Author Archives: Kooka

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Se perguntarem por mim, dir-vos-ei que não estou. Esta que vos fala é outra que não eu.

#day387

Hoje, assim.
Sem mais.

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#day386

Podia optar por andar a encher chouriços.

Prefiro encher leões.

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#day385

Um dia havia de ser o dia.

Hoje foi, finalmente, o dia.

Está {mais do que} na hora de tratar de mim.

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#day384

Começar o dia em grande, a julgar pelo saldo largamente negativo.
Dia longo de cansaço.
Duas Catarinas que se encontram numa diferença de 30 anos mas que parecem ter ambas não mais que 12, ainda que a mais nova tenha apenas (ou já) “oito barra nove” e a mais velha ainda não tenha assimilado que vai a meio dos 38.
Regresso a casa ao sabor do rio, numa temperatura de Verão que se esvai ao ritmo do Tejo.
Um dia que pareceram dois. Ou três…

……e uma vontade loucamente tranquila de sentir. Pele com pele. Mão na mão. Dedos a enrolar o cabelo.

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#day383

Demasiado cansada de um dia que já vai demasiado longo. Que começou ontem de manhã e se espera que termine agora.

Não dormir. Tão diferente de dormir pouco. Tão diferente de dormir muito pouco. Não dormir. Sem saber porquê. Sem perceber porquê. Simplesmente não dormir.

Mas nem por isso deixo de perceber que as cores, afinal, ainda existem. Mesmo em dias que começaram na véspera e acordaram cinzentos como que numa despedida antecipada do Verão.

Como não perceber o cor de rosa ali? No topo, apenas no topo, de {mais} uma árvore.

E, se pudesse ser uma árvore, seria esta com certeza.

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#day382

Dou por mim a esquecer-me das cores.
Dou por mim envolta numa espécie de bruma sem cor.
Dou por mim numa fuga ao que me rodeia, escondendo-me do Mundo, escondendo-me dos outros, refugiando-me no trabalho.

Falta-me, vou percebendo, tudo o resto. Os outros, o Mundo, eu própria. A cor. As cores.

Falta-me, um bocadinho, a vontade de sair da bruma. Porque é mais fácil ficar por aqui. Sossegada. Quieta. Sem atrapalhar. Sem pesar a ninguém. Nunca o quis ser, um peso. E fui. Não quero ser mais.

Deixo-me ficar quieta. Em silêncio. Sem borboletas nem saltaricos nem cantorias nem cafés ou copos de vinho. Sem bolas de sabão nem conversas de horas sem rumo que falam de nada e tudo. Sem jantares, lanches ou almoços.

Deixo-me ficar. Em silêncio. Com uma vontade louca de pedir desculpa por nada e por tudo. Com uma vontade louca de dizer sim e de dizer não. Com uma vontade louca de distância do que não me faz bem e uma vontade louca de tocar, pele com pele, tudo o que me faz bem.

Dou por mim nesta bruma sem cor. Sem som. Sem toque. Sem pele.

Mas dou por mim, também, a deixar passar os dias. Um atrás do outro atrás do um. Porque, aprendi, o Tempo ajuda. Não cura. Mas atenua. E dissolve a bruma. E devolve a cor. As cores.

Não é tristeza. É, apenas, uma espécie de melancolia. E também isso irá passar.

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#day381

Mais um dia sem história. Trabalho, apenas. Trabalho, tanto.

Também gosto de {alguns} dias sem história.

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#day380

Meus Amores, um dia vocês vão descobrir que o Mundo é um lugar feio. Muito feio e doente.
Onde meninos e meninas da vossa idade e adultos da idade da tia, mais novos ou mais velhos, não têm tanta sorte como vocês, como eu, como nós.

Até esse dia chegar quero fazer tudo para vos ensinar essa coisa do Amor. Para que, quando esse dia chegar, vocês possam ser melhores do que nós, os que já descobrimos há mais tempo. Porque, meus pequeninos, meus enormes, meus imensos, o Mundo que é feio e está doente precisa de algo tão simples como apenas mais um bocadinho de Amor.

Amo-vos muito, meus Dois, meus Tudo.

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#day379

Setembro, não estava preparada para ti. Não me despedi de Agosto nem tampouco o desfrutei como devia.

No regrets. Na verdade, apesar de longo, Agosto foi tranquilo. Muito mais que o anterior. Talvez por isso hoje não te veja, Setembro, como o início de um novo ano como sempre te vi. Vejo-te, sim, como continuidade de um processo de aprendizagem e crescimento e melhoramento.

