Ontem escrevi sobre o “saber não ir”.
Hoje? A explicação porque vou, simplesmente.
Amanhã? Logo se vê. Com a certeza de que eu sou a Sétima Onda!

Ontem escrevi sobre o “saber não ir”.
Hoje? A explicação porque vou, simplesmente.
Amanhã? Logo se vê. Com a certeza de que eu sou a Sétima Onda!

Às vezes, saber IR não é o mais importante.
Às vezes, o mais importante é saber NÃO IR.
Porque nem sempre basta querer. É preciso, também, poder! Ser capaz de! Em segurança. Sempre!
E às vezes é o próprio caminho que nos diz quando é para NÃO IR. Como disse hoje. E eu, obediente, não fui. Não me faltou a vontade. Não me faltou a coragem. Não me faltou a capacidade de. Faltou-me a segurança. E, só por isso, soube NÃO IR. E, por isso, não fui.
…e não tem mal nenhum! Está tudo bem na mesma!

Ontem, já à noite: anti-inflamatório conhecido pelo violento poder de acção aliado a relaxante muscular, a mistura de ambos lentamente introduzida no meu corpo via um catéter doloroso.
Hoje, o dia todo: a única reacção possível à medicação? Dormir! Muito! O dia inteiro! O corpo lentamente a recuperar da agressão química. Amanhã? Logo se vê…

Na marquesa da Fisioterapia também se chora. Ou eu choro! Sem lágrimas porque elas, por algum motivo bloqueadas!, teimam em não cair!
…mas choro! Na marquesa da Fisioterapia ou onde for que a dor me faça chorar! Choro sem lágrimas. Choro a seco! Mas nem por isso deixo de chorar…!
E se, ao ligar para a Saúde24, me encaminharem para as Urgências do Hospital…eu vou! Para ser observada, para ser avaliada e, finalmente, para ser tratada! Não para, como afirmou o imberbe enfermeiro da triagem!, “entupir as Urgências“.
De manhã, chorei a seco na marquesa da Fisioterapia. À tarde e noite, chorei a seco entre gabinetes, cadeirões, salas de espera, máquina de TAC, enfermaria para colocação difícil de catéter para medicação e, mais tarde, dolorosa remoção do mesmo para poder regressar a casa.
Foi um longo dia. Foram muitas as dores. Foram ainda mais as lágrimas, aquelas que chorei a seco por se recusarem a cair…

9
~
9
~
2
+
0
+
2
+
5
=
9
~~~~~
Não sei do que quem estudou e conhece fala, nunca vi nos números outro significado que não o quantitativo. Para mim, números são isso mesmo: números.
Gosto de brincar com eles quando se apresentam numa qualquer ordem quantitativa, tantas vezes aleatória. Gosto também de brincar com eles quando se apresentam em quantidades mais redondas, seja lá isso o que for.
Não lhes dou muito mais significados do que aquilo que nos dizem:
0 – o vazio, o nada. O tal “redondo” que não excesso de peso e que só é celebrado com outros números à esquerda…
1 – o início de alguma coisa, da contagem de algo, mais ou menos importante, é sempre a unidade que dá início a alguma coisa…
9 – depois do vazio, a unidade seguida de outros números que complementam a contagem que termina aqui. No 9. Logo a seguir vem a dezena. E repetem-se os números sem grande valor.
Como, por exemplo, o 7. Tantas vezes visto como um número mágico carregado de significado. Que não sei se é assim ou não. É só o número 7.
…ou não! É o MEU número 7. Como também é o número 7 dele. Não fôssemos ambos da fabulosa colheita de 1977…
1 do início, 9 do fim…um 7 para ele…um 7 para mim…seja lá isto o que for…mas há aqui, depois de um início e de um fim, um encontro de um 7 com outro 7…seja lá isso o que for!
Mas 9/9/2+0+2+5=9 grita-me um fim. De alguma coisa…não sei o quê…mas um fim de ciclo…um fim de alguma coisa.
