Monthly Archives: May 2023

{#131.235.2023}

Diz-me o calendário que hoje ainda é quinta feira. Fazendo contas de cabeça não discordo.

Estou de baixa médica psiquiátrica há precisamente duas semanas. E tudo começou a ser notado com o cansaço acumulado, extremo, e a dor de cabeça que não passa. O diagnóstico? A psiquiatra insiste na Depressão. Mas, quanto mais eu vou lendo, mais vou encaixando e aceitando os sintomas de Burnout. O terapeuta fofinho, apesar da consulta semanal, ainda não deu o seu veredicto. Que lhe vou pedir este Domingo, dia da próxima consulta. E vou, claro, pedir-lhe ajuda. Porque, ao fim de duas semanas em casa, ainda não consegui desligar do trabalho.

Ruminação. É o nome que tem este sintoma em que insistimos em pensar no que não nos faz bem. E eu não páro de pensar nesse episódio que, não tenho dúvidas!, me fez chegar a este ponto.

Para ajudar, para além da dor de cabeça intensa e persistente, juntou-se um início de infecção respiratória e, quem sabe, uma gripe. Pela primeira vez em vários anos tive febre. Por descargo de consciência fiz o teste que se impõe. Felizmente, o resultado foi negativo. Acho que, sendo positivo, não iria saber lidar com tudo isto ao mesmo tempo.

Segunda feira é dia de consulta com a médica de família. E, também a ela, vou pedir ajuda. Porque não posso continuar como estou.

Sei que não estou sozinha. Tenho quem me estenda a mão, quem me pergunte como estou, quem queira de facto saber. Os outros? Não me interessam. Quem anda distraído anda porque quer. Já me fez falta. Não faz mais.

Agora o importante é tratar de mim. O resto? É isso mesmo: o resto. Amanhã? Logo se vê. Mas, se puder pedir, então peço um dia sem dores de cabeça. Já ajuda a conseguir descansar. Por hoje já chega…

{#130.236.2023}

Para mais tarde recordar quem, de facto, vale a pena…

E depois há aquele momento em que o Pedro P. me telefona só “para saber de ti”. Ao fim de uma hora de conversa, a Vodafone (como sempre…) cortou-nos o pio. Mas, claro, eu voltei a ligar e foram mais 38 minutos a pôr a conversa em dia.

Era com o Pedro que conversava todos os dias depois do trabalho no caminho para casa quando, em 2017, eu estava no fundo do poço. E o Pedro sempre lá, a estender-me a mão para não me deixar afundar. E não deixou.

Hoje, ao perceber que não estou bem, relembrou-me que não estou sozinha. Quis saber o que se passa. Contei-lhe, como sempre, tudo. É das poucas pessoas a quem o faço.

98 minutos que pareceram 98 segundos. E que me souberam pela vida. E um recado no final. “Quando precisares de falar, manda uma mensagem. Assim que sair do trabalho telefono-te!”.

Há poucas pessoas como o Pedro. Pedro P. …P. de Presente. E o Pedro está sempre. Obrigada. Tanto, tanto.

Depois do jantar, o café. Ou, por já ser de noite, o descafeinado. No Spotify? Toca Tom Odell. Hoje, como em 2017, canta Heal. “Tell me that some things last“…

Os Pedros que valem a pena são poucos, muito poucos. O Pedro P. de Presente é um deles. Depois há o Pedro C. …Cesário Amarelo de há 30 anos. E são só esses os Pedros que ficam (e muitíssimo poucos mais). Porque são os únicos que (me) importam.

Mas, à noite, sempre o descafeinado e o Spotify. Hoje com Tom Odell. Heal, claro. E vou cantando baixinho aquilo que quase gravei na pele com a primeira tatuagem: “tell me that some things last“…

{#129.237.2023}

Terça feira, dia de descansar. Acordar às 6h30 da manhã por uma gata que tem um despertador interno, voltar a pegar no sono às 7h30 para voltar a acordar perto das 13h. Não foi uma noite de sono perfeita, até porque já passava da meia noite quando adormeci. Mas foi o melhor que consegui.

