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Se perguntarem por mim, dir-vos-ei que não estou. Esta que vos fala é outra que não eu.

#day262 out of 365plus1 

Ensinaste-me a contar os dias, que “um dia atrás do outro atrás do um” porque “precisas de tempo, o tempo que precisares”. 

Curiosamente, foste também tu que me criticaste por continuar a contar os dias, aqueles dias. Apesar de “um dia atrás do outro atrás do um”, para ti era doentio que os contasse aos 400 e qualquer coisa. Afinal, esse tempo que precisava parecia não ser todo o tempo que precisasse. 

Já não os conto. Aos dias. Aqueles dias. Mas sei de cor que são 262 depois de 500 depois de 19 depois de 42. E sim, já são muitos dias, já é muito tempo. Mas, por enquanto, ainda é disso que preciso, tempo. O tempo que precisar. 

Ainda não te disse, provavelmente nunca te direi, se o souberes não será por mim, que entrei num processo de luto “final”. Se é que o luto alguma vez tem fim. Não sei. Talvez tenha. Ou talvez apenas adormeça. Esse processo, acompanhado por quem está preparado para me acompanhar, seria mais fácil com a tua presença. Porque é um processo que deveria ser dos dois em conjunto, não em separado. 

Escolheste a distância, o silêncio. As barreiras. Um muro sem portas para abrir e deixar entreabertas. Escolheste seguir o teu processo sozinho. Sigo, portanto, o meu processo sozinha mas acompanhada por quem está preparado para me acompanhar. 

Não vai ser fácil. Não está, já, a ser fácil. Mas é-me necessário este processo. Onde irei revisitar cada um daqueles 42 dias que, de facto, aconteceram. 

Não sabes, não saberás nunca provavelmente, pelo menos não por mim, não sabes que parte deste processo passa por dar um nome ao que durante 42 dias trouxe comigo, literalmente em mim. Passa por dar um nome, tão simples e tão complicado como isso. Tão difícil nomeá-lo sozinha quando deveria ser, mais uma vez, uma escolha dos dois. 

Já tem nome, mesmo que já não exista há tanto tempo. Mas existiu. Durante 42 dias existiu. Foi real. E tu sabes que sim. 

O meu processo “final” já começou. Poucos, muito poucos dias depois da última vez que te vi, que soube de ti. E, parece-me, serão agora esses os dias que irei contar. Porque, afinal, “um dia atrás do outro atrás do um” porque “precisas de tempo, o tempo que precisares” e “nada vai mudar, o Sol vai continuar a nascer e a pôr-se todos os dias”. 

Mais um dia se passou. Mais uma vez o Sol nasceu e pôs-se. Mais um dia de absoluto silêncio. Daqueles silêncios que gritam a ausência de quem escolheu a distância. Mais um dia sem ter comigo a única coisa que mais quis em toda a vida. 262 dias. Depois de 500. Depois de 19. Depois de 42.

Ainda assim, amo-te. Amo-vos. A ambos. Ausentes. 

#day261 out of 365plus1 

Tirar os olhos do chão nem sempre é fácil… 

#day260 out of 365plus1 

​{……um dia volto a escrever. Não hoje. Ainda não hoje……} 

#day259 out of 365plus1 

“Those who don’t believe in magic will never find it.” 

Preciso de reencontrar a magia. Rapidamente. 

#day258 out of 365plus1 

Não é um postal. Mas também não são contas para pagar.

São boas notícias. Tratam-se as dores e a sua causa em breve. Mais breve do que o previsto.

#day257 out of 365plus1

Às vezes assim. Foco perdido. Como hoje, por momentos. 

Problema – > solução. 

E o foco regressa. 

Entrego e confio. Vai correr tudo bem. 

#day256 out of 365plus1 

Aos poucos a regressar à Luz. O meu lugar não é na Sombra, ainda que lá me perca de tempos a tempos. 

#day255 out of 365plus1 

“Quando não existe nenhuma indicação, segues em frente. Sempre.” 

#day254 out of 365plus1 

{………} 

#day253 out of 365plus1 

Podia falar de Amor. Mas se falar de sorrisos desdentados é exactamente a mesma coisa. Mas em melhor. 

#day252 out of 365plus1 

Mãos ocupadas, cabeça quieta. 

