{#346.020.2023}

Terça feira e pouca vontade de sair de casa. Na verdade, a tarde foi passada sozinha em casa pela primeira vez há muito tempo.

Ainda de ontem: o desafio foi ler e gravar posts do blog. Pedi uma data. Respondeu-me com 3 datas por cada ano desde 2014. Pela primeira vez reli o que escrevi. E pela primeira vez li em voz alta o que escrevi… Gravei 28 posts do blog e mexeu cá dentro ler algumas coisas…

Hoje, sozinha em casa, depois de enviar os áudios, decidi ouvir um. E depois outro. E mais outro. Acabei por ouvir os 28… E percebi que alguns posts são uma espécie de murro no estômago e que no final de ouvir aquela miúda que sou eu só me apeteceu dizer um palavrão feio e abraçá-la… Sei que quem recebeu os áudios já conseguiu ouvir o primeiro e percebeu a dor que escrevi no dia 4 de Agosto de 2014

Ouvi os 28 áudios. Que foram 28 posts do blog. Lidos pela primeira vez desde a sua publicação. Lidos pela primeira vez em voz alta. E reconheço a dor e o sofrimento. Mas também reconheço a evolução. Porque essa evolução existe. Lido hoje muito melhor com a perda do meu filho do que lidava no início. Ainda me dói. Ainda é uma ferida que dói. E que, de vez em quando, ainda sangra…

No fim reconheci que partilhar estas datas específicas é como ir tirando a armadura aos poucos. É uma forma de me dar a conhecer a quem quer realmente conhecer mais de mim e entender quem sou. E pela primeira vez há quem me diga que, de facto, quer saber mais de mim para me entender e conhecer.

O dia foi muito longo. Mas foi um dia que não foi mau mesmo tendo mexido na ferida. Amanhã? Será um dia ocupado. E, só por isso, será melhor.

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