Eu apenas brinco com os números e a sua qualidade quantitativa. Não vou muito além disso. Mas, às vezes, só mesmo muito às vezes!, vem alguém que me desvia a atenção e a forma como vejo os números e dou por mim a (tentar) ler nas entrelinhas. Como se os números tivessem entrelinhas…
9 é o fim de ciclo. Seja que ciclo for, é no 9 que termina. É, pelo que vejo por aí, a julgar pela data de hoje 09/09/2025, que se pode também ler 9/9/2+0+2+5 -> 9/9/9, que também nos leva a ler 9+9+9=27 ~ 2+7=9, a data certa para pôr fim a algum ciclo que veio depois do nada, do vazio, do 0 e iniciou a contagem logo a seguir no 1, a unidade…
…eu sei, está aqui uma confusão das grandes. Que provavelmente até nem faz sentido para ninguém. Mas para mim faz…

…as segundas feiras deviam, todas elas!, chegar suavemente. Levar o seu tempo para se manifestar. Assim como o café leva o seu tempo para se fazer sentir, também as segundas feiras deviam demorar o seu tempo para começar…
…especialmente depois de mais uma noite interrompida pelo calor e pela dor. Aquela dor que não sei descrever, que se move à volta de um mesmo ponto no braço esquerdo, que mais ou menos entendo o que a pode despertar, que não faço ideia de como fazê-la parar quando me acorda de madrugada…
As segundas feiras deviam demorar mais tempo a chegar e a trazer consigo o regresso à rotina do meu novo normal, que de normal tem tão pouco que chega a não ter nada. A única coisa que sei é que não interessa que dia da semana é, a dor excruciante chega só porque sim e principalmente durante a noite quando me encontra aconchegada no meu ninho, aquecida o suficiente para, no que ainda resta do Verão, não ter aquele frio desconfortável que não deixa dormir. Porque, se é para não dormir, há uma dor que trata disso…

…no meio de ausências e silêncios, depois de uma exaustiva repetição de erros anteriores com exactamente os mesmos resultados, a pergunta que não quer calar:
…por que raio é que eu sequer tento?!
Não abro a caixa das respostas. Deu demasiado trabalho conseguir reunir todas para, por breves momentos, fazer de conta que é tudo novidade e que a resposta vai ser diferente e que, desta vez, a culpada não sou eu…
…quando já sabemos que sou. Sempre.

Depois de ontem…
…depois de ontem, quando no final do dia aceitei tomar aquele comprimido SOS que durante anos não fazia qualquer efeito e que agora me derruba, só me resta mesmo aceitar a derrota e permitir que o comprimido me obrigue a parar e, de alguma forma, recarregar.
Lutei o dia todo contra o derrube, lutei para responder a mensagens dele em que, por vezes, não tinha energia suficiente para sequer escrever uma única palavra…imagine-se uma frase inteira…
Ontem o dia foi todo ele estranho, é verdade. Mas o final do dia podia, devia?, ter corrido melhor… A aula de Yoga foi, da minha parte, uma desgraça. Para mim, um falhanço completo. Só assim consigo aceitar o que correu mal porque EU fiz mal. E, no final da aula, tive que fazer aquilo que, para mim, era a única coisa possível de fazer depois de falhar tanto: apresentar o meu pedido de desculpas ao professor Pedro. Que merece muito mais e muito melhor do que a minha prestação de ontem… Diz ele que o mais importante é o ter feito tudo e o ter tido uma aula anterior em que fiz tudo tão bem. Mas, e agora digo eu!, isso foi numa aula anterior. Foi no antes. E o importante é o agora. E o agora foi mau…
Se calhar, se fosse noutra altura, numa fase menos comprometida com progredir na prática como me sinto hoje, teria tudo para ter sido o último dia de prática. Seria dia para arrumar o tapete a um canto e esquecer-me até da sua existência. Ontem tinha tudo para desistir do Yoga…
O dia ontem terminou mal. Quis, MUITO!, chorar! E, mais uma vez…nada! Os olhos encheram-se de lágrimas. Senti-o! Mas aquela barreira que impede as lágrimas de caírem…não consigo derrubá-la…
Rendi-me então ao comprimido SOS que me derrubou e apagou completamente. Mas que duvido tanto que me tenha feito um reset, um CTRL+ALT+DEL que tanto estou a precisar…
E agora, mesmo não sendo ainda 22h30m de um Sábado de Setembro, vou permitir que o sono condicionado me conduza pela noite…e amanhã logo se vê…

Hoje. Era hoje! Se eu conseguisse chorar ERA HOJE! De dores no joelho! De uma aula de Yoga que correu MAL! De dores excruciantes no braço/ombro esquerdo que hoje acordaram com o ar mais fresco quando costumavam despertar com o calor…
Hoje. Se eu conseguisse chorar ERA HOJE! Mas continuo a não conseguir…e cada vez a precisar mais…e, repito, não consigo chorar…!
