Author Archives: Kooka

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Se perguntarem por mim, dir-vos-ei que não estou. Esta que vos fala é outra que não eu.

#day224 out of 365plus1 

A melhor das minhas noites é pior que o pior dos vossos dias… 

#day223 out of 365plus1 

O que fica do dia de hoje…? Fica que pode não haver “maneira certa”. Mas há sempre, SEMPRE, alternativas melhores. Mesmo que não sejam as mais fáceis. 

Há sempre alternativa na busca de soluções para um problema. Sempre. E sempre melhores.

#day222 out of 365plus1 

E depois há o Um e o Dois… 

{trocanterite} 

Em Maio falava da dor. Daquela física que se torna insuportável a cada movimento, a cada passo. Daquela dor, física, que se vai aguentando enquanto a vontade é de parar e chorar até que passe. Na altura lembrava-me do relatório de um raio-X de há três anos, quase tirado a ferros ao médico que me seguia na altura: sacroileíte. Achava eu, pelo seguimento dado na altura pelo médico, que seria uma simples inflamação ali na junção do sacro ilíaco. “Perca peso que isso passa”, disse-me. Aliás, para todo e qualquer problema que lhe apresentava a resposta era sempre a mesma: “perca peso que isso passa”. O mesmo médico que, ao olhar para os resultados das análises à tiróide alterados como sempre, de hipotiroidismo com tiroidite de Hashimoto (tiróide auto-imune), me disse simplesmente “não precisa de medicação nenhuma, isso está alterado, o que é que quer que eu lhe faça se isso é mesmo assim?”, sabendo eu há quase 20 anos que sim, é necessária medicação para compensar uma tiróide que não funciona e que é atacada pelo próprio sistema imunitário.
Escrevia eu em Maio sobre a dor. Presente há anos, ainda antes da primeira queixa a esse médico. Dor constante nas ancas, especialmente na direita, com episódios agudos e prolongados no tempo e de extrema dificuldade em andar, sentar, levantar e até dormir.

Há umas semanas, depois de mais um episódio agudo, voltei ao médico. Já não ao mesmo. Depois de tantos episódios com aquele, preferi fazer parte da estatística dos “sem médico”, tendo aquele sido atribuído como médico de família há relativamente pouco tempo antes do primeiro episódio de consultas que se resumiam sempre no mesmo: “perca peso que isso passa”.
Fui, finalmente, vista por alguém com olhos de ver. Que valorizou as queixas, que me ouviu, que me examinou para despistes, que avaliou o diagnóstico e pediu os exames que devia: raio-X às duas ancas + ecografia às partes moles da anca direita.

Hoje, dia de nova consulta. Outra médica. Apresentei os exames, resumi a história e vi, pela primeira vez, um profissional de saúde a mudar de cor.

Palavras estranhas sublinhadas no relatório e a primeira pergunta: “queres que te envie para ortopedia, não queres?”
A minha resposta foi obviamente que sim, como não? Seja lá o que for que o relatório diga eu quero ver isto tratado. Porque as dores são constantes há demasiado tempo…
“O mais certo é que te enviem logo para cirurgia. Isto já devia ter sido visto há muito tempo! Tu não tens idade para este tipo de lesões! Quem aparece em ortopedia com estas lesões são pessoas de, no mínimo, 70 anos! É raríssimo com a tua idade!”
Fez relatório de consulta e enviou pedido de consulta urgente para Ortopedia de Santa Maria. Garantiu-me que se perdesse peso obviamente que seria uma mais valia, até para a recuperação do pós-operatório. Mas sabe que Hashimoto e perda de peso não são compatíveis.
Agora é esperar uns meses mas “com a tua idade e com este cenário podes ter a certeza que vais ser chamada rapidamente”.

Trocanterite é palavra nova no meu dicionário. Acentuado processo de trocanterite é parte do diagnóstico.

Espessamento significativo das inserções tendinosas no grande trocanter.

Esclerose dos tectos acetabulares.

Esclerose das vertentes articulares sacro-ilíacas.

Diminuição dos espaços articulares.

Ou em português, como me disseram há três anos: “perca peso que isso passa”. Só que não.

Aos 39 anos tenho ancas de alguém com o dobro da minha idade. E, garanto, tenho dores que não desejo a ninguém.

