Author Archives: Kooka

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Se perguntarem por mim, dir-vos-ei que não estou. Esta que vos fala é outra que não eu.

#day51 out of 365plus1

Não me apetece escrever. Apetece-me falar. De viva voz, frente a frente, cara a cara, olhos nos olhos.

E a minha Lua que está lá sempre.

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#day50 out of 365plus1

Dia de folga, mas sempre um dia atrás do outro atrás do um.

Quem está e quem não está. Porque deixou de estar ou nunca esteve. Quem chega e vai ficando.

Sol. Mar. Sorrisos depois de lágrimas.

Um dia atrás do outro atrás do um.

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#day49 out of 365plus1

Facto: sou uma rapariga de sorte. E sou tão grata por isso.

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#day48 out of 365plus1

O Mundo é um lugar estranho. Nem sempre bonito. Muitas vezes tenho vontade de comprar um bilhete só de ida para longe.

Mas depois páro e lembro-me que o meu lugar é aqui. Ainda que cansada de pessoas. Das pessoas.

Podemos ter a Primavera o mais rápido possível?

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#day47 out of 365plus1

Um dia atrás do outro atrás do um. Sem pressa, sempre. Sem planos também, tenham eles o tamanho que tiverem.

Mas sempre sem me esquecer que não tenho Tempo para perder Tempo.  E sempre olhando para trás, para confirmar a distância percorrida neste caminho que é o meu, que é só meu.

Podia dizer que lamento algumas coisas deste caminho. Prefiro dizer, porque o sinto, que lhes sou grata apesar de tudo. Porque também essas coisas me fizeram crescer.

O caminho continua, ainda assim. Parar nunca. Ainda que a memória pregue partidas e se confunda com rajadas de vento que me abanam. Mas não me derrubam.

Um dia atrás do outro atrás do um. Sem pressa, sempre. Mas sem me esquecer que não tenho Tempo para perder Tempo.

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#day46 out of 365plus1

Bocadinhos de céu, bocadinhos de nuvens. Bocadinhos de azul, bocadinhos de cinza. Bocadinhos de sol, bocadinhos de chuva. Bocadinhos de vento, bocadinhos de brisa.

Esquizofrenia meteorológica. Ou como os opostos se completam.

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#day45 out of 365plus1

Há um ano escrevia as dores que me corriam por dentro. Em jeito de carta aberta a quem nunca chegou a ser mas foi. Mesmo não sendo.
Há um ano percebi o quão poderoso pode ser o desespero da dor, daquela dor que não se vê por não ser física.
Há um ano senti necessidade e vontade, muita, de acalmar essa dor não física e sabia perfeitamente como fazê-lo. Nenhuma dor física seria mais forte que a outra. Mas, sabia-o, permitir-me-ia esquecer por momentos a dor maior.
Há um ano dizia que não queria mais, que não aguentava mais. E não queria mesmo. E não aguentava mesmo.
Há um ano despedi-me. De tudo e de nada. De tudo o que me fazia doer. De nada que era só o que tinha.
Há um ano pedi uma mão que me trouxesse de novo à tona. “Não posso fazer mais nada por ti”, responderam-me. Respondeu-me. Ainda que pudesse.

Há um ano bati no fundo do fundo. Vi a única solução possível. Porquê continuar? Para quê suportar uma dor insuportável? Calar a dor. Calar aquela voz que me sussurrava e dizia “já chega”. Calar tudo.

Não esqueço. Como poderia? Lembro-me de todos os pormenores daquele dia, daquela noite. Todos os gestos. A vontade que me fazia mexer e a força que obrigava o meu corpo a ficar quieto. As vozes que me sussurravam, uma que dizia que sim, a outra que dizia que não. Os telefonemas que surgiram absolutamente por acaso e que cada vez que surgiam me traziam de volta daquele lugar escuro.

