Author Archives: Kooka

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Se perguntarem por mim, dir-vos-ei que não estou. Esta que vos fala é outra que não eu.

{#110.257.2020}

Do distanciamento social imposto, o que me assusta é o perder pessoas. Especialmente as que trago comigo, em mim.

Vou fazendo os possíveis para que nada se perca, até porque a distância já existia de certa forma. Mas assusta-me ainda assim. Porque antes sempre surgia de vez em quando a possibilidade de uma interacção mais próxima. Mas agora não há sequer uma previsão de quando isso será possível. E pode ser o suficiente para um afastamento definitivo. E isso custa-me……

{#109.258.2020}

Não conseguir dormir uma noite inteira está a tornar-se preocupante. Depois de acordar à meia noite, voltei a acordar às 4h da manhã para já não voltar a adormecer…

A ajuda continua a não chegar. E eu preciso tanto dela…

{#108.259.2020}

Cansada de uma semana de trabalho com mudanças grandes. Daquelas a que eu habitualmente resisto até me adaptar. Novos projectos, nova equipa, acima de tudo novos horários.

Vai correr tudo bem, tenho a certeza. Mas até começar a mexer a sério, fica sempre a dúvida sobre se serei capaz, se estarei à altura.

Continua a ansiedade em alta. Continuo a não conseguir dormir uma noite inteira. Continua a ajuda a não chegar. Continuo à espera e a pôr-me à prova.

Por outro lado, há toda uma distância que vai aumentando. E essa distância é tudo o que eu não quero. Tudo o que eu não preciso. Preciso precisamente do oposto, apesar da distância física ser agora obrigatória. Mas há a outra distância, aquela que nos faz próximos e que eu não quero nem posso perder.

Estou cansada… Talvez seja isso que me desanima. Talvez quando conseguir voltar a dormir uma noite inteira a perspectiva de tudo melhore.

{#107.260.2020}

Emigrante sem sair de casa. Podia ser interessante se não tivesse que acordar e começar a trabalhar 2 horas mais cedo para enfrentar uma língua estrangeira que, por muito parecida que seja, continua a ser isso mesmo: uma língua estrangeira.

Mas não posso queixar-me. Tenho trabalho, é só isso que interessa agora.

E entretanto sinto falta de pessoas. Mais ou menos próximas, sinto falta da interacção. Seja de que forma for.

O ruído na minha cabeça continua, hoje um pouco mais baixo, mas continua cá. E a ajuda continua a não chegar…

Um dia tudo isto vai passar. Duvido que tudo volte a ser como antes, mas vai passar. Até lá repito o mote de outros tempos: um dia atrás do outro atrás do um.

{#106.261.2020}

O barulho na minha cabeça começa a incomodar. Ainda não são as vozes da minha cabeça, mas o ruído já se começa a fazer sentir. E não gosto nada disso.

A ansiedade já se instalou. E com ela a somatização.

A ajuda continua a não chegar… Mas quero acreditar que amanhã há Sol na minha janela.

{#105.262.2020}

E, de repente, a meio da viagem as coisas mudam. E eu resisto sempre à mudança quando me é imposta. Mas, desta vez, prefiro estar grata a esta mudança. Por ser um bom sinal em tempos de incerteza e insegurança.

Mas não esperava. E, apesar do que digo, ainda me assusta a mudança.

Vamos esperar e acreditar que vai correr tudo bem.

{#104.263.2020}

Do que sinto mais falta? Não é de sair de casa. Aí sinto-me confortável e cada vez mais. Vai ser difícil voltar à rotina de sair de casa. E isso começa a preocupar-me. Mas do que sinto mesmo falta é da interacção com outras pessoas. É ver pessoas e falar com elas.

Podia resolver-se facilmente, mesmo à distância. Mas não está a acontecer…

{#103.264.2020}

Cansada de ver sempre a mesma paisagem. E com cada vez menos vontade de sair de casa. O isolamento, ou o confinamento, pode ser demasiado confortável.

Apenas sinto falta de ver gente e de falar com alguém. Coisas que são fáceis de resolver mesmo nesta fase. Mas que não acontecem.

A minha sanidade mental está a começar a ressentir-se. E a ajuda que já pedi nunca mais me chega…

Quando tudo isto passar, vai ser difícil voltar às rotinas que obrigam a sair de casa. Porque, lá está, este isolamento pode tornar-se tão estupidamente confortável…

{#102.265.2020}

Absolutamente aborrecida. E um tanto triste. Para o aborrecimento encontro solução. Para a tristeza não.