…posso despejar o meu compêndio de asneiras das muito feias…?! É que eu não aguento muito mais…

Esta tarde, depois de chegar à esplanada das mesas infinitas, recordei o motivo que me fez querer tirar a carta de condução e que me fez perceber que não podia não avançar: poder ir onde quisesse quando quisesse sem estar dependente de ninguém para ir. Simplesmente ir. A qualquer lugar. A qualquer hora.
A ida até à esplanada das mesas infinitas foi à boleia do braço da minha mãe. Mais uma vez. Porque fazer o caminho sozinha é arriscado. Não é impossível, mas o risco existe. Risco de queda. E admito que me assustam as potenciais consequências de uma queda. E muito por isso não tenho arriscado ir sozinha até alguns sítios. Mesmo que vá sozinha ao Yoga ou à Fisioterapia, por algum motivo que não entendo não arrisco largar o confronto e a segurança da boleia do braço de alguém. E depois entro em conflito comigo mesma…porque não me quero sentir desprotegida, insegura e em risco de cair. Mas, ao mesmo tempo, quero muito ir! Simplesmente ir! A qualquer lugar! A qualquer hora! Sem estar dependente de ninguém!
Foi assim que me decidi a tirar a carta de condução há mais de 20 anos. Recordo-me perfeitamente do momento em que tomei essa decisão: um sábado à tarde em que já esperávamos há umas horas, eu e a minha mãe, pela nossa boleia que nos tinha ligado para irmos beber um café a algum sítio provavelmente nos arredores de Lisboa. E esperámos. Continuámos a esperar. Até que me fartei e decidi: ia tirar a carta de condução! Segunda feira passava na escola de condução para saber valores e o que era necessário e pronto. Não havia volta a dar. E o que eu queria era tão simples como poder ir. Simplesmente ir! Onde quisesse. Quando quisesse. Sem estar dependente da disponibilidade de ninguém!
Já hoje de manhã não fui à rua beber café por estar sozinha. Não fui ter com a minha mãe ao barco porque implicava ter que ir sozinha até à paragem do autocarro. E tudo o que eu queria era simplesmente ir! Sentir-me um pouco mais normal novamente. Ser como as outras pessoas que simplesmente vão! Porque querem. Porque podem. Porque não dependem da boleia do braço de ninguém! E vão…simplesmente vão!
E é isso que eu tenho que começar a fazer! Simplesmente ir! Devagar. Com cuidado, claro que sim! Mas simplesmente ir! Porque na verdade eu posso simplesmente ir! Se vou sozinha para o Yoga e para a Fisioterapia, porque raio não hei de ir também sozinha ao Parque, à esplanada das mesas infinitas, onde eu quiser?!