Sozinha em casa, há um ano. E a dor. E as lágrimas que teimavam em não parar de cair. O pedido de ajuda recusado. A única pessoa que poderia realmente ajudar-me naquele momento e que me disse, com todas as letras, “não posso fazer mais nada por ti”. Podias……

Foi há um ano. A dor acalmou. O que escrevi naquele dia em jeito de carta no éter voltaria a escrever. Já não como uma despedida. Apenas porque a saudade, essa, mantém-se. Ainda recordo tudo. Mas a dor já não me grita. Já não choro como há um ano embora ainda seja fácil, demasiado fácil, sentir o rosto molhar-se e a voz a tremer.

Não esqueço, como fazê-lo? Faz parte de mim, da minha História. E faz-me lembrar, tantas vezes, que podia não estar cá.

Dia estranho o de hoje. Dorido. Mas daquelas dores que o corpo dita e que facilmente se controlam quimicamente. E ao mesmo tempo a tentar não sentir a dor que senti há um ano. Que a sinto, como que cravada na pele.

Foi há um ano. Podia não estar cá.
Um ano depois, estou cá. A mão que pedi há um ano mantém a recusa da ajuda que já não preciso. E percebo, agora, que também isso me dói.

Não interessa a cor dos dias. Interessa a cor que lhes dou. E, se hoje variou nos tons de cinzento, amanhã tenho toda uma paleta para escolher. Porque não quero, nem vou, regressar àquele fundo do fundo onde estive há um ano e onde tudo era negro.

Regressemos aos dias de cor. De cores.

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#day44 out of 365plus1

Demasiado cansada. A sentir faltas. A reencontrar presenças. A ser e estar presente. Cansada, ainda assim.

Estar onde não me apetecia estar. Por mais nada que não a vontade de estar em casa, sossegada.

Por hoje chega. O jantar foi o suficiente para confirmar que preciso, mais uma vez, do meu espaço.

Cansada, apenas isso.image

#day43 out of 365plus1

Mais uma vez confirmo: gosto de dar. E pode dar-se tanto com tão pouco. Seja uma palavra, seja um gesto, seja uma presença mesmo que à distância. Pode parecer tão pouco e ser tanto e fazer a diferença.

Confirmo: gosto de dar.

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#day42 out of 365plus1

É possível gerir afectos? Ou simplesmente se tem ou não se tem?
Haverá afectos escritos, temporariamente, a lápis e outros marcados a caneta num traço permanente?
Quem é que apaga afectos como que com uma borracha que apaga rascunhos?

É possível gerir afectos. Os que se recebem mas, acima de tudo, os que se entregam. Não se gerem afectos como quem poupa para que não falte. Não se gerem afectos como quem dá mais do que tem, porque assim já não seriam afectos. Não existem afectos a crédito.

É possível gerir os afectos que se distribuem. Umas vezes na medida certa que nos merecem. Outras muito aquém, acredito. Mas nunca a crédito.

Gosto de afectos. E distribuo-os na proporção que os sinto. Porque sinto demasiado, tantas vezes, e distribuo tudo o que tenho.

Entretanto aprendi. É preciso gerir afectos. Não distribuir tudo de uma só vez. Guardar comigo, para mim, a parcela maior quando não há disponibilidade para receber. Não se perdem, apesar de tudo. Conservam-se os afectos até poderem ser recebidos. Mesmo que nunca venham a ser recebidos, os afectos estão lá, guardados comigo, em mim. Ainda que se anestesiem com o Tempo, ainda que adormeçam enquanto os guardo. Mas estão lá. Porque uma vez existentes não são apagados com borracha como um rascunho.

Distribuo afectos a quem conheço de sempre e a quem nem o nome sei. Porque sim e porque só sei ser assim. Recebo-os também. Uns escritos temporariamente a lápis, outros a caneta num traço permanente. E tantas vezes os confundo. E tantas vezes me confundo. Que chego a acreditar que são permanentes os escritos a lápis. Que são temporários os traços de caneta.

E é precisamente por tantas vezes os confundir, me confundir, que me imponho a gestão de afectos.

É possível gerir afectos?