#day251 out of 365plus1 

Linhas guia. Para não me perder. 

#day250 out of 365plus1 

Já me tinha esquecido. Pegar no lápis é mais fácil do que tantas vezes digo a mim mesma. 

#day249 out of 365plus1

Eu sou a Lua. A Lua sou eu. Nova. Crescente. Cheia. Minguante.

Ciclos.

#day248 out of 365plus1 

E hoje tão o oposto de ontem. 

#day247 out of 365plus1 

Mais uma noite em branco, para esquecer. Inquieta. Vontade de chorar sem motivo e não conseguir fazê-lo. A pressão a aumentar cá dentro, o desconforto, o precisar de dormir e não conseguir apesar do sono. O choro não sai… Recorrer aos químicos de SOS às 4 da manhã, despertador marcado para as 5h30. Não acordar, claro.

De manhã cedo a minha mãe segue sem mim para um trabalho que é o meu.

Acordar às 10h. Mais bem disposta, ou talvez apenas mais tranquila. Mais serena? Mais calma? Ou apenas em modo automático dos químicos da madrugada?

Vontade de sair de casa? Zero. Vontade de “socializar, estar com pessoas, ver gente“? Absolutamente abaixo de zero.

Chegar ao Jardim e não lhe reconhecer a magia que lhe sentia noutros tempos. Tempos nem tão longínquos quanto isso. Dizem que a magia ainda lá está. Não sei. Não a sinto. Não a reconheço. Pela primeira vez em 10 anos de presença assídua mensal naquele Jardim não quero lá estar. Quero ir-me embora dali. Não pertenço ali. Já não.

Não quero ver ninguém, e está lá tanta gente. Não quero falar com ninguém, e tanta gente quer saber de mim. Quero ir-me embora.

Fecho-me. Isolo. Não faço as visitas habituais. Não digo olá, nem hello nem wie gehts. Não digo nada. Escondo-me. Fecho-me. Afasto-me.

Quero chorar, só porque sim. Ou será porque não? Não choro, não consigo, não sai! Os efeitos dos químicos da madrugada ainda muito presentes, aliados ao aumento da dosagem dos químicos habituais. Pedrada. Lenta. Parada. Não reactiva. Sorrisos poucos, muito forçados. Não saem de outra forma.

Não quero isto.

Não quero estar assim.

Não quero ser isto. Não quero ser assim.

Mas estou e sou.

Quieta no meu canto. Não quero ver ninguém. Não quero falar com ninguém. Não quero ouvir ninguém. Não quero responder a ninguém.

Esta também sou eu. Miserável. Sem rumo. Sem força. E sozinha.

#day246 out of 365plus1

Das coisas que parecem pequeninas mas são enormes. A “Campanha Contra a Depressão e Solidão das Caixas de Correio. Ah! E o Bullying das Contas Para Pagar” também funciona ao contrário. 

Um 3 em 1, Ribeira de Pena e o típico postal romântico dos anos 70. Conseguiram roubar-me um sorriso. Pequeno, mas um sorriso. Que não tem sido fácil de surgir. 

Obrigad’Xinha 💜

#day245 out of 365plus1 

“Devias sair de casa mais vezes. Socializar, estar com pessoas, ver gente!” 

Sim, mas……… 

#day244 out of 365plus1 

Já o tinha dito antes, di-lo-ei as vezes que forem: pedir ajuda não é vergonha nenhuma.

Há um caminho pela frente que terei que percorrer, sem pressas porque estas coisas levam tempo. Será, provavelmente, um longo caminho. Mas tem um objectivo muito bem definido: fazer as pazes. Comigo.

Não é possível percorrer alguns caminhos sozinha, sem apoio. Nem sempre os amigos e a família são o suficiente para estas caminhadas. Porque, por vezes, o tombo é grande. Demasiado grande e só nos apercebemos disso no limite. Ou já depois de ultrapassar esse limite.

A Depressão dói. A Depressão arrasa. A Depressão faz-nos fechar ao Mundo, faz-nos recolher à nossa concha. Faz-nos afastar do trabalho, das coisas que nos dão prazer, das pequeninas coisas que nos fazem bem. E, acima de tudo, a Depressão faz-nos afastar das pessoas. Da família que nos quer bem. Dos amigos que nos dizem “estou aqui”, que se preocupam, que se fazem presentes, que nos estendem a mão para nos puxar para cima.

