#day220 out of 365plus1 

Continua a dar-me gozo. Se calhar não tanto hoje como há um ano. Mas tantas outras coisas me dão menos gozo hoje que há um ano… 

Comecei a questionar. A ter dúvidas. Valerá a pena continuar? Especialmente com todas as limitações recentes, até que ponto valerá a pena insistir? Ou será persistir? Já não sei sequer. 

Sei, e magoa-me, que ao fim de 11 anos ainda há quem ache que é uma espécie de brincadeira, um passatempo. Que ir para a feira é pelo convívio e pouco mais. Há, ainda, quem não leve a sério o que faço. Ou não leve muito a sério, pelo menos. Há quem critique. Quem torça o nariz. Quem desvaloriza. Mas foi este caminho que escolhi para mim. E por isso quem critica este caminho critica-me a mim. Desvaloriza-me a mim. E, ao fim de todos estes anos em que lidei com essas atitudes sem lhes dar importância, hoje vacilei. E comecei a questionar. Tudo. O trabalho. A qualidade. A escolha. 

Não é um passatempo. Não é um emprego. Não pelo menos de horário fixo das 9h às 5h, com folga ao fim de semana, férias garantidas e ordenado com data de entrada na conta bancária. É um trabalho. Aquele que eu escolhi para pôr comida na mesa e pagar as contas que, como todos os outros, também tenho para pagar. Se já foi mais fácil? Sem dúvida. Mas não é isso que me faz vacilar. Se assim fosse já teria vacilado há alguns anos, no entanto mantive-me firme no meu caminho. 

Não hoje. Hoje não estou firme. Hoje duvido do valor do que faço. Da qualidade do que sai das minhas mãos. Mesmo que os clientes do fim de semana me mostrem o contrário. Duvido e questiono tudo. 

Existem várias limitações neste momento. Que eu quero, e preciso muito, ultrapassar. Mas quando desvalorizam o que faço, o caminho que escolhi, as limitações parecem-me, pela primeira vez, muito maiores. 

Continua a dar-me gozo. Continuam a nascer projectos no mundo das ideias todos os dias. Que adorava concretizar mas que vou juntando a todos os outros que há já muito tempo preenchem a gaveta de “um dia faço”. 

Já estive mais longe de desistir. Muito mais longe de desistir. Hoje, sinceramente, não sei se não o deva fazer… 

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