Não estava preparada para ti, Setembro. Mas, agora que já chegaste, acolho-te e sinto-te e aceito-te.

Continuemos, então.

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{Um dia}

O Google, por vezes, assusta-me. Como quando parece que me lê os pensamentos. E acontece tantas vezes.

Como hoje.

Porque me apetece Paris no Outono. Paris que “conheci” no Inverno, de passagem pelos túneis do Metro entre uma gare de comboios e outra a caminho de Bruxelas.

Bruxelas apetece-me também. Revisitá-la. Reconhecê-la 20 anos depois. Agora com o Tempo que os amores de Verão prolongados até ao Inverno e o ímpeto dos 17 anos não tinha.

Londres continua lá. À minha espera. Já esteve no topo da lista. Sempre pensei que se mantivesse lá para sempre. Já não está no topo.

Paris no Outono, Bruxelas no Inverno, Londres quando for.

Um dia, os três. Um dia.

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#day378

Sair de casa para comprar um castelo. Não daqueles de príncipes e princesas, reis e rainhas. Mas uma peça de uma torneira que se avariou e que de visão romântica de castelos não tem nada.
Pouca vontade de voltar para casa porque o meu espaço está preenchido demais, carregado de mais.

O castelo não serve na torneira. Afinal não é nenhum sapatinho de cristal em Cinderela.

Voltar a sair. Devolver. Querer trocar. Não temos, só este tamanho. Não serve, procuro amanhã noutro lado.

Não ter vontade de sair da loja. Arrastar-me pelos corredores das torneiras. Passar pelos tecidos. Fixar-me nas molduras e quadros. Estas molduras são muito giras, tão simples e com um preço simpático. Crio na minha cabeça um conjunto de molduras numa parede do meu quarto. Sem fotos, porque a ideia é outra. Procuro temas, papéis de fundo. Estes papéis são muito giros, mas não sei… Estes são lindos, mas demasiado grandes e cortá-los é um desperdício.

{o telefone toca. Não, não têm outro tamanho. Já sei onde procurar. Não me demoro, já vou jantar, até já.}

Não me apetece voltar para casa. O meu castelo, que não é de príncipes e princesas, reis e rainhas, o meu espaço que julgava, queria, sagrado foi invadido.

Volto a atenção placas de madeira daquelas tão na moda com frases batidas. Fraquinhos. As mensagens e o design. Mas as molduras. As molduras de cor. Sete cores. Será que têm as sete cores que preciso? Têm mas não são exactamente bonitas. E são do formato tradicional, rectangulares. E o preço não compensa a qualidade.

{não me apetece voltar para casa…}

Os quadros fraquinhos, demasiado vistos, as telas que não dizem nada. Falta-lhes essência, acima de tudo.

Olho para o telemóvel. Notificações sobre o debate da tarde. As mulheres independentes assustam os homens. Sim ou não? Tu assustas por seres quem és, disseram-me uma vez. Fiquei sem perceber se isso era um elogio ou antes pelo contrário. No debate não há grandes desenvolvimentos. A conversa dispersou-se. Respondo quando chegar a casa.

{não quero voltar para casa…}

Pouso os papéis de fundo, volto a olhar para as molduras. Aquela verde menta em forma de casa ficava lá bem. Não. Não vou levar.

Recebo o reembolso do castelo que não {me} serviu.

Não. Decididamente não me apetece voltar para casa. Outra vez. Se dúvidas ainda existissem, hoje desfaziam-se. É um cenário impossível. Já teve o seu lugar no Tempo e no espaço.

Não quero voltar para casa. Mas volto. Porque há dois príncipes no meu castelo à minha espera. E esses dois príncipes são quem me faz respirar fundo e suportar mais um dia e meio que ainda tenho pela frente de invasão e regresso ao passado.

Eles fazem-me bem. Eles fazem-me melhor.

E por ser melhor ausento-me para uma volta ao quarteirão para ver a minha Lua. Que já não está Cheia. Que já não é Super. Mas que é linda. É minha. E está lá sempre. Mesmo quando o meu castelo é invadido.

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#day377

Agosto, tão diferente do último, está no fim e ainda não vi a praia.

Agosto, tão mais sereno que o último, com 5 cinco fins de semana, demorou a passar.

Agosto, com sol, calor e trabalho.

Agosto, sem chuvas nem tempestades.

Agosto sem fugas. Agosto tranquilo.