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#day41 out of 365plus1

Há falta de Amor no Mundo. E é isso que tantas vezes me faz sentir como se tivesse aterrado no planeta errado. Como se não pertencesse aqui. Como se estivesse errada quando penso que as coisas são sempre mais simples do que parecem e fáceis de resolver havendo vontade. Ou, pelo menos, boa vontade.

Cansa-me um Mundo de insulto fácil só porque alguém não pensa da mesma forma, porque torce por uma cor diferente, porque seja no que for está noutra posição diferente.

Cansa-me um Mundo onde o respeito, a sensibilidade e a compreensão são bens em via de extinção. Não por excesso de uso mas pelo seu contrário.

Cansa-me um Mundo de constante competição, de movimentos e rotinas formatadas, de gestos automático de máquinas de carne e osso que, aparentemente, deixam o coração algures quando saem de casa pela manhã.

Cansa-me tudo isto. Cansa-me sentir que não pertenço aqui por não conseguir identificar-me com esta ausência de tudo. No fundo, ausência de Amor. Ao próximo e ao próprio.

E é sempre uma agradável surpresa quando percebo que não sou só eu a sentir o mesmo.

É tão estranho ver as voltas que o Mundo dá, esse mesmo Mundo onde tantas vezes sinto que não pertenço. Ver as voltas que o Mundo dá para me lembrar que, afinal, não estou sozinha. E também não estou errada quando opto pelo que é correcto.

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#day40 out of 365plus1

Há dias em que a vontade é esconder-me do Mundo. Sem um mínimo de paciência para nada.
Porque, mais uma vez, viajo no Tempo com demasiada facilidade. E mesmo não querendo sou transportada para aquele dia que nunca quis. Hoje e esse dia semelhantes em pequenas coisas, ainda que por motivos diferentes. Mas as sensações, essas, idênticas.

Impossível não me lembrar. Impossível não comparar.

Não quero. As memórias desse dia ou as sensações de hoje. Mas sei que não querer uma ou outra coisa, ou as duas, roça a ingratidão. É egoísmo. Admito. Ainda que apenas um dos processos seja exclusivamente meu. O outro, o que não é exclusivamente meu, acaba por também não ser partilhado, mesmo ao fim de todo este tempo. E também por isso não o quero recordar, não quero voltar lá de tempos a tempos porque é impossível não comparar.

Não vou descarrilar. Mas há alturas em que não sei qual direcção seguir. Especialmente quando me recordo que linhas paralelas serão sempre isso mesmo: paralelas.

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#day39 out of 365plus1

Quando a magia se perde, ficam apenas os vestígios do que já foi.
Perdeu-se algures pelo caminho o que se encontrou noutro percurso. Não poderia ser de outra forma.

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#day38 out of 365plus1

Todos os dias há razões para sorrir. Mesmo quando a mente e o corpo estão longe um do outro.
Estive ali. Mas não estive enquanto lá estive. Estive longe, numa qualquer nuvem de uma qualquer cor. Onde me permito embarcar de tempos a tempos, ainda que o Tempo já tenha passado do Tempo de ser Tempo. Ainda assim regresso lá tantas vezes. Mesmo que o corpo esteja presente aqui ou ali, a cabeça está tantas vezes nessa tal nuvem de uma qualquer cor.

Não olho para trás. Revisito. Recordo. Revivo. Regresso. Ao aqui. Que é agora.

E sorrio. Mesmo quando o corpo e a mente estão longe um do outro.

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#day37 out of 365plus1

Saber quando parar. Como hoje. Optar entre um dia no Jardim ou recuperar dos últimos dias (semanas?) mal dormidos, desgastantes.

Parar e recuperar. Sair ao final do dia para iniciar mais uma etapa de trabalho.

Chuva? Só lá fora. Cá dentro só o cansaço acumulado ameaça fazer estragos, questionando tanto sobre tão pouco. Moendo o corpo. E soltando aquela vozinha que sussurra palavras que não são reais.

