Author Archives: Kooka

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Se perguntarem por mim, dir-vos-ei que não estou. Esta que vos fala é outra que não eu.

#day12 out of 365plus1

Durante anos julguei-o perdido. Encontrei-o em estante alheia e trouxe-o de volta. Até dá-lo por perdido novamente.

Hoje, Oriana reapareceu. Como fada que é, saltou da estante e fez-se presente numa espécie de vôo tranquilo e sem pressa. Deixou-se ver. Deixou-se apanhar. Recuperei Oriana. Oriana recuperou-me também.

E permito-me acreditar que Oriana não é apenas um livro. Oriana é fada. É histórias ao ouvido. É magia. Oriana é também navio. Oriana é tanta coisa mais que apenas um livro. É o perder e reencontrar para voltar a perder e finalmente recuperar.

Oriana é isto. E isto é tanto como as marcas do tempo na capa de um livro que julgava perdido, cada marca contando uma história daquelas que fazem parte da História.

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#day11 out of 365plus1

“Planet Earth is blue and there’s nothing I can do”

Que estranha forma de começar o dia, sentindo a perda de alguém que nunca se viu mas ouviu tantas vezes. Sentir a perda como se de facto me pertencesse, pertencendo-me apenas a música porque a ouvi, senti, vivi.

Dizem que é dia de agradecer, de dizer obrigada. Agradeço. Obrigada a quem está. Obrigada, também, a quem deixou de estar, seja porque simplesmente já não está, seja porque deixou de estar, seja também porque fazendo de conta que não está ainda está. Ou será ao contrário? Fazendo de conta que está mas já não está? Não sei. Mas agradeço na mesma.

Perco-me, nos últimos dias, a olhar pela janela. Pelas janelas. Tantas. Tão grandes. Perco-me no azul. Tento desenhar nuvens. De várias cores. Só me sai azul. Nuvens azuis no céu azul. E os ramos das árvores que roçam o azul lembram-me que o caminho também é por ali, em azul.

Também agradeço pelo azul. Como não? E abrindo uma janela que me traga azul, é por ali que vou. Porque não sei o céu de outra cor.

A perda do que nunca me pertenceu mais do que a voz, a música. O obrigada por tanto, por tantos, a tantos, por tudo. O azul. No céu. Nas nuvens. Nas janelas. Aqui. Agora. Azul.

Tranquila. Aconchegada. Mesmo que “the stars look very different today”.

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#day10 out of 365plus1

Domingo a dois tempos. Incluindo tempo para descansar.

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#day09 out of 365plus1

Apetece-me o nascer e o pôr do Sol. O adormecer e o despertar. O ser estando. O estar sendo.
Apetecem-me abreviaturas, iniciais, siglas, acrónimos. Apetecem-me palavras inteiras.
Apetecem-me as cores. Todas. Completas.

Apetece-me tudo e ao mesmo tempo apetece-me nada. Porque o tudo que me apetece é preenchido de tantos nadas. Que são muito. São tanto. São tudo.

Sorrir e fazer sorrir sorrindo. Em escadinhas no patamar do sorriso.

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#day08 out of 365plus1

Fim de uma semana de novidade e novidades. Perguntam-me se estou a gostar. Claro que sim, como não? É tudo novo não o sendo completamente. É diferente. É todo um novo mundo a descobrir.

Não me assusta a agenda preenchida até final de Janeiro do ano que vem. Não me assusta a quantidade interminável de informação que ainda me é estranha mas que aos poucos vai deixando de o ser. Não me assustam os dias mais preenchidos que a agenda me promete daqui a umas semanas. Não me assustam os dias mais calmos e menos ocupados que a mesma agenda me garante que também existem. Não sei sequer se neste processo novo alguma coisa me assusta.

Coordena-se o tempo de trabalho de um lado com os tempos de trabalho do outro. Não abro mão de nenhum deles.
Coordenam-se os tempos e o Tempo. O meu Tempo fora de horários e prazos e agendas ainda que o outro tempo, o da chuva, atrapalhe Tempos.

Vou navegando. Sempre um dia atrás do outro atrás do um. Sempre sem Tempo para perder Tempo. Sigo a minha bússola de cor, de cores, e vou. A saltaricar por cima das poças, a cantarolar à chuva com um sorrisinho ao canto da boca e um brilhozinho nos olhos.

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#day07 out of 365plus1

Durante o dia, papéis e computador.

À noite, linhas e tecidos.

Sem Tempo para perder Tempo. Agora ainda menos.

E vontade de voar.

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#day06 out of 365plus1

Natal em Dia de Reis, plim. Postal que é Presente. Presente que é Postal.

Porque se ri em escadinhas.

Tão bom.