Enquanto espero pela carta de Santa Maria, se houver algum especialista na sala que se queira pronunciar, agradeço. Muito. Nem que seja sobre dicas de como aguentar as dores, ou aliviá-las, até ser finalmente vista por um especialista. Os químicos não resultam, já experimentei.

Já tinha tantos motivos para gostar do outro médico. Hoje junto-lhe mais um… (e sim, tenho muita vontade de apresentar queixa na Ordem, embora provavelmente não resolva nada).

#day221 out of 365plus1 

É tão demasiado fácil fazer deixar de doer… 

#day220 out of 365plus1 

Continua a dar-me gozo. Se calhar não tanto hoje como há um ano. Mas tantas outras coisas me dão menos gozo hoje que há um ano… 

Comecei a questionar. A ter dúvidas. Valerá a pena continuar? Especialmente com todas as limitações recentes, até que ponto valerá a pena insistir? Ou será persistir? Já não sei sequer. 

Sei, e magoa-me, que ao fim de 11 anos ainda há quem ache que é uma espécie de brincadeira, um passatempo. Que ir para a feira é pelo convívio e pouco mais. Há, ainda, quem não leve a sério o que faço. Ou não leve muito a sério, pelo menos. Há quem critique. Quem torça o nariz. Quem desvaloriza. Mas foi este caminho que escolhi para mim. E por isso quem critica este caminho critica-me a mim. Desvaloriza-me a mim. E, ao fim de todos estes anos em que lidei com essas atitudes sem lhes dar importância, hoje vacilei. E comecei a questionar. Tudo. O trabalho. A qualidade. A escolha. 

Não é um passatempo. Não é um emprego. Não pelo menos de horário fixo das 9h às 5h, com folga ao fim de semana, férias garantidas e ordenado com data de entrada na conta bancária. É um trabalho. Aquele que eu escolhi para pôr comida na mesa e pagar as contas que, como todos os outros, também tenho para pagar. Se já foi mais fácil? Sem dúvida. Mas não é isso que me faz vacilar. Se assim fosse já teria vacilado há alguns anos, no entanto mantive-me firme no meu caminho. 

Não hoje. Hoje não estou firme. Hoje duvido do valor do que faço. Da qualidade do que sai das minhas mãos. Mesmo que os clientes do fim de semana me mostrem o contrário. Duvido e questiono tudo. 

Existem várias limitações neste momento. Que eu quero, e preciso muito, ultrapassar. Mas quando desvalorizam o que faço, o caminho que escolhi, as limitações parecem-me, pela primeira vez, muito maiores. 

Continua a dar-me gozo. Continuam a nascer projectos no mundo das ideias todos os dias. Que adorava concretizar mas que vou juntando a todos os outros que há já muito tempo preenchem a gaveta de “um dia faço”. 

Já estive mais longe de desistir. Muito mais longe de desistir. Hoje, sinceramente, não sei se não o deva fazer… 

#day219 out of 365plus1 

{………} 

#day218 out of 365plus1 

A verdade é que sinto a tua falta… 

#day217 out of 365plus1 

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#day216 out of 365plus1 

Por vezes, basta alguém querer perder algumas horas noite dentro para nos ajudar a aterrar. 

Obrigada, Xi. 

💜

#day215 out of 365plus1

A minha cabeça é, neste momento, um lugar feio. Escuro. Muito pouco sossegado e nada silencioso.
Falta-lhe cor, mas não lhe falta som. Aliás, ruído. Ruído provocado pelo eco daquelas vozes que me acompanham. Que me gritam. Que me criticam. Que me gozam. Que me insultam. Que me acusam. Que me fazem duvidar de mim mesma para além de todos os outros. Vozes que me dão as respostas, certas ou erradas não importa, que a ausência, a distância e o silêncio não me dão.

São essas vozes que não me deixam, novamente, dormir. São essas vozes que me sussurram soluções para acalmar a dor. A dor que não é física mas é real. São essas vozes que me repetem que mereço essa dor, merecendo ou não. São elas que me guiam por caminhos que não quero mas que são tentadores. Novamente aqueles caminhos escuros, onde a voz, a minha voz, não quer sair. Aqueles caminhos sem saída fácil. E onde é tão fácil entrar e onde é tão confortável deixar-me ficar. Mesmo com o eco constante das vozes…

Escrever ajuda a acalmar as vozes. Ou, pelo menos, a reduzir o volume dos gritos, das críticas, das acusações.  E por isso escrevo. Ou tento continuar a escrever. Cada vez tenho menos vontade de escrever. Cada vez escrevo cenários mais negros. Doentios, se quiserem rotular assim o que escrevo.

