Author Archives: Kooka

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Se perguntarem por mim, dir-vos-ei que não estou. Esta que vos fala é outra que não eu.

#day422

{que afinal é #day423}

Luz e sombra. Percebo que os meus dias são de Luz. Depois de ter conhecido de perto, demasiado perto, a Sombra.

E é na Luz, com a Luz, que me deixo ir. De sorriso ao canto da boca e brilhozinho nos olhos. Outra vez. Outra vez? Não. Ainda. Sempre. Porque há coisas que não mudam. E ainda bem. Gosto delas assim. E por isso mesmo deixo-me levar. Pela Luz. Aceitando, no entanto, a existência da Sombra.

Sorriso no canto da boca e brilhozinho nos olhos. E é assim, só assim, sem mais. Mas com tudo.

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#day421

{que afinal é #day422}

Analgésicos. Relaxante muscular. Mantas. Sofá. Gata. Repouso. Música.

Dorida. Moída. Coxa. Inteira.

Mimos e repouso, recomendou o médico. Bem, ele recomendou a medicação e o repouso. Os mimos acrescentei eu. E a gata concordou.

E rir-me desta aventura de um misto de contorcionismo e equilibrismo. Rir-me muito. Ainda que todos os músculos desde os ombros até à ponta dos dedos dos pés estejam doridos e rir não seja, “muscularmente” falando, tarefa fácil.

Inteira. Não necessariamente intacta, mas inteira. É o que importa.

E grata, muito, tanto, por todas as mensagens e telefonemas de preocupação e carinho.

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#day420

{que afinal é #day421}

E aos 420 dias {+1} ela caiu.

Um joelho para um lado, pé para o outro, anca noutra direcção completamente diferente, coluna torcida. Mãos e cotovelo no chão. Pés embrulhados e tornozelos enrolados.

INEM. Bombeiros. Hospital. Maca. Radiografias. Injecções. Horas a fio.

No final, apenas um estiramento sem gravidade no joelho, que também ficou esfolado. Mãos queimadas. Anca e coluna doridas.

E um grande número de pessoas, a começar pelos bombeiros, passando por médicos, enfermeiros e auxiliares do hospital, não esquecendo quem me tirou do chão e o farmacêutico que ficou comigo até chegar a ambulância, se despediu de mim num gesto de avô que não tenho com um beijinho na cabeça e me disse adeus à porta da ambulância. Dizia eu, um grande número de pessoas à minha volta sempre com um sorriso tranquilo. De paz. Mesmo quando as dores, a quente, eram já muitas. Ainda que agora, a frio, sejam já mais.

Podia ter sido pior. Mas não foi. E, no final das contas, o dia nem foi assim tão mau.

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#day419

{que afinal é #day420}

E dou por mim a esta hora na esplanada do café aqui da rua e sem vontade de voltar para casa. Não porque, como noutros tempos não tão longínquos assim, não me sinta bem lá. Mas apenas porque, como há muito tempo não acontecia, me sinto bem aqui. Mesmo que a mesa seja só para mim.

Há uma espécie de sossego, ainda que na mesa ao lado a conversa a três flua livremente e a música do Oceano Pacífico se faça presente.

Há uma espécie de aconchego, ainda que o termómetro me recorde que o Outono se instalou e os 18 graus com Real Feel de 16 obriguem a casaco e camisola interior.

Há uma espécie de tranquilidade. Não só pelo sossego das 23h25m. Mas especialmente porque, por dentro, vou percebendo que tanta coisa mudou. Cresci. Melhorei{-me}. Aprendi, finalmente, que mereço muito mais do que aquilo que tenho oferecido a mim mesma. Sei exactamente o que quero. E, especialmente, como quero. Quando quero. E, principalmente, por que motivo quero.

Também isto é aquilo de que me tenho esquecido. Amor, aquele do A maiúsculo. De mim para mim por mim.

E percebo, assim, que não sou mais a mesma que fui em tempos. E aceito-me assim. Mais calma. Mais tranquila. Mais…crescida.

Se sinto falta de ser impulsiva como já fui? Não.
Se sinto falta de ter mau feitio? Não.
Se sinto falta de reclamar por tudo e por nada? Não.

Porque gosto, muito mais, de ser quem sou hoje. Embora saiba que ainda não sou eu por completo. Mas um dia atrás do outro atrás do um… =) sem pressas e sem pressões.

E com tanto para dar e ainda tanto para receber também.

Eu. De todas as cores. Por inteiro. Sem pressas. Sem pressões.

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#day418

{que afinal é #day419}

Porque há dias assim.

E nem por isso são maus. É só seguir para onde a corrente me levar.