Não quero muito. Quero simplesmente ir. Onde quiser. Quando quiser. E sem depender da disponibilidade da boleia do braço de ninguém…

Quarta feira e o meu calendário ficou ali pela segunda feira porque terça foi dia de unicamente ver o tempo passar. E, tendo o calendário ficado lá atrás de alguma forma, tanto se perdeu que ficou por saber…
Há tanta coisa que não sei. E que não sei se quero saber. Resta-me seguir com os meus dias, ao meu ritmo, quer o calendário siga também ou não.
Há tanta coisa que não sei. Que não sei se quero saber. Porque também há tanta coisa que eu sei que não quero saber. Por medo de saber? Sim, por medo. De saber o que não quero saber…

Fazer de conta deve ser o mesmo que aquela filosofia do “fake it ’til you make it“. E tantas vezes me disseram para seguir essa linha de acção que, pelos vistos, embarquei nela sem me dar conta. Porque fazer de conta já me é tão natural. Porque fui crescendo com silêncios e ausências que, de alguma forma, me doíam. Mas fazia de conta e para todos os efeitos estava tudo bem e o que estava em falta não me atormentava. Tal como hoje. Há silêncios ruidosos. Há ausências que assombram. E há dores muito agressivas, quase violentas, que me transtornam e não me deixam dormir. Mas, se/quando questionada, é sempre com um sorriso que, fazendo de conta, respondo “Está tudo bem”…
…quando simplesmente não está…

Esta manhã, no Hospital Garcia de Orta para mais uma voltinha, mais uma viagem no serviço de Consulta Externa, apaixonei-me. Por uma árvore, é verdade. Mas também é verdade que me apaixonei.
Em 2024, que nem foi há tanto tempo assim, durante 3 meses passei por ela todos os dias quando ia beber café antes da Fisioterapia. Tirando isso, fui a consultas e exames com muita frequência desde 2023. E já nessa altura passava ali…e nunca a tinha visto. Ou nunca tinha olhado para ela. Talvez seja isso…
Mas hoje parei e olhei. E vi-a. E apaixonei-me!
Que portento de árvore! Linda!
…posso levá-la comigo…?

Agosto, dia 31. Não é o último dia de Verão. Mas parece…
Eu sei que ainda tenho mais 20 ou 21 dias de Verão pela frente. Mas também sei que vão passar a correr. E rapidamente entramos no Outono. E eu ainda não estou preparada para recolher.
Outono é aquela altura de juntar tudo o que vai ser necessário para recolher ao ninho no Inverno. E eu ainda estou suspensa no início do Verão de 2023, quando tudo ainda era normal...
Adeus, Agosto. Encontramo-nos novamente em 2026…

Há dias que valem tanto a pena. Como hoje.
Uma fabulosa aula de Yoga fora de portas, em cima da relva, com árvores logo ali tão perto, à beira do Rio. Uma espécie de oásis na margem do Tejo, à saída do elevador panorâmico da Boca do Vento.
De seguida, uma subida pelas muito antigas ruas de Almada velha até à Casa da Cerca para aquele almoço de convívio, conversa e partilha que nos andava a faltar. E, claro!, muita e boa risota!
O grupo não é grande. Nem acho que tenha que ser. É um grupo coeso, firme, unido. Heterogéneo. E com uma energia muito boa e muito especial. E que funciona muito bem tal como é.
É aquele grupo que, há 2 anos, me recebeu de braços abertos nas aulas de Yoga e que rapidamente me acolheu. É aquele grupo do qual já não abro mão. Por nada!
E durante a aula à beira do Rio junto ao elevador panorâmico da Boca do Vento só faltou uma coisa: sabendo que são uma presença cada vez mais assídua nas águas do Tejo, só ficou mesmo a faltar a visita de um grupo de golfinhos. Isso teria sido perfeito!
Não houve golfinhos, mas houve, como há sempre, prana em circulação. E houve momentos de partilha que nos fizeram, a todos, crescer mais um bocadinho.
