Fazer acontecer 106 vezes mesmo que a matemática nos diga que é quase impossível.
Há dias de trabalho complicados.

Fazer acontecer 106 vezes mesmo que a matemática nos diga que é quase impossível.
Há dias de trabalho complicados.

{………}

O melhor de ir é voltar.

Cansada. De tanta coisa.

Sem sistema por hoje. Demasiado cansada.

Borboletas na barriga. É isso. E é tão bom.
Olhar para cima ou olhar em frente, porque não volto a ter os olhos no chão.
Acordar para a vida enquanto ela não me foge entre os dedos como a areia da praia.
Mas, no fundo, borboletas na barriga. Tão bom.

Noites mal dormidas, sonhos agitados. Porque é que me visitas em sonhos? Há tanto tempo que noto o mesmo. As tuas visitas.
Não me queixo. Nada disso. Mas também não te digo que sonho contigo. Até porque tu simplesmente lá estás, nos meus sonhos. Simplesmente apareces. E simplesmente estás. Umas vezes chamas-me. Todas as vezes me sorris. Não falas. Não dizes nada. Simplesmente estás presente. Não há muito para te contar.
Mas acordo todas as noites. Não sobressaltada nem assustada. Apenas acordo estremunhada para logo de seguida voltar a adormecer e sonhar contigo mais uma vez. Ou será que sonho contigo primeiro e acordo resultado desse sonho? Não sei dizer.
Mas sei que acordo de manhã meio confusa com mais uma noite mal dormida e mais um sonho agitado onde tu me visitas.
Mas eu gosto das tuas visitas, não nego. E dou por mim a sorrir-te de volta e a tentar alcançar-te. E agora que penso nisso acho que é aí que acordo e por isso nunca te alcanço nos meus sonhos…
Esta noite espero não acordar a meio. Espero que os sonhos, com a tua visita, sejam mais tranquilos. E espero conseguir alcançar-te. E sorrir-te de volta.
Esta noite. Irei dormir mais serena por saber que me visitas em sonhos mesmo que não te veja há já algum tempo.
Já te disse que gosto de ti?

“Tens que viver sem ter medo de viver.”
Pois tenho. Mas também tenho medo. De não ser capaz, de não conseguir fazer, de não estar à altura do que me pedem, de desiludir. De falhar. Então não vivo, vou vivendo escondida na minha zona de conforto, se arriscar muito ou até mesmo nada.
Já aqui estive antes, mas nunca com tanto medo como agora…
Como é que se sai deste marasmo? Não sei. Sei que acontece com um click, só não sei o que faz disparar esse click.
Vou vivendo. E vou ter que arriscar mais e tentar fazer mais e tentar ser mais e tentar tudo mais. Só isto não me chega.
Vou ter que aprender a pôr o medo de parte. Não sei como, só sei que tenho.
Porque viver no medo, com medo, não é nada. Não é viver. É, no limite, sobreviver. E eu estou cansada de apenas sobreviver.

Os dias cada vez mais curtos lembram-me que não aproveitei o Verão como devia.
Não estou preparada para os dias curtos… Mas sei que lhes vou sobreviver novamente. E sei que vou agarrar-me às pequenas coisas para o conseguir. Porque também há coisas positivas nos dias mais curtos. E eu vou encontrá-las.

{………}

Quantas interpretações pode ter “estar com a cabeça longe”?
Aquelas que se quiser. E talvez uma delas esteja certa. A verdade é que ando com a cabeça longe. Por nada de extraordinário, nem negativo, mas ando longe. Ou melhor, até ando relativamente perto mas com a cabeça fora do sítio.
Mas sabe bem este longe, fora do sítio. Sabe bem e faz bem porque, apesar de tudo, não perco os vários focos. E ainda bem.
Cabeça longe, fora do sítio. Há muito tempo que não estava assim. E é tão bom estar novamente.

Hoje finjo um bocadinho. Finjo que não te escrevo. Ainda que a vontade seja escrever-te todos os dias, hoje faço de conta que não te escrevo. Mesmo escrevendo.

De fingir e fugir.
Finjo que fujo do que tenho que enfrentar. Afasto-me por um momento para ganhar força e então aí sim, enfrento. Seja o que for, como for. Os últimos anos têm sido prova disso mesmo. Nunca fugi nem nunca fingi, especialmente quando mais me doeram.
Finjo que fujo. Mas na realidade estou lá. Finjo que fujo e até finjo que finjo. Finjo o que sinto às vezes, quando me tento convencer que o que sinto não pode ser. Mas não finjo quando sinto tudo intensamente. Porque aí não há como fingir (como agora), porque não sei fingir aquilo que faz de mim o que sou: sentir.
É confuso. Mas não fujo nem finjo. E se, por acaso, der por mim a fingir alguma coisa é certo que irei fugir à minha maneira do que estiver a acontecer à minha volta: afasto-me, faço de conta por um momento que não se passa nada, para logo de seguida enfrentar com outro ânimo.
Todos fugimos. Todos fingimos. Mas eu não gosto nem de uma coisa nem de outra, fugir ou fingir.
Mas, admito, neste momento estou num processo de fuga. Fuga ao que sinto e que já não sei fingir. Mas essa fuga não vai durar muito porque não se foge para sempre. E um dia destes paro e retomo onde fiquei quando iniciei o processo de fuga e enfrento e digo tudo.
Até lá, já se sabe, vou fugindo sem fingir. Cansei-me de fingir noutros tempos não tão longínquos como isso. Resta-me cansar-me de fugir.
Porque não fujo realmente. Nem finjo.