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#day417

{que afinal é #day418}

Ir.
Trabalhar.
Voltar.
Dormir. Descansar.

Chuva.

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#day416

{que afinal é #day417}

Cansada do pôr do Sol. Saudades do nascer do dia.

{e tuas…}

A que velocidade correm os dias?

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#day415

{que afinal é #day416}

“Nothing hunts us more than the things we don’t say”

E tenho, ainda, tanto que queria dizer{-te}. Que preciso, de facto.

Guardo para mim, no entanto. E a cada novo dia acrescento mais um motivo ao porquê de o querer fazer. De o precisar. Porque não gosto de alinhavos. Não gosto de deixar as coisas por terminar. E preciso de terminar. Mas, para isso, preciso de soltar tudo o que está cá dentro. Ainda.

Não o vou fazer, já sei. Não {te} vou dizer tudo aquilo que {ainda} trago comigo. Não me sufoca. Já não me sufoca. Mas pesa. Ainda.

Não. Não vou dizer{-te} nada. Porque tu não vais, não queres, ouvir. E, também, porque nunca me irás dizer o que gostaria de {te} ouvir. O que, sinto, preciso de {te} ouvir dizer.  Ainda.

Mas, ao mesmo tempo que todos os dias a vontade aumenta, também todos os dias me afasto mais um pouco. Não por vontade. Mas por opção de uma espécie de sobrevivência.

Um dia. Um dia vou perceber que os meus alinhavos acabaram por se tornar costuras finais. E que, mesmo sem {te} ter dito o que ainda preciso, termino sem saber exactamente o quê.

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#day414

{que afinal é #day415}

Cansada.

De dias mais ou menos, pessoas mais ou menos, histórias mais ou menos, tudo mais ou menos.

Cansada.

De um dia cheio, com pessoas que nunca mais voltarei a ver, mas que me encheram de sorrisos e palavras bonitas quando simplesmente fazia o meu trabalho. E que me pegavam nas mãos enquanto me sorriam, que me agradeciam por uma cábula nas costas de um bilhete ou me adoptavam por termos um apelido em comum apesar de duas gerações de diferença e milhares de quilómetros de distância.

Pessoas, centenas de pessoas, que me sorriam felizes por estarem cá, a mim que podia não estar cá. Que me recordaram que as pequeninas coisas, como um sorriso sincero ou um simples obrigado, podem ter tanto significado e ser tão únicas e especiais como uma viagem num navio de 290 metros de comprimento e 36 de altura.

Pessoas, centenas de pessoas, que não voltarei a ver mas que tomo como minhas. Porque hoje, só por hoje, foram minhas. E só por isso, também por isso, a vontade de lhes acenar em despedida, de braços abertos e gritar-lhes para que me ouvissem à saída do Tejo: thank you so much!

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#day413

{que afinal é #day414}

Às vezes assim: pés na terra e cabeça prestes a voar.
Para longe, sempre. Seja para ontem, para o ano passado, para mais longe no tempo. Sejam memórias que se revisitam à distância, sejam histórias que se repetem ou, até, que nunca foram mais do que desejos. Fantasias? Talvez.

Às vezes assim: pés na terra e cabeça prestes a voar. Sem olhar para a frente quando é para a frente que devia olhar. Não para trás.

Por isso, deixa-me ser. Assim. Deixa-me estar. Aqui. Que não é aí. Nem lá. Nunca foi.

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#day412

{que afinal é #day413}

O dia todo, na minha cabeça. Como um mantra.

Quem quer, faz.
Quem quer, vai.
Quem quer, diz.
Quem quer, fala.
Quem não quer, nada.

E a confirmação que os primeiros dias de Outono me derrubam. Que me alteram. Que me doem. E moem.

{Quem quer, faz.
Quem quer, vai.}

A ansiedade que ataca, de mansinho, e me relembra que está sempre por perto. Demasiado perto quando a julgava já tão longe. E as ferramentas que agora tenho para a enfrentar, aceitar e acalmar. Mesmo sabendo que ela, a ansiedade, é também trazida de volta pelo que guardo cá dentro, para mim, que precisa sair.

{Quem quer, diz.
Quem quer, fala.}

E cá dentro cinzento como lá fora. Mesmo quando um dia de chuva termina com um anoitecer de Sol. Cá dentro cinzento. Sem chuva. Nem Sol.

{Quem não quer, nada.}

Amanhã, espera-se melhor.

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#day411

{que afinal é #day412}

Há dias que só assim……
Relaxante muscular e anti-inflamatório em grandes doses para as dores de fora, as físicas. As outras? Adormeceram.

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#day411

Dizem que hoje é dia de reflexão.
Reflecti, mas não flecti.

