Reminder to self: hoje não é sábado! É sexta feira e feriado! Ter-se mudado a aula de Yoga de sábado para hoje contribuiu, e muito, para a confusão! Depois da aula, almoço de Natal da turma. Foi bom. E fez-me bem. Estar fora de casa, socializar, ver gente.
Depois do almoço, chegar a casa e adormecer no sofá. Estava a precisar depois de mais uma noite dormida a correr para acordar cedo. Amanhã ainda é sábado, o que quer dizer que não tenho que ligar o despertador para a consulta com o terapeuta fofinho que só vai acontecer no Domingo.
Os meus dias podem ser sempre iguais. Não se passar nada de extraordinário. Mas hoje sempre o peso da ausência. O querer perguntar “como estás?” mas não querer impôr presença quando me dizem que precisam desse intervalo. Mas, há pouco, já noite, o intervalo é interrompido por momentos e não por mim. O suficiente para saber que o outro lado está (muito) cansado…
E a letra da música que não me sai da cabeça…”Nobody said it was easy, no one ever said it would be this hard…”.
É esperar. Dar tempo e espaço. O que tiver que ser, será.
Amanhã? Nada programado, por isso logo se vê. Mas, antes de mais, dormir. Quando acordar acordei.
Dia longo. Daqueles dias que se tornam infindáveis porque falta alguém.
Intervalo | Timeout | Intermezzo
E eu respeito. Saudades? Muitas. E uma vontade doida de dizer “estou aqui”. E, na verdade, disse-o. Não quero, de todo, impôr a minha presença quando sei que do outro lado as coisas não estão bem. Mas as saudades…
Não. Não posso impôr a minha presença. Estou cá, de braços abertos, claro que sim. Mas não serei eu a ir pôr-me no caminho de quem não está bem. Assim me queira presente, assim estarei.
Teimo em não querer nomear isto que começou com um simples “olá” numa rede social. Mas é algo sincero. Bonito. Intenso. E por isso mesmo é que a ausência, o intervalo, o timeout, o intermezzo, custa tanto…
Amanhã será melhor…o dia de hoje não foi mau, mas amanhã será melhor. Yoga seguida de almoço de Natal. E, se não chover, provavelmente um passeio pelo paredão. O passeio não me será fácil, mas preciso de estar com gente. Socializar. E mexer-me. A ausência, a continuar, será sentida, claro que sim. Mas há que respeitar quando é preciso tempo e espaço. O que vai sair daqui? Não sei… Mas, dê o que der, estou cá se precisarem de mim…
Um jantar como noutros tempos. Como se nada se tivesse passado. E na verdade não passou. Por isso um jantar como noutros tempos. E foi bom. Demorou mais de um ano a acontecer, mas foi bom.
Dia longo sem máquina de café. E a explicação para a ausência no dia de ontem. Intervalo. Ou timeout, como lhe quiserem chamar. Do outro lado as coisas parecem não estar bem. Respeito o intervalo, claro que sim. Mas, ao fim de 6 meses de algo que não me atrevo a nomear, fica difícil a desabituação.
Não vou impôr a minha presença, claro. Mas vou sentir a falta. E já deixei bem claro que vou continuar aqui. E a conchinha de bichinho de conta tem um lugar cativo reservado.
Noutro registo, que também já não é o mesmo de há um ano, amanhã acontece aquele jantar prometido há mais de um ano e que em Janeiro estava numa to-do list. Foi preciso eu partilhar o que se está a passar comigo para, de repente, já haver disponibilidade. Seja. Acho que vai ser bom. E acho importante que este jantar aconteça. O meu registo já pode ser outro mas as borboletas na barriga já se fizeram presentes. Vamos ver como corre.
Enfim. Amanhã não há Yoga. Hoje não há conchinha de bichinho de conta. Amanhã logo se vê. Há jantar. Há conversa. O resto logo se vê. Mas hoje ficou um vazio…
Era uma vez uma consulta marcada para o meio dia e meia com a médica de família e consulta de enfermagem para o meio dia. Até que, às 8h06, o telemóvel tocou. Consulta desmarcada porque a médica está doente. E não há quem substitua. Mas há um baixa para prorrogar, disse eu. Ah é? Então consegue estar aqui às 10h? Claro que sim.
Sair da cama e enfrentar o frio. Despachar-me a correr. Sair de casa e o autocarro que não aparece. Chamaram um Uber. O autocarro que aparece 20 minutos depois da hora prevista. Cancelar o Uber.
