guardo para mim. Talvez um dia…

Voltemos às rotinas de cura. Mantenha-se o rumo. Tudo a seu tempo. Tudo no seu tempo. E quem sabe um dia seja tempo de verbalizar.

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Devagar, sem pressa. O ar já entra e sai quase sem dificuldade.

Também agora um dia atrás do outro atrás do um. Sem pressa. Mesmo que não seja nada disto que tenha pensado para as minhas férias.

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Acordar cedo para o ar que não entra. Não entra nem sai. O ar que me foge.

Voltar às pulseiras amarelas e ficar por lá horas que demoram a passar. Cateter, injecção, análises, aerossóis, radiografia, mais aerossóis.

O ar que voltou por momentos.

Infecção respiratória. “Se a febre aparecer volte logo cá.” Até agora nada de febre, mas um calor desmedido e fora de tempo.

De resto? Podia ser pior. Tratada, medicada, vai passar. As férias? Logo se vê o que faço delas. Afinal, são 2 semanas. Espera-se melhorias muito em breve.

Até lá? Vou respirando sem pressa. Com tantas ideias do que gostaria mesmo sabendo que algumas não são possíveis, com poucos planos que não sei se cheguei a fazer e que dificilmente se poderão realizar, com vontade de dias de 72 horas para poder chegar a tudo o que queria.

Prefiro respirar, sem esforço e sem pressa. O resto? Logo se vê. Primeiro preciso de ficar bem.

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De férias desde as 18h. De cama há 2 dias…

Não tendo programado muita coisa para as férias, não era nada disto que tinha em mente.

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Pois……

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As mãos que não sabem estar quietas e qualquer pedaço de papel serve para rabiscar. E é bom perceber que rabiscam apenas por não saberem estar quietas em vez de se ocuparem para ocupar a cabeça.

Que continuem assim, irrequietas e não inquietas. Um dia atrás do outro atrás do um. Sem pressa. Mas com um sorrisinho ao canto da boca.