Ou pelo menos não de forma fácil…

{#101.266.2020}

Mais uma noite mal dormida…e novidades, há?

Perdida no tempo com a constante sensação de que hoje é sábado. Não é. É sexta feira. Feriado. Ainda não é sábado. O fim de semana de três dias sem as rotinas do trabalho ainda agora começou.

Amanhã será melhor. Amanhã tem que ser melhor.

Amanhã é sábado, não hoje.

{#100.267.2020}

Centésimo dia daquele que já é o ano mais estranho. E o meu mapa de equilíbrio não está a funcionar. A ajuda de que preciso tardar a chegar. E a única luz que procuro está longe.

Mas vai melhorar. Não sei quando. Mas vai.

Venham os próximos 100 dias. Muito provavelmente ainda em isolamento e distanciamento social. E outros 100. E todos os outros que faltam para o ano acabar.

{#99.268.2020}

Palavras de ânimo em tempo de pandemia. Enquanto a ajuda não chega, valem-me as palavras que conheço há quase 30 anos e que mesmo depois da data prevista chegam sempre mais do que a tempo.

Berlim aqui tão perto e uma amizade de sempre.

Faltavam-me palavras de ânimo como estas para não descarrilar.

{#98.269.2020}

Hoje pedi ajuda.

Mas a ajuda não veio…

Vão continuar as noites mal dormidas.

{#97.270.2020}

Mais uma noite mal dormida. Só mais uma de tantas que já conto que já não sei quantas são.

Amanhã será melhor. Amanhã peço ajuda. Só amanhã porque só amanhã posso ter acesso a quem me pode ajudar.

Hoje será mais uma noite que se quer inteira mas que dificilmente será.

Amanhã será melhor. Amanhã volto a pedir ajuda.

{#96.271.2020}

Mais um domingo igual aos outros.

Esta não é a altura certa para mudar os domingos…

{#95.272.2020}

Mais uma noite mal dormida. Para variar.

“Tens que encontrar alguma coisa para te entreteres”, dizem-me duas pessoas tão distintas. Tenho. Tenho mesmo. Já que não posso sair (mesmo que já antes pouco ou nada saísse), tenho que aprender a fazer do meu tempo algo mais positivo. Pode ser que seja agora que desemburro do crochet.

Não posso é continuar a não dormir uma noite inteira. Preciso de ajuda para não acordar a meio da noite. Ou para não acordar demasiado cedo sem necessidade.

Melhores dias virão, claro que sim. Mas para já é com este tempo conturbado que tenho que lidar. E não sei até quando é que vou conseguir manter a minha já escassa sanidade mental.

{#94.273.2020}

Mais um dia. Menos um dia. Mais um dia igual aos outros. Outra vez. E assim vai ser nos próximos tempos.

Se por um lado me é confortável o isolamento por me ser conhecido, por outro lado o facto de ser imposto é-me extremamente desconfortável.

Sei que um dia tudo isto vai passar. Vai melhorar. Vamos voltar às rotinas e hábitos. E vamos reclamar da rotina e dos horários e do trânsito e da falta de tempo.

Mas até lá é preciso coragem para lutar contra o cair novamente no carrossel comboio fantasma que não precisa de moedas chamado Depressão. E é tão fácil voltar a cair.

Tenho medo. Não sei exactamente do que tenho mais medo, se do que se passa no mundo lá fora, se do que a minha cabeça é capaz.

Também por isso faço por não me afastar de quem me é importante, mantendo hábitos e rotinas para ter uma sensação de normalidade.

Só peço que não me deixem cair. Por favor.

“Ninguém larga a mão de ninguém”. Por favor.

{#93.274.2020}

Mais um dia. Menos um dia.

Sem nada a assinalar. E numa luta constante para não descarrilar. Não me apetece retroceder.

E as saudades…? Muitas. Mas não posso pensar nisso agora.

{#92.275.2020}

Ninguém merece acordar às 6h da manhã sem necessidade.

Mais uma noite mal dormida, para juntar a todas as outras que já perdi a conta.

Esperam-se pelo menos mais três meses até regressar à rotina normal…

Acho que até lá vou sobreviver, só não sei muito bem como.

{#91.276.2020}

Falta muito para acordar deste sonho surreal…?

O pior é que ainda agora começou…