Não escrevo para ser lida. Escrevo para exorcizar. Escrevo para me impedir de seguir os caminhos que as vozes na minha cabeça me indicam e que garantidamente me iriam acalmar a dor. Já ouvi estas vozes antes. Já ouvi estes conselhos antes. Já ouvi estas soluções. Não foi fácil resistir-lhes. Como não está a ser fácil agora. É tão mais fácil deixar-me ir, deixar-me levar por estas vozes.

Mas não quero. E por isso escrevo. Tento continuar a escrever. E tenho cada vez menos vontade de o fazer.

Há muito tempo que não dizia isto: não se preocupem se escrevo, seja mais ou menos bonito, mais ou menos colorido, ou pelo contrário mais ou menos dorido. Preocupem-se, sim, quando deixar de o fazer. Aí já terei desistido de manter à tona. Aí já terei optado por qualquer um dos caminhos que as vozes na minha cabeça me indicam. E é tão fácil deixar-me guiar por essas vozes…

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#day214 out of 365plus1

Recuperar o foco.
Novamente um dia atrás do outro atrás do um dia. Todos os dias. Todo o tempo que for preciso.

Continuar a fazer de conta. Fazer de conta que os últimos dias não foram como foram, com a violência e intensidade que foram.

Vai passar. Dizem-me. Digo. Repito até à exaustão se for preciso. Talvez um dia seja real, talvez um dia seja verdade, talvez um dia passe. Por agora é fazer de conta que esqueço por um bocadinho e que estou focada no que interessa. Não estou. Mas faço de conta.

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#day213 out of 365plus1

2 anos hoje.
Não conto o tempo, mas conto. Como não? Ele passa e o calendário lá está a marcar os dias que passam. Mesmo que não tenha nada anotado, não preciso de anotações para saber dias, horas, locais.

O tempo passa. Ao contrário do que todos me diziam, há dois anos, o tempo não ajuda. Seria de esperar aos dois anos estar muito mais serena do que há um ano

Não estou. Estou hoje igual ao que estava há dois anos. As únicas diferenças são as dores físicas que não tenho mas que as sinto e o local. E o local, aqui, faz diferença. Porque se há dois anos estava onde e com quem devia estar, hoje estou longe de lá voltar e sozinha.

O tempo ajuda, diziam-me. Disseram-me. Disseste-me. “O tempo que precisares”, repetiste-me. Ainda preciso desse tempo. Desse tempo que parece não ter fim, que parece passar devagar ao mesmo tempo que voa. Como assim, já dois anos? Como é possível se ainda sinto a mesma ansiedade, o mesmo peso, a mesma tristeza, a mesma dor? Não, a mesma não. Já não. Porque há dois anos achava que era uma dor partilhada. Hoje sei que não, é apenas minha. Afinal foi sempre só minha, não foi?

É o silêncio. É a ausência. É a distância. É tudo isso que me diz que sim, que é só minha. Que sempre foi. Se estou errada? Se estou a ser injustiça? O silêncio, a ausência e a distância respondem-me. São os únicos que estão presentes para responder a todas as minhas questões. A todas aquelas questões que ecoam na minha cabeça em jeito de vozes sempre presentes a qualquer hora do dia ou da noite.

Afinal não estou sozinha. Tenho estas vozes. Não me sossegam. Não me serenam. Não me anestesiam a dor que não sendo física dói e corrói. Não fazem nada disso. Por outro lado, também não comparam o incomparável.

Criticam. Julgam. Não aceitam o silêncio que me chega. E por isso mesmo se vão transformando aos poucos em ecos que não quero para mim. Ecos de mágoa. Desilusão. Rancor…… E depois do rancor todos sabemos o que vem. O ódio. E essa não sou eu. Não sei nem quero saber odiar. Mas estou a um passo de começar a fazê-lo.

Já me basta o ódio que tenho, tantas vezes, em relação a mim mesma. A desilusão que sinto por mim. Mas isso lido como sei. E aprendo aos poucos a mudar. O ódio por terceiros não entendo, nunca atendi. E não sei lidar com ele. Mas…como se lida com o silêncio? Com a ausência que me é imposta? Com a distância? Com o frio…?