O dia foi lento, lentinho, chegando mesmo a ser parado. Fui ao café depois do almoço, à esplanada do costume, mas não por muito tempo. Tinha ideia de me aninhar no sofá e deixar-me levar pelo sono a olhar para a televisão. Não aconteceu como queria…não consegui apagar. E agora, 22h40m, não tenho nem sono nem vontade de ir para a cama…

Mas deu para parar o corpo. Isso também é descansar. Preciso de dormir? Muito. Mas está a ser complicado conseguir um sono de qualidade…

Vamos ver como corre esta noite. E amanhã? Logo se vê. Se a gata não me acordar à hora de sair para trabalhar já é muito bom…

{#128.238.2023}

Segunda feira. Aquele dia em que era suposto regressar ao trabalho. Não aconteceu, claro. Nem vai acontecer tão cedo. Baixa prolongada até 6 de Junho. Sei de quem vai subir paredes amanhã quando receber o meu email com o papel da baixa e olhar para a data. Mas não quero saber. Em primeiro lugar estou eu. E eles, os que vão receber o email e fazem a gestão do trabalho, também não querem saber de mim. Estou em casa há praticamente duas semanas. Ainda ninguém se dignou a perguntar como estou e/ou se preciso de alguma coisa. Temos pena. Só que não…

Ir a Lisboa buscar o papel da baixa foi uma tortura. Porque o corpo está muito cansado. A cabeça também, mas o corpo…

Chegar a casa e querer descansar. Almoçar à hora do lanche. E o telefone toca para saberem de mim. Uma amiga de longa data, de há mais de 20 anos. Que começou por ser formadora de trabalho, passou a colega e rapidamente subiu à categoria de amiga. Falamos uma vez por ano, às vezes duas. Já tínhamos falado este ano pelo meu aniversário. Mas as minhas partilhas deste estado absurdo a que cheguei chegam a quem quer saber. E ela quer. Uma hora e vinte e três minutos de conversa. E a promessa de um café à beira mar em breve.

Sabe muito bem quando querem saber de nós.

Outro telefonema pouco depois. De quem me fez cair no colo aquilo que eu não procurava mas que agora sei que é o que quero. E que mereço. Mais quarenta e cinco minutos de conversa. Vai correr bem. E terei uma resposta em breve.

Quis descansar depois de chegar a casa. Ainda não consegui. O corpo, é verdade, tem estado sossegado. Mas a cabeça continua acelerada. Depois dos telefonemas ainda não tive tempo para processar o dia. Que não foi nada de extraordinário, mas foi longo.

Agora, pouco depois das 22h30m, é hora de parar, recolher e enroscar…e tentar desligar. E dormir. Amanhã não há horário para acordar como houve hoje. Por isso, logo se vê como corre a noite e a que horas acordo. Não tenho pressa. Só quero melhorar. Recuperar. Voltar a estar bem. E até dia 7 de Junho, dia de regresso ao trabalho, ainda tenho algum tempo. Vamos ver como corre até lá…

Amanhã? Logo se vê. Mas será melhor. Porque eu quero que assim seja.

{#127.239.2023}

Domingo, dia de consulta com o terapeuta fofinho. A quem conto tudo e que me ajuda a analisar tudo o que se passa comigo e/ou à minha volta. E que me ajuda, também, a pôr as coisas em perspectiva.

Ontem ao final do dia, em conversa noutro fuso horário, percebi que estou muito zangada. E foi o que me fez zangar que me fez chegar a este ponto. De rotura. E, claro, esta manhã voltei a esse tema com o terapeuta fofinho. E, já sei, é um tema que precisa muito de ser trabalhado. E vai ser. Só depois de o trabalhar é que vou conseguir fazer as pazes com o trabalho. Para já, não consigo sequer pôr a hipótese de regressar rapidamente. Sei que, mais tarde ou mais cedo, vai ter que acontecer. Mas, para já, não tenho condições nem físicas nem mentais para isso. Primeiro tenho que recuperar. Nem que seja a parte física, que está de rastos. A parte mental também precisa de algum descanso e alguma recuperação. E para isso preciso de tempo.

Vai custar? Parece que sim. Nunca imaginei que o corpo cedesse tanto como cedeu nos últimos dias. São dores nas pernas, nos pés, dores de cabeça que não passam… Falta ainda uma semana para ter consulta com a médica de família. E aí vou deixar o rol de queixas físicas que me têm incomodado tanto nos últimos dias…

Sei que não estou sozinha. Tenho quem me acompanhe. Seja do outro lado da Serra, seja do outro lado do Mundo. E, saber e sentir isso, é tão importante. Não, não estou sozinha. E tenho quem se preocupe e me estenda a mão.