Parar. Descansar. Recuperar. Silenciar a voz. Deixar de questionar. Seguir em frente. Porque chuva só lá fora. Amanhã regresso ao meu registo, o da magia.

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#day36 out of 365plus1

Deixar, em tudo o que faço, um pouco de mim.
Nem que seja um pouco de cor.

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#day35 out of 365plus1

Tanto para dizer.

Não o faço.

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{coexistência pacífica}

Numa espécie de “coexistência pacífica”. Que é o mesmo que dizer que eu te ignoro, assim como tu me ignoras. Ou, pelo menos, eu faço de conta. Como sempre, como desde sempre, faço de conta. Que não é nada. Que não se passa nada. Que te ignoro. Fazer de conta. Faço de conta. Há tanto tempo. Há tantos meses.

Coexistimos assim. Pacificamente. Não sei, sinceramente, porquê. Porquê manter esta falsa ligação, já que eu te ignoro assim como tu me ignoras. Ou, pelo menos, faço de conta.
Não sei porque insisto nisto. Em manter isto. Assim, à distância, a esta distância. Incomoda-me ver-me obrigada a fazer de conta que te ignoro, sabendo que me ignoras também. Não, não presumo. Sei. Porque tu mo disseste.

Andamos nisto. Há meses. No que é não sendo. No que não é sendo. No que nunca foi. No que nunca será.

Incomoda-me. Muito.
Incomoda-me ainda mais ter medo de deixar de ignorar, por receio de reacções que não entendo porque não fazem sentido.
Incomoda-me. Comparar o antes e o depois. Ou o antes e o agora.
Incomoda-me.

Não lhe quero chamar paz podre. Porque não é paz e muito menos podre, porque na verdade nunca foi guerra sequer. Mas incomoda-me. Continuo a fazer de conta também aqui. Faço de continua que não me incomoda fazer de conta que te ignoro.

Um dia, quem sabe, deixo de me incomodar. Ou deixo, eu, de fazer de conta que ignoro. Ou deixo, apenas, de fazer de conta.

Um dia. E tudo será o que tiver que ser, sabendo que não é possível ser como já foi.

Um dia.

Até lá, faço de conta.

Gulen-tasawwuf

#day34 out of 365plus1

Hoje em modo saltarico. Cor de rosa, claro, ou não andasse a saltaricar de ténis dessa cor.
Oito poisos em menos de 12 horas.

Comboios, gares. Segurança, cais. Sensibilização, terminal. Dores, físicas.
Próxima estação, Sol de Inverno com toque de Primavera.

Moída. Cansada.

E uma vontade grande de saltaricar daqui para aí, alternando cores.

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#day33 out of 365plus1

Tanto que era desnecessário quando o que importa verdadeiramente são eles.

Ser recebida com um salto para o colo agarrado ao pescoço. Dizer-me que “nada disso tia, tu não és chata”. Brincarmos os dois com a mesma idade, a dele. Ali a poucos dias dos seis anos. Como assim, seis anos? Onde está aquele bebé bochechudo que ainda ontem nasceu? Já não é bochechudo, mas será sempre um dos meus bebés.

Está crescido. Já sabe tanta coisa. Conversa como menino crescido. Faz patetices típicas da idade. Está alto. Pernas compridas e fininhas. Mãos de quem gosta de desenhar e aprender a fazer coisas.

Conversa com o irmão ao telefone, ri-se das aventuras que o mais pequeno lhe conta. Diz-lhe quem está cá hoje e ri com gosto com a reacção de gritinhos agudos, estridentes, de satisfação do outro lado da linha e vai-se embora a rir depois de passar o telefone.

O Meu Um que me diz, com ar de reprovação “nada disso, tia, tu não és chata”.

O Meu Dois que ri esganiçado e dá gritinhos agudos, estridentes, de satisfação e diz muito alto que quer vir para cá já, terminando a conversa não com os beijinhos já não tão habituais mas a dizer-me “és tão fofinha, tia”.

Tanto que era desnecessário quando o que importa verdadeiramente são eles.

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