Author Archives: Kooka

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Se perguntarem por mim, dir-vos-ei que não estou. Esta que vos fala é outra que não eu.

#day205 out of 365plus1

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{“há pessoas que estão pior do que tu”}

Dizer a alguém, que está a passar por um momento menos bom, que “há pessoas que estão pior que tu” , pode ser bem intencionado. Não duvido que seja na grande parte das vezes.
Não deixa, ainda assim, de ser das piores coisas que se podem dizer. Dizer a alguém, que está na merda, que “há pessoas que estão pior que tu”, é desvalorizar o sofrimento do outro, é pintá-lo como egoísta que só pensa nas próprias dores quando no mundo lá fora há tragédias tão maiores todos os dias (que as há), é simplesmente anular o outro e o seu direito a sentir e a gerir da melhor maneira que pode e/ou sabe o que sente e como sente.

Dizer a alguém, que não consegue a determinado momento reagir da forma que todos acham que deve reagir, que “há pessoas que estão pior que tu, e isso já passou e tens que dar a volta por cima” é uma tentativa de apagar pedaços da história individual de cada um, como se não tivessem existido, como se não tivessem acontecido, como se não fizessem parte do processo de crescimento de cada um.

Dizer a alguém, que não esquece por muito que lute para não se lembrar, que “há pessoas que estão pior do que tu” é exactamente o mesmo que dizerem, como há dois anos me disseram, que “se não aconteceu não é para ser falado”.

Quando alguém está a passar por um momento menos bom, acreditem: não procuram que lhe digam frases feitas nem bonitas. Não procuram que lhe digam absolutamente nada. Procuram, sim, quem os oiça. Sem julgamentos, sem cobranças, sem respostas prontas em forma de clichés. Procuram simplesmente quem lhes permita ser, estar e sentir. Procuram, acima de tudo, espaço para se isolarem se assim o quiserem, um ombro para chorar se assim o entenderem, um abraço para se fortalecerem se assim o precisarem, e silêncio para falarem se assim o fizerem.

Não. Dizer a alguém que está na merda que “há pessoas que estão pior que tu” não é ajudar. É exactamente o oposto.

Se querem realmente ajudar alguém que não está bem, não digam nada. Ou digam apenas “estou aqui se me quiseres aqui”, e estejam lá realmente. Só assim conseguem que o outro, o tal que está na merda, que chora, que tenta por todos os meios atenuar a dor que vocês não vêm mas que existe, só assim conseguem que o outro sinta que, afinal, há quem respeite o seu sofrimento, a sua dor. Mesmo que não a entenda. Porque não tem que entender. Apenas respeitar.

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#day204 out of 365plus1

“Não quero problemas, quero soluções”…

Eu também… Eu também…

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#day203 out of 365plus1

Ocupar as mãos, ocupar a cabeça. Acalmar tudo o resto para que não volte a vergar.

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#day202 out of 365plus1

Vergar para não partir. Suportar a pressão, deixá-la passar, aliviar e voltar a erguer-me.

São momentos. Todos eles tão válidos como qualquer outro. E, também, importantes. Para não quebrar.

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#day201 out of 365plus1

Voltar a onde já se foi feliz. Sempre. No Tempo que já foi tempo, no Tempo que é a Tempo inteiro ou parcial, no Tempo que será Tempo se e quando for Tempo. Voltar sempre.

Lua Cheia. Não a vi. Não precisei. Senti-a. Vivi-a. Fui Lua. Cheia. Pintei-a da cor do seu Tempo, do meu Tempo porque era Tempo de ser Tempo. Tempo parcialmente inteiro. Tempo inteiramente parcial. Não importa. É o meu Tempo.

Tempo de voltar a sorrir, seguindo a cor, as cores, depois da passagem pela face oculta da Lua agora iluminada em pleno.

Voltar a onde já se foi feliz. Onde se continua a ser feliz. Voltar sempre.

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#day200 out of 365plus1

Um dia reencontro a cor. Um passo de cada vez. Um dia atrás do outro atrás do um.

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#day199 out of 365plus1

Olhar para cima. Custe o que custar.

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#day198 out of 365plus1

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#day197 out of 365plus1

Quebrar. Vontade de.
Quebrar depois de vergar.
Vergar, tanto, depois de aguentar. Tanto.

E se eu chorar“, lembras-te?
Não, claro que não.