Chegaram ao destino em cima da hora. Não tem consulta marcada, dizem-me. Tenho que ter. Ligaram-me de manhã e marcaram por causa da baixa. Vou ver com a minha colega. Tem consulta, sim, é só aguardar que a chamem.
Não aguardei muito tempo, felizmente. E o forno que estava o gabinete da médica não tem explicação. Baixa prorrogada por mais um mês, sem perguntas. Este ano já não volto ao trabalho.
Tarde preguiçosa de quem acordou à força e não tem nada para fazer à tarde. Sozinha em casa, não quis ir ao Fórum, estava demasiado cansada.
Jantar. Beber café. Como assim, a máquina do café está a perder água pôr tudo quanto é sítio? Era o que faltava agora, a máquina do café avariar…nem sei se é possível arranjar. Só sei que não tenho dinheiro para comprar uma máquina nova…
Faltou-me hoje a presença habitual à distância de um clique. Presente despacho manhã depois de uma noite em serviço, desaparecido a tarde toda e agora à noite também. A única coisa que peço é que esteja tudo bem.
23h07m de um dia longo e cansativo, ainda que só tenhas havidos agitação de manhã. Horário de desligar e enroscar para aquecer. Amanhã será melhor.
Dia de viajar no tempo e no espaço até ao Jardim da Estrela e (re)visitar o Mercado. E confirmar o que sempre soube: tenho muitas saudades desta vida. Incerta, é verdade, mas sempre com um grande retorno, nem que seja uma palavra de apreço. E foram muitas ao longo dos anos, vindas de clientes e não clientes.
Rever algumas caras conhecidas. Conversar. Interagir com pessoas! Foi bom ter ido. Custou-me a viagem e o estar muito tempo de pé. E, como sempre, os desequilíbrios. Sempre presentes e difíceis de esconder.
Mas, no final, o que conta é o bem que me soube. De repetir, se tudo correr bem. Daqui a duas semanas.
Agora, e depois de uma passagem pelo Fórum no caminho de regresso para comprar café, estou muito cansada. E com uma promessa de jantar depois de amanhã. É o mesmo jantar que foi prometido há um ano. A ver se é desta que se realiza.
Hora de desligar e enroscar para dormir o mais rapidamente possível. A última noite também foi interrompida entre as 6h e as 8h. Depois só dormi perto de 2 horas a correr para começar este dia longo. Cansada, tão cansada. E, como sempre, aquela vontade imensa de chorar e não conseguir. Mas não vou pensar nisso agora. Amanhã.
Sábado e dia de tratar de mim. Tratar de mudar o penso da omoplata logo de manhã cedo, Yoga logo de seguida, cabeleireiro depois de almoço. Dia dedicado a mim, de mim para mim.
…e aquele sentir saudades de alguém. Forte. Intenso. Como se não nos víssemos há muito tempo quando na verdade nunca nos vimos. Nunca nos tocámos. Nunca nos beijámos. E é disso tudo que tenho saudades. Porque é tão certo. É tão bom. É tão bonito precisamente por tudo isto. Continuo a não querer nomear o que sinto, muito menos meu atrevo a nomear o que temos. Mas sinto. E temos!
Saudades, tantas. E uma vontade doida de experienciar tudo aquilo de que tenho saudades.
Não sendo possível no imediato, recolho, enrosco e aninho como sei e como posso. E não sei quando mas sei que um dia vai acontecer.
Se dependesse só de mim, acontecia já amanhã. Ou até mesmo hoje…
Sexta feira. Feriado. Um dia não muito diferente dos outros. À tarde, criar um convite para as bodas de ouro dos meus tios. 50 anos…uma vida inteira.
Gosto do processo criativo e tenho pena de não saber utilizar melhor as ferramentas às quais tenho acesso.
Desta vez, o texto não é meu, foi a minha mãe que o criou, eu fiz o mais fácil: inserir as imagens.
À noite, um jantar de aniversário. Mariana fez anos, fomos comemorar, claro. Foi bom ter saído de casa, mas o medo está sempre presente, porque o desequilíbrio está sempre presente. Podia ter ido com o grupo percorrer as ruas da noite de Almada. Mas isso implicava ter que andar. Caminhar. O meu maior medo neste momento…
Diverti-me, ainda assim. Foi bom. Agora só falta a Mariana ter tempo para mim, para eu poder falar. E preciso muito. Preciso tanto…
Durante o dia, a presença de quem está à distância de um clique. E que, quando está ausente, faz-me falta. A corujinha da noite, que sou eu, sente a falta do seu polvinho da sua conchinha de bichinho de conta, que é ele.