E, seguindo as orientações do Professor Pedro, tenho a certeza que se aproxima uma nova e importante temporada de aprendizagem e crescimento.
…e era exactamente isso que eu estava a precisar e não sabia onde encontrar. Mas nada acontece por acaso. E “quando o aluno está pronto, o professor aparece“. Se estou pronta? Há quem (me) diga que sim. Vamos ver…um dia de cada vez…sem pressa. Mas com pressa que chegue quarta feira para a próxima aula…!

Sexta feira. Tanto a acontecer e, ao mesmo tempo, nada a acontecer. Começar o dia com a Fisioterapia, agora mais leve e sem o exercício físico meramente de fortalecimento. Terminar o dia a tentar ir ao encontro dos desafios do Yoga. E conseguir surpreender-me a fazer o caminho até à paragem do autocarro numa espécie de corrida contra o tempo. Ganhei eu, claro.
Tanto a acontecer e, ao mesmo tempo, nada a acontecer. Ou só mais uma sexta feira demasiado igual a qualquer outra sexta feira dos últimos dois anos anos…

…respirar. Fundo. De forma consciente.
E seguir o meu caminho. Em frente, sempre. Mas em passo lento. Num equilíbrio cada vez mais precário. Um passo lento mas seguro o suficiente para evitar cair. O “ainda não” que faço questão de manter pelo máximo de tempo possível: ainda não caí!
Se a queda é inevitável? Quero acreditar que não. Mas não sei. E há tanto que ainda não sei. A única coisa que sei é que o meu caminho é para ser feito em frente. Feito por mim, mais ninguém o pode fazer. É o meu caminho.
Três recomendações que mais garantem qualidade de vida:
O exercício físico está garantido pela fisioterapia e as aulas de Yoga. A alimentação é cuidada, com base na dieta mediterrânica. Convívio social………tal como aquela rede de apoio de proximidade que eu julgava ter, é algo que não existe.
Não é capricho meu. É apenas a recomendação principal de vários especialistas, sejam eles neurologistas, fisioterapeutas ou profissionais de saúde mental. De vários pontos do Mundo. Todos eles vêem o convívio social como uma ajuda primordial para manter (ou, até!, melhorar) a qualidade de vida. Mas, para existir esse tal convívio social, tem que haver vontade. E eu tenho. Muita vontade. De ver pessoas. De estar com pessoas. De conversar com pessoas. Conversas normais. Até banais!
Eu tenho vontade de fazer esse convívio social acontecer. Mas sozinha………não é opção.
O meu caminho, apesar de tudo, mantém a mesma direcção: em frente. E será feito devagar, sem pressa, ao meu ritmo. Num passo lento que me permite maior segurança num equilíbrio cada vez mais precário. Mas o meu caminho vai ser feito. Com ou sem esse tal convívio social, vai ser feito!
…………respirar. Fundo. De forma consciente. E continuar a engolir o que não consigo digerir porque as minhas lágrimas continuam a teimar em não cair………

Explosão vs Implosão…
“Não é a hora nem o local…“
…respiro fundo…
“Estás connosco há 2 anos e o que percebemos desde o primeiro dia é que fazes sempre de conta que está tudo bem… Ergueste uma enorme muralha à tua volta que fica difícil de transpor. Mas mesmo assim percebemos que ao fim de 2 anos continuas a fazer de conta…“
…continuo a respirar fundo…
…porque tenho consciência da existência dessa enorme muralha difícil de transpor. Dessa armadura que insisto em envergar mesmo ao fim de 2 anos. E sem necessidade de continuar a fazer de conta…
Explosão vs Implosão…
…não é por falta de vontade…é por falta de algo que nem eu sei o que será, segurança?, protecção?, não sei…, não é por falta de vontade que não choro…
E, na minha cabeça, num loop interminável, “não é a hora nem o local“…porque nunca é!