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#day05 out of 365plus1

Arco-íris. Arc en Ciel.

Todo o dia, Arco-íris. De manhã, bem cedo, ainda o Sol se espreguiçava acabado de acordar e um Arco-íris perfeito, completo, ligava Santa Apolónia ao Chiado.

Sol. Chuva.
Chuva. Sol.
Frio no Cais. Calor cá dentro.

Atracagem fora de horário. Arco-íris.

Autocarros. Pessoas. Sorrisos à chuva. Sorrisos ao Sol. Sorrisos de Arco-íris. Sorrisos Arco-íris.

Escritório. Papéis. Listas. Chuva. Sol. Arco-íris.

“Quando nos habituamos ao que é bom, ao que gostamos, é normal termos saudades”, dizem-me. Como os abraços. Daqueles que apertam. Daqueles que fazem sentido, que fazem sentir, que fazem respirar.

Arco-íris. Arc en Ciel. Dia de contrastes lá fora. Dia tranquilo cá dentro. De Arco-íris. E uma vontade grande de surpresas. Arc en Ciel.

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#day04 out of 365plus1

Papéis, ferramentas, aplicações, telefones, computadores. Pastas, dispatches, horários, vales, esquemas, reservas, pre-sales, signs. Horários de entrada sem certeza de saídas, previsões de chegadas e atrasos e mau tempo e mar de Inverno.

Uma coisa já sei com toda a certeza: vou gostar muito disto.

Amanhã, {a}Ventura no Cais.

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#day03 out of 365plus1

Tudo pronto para amanhã. Dia de início de novo ciclo, depois de mais de 5 anos e meio “a solo”, a tempo inteiro.

Friozinho na barriga, claro. Ansiedade a bater à porta, de mansinho. Mas com a certeza que vai correr bem. E vai ser bom.

Embarcar numa nova aventura. De ver navios na Terra de Ninguém de um quinto andar por conta de outrem. Horários e rotinas. Já lhes sentia alguma falta.

Novo ciclo. Vai correr bem e vai ser bom. Com todas as cores que daí vierem.

Embarquemos então. E a sorrir em escadinhas.

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#day02 out of 365plus1

Há dias que são dedicados a simplesmente estar. Ser. Descansar.

Como hoje.

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#day01 out of 365plus1

Ainda em modo 2015. Ainda em jeito de balanço.

Uma palavra: gratidão. Por tudo. Que é tanto.

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#day500

500 dias. De altos e baixos. Altos q.b. e baixos muito baixos.

500 dias. Que coincidem com o final do ano. Um ano que começou negro, à beira do abismo, ou já mesmo no abismo e que tinha tudo para terminar mais cedo.

500 dias. Difíceis. Duros. Doridos, muitos. Doídos, tantos. Mas sempre um dia atrás do outro atrás do um até aqui. 500 dias quando não me imaginei, nunca, a chegar sequer ao 10º dia.

365 dias de 2015. E que 2015! O ano, chamo-lhe, da Fénix. Morrer para renascer. Para aprender. Para crescer. Fortalecer-me. Ser. E aprender, reaprender, a Viver.

Do que me trouxe 2015 não posso destacar só o que foi bom. É-me preciso também relembrar o que não foi tão bom assim. Aqueles primeiros dois meses do ano, negros, doridos, doídos, sem rumo, sem norte, sem chão. E o fim ali tão perto. Que acabou por ser o fim, apenas de forma diferente. Para melhor.

Perceber que mesmo achando que não estava sozinha, o estava de facto. Uma ilusão que se arrastou de 2014 para 2015 mais do que gostaria. Mais do que me era necessário. Ou, se calhar, foi necessária toda essa ilusão para perceber a desilusão e perceber que, afinal, mereço mais. Mereço melhor. Não mereço histórias mal contadas. Histórias que não o são, que não o eram, que não o foram. Histórias de uma ilusão etílica que não é para mim. Não mereço quem me olha sem me ver. Mereço mais. Muito mais que isso. E melhor.

Não preciso de quem usa e abusa. Seja de pessoas, seja de substâncias. Não preciso, também, de quem não entende o valor do que me é mais importante: o Tempo para Viver. O facto de estar cá quando podia não estar. Quem não entende o quão me é precioso estar, de facto, cá. E usando e abusando de pessoas e substâncias por pouco não impediu que cá continuasse. E isso não esqueço.

Não. Não preciso disso. E mereço muito mais que isso.

Se foi tempo perdido? Sinto que sim. Mas sei, também, que quando se aprende algo o Tempo nunca é perdido. E aprendi.

E foi preciso passar por esse uso e abuso para perceber que sou mais, sou melhor, sou inteira, sou plena. E, por isso mesmo, sei o que quero e, acima de tudo, sei o que não quero.