Este caminho é duro? É. Muito. Mas tem que ser feito. Por mim. E eu vou fazê-lo. Custe o que custar, vou fazê-lo.

Amanhã? É um novo dia. Aquele dia em que devia regressar ao trabalho. Não vai acontecer. A baixa médica foi prolongada. Não sei ainda até quando. Mas, para já, é o que preciso: tempo. Para mim. Para descansar. Para dormir. Para, acima de tudo, descansar.

O resto? É isso mesmo: é só o resto. Depois logo se vê. Em primeiro lugar estou eu. E agora, mais do que nunca, não me posso esquecer de mim.

{#126.240.2023}

Sábado. E dormir, no mínimo, 12 horas sem interrupções. Alguém estava a precisar de uma maratona de sono. E nesta última noite consegui.

Continuo muito cansada, mesmo assim. Fui à rua e voltar para casa custou-me. Muito. Aqueles 100 metros pareceram-me 100 kms.

Depois do almoço a vontade era instalar-me no sofá e deixar-me ir. Não aconteceu. Em vez do sofá, optei pela cama. Mas não dormi. Também é preciso viver um bocadinho. Mantive-me na cama, sempre deu para descansar o corpo. E a distância de 5.726 km e a diferença de 5 horas no fuso horário não existiram. E, quando assim é, é tão bom.

Há um ano alguém me disse que eu devia dar uma oportunidade à vida. Na altura tentei fazê-lo. Foi bom enquanto durou. Não me chateei quando a vida seguiu o seu caminho. Agora, um ano depois, dou uma nova oportunidade à vida. Aliás, desde Dezembro que tento fazê-lo. Nunca deu em grande coisa. Agora? Não sei onde isto me vai levar. Mas, mesmo que não me leve a lado nenhum, está muito bom.

Hoje, até olhar para cima me custou. Muito. Mas nem por isso deixei de o fazer. Porque já passou o tempo de ter os olhos no chão.

E confirmei, numa simples troca de mensagens a 5.726 km de distância, que estou muito zangada com o trabalho. Ou com tudo o que diga respeito a trabalho. Um trabalho que eu gosto muito de fazer, numa área que eu gosto muito, um trabalho que eu faço bem feito. E que é constantemente desvalorizado. E não consigo esquecer-me de quando os meus resultados foram deturpados por alguém que, acabado de chegar, desconhece a realidade do meu trabalho…

Sim, cada vez mais encaixo as peças de Burnout. Cada vez me faz mais sentido. Amanhã é dia de consulta com o terapeuta fofinho. E vou fazer questão de falar com ele sobre isso. Na verdade, sobre tudo o que me está a fazer (muito) mal.

Enfim…neste momento valem-me as mensagens enviadas a 5.726 km com 5 horas de diferença no fuso horário. É isso que me tem distraído e ocupado a cabeça. De resto? Pouco ou nada me tem gerado interesse. E o cansaço intenso que não passa também não me permite ter vontade de nada ou coisa nenhuma.

Amanhã? Logo se vê… E o resto é isso mesmo: é só o resto.

{#125.241.2023}

Cheguei a sexta feira. Não sei como, só sei que cheguei. Extremamente cansada. Desgastada. Simplesmente sem força para absolutamente nada. Hoje nem para o café na esplanada ao final do dia.

A dor de cabeça intensa insiste em não passar. Continua presente, a todas as horas, em todos os momentos.

Exponho o meu estado actual sem qualquer tabu. Como sempre expus qualquer coisa relacionada com saúde mental. Ou a falta dela. E sei que, com essa exposição, não só recebo apoio como lanço alertas. Sei que tenho várias pessoas preocupadas comigo neste momento. Não duvido que haja outras tantas mais alerta a sinais que tantas vezes passam despercebidos, que são desvalorizados.

Falei hoje com a psiquiatra. Ela insiste no regresso da depressão. Mas, desta vez, não concordo com ela. Porque, quanto mais leio sobre o assunto, mais reconheço o meu estado como estado de Burnout.

A baixa médica vai ser prolongada. Iria terminar este domingo, mas não estou minimamente em condições, físicas ou mentais, para regressar ao trabalho. Até quando é o prolongamento da baixa? Ainda não sei. Mas sei que cada dia conta para a recuperação.