2 anos e tanto que mudou. Não necessariamente para melhor. Não, de todo. É verdade que aprendi muito. Que cresci. Mas não, não me tornei melhor. Apenas nasceu, neste dia há dois anos, uma outra eu que ainda hoje não conheço. Mas que, isso já sei, tem características que não gosto nem um pouco.

31 de Julho de 2014. No dia em que oficialmente deixei de estar grávida, morreu uma parte de mim para dar lugar a uma outra de quem não gosto particularmente.

E não tinha que ser assim, pois não…?

Sozinha. A reaprender a caminhar sozinha. Há dois anos. Acompanhada apenas pela ausência, pela distância, pelo silêncio. Não por quem me disse “não vais estar sozinha”. Não por ti. E isso faz toda a diferença. Toda.

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#day212 out of 365plus1

Há um ano, 365.
Hoje 365+365plus1.

E ainda me apetece falar. Acima de tudo preciso, muito, de falar. Tanto. Não se fala, no entanto. Não que me digam, também, que “se não aconteceu não é para ser falado”. Dizem-me, apenas, “não há nada para conversar”. Como não…? Há tanto. E é-me importante fazê-lo. É-me urgente fazê-lo. Porque lembro-me, também, de ouvir, “não vais estar sozinha”. Dois anos depois percebo que estou. Há mais tempo do que imaginava. Mas estou. Estarei até conseguir a única coisa que peço. Porque preciso. Depois, só depois, continuarei o meu caminho. Que sempre foi só meu.

2 anos amanhã. Um novo dia todos os dias. Um dia atrás do outro atrás do um. Entre desequilíbrios e quedas, reerguendo-me a passos incertos. Voltando a tropeçar, voltando a cair, olhando para o chão tantas vezes, não me esquecendo de olhar para cima também. E para a frente, ainda que olhe para trás também. Como não? Só porque “2 anos amanhã” tenho que fingir que não aconteceu? Tenho que fingir que sou a mesma que era antes? Tenho que fingir que já não dói? Fazer de conta. É isso… Continuar a fazer aquilo que nunca soube fazer bem: fazer de conta. Embora durante tanto tempo tenha insistido em tentar fazê-lo. Desisti. Não é a fazer de conta que tudo está bem que tudo ficará, finalmente, bem.

Não peço muito. Não peço nada, na verdade. Apenas um bocadinho de tempo. Não me sinto no direito de pedir muito mais. Mas também não sinto que mereça esse tal nada que, dizem-me, não há para conversar.

Aconteceu. É para ser falado.
E sim, há tanto para conversar, mesmo que seja pouco. Porque, disseram-me, disseste-me, nada iria mudar e eu não estaria sozinha.

Mudou tudo. E eu percorro sozinha este caminho. Como o faço desde o primeiro dia, sei-o agora.

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#day211 out of 365plus1

Res
pi
rar
………

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#day210 out of 365plus1

{………}

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#day209 out of 365plus1

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#day208 out of 365plus1

Lembra-te deste dia. Dos sítios onde foste, do que falaste, do que trataste. De como foste, por onde voltaste.

Lembra-te deste dia. Do que resolveste, do que traçaste. Lembra-te como estavas satisfeita e contente contigo mesma por tudo o que alcançaste e adiantaste hoje. Até ao momento em que, já no fecho da noite, percebeste que mais uma vez a cabeça está longe, confusa e fora de foco. E que, claro, tudo o que correu bem durante todo o dia é deitado abaixo por falta de foco.

Lembra-te deste dia. Para que voltes ao aqui e agora. Porque é aqui e agora que tem que estar o foco, a atenção, a cabeça. Não é lá atrás, que já foi. Não é lá à frente que podes não saber como vais resolver mas entregas e confias porque não sabes sequer se o lá à frente, o amanhã, vai chegar. Não, não sabes. E andas esquecida disso que aprendeste à força.

Deixa ir o que já foi. Foca-te no que é agora, aqui. Entrega e confia. Tudo se resolve. Mas para isso TENS que voltar a encontrar o teu foco. Aqui. Agora.

Lembra-te deste dia. Para não voltares a fechar a noite com essa frustração de quem só faz asneira porque permite não estar focada.

Acorda. Recentra-te. Refoca-te. Reencontra-te!

Lembra-te deste dia. Lembra-te.

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#day207 out of 365plus1

Isto e isto. Ainda. Sempre. Em permanência…

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#day206 out of 365plus1

{Da invisibilidade…}

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