500 dias. 365 em 2015. De transformação. De aceitação. Do que sou, de quem sou. De conhecimento, auto-conhecimento, auto-reconhecimento após tanto tempo sem me reconhecer.

2015 trouxe-me também coisas boas, não apenas ilusões e desilusões de usos e abusos. Trouxe-me novos começos. O Meu novo começo. Não é fácil começar de novo. Mas é tantas vezes necessário. Como foi. E foi, também, necessário perceber que, mesmo que muitas vezes pense que estou sozinha, não o estou nunca. E sou tão grata por isso. Por saber, por confirmar, por me fazerem chegar a mensagem que era para mim apenas e que fez mudar tudo e que me garantiu que não, nunca estou sozinha.

365 dias de 2015 que terminam no dia 500 do meu percurso a que tantas vezes chamei de processo de cura. Que o foi. Tem sido. Não me garanto curada, garanto-me sim tranquila. Em paz. E não uma paz ilusória como durante tanto tempo apregoava a mim mesma. Hoje estou tranquila. Fortalecida. Em crescendo. Aprendi a olhar e a viver de dentro para fora, não apenas de fora para dentro. Continuo a sentir tudo intensamente, faz parte de quem sou, do que sou. Mas consigo hoje perceber o quanto de fora influencia o que está cá dentro e como posso equilibrar-me.

Equilíbrio. Ao fim de 500 dias, equilíbrio. E cor. Cores. Que me foram acompanhando em 2015 começando numa paleta negra e que se foi atenuando depois da queda, depois do fim. Uma paleta que me lembrou que em mim mora o cor de rosa. E que vai continuar a morar. E a fusão do cor de rosa com outras cores só pode trazer cores positivas, bonitas. O cinzento, sei-o já, não o quero. Não preciso. Não é meu. Não é para mim. Venham, pois, as restantes cores. Primárias, secundárias, o que for. Só não mantenho o cinzento. E, mesmo que o cinzento apareça, sei que basta lembrar-me que a magia existe e os pós de fada e os pozinhos de perlimpimpim afastam o que é escuro, o que é feio, o que não quero.

2015, 365 dias. O final de 500. Redescobri o mundo mágico dos sonhos e das vontades e das cores e das fadas e feiticeiros e vôos em balão de ar quente e pirilampos e luas coloridas e processos de fusão e entregas e encaixes de peças de puzzles e sorriso em escadinhas e lápis de cor e postais ilustrados e desenhos e rabiscos.

E descobri, redescobri, também um lado meu que teimei tanto tempo em não querer ver. Os meus 4 M’s…

M de Menina. Pequena.

M de Miúda. Pós revolução, dizem-me…a própria da revolução, digo.

M de Mulher.

M de…um M que é meu que ainda não verbalizo. Mas que nem por isso deixa de ser Meu.

500 dias, 365 dias de 2015.

Aos 500, prometi a mim mesma, deixo de contar. E hoje deixo de contar. Porque já não faz sentido. Porque já não preciso de contar os dias. Já há algum tempo que não preciso de os contar. Mas perceber que o dia 500 e o último dia deste ano da Fénix calhavam no mesmo dia fez-me continuar a contagem, para fecho de ciclo.

2016 traz um novo ciclo, e traz também um dia extra no calendário. Traz mudanças, tantas. As que já estão programadas serão, certamente, positivas. As outras, as que acontecem sem pedirmos, sem procurarmos, serão o que tiverem que ser, serão o que 2016 quiser que sejam. Mas sei, hoje, no dia 500, que sou mais, sou melhor, do que era no dia 136.

Grata. Tanto. Por tudo o que 2015 me trouxe. O bom e o mau. Não há bom se não conhecermos o mau. Cliché, de facto, mas verdadeiro.

500 dias. 365 dias de 2015. Plena. Inteira. 4 M’s. Eu. Viva. E a Viver e não apenas a sobreviver.

Deixo de contar este ciclo. Este capítulo. Este livro. Começo nova contagem amanhã. Apenas porque mantenho a máxima “um dia atrás do outro atrás do um”. E faço questão de manter o sorriso em escadinhas.

500 dias. E estou cá. E é tão bom.

Obrigada. A todos. Por tudo. Continuemos sem ter Tempo para perder Tempo.

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#day499

A imprevisibilidade dos dias leva a vôos não programados. Daqueles que fazem sentido e fazem sentir. Sempre. Desde sempre. No seu Tempo. Que é, também, o meu Tempo.

Tão bom.

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#day498

Cabeça a mil. Confusa. Sem motivo.

Tranquila e inquieta em simultâneo.

Mais um dia atrás do outro atrás do um. Sem História e sem histórias.