Posso fazer as malas para Setembro?11986966_10153277910843800_5235111300565016041_n

 

#day376

Hoje: há Lua Cheia e Super Lua. Há, também, uma vontade grande de ir ver a Lua.

Mas há também um cansaço enorme. E dinossauros.

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#day375

Por hoje é tudo. Ou Tudo. E que é tanto.

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#day374

De vez em quando lembro-me que existem personagens no meu livro que, por norma, me esqueço.
Porque são personagens que faço por não ter presente nas minhas histórias, ainda que façam parte da minha História.

E, quando essas personagens ressurgem, faço, tento, esforço-me por ignorar. Ainda que por dentro essa presença me revire e revolte. Porque são assim, como são. E por serem como são, assim, mais reforçam a minha certeza da necessidade de distância. Porque há quem nunca mude. Nem aprenda. E nunca saberá o que é a humildade de reconhecer o percurso errado das suas histórias que, directa ou indirectamente, influenciam outras histórias.

Perde-se Tempo, tanto Tempo. Que me é escasso, que me é preciso, que me é precioso. Perde-se Tempo quando é invadido um espaço que é meu. Já não imaculado.

Perde-se Tempo. E eu não tenho Tempo para perder Tempo. Por isso, recupero agora o Tempo perdido e volto a mergulhar no trabalho. Porque só isso importa. Nada mais.

Um dia volto a tirar os olhos do trabalho. Para já vou debitando palavras que só precisam de fazer sentido para mim. Porque é para mim que escrevo. Porque sou eu quem as lê. E relê. E entende.

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#day373

Passar o Tejo de barco é uma espécie de fuga. Fuga ao trânsito, aos caos, à confusão. Ao pensamento.

{(…)”Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender…“}

Mergulhar em exclusivo no trabalho é, também, um mergulho de fuga. Um escape. Que não me permite, que eu não permito, usar o Tempo que não tenho Tempo para perder Tempo a pensar demais. Existe isso, pensar demais?

{“O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…“}

Porque, seja para onde for que olhe, vejo sempre o mesmo. Sinto sempre o mesmo.

{“Eu não tenho filosofia: tenho sentidos…
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,“}

Sempre o mesmo não. Sinto em crescendo. E penso no que sinto. E tento não sentir. Tento não pensar. Tento, acima de tudo, não descodificar, não traduzir o que não é para ser traduzido.

{“Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar…“}

E fujo ao que penso. Quero fugir ao que penso. Preciso fugir ao que penso. E ao que sinto.

{“Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar…”}

E percebo que é impossível fugir ao que penso e ao que sinto. Porque a inocência ficou lá atrás com todas as respostas que o Tempo me foi dando. E com as respostas que eu fui dando ao Tempo, verdadeiras ou não.

É impossível fugir. Mas não é impossível tentar. A fuga, pelo menos.

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#day372

Ainda preto no branco, branco no preto.
Porque as coisas são como são, não como gostaríamos que fossem.

Clichés atrás de clichés, é certo. But then again, life is one big cliché.

Zangada comigo. Por ser como sou. Por ser quem sou. Por sentir como sinto. E se sinto!
Resta-me aceitar o que sinto e os clichés acima e seguir em frente. Sem stress porque não vale a pena stressar. Sem reprimir o que trago cá dentro (e é tanto e é bom e é bonito), mas guardando para mim.

Porque tantas vezes é melhor guardar e aceitar e fazer de conta. Porque tantas vezes é melhor assim. E esperar que passe. Porque já não tenho 2 anos sem filtros e carregada de inocência. Porque, aos 38, é preciso saber medir as palavras. Mesmo (ou especialmente…) as bonitas.

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#day371

Numa espécie de entrançamento. Ou entrelaçada em alguma coisa que não consigo desfazer. Ou não sei. Ou não quero.

Um dia. Um dia deixo de fazer de conta que não e assumo que, afinal, sim.

Não. Hoje não.

De resto? Sobrinhos, mini-mano, poucas horas dormidas, muito trabalho. O que importa, portanto.

O resto fica para outra altura.

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#day370

Se estou contente com o meu trabalho?
Muito. E, agora, é só isso que me move. O resto? Quando for Tempo do resto.

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#day369

3 palmos acima do chão.
Um andar que é flutuar.
A vertigem.
As borboletas na barriga.

Não quero {mais}.

Pés assentes no chão. Descalça. Ligada.

Não quero a vertigem, quero a ligação.
Não quero as borboletas, quero a serenidade. A estabilidade.

Preto no branco. Branco no preto. Só assim. Sem mais.

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