Vai demorar, não tenho dúvidas disso. Vai ser trabalhoso. Vai ser difícil. Mas sei que não estou sozinha. Tenho pessoas preocupadas comigo e a puxar por mim, tenho a psiquiatra que me ajustou a medicação e aceita que não me sinta em condições de regressar ao trabalho e tenho o terapeuta fofinho que me vai ajudar a lidar com isto e a encontrar o caminho para a recuperação.

Não, a dor de cabeça não passa. Continua intensa. Contínua presente. E, por referir a constante presença da dor de cabeça, recebi uma proposta holística que não vou recusar. Em princípio, irá acontecer ainda hoje. E é tudo o que eu preciso neste momento. E que há já vários procurava, mas sem saber ao certo a quem pedir. Muito por não querer incómoda ninguém.

Sim, estou muito cansada, dói-me muito a cabeça, atingi o meu limite. Mas sei que é possível recuperar.

Um dia de cada vez. E sempre sem pressa. Sei que vou melhorar. Não sei quando. Mas sei que vou.

{#124.242.2023}

Dia longo que começou ainda ontem. Ontem, dia de procurar ajuda. Resultou em 12 horas na sala de espera das urgências do Hospital e sem ser vista por nenhum médico…

Não, não estou bem. Estou à beira da rotura. Ando a acumular há muito tempo. Mas cheguei ao ponto de já não aguentar mais.

Agora é procurar ajuda. Mas ajuda efectiva. Não aquela ajuda que nos faz desistir depois de 12 horas na sala de espera das urgências do Hospital. E, para além de procurar ajuda, conseguir efectivamente descansar. É urgente descansar. E eu não consigo…

Amanhã? Logo se vê. Mas vou continuar a precisar de ajuda e de descansar…

{#123.243.2023}

E depois chega aquele dia em que não dá mais e é preciso parar e pedir ajuda.

E hoje foi (é…?) esse dia. Uma chamada para a Saúde24, uma visita às urgências do Hospital. Cheguei às 19h34m. Passei pela triagem uma hora depois. São 23h05m. Continuo à espera de ser vista por um médico.

Estou farta de aqui estar? Estou. Mas, quando decidi que preciso mesmo de ajuda, já sabia ao que vinha. Sei que só devo sair daqui de manhã, ou muito perto disso. Mas já não dá mais. A dor de cabeça intensa insiste em não passar. O cansaço extremo é cada vez mais notório. Por isso, sim, vim ao sítio certo, no momento certo.

Amanhã? Falo novamente com a psiquiatra como ficou combinado. E vou-lhe pedir prolongamento da baixa. Independentemente do que for diagnosticado hoje, do que for recomendado hoje. Sei que ainda não estou em condições de regressar ao trabalho.

De resto, logo se vê. Um dia de cada vez.

{#122.244.2023}

Acho que ainda é terça feira. E o cansaço acumulado ainda cá está. A dor de cabeça não passa. E até a tarefa mais básica se mostra difícil e extenuante.

Não, não está fácil. Não consigo desligar e, efectivamente, descansar. Durmo pouco. Durmo mal. Acordo cedo. E durante todo o dia me arrasto por aí, entre o sofá e o cadeirão. Mas não faço o que preciso: dormir.

Não estou a gostar nem um pouco da forma como me sinto. Sei que melhorar só depende de mim. Mas se nem eu consigo obrigar-me a dormir…

Preciso de ajuda. E, com a dor de cabeça sempre presente e cada vez mais intensa, já decidi que amanhã vou procurar ajuda ao único sítio onde realmente me podem ajudar.

Por hoje, vou tentar fazer o que tenho que fazer para me ajudar a recuperar. Dizem que está nas minhas mãos. E eu acredito que sim. Só tenho que me empenhar e não desistir.

Sei que vou dar a volta a isto. Não sei quando nem como. Mas vou ter que dar a volta a isto. E antes que o estrago seja mais grave…

{#121.245.2023}

São 5.726 kms de distância, 5 horas de diferença horária. Mas que me têm feito muito bem.

Faz-me companhia, distrai-me daquilo que me perturba neste momento, deixa-me ser eu tal como estou e como sou. Faz-me bem, não nego.

O que é que vai sair daqui? Muito provavelmente nada. Mas, para já, está muito bom. Amanhã? Logo se vê.