Gosto de ti.
Pronto, já disse. Não a ti, mas está dito. Não me és de todo indiferente e talvez um dia to diga. Por agora fica aqui: gosto de ti.
Fazes-me ter vontade de tirar os olhos do chão. Fazes-me ter vontade de fazer tanta coisa que não tenho feito. Fazes-me bem.
Se ainda não to disse não foi por falta de vontade. Foi mesmo por falta de coragem. Por isso me escondo. Talvez um dia me encha de coragem e perca a vergonha e quem sabe me aceitas tal como sou. Tal como estou…
Quem sabe… Um dia. Até lá continuas a não me ser de todo indiferente. Só tenho medo que me sejas impossível.

O Verão começa a despedir-se. Como sempre, acho que não estou preparada para o Inverno. Tenho que agarrar o Outono e fazê-lo valer pelo tempo perdido.
Até lá tento continuar o Verão que se despede. Como mais ou menos vitamina D, mais ou menos melanina, mais ou menos reservas. O Verão ainda cá está mesmo que ameace despedir-se. E eu vou continuar a sorrir-lhe, estranhando-lhe o Outono antecipado.
Não estou preparada para o Inverno. Mas este, o que vem daqui a 3 meses, será mais fácil de lidar. Porque o Verão também o foi.

– Hoje estás a sorrir muito, tia.
– Estou?
– Estás. E eu não estou habituado.
Sabes, Miguel, a tia sorri todos os dias. Mas, se calhar, hoje sorri um sorriso diferente, um sorriso a que tu não estás habituado mas que não deixa de ser um sorriso. É um sorriso de quem tem borboletas na barriga. Um dia vais perceber melhor. E vais perceber também porque é que a tia sorri de forma diferente.
Espero ver-te sorrir assim também muitas vezes. É tão bom… Quase nos faz flutuar também um bocadinho, numa espécie de vôo calminho.
É bom sorrir assim, Miguel. Mesmo que só tu vejas esse sorriso da tia.
Prometo mostrar-te este sorriso mais vezes. Para te habituares a ele. E a mim com ele.

Não estava preparada para Setembro.
Mas vou encarar Setembro como o nível do barro [*] e tentar fazer o melhor que conseguir.
[*] José Saramago, “Deste Mundo e do Outro”

Há pequenos pormenores que me dizem muito mesmo que não queiram dizer nada. Pequeninas coisas. Frases. Palavras. Ou gestos.
Guardo tudo para mim quando na realidade quero (tanto) partilhar com quem me enche com pequenos momentos.
Vou guardando. Tudo. Mesmo que não signifique nada. Signifique apenas para mim. Faz-me bem. Faz-me acreditar em coisas boas.
São pequenas coisas. E eu gosto de pequenas coisas.

O copo meio cheio é poder usufruir desta vista todos os dias. E desta luz quando ela surge assim dourada.
Vejo mais vezes o copo meio cheio do que o copo meio vazio. Nem sempre parece, eu sei. Mas vejo. E vejo oportunidades sem fazer delas problemas.
O copo meio cheio. Até nos problemas o vejo. Porque é assim que prefiro vê-lo. E senti-lo.
E vou sentindo esse copo meio cheio e com cada vez mais a sensação de não estar cheio de ilusões mas sim de algo concreto. Como é que sei? Sinto-o.
Guardo sempre o copo meio cheio. Sinto-o sempre meio cheio. Mesmo que por vezes me esqueça dele assim por momentos.
Venham desafios, venham propostas, venham dicas, o que for. É do lado meio cheio que pego.
Por hoje pego na luz dourada que me acompanhou no regresso a casa em hora de ponta em dia de acidente na ponte. E a vista com que me cruzo e que às vezes me esqueço de absorver. E que me apetece partilhar, a luz e a vista, com quem também vê o copo meio cheio.
Por isso cá fica. E que seja também um copo meio cheio.

“The darkest nights produce the brightest stars”.
Está na altura de ver o copo meio cheio de uma outra perspectiva. Está na altura de pensar em rumos a tomar. Está na altura de sair da escuridão e fazer sair a luz. Está na altura de ser um bocadinho mais qualquer coisa. Só não sei ainda o quê… Ou se, sabendo, sou capaz de aguentar. Sinto-me cansada, tão cansada………