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{17 de Fevereiro de 2015}

Final do ano é altura de balanço. Não farei hoje o balanço deste ano que foi tão cheio de tudo, bom e mau.

O Facebook já fez o resumo do ano.

O WordPress acabou de me enviar os números do blog ao longo do ano. E diz-me que o dia mais atarefado por lá, em termos de visitas, foi dia 17 de Fevereiro. 100 visitas num só dia. E recorda-me o WordPress que o dia 17 de Fevereiro foi, também, o #day182.

Foi o dia em que percebi que o limite, o meu limite, era ali. Que já não aguentava muito mais. Foi o dia em que bati no fundo com todas as forças que ainda tinha na altura.

Foi o dia de lançar apelos, pedidos de ajuda. Ainda que não completamente explícitos, foram pedidos de ajuda. Nem sempre entendidos como tal, percebi isso. Mas era atingir o limite e pedir ajuda porque a dor pesa e mói e corrói e destrói.

Foi pedir ajuda e receber a resposta “não posso fazer mais nada”, quando podias tudo. Devias? Não sei. Mas podias. Nunca dizeres-me “não posso fazer mais nada”…

Não sei onde encontrei o rumo para chegar ao dia seguinte. E ao outro. E ao outro. Sei apenas que cheguei. E sei também como, poucos dias depois, o meu pedido de ajuda foi, de certa forma, ouvido e atendido. E tudo mudou a partir daí.

Não tinha, ainda, lido o #day182. Aconteceu hoje porque o WordPress mo recordou. Li. Reli. E doeu-me reler-me. E doeu-me reencontrar aquela que eu era há 10 meses. E doeu-me a dor dela. A dor de quem atingiu o limite e esteve prestes a desistir. De vez.

Digo tantas vezes que podia não estar cá. E, ao ler o que escrevi naquele dia 17 de Fevereiro e ao lembrar-me de cada um desses dias de Fevereiro antes e depois de dia 17, sei que não estaria se naquela manhã de sábado não tivesse recebido a mensagem que recebi, a ajuda que pedi.

Sim. Podia hoje não estar cá. Mas estou. E ainda bem que estou! E estou grata, tanto, por estar.

Não. Não quero regressar a 17 de Fevereiro de 2015. Mas preciso, tantas vezes, de olhar para trás e confirmar de onde vi e onde já cheguei.

Obrigada a quem, ao longo deste caminho, se mantém ao meu lado. Foi duro. Mas estou cá. Quando podia não estar cá.

#day497

“Então é assim, os indivíduos estavam ambos os dois na morada acima indicada e derivados da temperatura exterior, tipo, muito baixa, constiparam-se em simultâneo ao mesmo tempo.”

Rir em escadinhas. Sempre. Com o que pode parecer não fazer sentido. Mas faz. E faz sentir também.

Falta muito para terminar a página da esquerda e começar a colorir a da direita?

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#day496

Domingo com sabor a Domingo. Dormir até tarde. Ronha no sofá enrolada na manta.

Sair para um café e um bocadinho de ar.

Rir em escadinhas.

Regressar ao sofá e à ronha.

Trovoada lá fora.

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#day495

Cansada. Muito. Tanto. Ainda.

Se o dia podia ter terminado mais cedo? Podia. Mas uma decisão de última hora levou-me em jeito de surpresa aos Meus Tudo.

“És linda. E fofinha!” diz-me os Meu Dois agarrado às minhas pernas.
“Agora já sei, a tia é uma senhora linda mas má porque não gosta do pai, não gosta do Pipo, não gosta de mim, não gosta da avó, não gosta do Gaspar, não gosta de ninguém!” diz o Meu Um a rir-se como sempre para rematar com “mas adorei a surpresa de vires cá”.

Cansada. Muito. Tanto. Ainda. Mas aconchegada com os mimos dos Meus Dois.

Cansada. Muito. Tanto. Ainda. E o tempo a correr. A voar. E a precisar, eu, de descansar. Muito. Tanto. Ainda.

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{21 anos}

um ano escrevia sobre há 21 anos.

21 anos já. Como se tivesse sido ontem, lembro-me de tudo. Até dos bilhetes que na véspera tinham ficado esquecidos em casa dos meus tios.

Mantenho o que dizia há um ano. Hoje faria tudo novamente. Mudaria do comboio para o avião. Voaria e faria de conta que a aterragem não custa nada. Custa sempre, por muito que se antecipe a aterragem. Por muito que nos preparemos para ela.

21 anos depois já não tenho DocMartens nos pés nem a mochila às costas. Mas mantenho os sonhos de amores adolescentes e acredito naquela magia que faz da distância uma barreira que não existe.

21 anos depois e pouca coisa mudou. Quando é que parte o próximo vôo?

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