Foi um dia longo, mas também foi um dia bom. Amanhã é dia de acordar cedo. Mudar o penso. Aula de Yoga. Esteticista. Almoço. Cabeleireiro. Vai ser outro longo dia. Todo ele dedicado a trataram de mim. Por isso, agora é hora de enroscar e aninhar para dormir a correr. E amanhã, mesmo sendo um dia longo, será também um dia bom. Porque não há outra opção que não essa.
Noite interrompida. Não foi a gata, foi a minha cabeça que me acordou. Duas vezes. Sendo que a segunda vez prolongou-se por duas horas até voltar a dormir. E, mesmo assim, mesmo depois de uma noite muito má, acordar relativamente cedo…
Claro que o dia não rendeu nada. Muito sono todo o dia até apagar por meia hora no sofá…
Todas as noites existe uma conchinha de bichinho de conta que me aconchega antes de dormir. E que procuro de novo quando acordo a meio da noite. É essa conchinha de bichinho de conta que me tem permitido serenar a cabeça à noite. E só é pena essa conchinha de bichinho de conta estar tão longe…
Mas fico contente porque existe. E não se prevê que vá embora depois do que tem vindo a conhecer. Se for sei que não será culpa minha. Será a vida a dar as voltas que a vida dá.
Mas não quero pensar nisso agora…pensarei nisso se esse dia chegar.
E o dia que não rendeu nada mas que teve direito a uma conversa com quem diz as coisas só por dizer, que já foi muito importante e que há um ano deixou de ser. O café passou a urgente, diz ele. E eu, como sempre, fiz de conta que acreditei. Afinal, a ajuda que eu queria dele, actualizar o CV, deixou, para mim, de ser urgente. Não sei quando vou voltar ao trabalho e só nessa altura irei iniciar uma busca por condições melhores. Porque quero. Porque mereço. Porque preciso… Esse café, logo se vê se vai existir. Se for como o jantar prometido há um ano…
Também não quero pensar nisso agora. Está comigo quem quer estar. Quem não quer também não é obrigado.
Agora, à minha frente, uma nova noite que se quer inteira, sem acordar. Mas, claro, com conchinha de bichinho de conta. Amanhã logo se vê…
Dia 333 do ano 2023. Aquele que, em simultâneo, nos diz que faltam 33 dias para acabar o ano.
São números, apenas, não querem dizer absolutamente nada. Mas eu gosto quando os números arranjam forma de brincar como hoje.
Dia, também, de mudar o penso da omoplata. Uma ida até Almada, agenda preenchida para enfermagem até meio de Dezembro.
No regresso, uma passagem pela vila e voltar para casa a custo por vir a pé.
Hoje era dia de Yoga, mas não posso. Ainda não posso. Os pontos são muito recentes, o esforço não é permitido.
Já em casa, receber um telefonema do professor de Yoga a quem já tinha informado que não podia ir. Telefonema para saber como estou, como correu a pequena cirurgia, que hoje eu devia aproveitar para descansar e que no sábado espera por mim para uma aula adaptada.
Soube bem esse telefonema. E também soube bem ter-me dito que me achava bem disposta e que isso era bom sinal. Seja. Não me apetece estar de mau humor. Tenho muita coisa a consumir-me, e ele está a par, mas não quero perder a boa disposição.
E à distância de um clique, uma manhã de partilha, de dar-me a conhecer um pouco mais, falar de coisas que ainda magoam mas com as quais já sei conviver de forma pacífica. Foi bom haver esta partilha. Dar-me a conhecer um pouco mais. E, do outro lado, ser aceite tal como sou e entendida. Não me canso de repetir isto, mas o que existe à distância de um clique é muito bom e importante para mim. Pela primeira vez sinto que sou correspondida e sabe tão bem.
Agora, 22h20m, ainda não é muito tarde, mas é a minha deixa para recolher, aninhar e enroscar. Amanhã prevê-se mau tempo e o dia todo em casa. Mas tenho exercícios de Yoga que posso fazer e que me podem ajudar a trabalhar o equilíbrio. Por isso, amanhã será um dia bom. Por hoje já chega.
Por breves momentos, brevíssimos mesmo, perdido no noção do tempo. Não sabias ao certo que dia da semana é. Para mim já era noite de sexta feira. Mas, de repente, lembrei-me que ontem foi segunda, portanto hoje só podia ser terça. E é, de facto.
Perder a noção dos dias é perfeitamente normal para quem está há dois meses de baixa. PS dias são sempre iguais. Pouca coisa tem dia fixo durante a semana. Na realidade, só o Yoga tem lugar na agenda. Quarta feira ao final da tarde, sábado logo de manhã. De resto, é tentar não errar antes de ver a data no telemóvel.