A pressão cá dentro continua a aumentar. Já numa sobrecarga que ultrapassa o campo meramente emocional. Preciso de chorar. Barafustar. Zangar-me. Descarregar tudo aquilo que tenho vindo a engolir. E não consigo explodir toda esta carga que ameaça a implosão que não se quer que aconteça…
Explosão vs Implosão…
…quero tanto chorar…preciso tanto de chorar…e não acontece…
…talvez um dia o 112…talvez…um dia…
…o 112 resolva…
…porque eu já não aguento…

Uma sombra do que já fui. Do que já não sou nem vou voltar a ser. E ainda não aceitei que não há como voltar atrás.
…e depois há as dores. Que todos os dias se fazem presentes. Nas pernas? No joelho esquerdo? Na anca esquerda? Na lombar por inteiro? Nas costas todas? No pescoço? Em todas essas opções. E ainda a dor de cabeça que há tanto tempo não me chateava.
Cansada? Muito. De quê…? Se tudo o que fiz hoje não foi mais do que simplesmente existir…
…ninguém me preparou para isto. Isto que me apanhou na curva, que eu nunca quis para mim, que eu nunca procurei mas que me encontrou e veio para ficar. E ao encontrar-me virou-me (a vida) do avesso. E, dizem, todos os dias é diferente. Todos os dias há uma novidade. E todos os dias são muitos dias. São tantos dias para todos os dias ter uma novidade…
Mas hoje…hoje são as dores que não me deixam sozinha. E que me fazem fazer de conta mais uma vez…
Amanhã é o regresso à Fisioterapia. E, não duvido, vai ser a doer. Mais uma vez. Mas agora…
…agora são as dores que prometem acompanhar a minha noite da mesma forma que acompanharam o meu dia: demasiado presentes.

Ouvir o meu corpo. Saber ouvir o meu corpo. Que, já não me devia esquecer!, se ficar um dia parado imediatamente reclama e começa a mexer-se com mais dores, com muito maiores dificuldades numa lentidão obrigatoriamente mais acentuada. Ou, em mediquês, dá-se uma exacerbação de sintomas. E é uma treta…!
Por isso, sair de casa todos os dias um bocadinho é obrigatório. Se antes disto o fazia para desligar a cabeça depois do trabalho e mudar de chip, agora faço-o para dar uso às pernas. Trabalhar o equilíbrio, cada vez mais precário. Manter a força nas pernas. E tentar não enlouquecer com tudo isto.
Estar de férias da fisioterapia era urgente e necessário. O meu corpo pedia descanso. Fisioterapia todos os dias é importante, mas também desgastante. Mas, vejo agora, duas semanas sem exercício diário traz resultados. E não são positivos…
As dores vieram em força. Na anca e no joelho esquerdo já sei que vou ter que conviver com elas até à consulta em Outubro. Mas o pescoço e a lombar……não sei, já, o que pensar ou dizer. Só sei que doem…muito!
Quarta feira. É já depois de amanhã! É dia de regressar a Almada para a fisioterapia! Desta vez, três dias por semana porque o meu corpo não aguenta, com o calor do Verão, o desgaste do exercício acrescido do desgaste do esforço de andar na rua, mesmo em percursos que são curtos para os outros e imensos para mim. É já depois de amanhã que volto a dar uso às pernas de forma mais regular, que volto a exercitar os músculos que hoje me doem.
Estou cansada disto tudo, na verdade…mas não é possível voltar atrás no tempo e mudar o meu percurso. Dizem que tudo nos traz uma lição, um propósito. É cedo ainda para perceber o que isto me traz. Para além das dores, da falta de equilíbrio, das dificuldades crescentes, da solidão cada vez mais profunda e da depressão pesada, tudo isto ainda me vai trazer algo de positivo. Só não sei quando nem o quê…
…até lá, saio de casa todos os dias um bocadinho para dar uso às pernas e, quem sabe, mudar o chip também…