Se as dores de dentro vou suportando {quase} em silêncio, as de fora, as físicas, hoje estiveram presentes ao ponto de se tornarem {quase} insuportáveis.

Mixed feelings allover again. Das dores de dentro que se confundiam com as dores de fora, as físicas. Silêncios de dentro que teimam em querer sair, esgares de dores que inutilmente tentei guardar.

Aquilo que já não quero mais, que sempre quis. Aquilo que quero mais que tudo neste momento, ainda que recorrendo ao que procuro evitar, os químicos.

As dores. As de dentro e as de fora, as físicas. Ambas irão passar. As de dentro com a ajuda do Tempo. As de fora, as físicas, com a ajuda que for necessário.

E, no final do dia que é de reflexão, reflecti mas não flecti. E entendo, como já devia ter entendido, que tenho que conhecer e respeitar os meus limites. Os de dentro e os de fora, os físicos.

No final, apenas isto: mais um dia. Com tanto de bom como de mau. Numa espécie de equilíbrio.

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{não quero mais}

Durante anos ouvi esta pergunta. Tentava brincar com a resposta. Cheguei muitas vezes a dizer que seria mãe solteira se tivesse que o ser quando tivesse que o ser.

Respondi várias vezes com “it takes two to tango”.

Durante muitos (demasiados?) anos a vontade foi muita. Desde os 16 que “sonhava” com isso.

Vi muitas amigas, mesmo mais novas, a adiantarem-se. E a cada novo adiantamento uma nova frustração. Porque o tempo continuava a passar. E a esgotar-se.

Cheguei a pedir que não me perguntassem. Porque, dizia, essas coisas não se perguntam. Acontecem se tiverem que acontecer.

Hoje, hoje volto a pedir que não perguntem. Hoje, 411 dias depois de 19 depois de 42, não quero mais.

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#day410

Silhuetas na cor dos dias.

Azuis, tranquilos, ocupados.

E cada vez mais a certeza, mesmo que não absoluta, que aquilo que sempre quis e que foi não sendo, não foi sendo, o que mais quis, não quero mais.

Não quero mais…

Assim, só.

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#day409

Sem poder garantir com 100% de certeza, acho que sei quem sou.

Mas cada vez sinto mais que não sei, de facto, o que sou.

Continuo à procura. De mim.

Um dia de cada vez. Um passo atrás do outro atrás do um.

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#day408

Tanto para dizer. Vontade nenhuma de o fazer.

Fico-me assim. Quieta.

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#day407

Há muito que não sentia o que senti hoje. Há muito tempo que não me sabia tão bem voltar para casa, para minha casa, ainda que não tivessem passado sequer 24 horas de ausência.

Sim, já tive alturas em que a vontade era poder estar em minha casa e não andar a correr entre casas que não são minhas, pernoitando na minha 1 ou 2 vezes por semana.

Não. Hoje foi diferente. Foi sentir, finalmente, que estava em casa. Onde pertenço. Onde sou. De onde sou. Há muito, demasiado tempo que um regresso não me sabia como hoje: tão bem.

Mesmo que o fim do dia de ontem e manhã e principio da tarde tenham sido passados com o meu Um. Faltou-me apenas a presença do meu Dois para estar com os meus Tudo.

Não explico, apenas sinto. E hoje, hoje pela primeira vez em tanto tempo, demasiado tempo que já lhe perdi a conta dos dias, meses? Anos? Hoje finalmente senti-me EM CASA.

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{um dia}

Um dia, num qualquer desses dias de contagem, um dia escrevo sobre isto. Ou falo sobre isto. Ou ambos. E falar, falar é-me tão mais importante que apenas escrever. Um dia, num qualquer desses dias de contagem ou, quem sabe, já sem ela, faço as pazes. Com o que já está lá atrás mas não ficou lá. E comigo. Não sei por esta ordem ou o seu inverso. Até lá, não nego: não há dia em que não regresse aos dias que não foram sendo, que foram não sendo. Que foram mas não foram, que não foram mas foram. Porque foram.

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#day406

Como assim, perder o eclipse da SuperLua só por ser às 3h47 da madrugada?
Há coisas que não se explicam, sentem-se. E, só por isso, às 3h30 saí de casa. Sozinha. E deixei-me ficar ali. A ouvir o mar ali tão perto mas demasiado longe para ir até lá sozinha àquela hora.
Deixei-me ficar. A olhar. E sobretudo a sentir. Porque não se explica. Sente-se.

E hoje, hoje novamente a Lua, de volta ao telhado em noite de Lua Cheia.

São coisas tão pequeninas para uns. Enormes de tão grandes para mim.

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