Uma sombra, apenas.

Quebrar. Vontade de.
Quebrar. E chorar.

“E se eu chorar, outra vez“…

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#day196 out of 365plus1

Cheio, intenso e sem açúcar. Sempre. Como em tudo. E cada vez com menos açúcar.

E o Mundo continua um lugar feio. E, também ele, com cada vez menos açúcar…

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#day195 out of 365plus1

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#day194 out of 365plus1

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#day193 out of 365plus1

Um bocadinho à nora, admito. Tempo para parar e pensar, repensar?, tanta coisa, tanto rumo.

Não me apetece escrever, não me apetece continuar a escrever. Faz sentido? Faz sentido continuar a escrever? Não. Especialmente quando a escrita não é o suficiente para acalmar aquelas vozes que ecoam insistentemente na minha cabeça. Porque se uma me diz que tomei a decisão certa porque não podia ser de outra forma, porque não adiantava manter aquela ilusão de proximidade que era apenas isso mesmo, uma ilusão, que tenho que dar mais importância e valor ao que sempre fiz questão de achar que não merecia muito, que tenho que começar a olhar para mim mesma com outros olhos, ao mesmo tempo há outra voz que se ri de mim, do que decidi e que insiste em dizer-me que não adiantou nada, porque no fundo é só um alívio para terceiros que já não precisam de se esforçar para manter essa ilusão. E há também outra voz que me diz que não devo ouvir as outras duas porque não é nada daquilo mas é tudo junto.

Estou cansada. De me iludir. De me esforçar por ser melhor. Por merecer melhor. Estou cansada de insistir em querer mais quando tantas vezes, demasiadas?, sinto que nada disso importa porque o que tenho é o que mereço. Pouco ou nada. Sempre. Nunca muito.

Cansada de sentir isto. Cansada de me sentir assim. Cansada de me descobrir apenas anos depois. Cansada de não me ver como se calhar sou, cansada de me ver como, se calhar, apenas uma mera ilusão.

Não sei qual o caminho agora. Não sei qual o rumo neste momento. Não sei nada. Sei apenas que dei um passo que achei necessário mas que, afinal, parece não ter feito qualquer diferença do outro lado. Que muito provavelmente ainda nem deu por isso nem dará tão cedo. Porque simplesmente era uma proximidade ilusória. De circunstância.

Caramba…sinto a falta. Sim, a tua falta. Até mesmo dessa proximidade ilusória de circunstância. Não tinha que ser assim. Não era assim que devia ser. Mas, provavelmente, é assim que é porque sempre o foi desta forma.

Estou cansada. De me lembrar que estou sozinha. Que me disseram que não estaria e que durou tão pouco esse não estar.

Não posso querer muito mais. Ou apenas muito. Ou até mesmo pouco. Não adianta de nada. Nunca adiantou ter sonhos, vontades, desejos. Porque, tal como os planos, já devia saber que nunca nenhum desses sonhos, nenhuma dessas vontades, nenhum desses desejos alguma vez se irá concretizar. Cada vez acredito mais que mereço que assim seja…

Cansada. Tão cansada. De tudo…

Não, hoje não há sorrisos. Porque também estou cansada de sorrisos ilusórios. De circunstância. Só porque um dia achei que seria bom ter 365diasmais1 para sorrir.

Cansada. Farta. De tudo. Porque já pouco faz sentido. E não sei continuar a jogar ao Faz de Conta.

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#day192 out of 365plus1

Sempre aquela sensação de estar a ficar sem Tempo…
Não. Não gosto. Mas sinto que o Tempo me foge.

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#day191 out of 365plus1

Ser. Estar. Sentir. Simplesmente.

Abraçar cada momento. Sentir falta da alquimia do abraço, da magia contida num abraço, mas abraçar cada momento ainda assim.

Sem pressa. Para quê pressa? Com Tempo para as coisas pequeninas que são dadas como garantidas e, por isso, desvalorizadas.

Pés no chão, cabeça algures por aí, coração a esforçar-se por estar, e ser, tranquilo. Não adianta forçar nada, mas ele a cada expiração avança mais um bocadinho, por mínimo que seja. Inspira, relaxa. Expira, contrai. E vai só mais um bocadinho lá à frente, lá acima, lá abaixo, onde for.

Respirar. É tão bom saber respirar e conseguir fazê-lo ainda que nem sempre no ritmo desejado.