A Depressão afasta-nos do Mundo. E de nós próprios. Porque a Depressão dói e faz doer e é uma dor que muita gente não entende e, como tal, não aceita.

A Depressão não é unicamente uma questão emocional. É química também. Algumas vezes exclusivamente química. Quando o corpo não funciona correctamente, quando as hormonas estão alteradas, quando os processos neuroquímicos estão comprometidos, a Depressão facilmente se instala.

E para quem tem dificuldade em perceber, dou exemplos:

– hipotiroidismo, quando a tiróide é lenta, preguiçosa ou simplesmente não produz tiroxina, estados depressivos são sintomas comuns, podendo ser controlados com compensação de tiroxina sintética;

– tiroidite de Hashimoto, quando, para além do hipotiroidismo, a tiróide é um ser estranho que o mesmo organismo que a acolhe é o mesmo que a rejeita e ataca. Auto-imune, termo que tantas vezes ouvi ao assistir a House M. D. e que não entendia, hoje faz parte da minha ficha clínica. Não bastava ter uma tiróide que não produz o suficiente, tinha que ter uma tiróide que eu própria rejeito. Como auto-imune que é, Hashimoto não tem cura. Não são ainda conhecidos todos os efeitos no organismo, e são já demasiados, mas os estados depressivos graves fazem parte. E, também aqui, não é necessário um episódio emocional para desenvolver um quadro depressivo major. Basta mais um ligeiro descontrolo da tiróide. Por outro lado, basta haver um episódio emocional para que a tiróide se descontrole para desenvolver um quadro depressivo major. Sim, é uma espécie de pescadinha de rabo na boca. É ser preso por ter cão, preso por não ter. É experimentar um sem número de medicamentos anti-depressivos diferentes para perceber qual deles faz o melhor efeito e nenhum deles ter um efeito melhor do que um copo de água…

– serotonina, o chamado químico da felicidade. Fraca captação de serotonina no cérebro enfraquece as sinapses, as comunicações entre neurónios, e o quadro depressivo instala-se;

– falta de vitamina D, aquela que nos é dada pelo Sol. Sim, dizer que se vai fazer a fotossíntese, ao contrário do que já me têm dito (“as plantas é que fazem a fotossíntese, oh! “),  está correcto. Ao contrário das plantas não temos clorofila nem transformamos dióxido de carbono em oxigénio, mas transformamos a luz do Sol em vitamina D. E a vitamina D é dos melhores anti-depressivos que existem. Ainda por cima é gratuita, livre de impostos e 100% natural. A falta de vitamina D leva a quadros depressivos graves e incapacitantes. Sim, há pessoas que durante os meses de Inverno funcionam mal, ou não funcionam de todo por causa da Depressão. E no início da Primavera é normal vê-las a reagir, a sair da concha, a voltar ao Mundo. Até mesmo aquelas que, pelas costas, são rotuladas de “maluquinhas” porque “lá estão outra vez na fase da maluqueira” e que “há maluquinhos que só trabalham no Verão”. Infelizmente já ouvi demasiadas vezes. Não era comigo. Mas incomodou-me. Assim como me incomodam todos os estigmas e rótulos ligados à Depressão. E não adianta explicar a questão da vitamina D. Que, apesar de ser gratuita, livre de impostos e 100% natural, não tem substituto químico, ao contrário de outras vitaminas. E não adianta dar exemplos da elevada taxa de suicídio nos países nórdicos onde, por motivos óbvios, existe escassez de vitamina D.

A falta de conhecimento, a ignorância e a falta de tolerância são grandes inimigos do doente com quadro depressivo.

A Depressão dói. E nem sempre é exclusiva de quadros emocionais. E,  quando os factores  emocionais e químicos se juntam, a Depressão leva-nos a cenários muito negros. E perigosos.

Reconhecer que se precisa de ajuda não é vergonha nenhuma. Pedir ajuda especializada não é vergonha nenhuma. Existe o estigma, a ignorância, a falta de tolerância. E isso sim, são motivos de vergonha para quem não aceita que alguém esteja a sofrer de algo que não se vê. Mas que definitivamente se SENTE. E sim, dói. Muito. Tantas vezes demasiado.

#day243 out of 365plus1 

{………}