Ser. Estar. Sentir. Simplesmente.

Sem pressa, sem esforço, sem deixar de respirar, sem Tempo para perder Tempo.

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#day190 out of 365plus1

Quando conheceres o conforto das paredes, o conforto do confronto, saberás que não estou sempre a pensar nisso, que não estou sempre a falar nisso.
Quando conheceres a força do embate desse confronto que se torna conforto, saberás que é esse impacto que atenua o que o tempo ainda não apagou. Talvez nunca apague.

Há dois anos estava grávida. Há dois anos tinha dúvidas quando o meu corpo me gritava todas as certezas. Há dois anos não queria pensar na hipótese que o meu corpo já confirmava e que mesmo não querendo pensar ecoava na minha cabeça, estás grávida.

Hoje procuro o conforto desse confronto porque não posso fazer de conta, continuar a fazer de conta, que há dois anos nesta data não estava grávida.

Ainda hoje me dói. Todo o processo. Desde a primeira dúvida, até à certeza e tudo o que veio depois até hoje. Dói verbalizar, eu estive grávida, quando eu estava grávida, na minha gravidez. Dói por quase soar a falso de tão curta que foi. Mas existiu. Foi real. Aconteceu de facto. Existiu uma gravidez e tudo o que daí adveio. O bom. Que também o houve. O mau. O muito mau. Que não quero de novo mas que nem sempre é fácil de evitar. Que nem sempre é fácil desligar.

Não me digam, não me digas, para não estar sempre a pensar nisso. Porque não estou. Simplesmente a memória não se apaga.

Não me digam, não me digas, para não estar sempre a falar nisso. Porque não falo. Deixei de o fazer quando deixei de ter aqueles 50 minutos regulares, há um ano. E dói não poder falar. Porque é a falar que arrumo gavetas. Porque é a falar que alivio a pressão que trago comigo há demasiado tempo. Porque é a falar……

Não a falar sozinha. Não a falar com quem não conhece a história, a minha história, a história da minha gravidez. Não. É a falar com a única pessoa que poderia fazer a diferença. Mas não faz. Porque não está.

Quando conheceres o conforto das paredes, o conforto do confronto, saberás porque insisto em falar, em querer falar. Porque o tempo passa mas não apaga aquela gravidez de há dois anos. Porque o tempo passa mas a memória não se apaga. Porque o tempo passa. Apenas passa. Sem nenhum vestígio palpável, sem nenhum vestígio qualquer de que essa gravidez aconteceu.

Há dois anos, neste dia, neste exacto dia, eu estava grávida. E tenho que aprender a dizer sem dores que sim, eu estive grávida. E na minha gravidez não procurei nunca o conforto das paredes, o conforto do confronto…

…mas procuro-o hoje por me faltar o único conforto, sem confronto, que me falta.

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#day189 out of 365plus1

Mergulhar no trabalho. Tentar esquecer quem não está. Mesmo que a concentração seja difícil. Mesmo que esquecer seja o mesmo que contorcer-me por dentro.

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#day188 out of 365plus1

A que velocidade se pintam os dias?

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#day187 out of 365plus1

Quantos dias até ultrapassar o síndrome de privação? Falam de uma semana para o álcool, duas para os narcóticos. Mas ninguém fala do síndrome de privação de pessoas nem quanto tempo demora a passar.

Irei descobrir. E um dia irei acordei e perceber que não penso em ti há muito tempo. Que não tenho saudades. Que não te sinto a falta.

Irei descobrir como, até lá, acalmar este gelo na barriga, esta ansiedade na ponta dos dedos, esta espécie de vazio. Tudo provocado por uma ausência, uma distância que impus a mim mesma. Apesar de saber que seria tudo tão mais fácil se permanecesse tudo na mesma. Naquela inconstância dependente de humores. Seria mais fácil continuar a fazer de conta.

Não gosto do caminho mais fácil. Especialmente quando sei que é tempo de seguir outro caminho com todas as dificuldades inerentes a um novo percurso acrescidas de um já perceptível síndrome de abstinência de pessoas.

Penso em ti mais do que desejaria. Mais do que me é suportável neste nada. E por isso mesmo arrisco a ressaca da distância forçada e auto-imposta. Porque o tempo que é o meu Tempo diz-me que apenas devo conservar comigo o que é cheio e intenso. E, tal como o café, sem açúcar.

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