Não é fácil viver assim, sem rumo, sem nada para fazer, à espera de uma marcação de uma consulta catalogada como urgente. Uma espera que me traz ainda mais ansiedade quando percebo as dificuldades que já tenho. E hoje foi impossível não dar por elas.
Caminhar está cada vez mais difícil. E hoje foi particularmente complicado…assim como manter o equilíbrio.
Lidar com isto não está fácil…e o diagnóstico ainda não está fechado. Só quando estiver fechado é que vou ter real noção do que me espera. E só nessa altura é que vou ter orientação e apoio que preciso tanto…
Estou assustada, claro que sim. E preocupada. E a fazer o possível para não entrar na fase “porquê eu?” quando não há uma resposta simples e/ou concreta…
Sei que o tempo não me vai trazer nada de bom neste campo. Ou não fosse uma doença neuro degenerativa…e eu tenho medo.
Sinto-me perdida. Mas não estou sozinha. Cada dia que passa aumenta essa certeza. E, já o disse tantas vezes antes, é tão bom e tão importante. Mas por hoje é hora de enroscar e aninhar para descansar. Tentar dormir a noite toda. Sem repetir a última noite, interrompida a meio e um despertar demasiado cedo para quem não tem nada para fazer. Nem a medicação me ajuda a dormir a noite toda…e eu preciso de dormir e descansar. Assim como preciso de chorar e também não consigo…
Chega por hoje. Amanhã é dia de tratar do penso nas costas. E depois logo se vê…
Dia de cirurgia. Mini cirurgia dermatológica. Procedimento tranquilo. Aquilo a que eu chamo sessão de corte e costura que resultou em oito pontos na omoplata esquerda. Agora, nem 12 horas depois, não dói. Mas o pontos dão comichão! E o penso só será mudado ao fim de 48 horas, portanto é aguentar a comichão até ser dia de passar no Centro de Saúde.
Como disse, procedimento tranquilo. Mas nem nesta situação estive sozinha. E isso é tão bom. Cada vez gosto mais deste não estar sozinha. Não (só) de não estar sozinha mas também de quem me acompanha. Porque este gostar é especial, é único, é bom e é bonito.
Não estou sozinha, mas estou cansada. Deste dia que foi preenchido no final da manhã/início da tarde que me obrigou a caminhar muito na ida, no hospital e no regresso.
De resto, mais do mesmo. Um dia, ou uma tarde, vá!, igual às outras. Resta-me agora dormir e descansar. Amanhã prevê-se que chova, mas tenho que passar no Centro de Saúde para marcação do penso, por isso com ou sem chuva vou dar uso às pernas. E, mesmo que se torne um dia igual aos outros, vou tentar que tenha algo diferente e que faça o dia valer a pena.
Por agora é hora de enroscar e aninhar e deixar-me levar pelo sono imposto pela medicação. Amanhã logo se vê…
Domingo. Ou mais um dia igual aos outros. Com a diferença da partilha. Partilha de mim, de quem sou, do que sinto, como sinto. É importante esta partilha. E soube-me bem.
De resto? Nada a declarar. Consulta com o terapeuta fofinho de manhã, adormecer no sofá pouco depois. Nada de novo, portanto.
Mas poder dizer boa noite a quem diz “estou presente” é tão bom. E, agora, neste momento pré-sono, nada mais importa. O resto? Já o disse antes: para já, não quero saber.
Sábado e manhã de Yoga. E o desequilíbrio sempre presente. Exercícios para fazer em casa para trabalhar o equilíbrio. Tenho mesmo que os fazer. Preciso de combater isto de alguma forma. Já sei que não há como reverter o cenário, portanto resta-me trabalhar o que posso como posso.
Não ter previsão para voltar ao trabalho faz-me sentir absolutamente inútil. E não posso sentir isso. Voltar à máquina de costura parece-me uma boa hipótese para me manter ocupada.
E a vontade de chorar que continua intensa e as lágrimas que teimam em não cair…
Mas depois há uma voz do outro lado do telefone que me aconchega. Que me relembra que não estou sozinha. E, digo-lhe eu, nem que seja só para falar. E é só o que preciso para confirmar que não estou sozinha nisto.
Devagarinho vou reencontrando o caminho, embora não o tenha perdido por completo. Entrei numa espécie de negação. Até ter consulta e todos os exames feitos não quero saber. Sei que dificilmente se tratará de um erro de diagnóstico por isso quando houver confirmação e diagnóstico fechado trato da aceitação. Até lá não quero saber.
Uma consulta está feita. E o empurrão para desbloquear a que está em falta foi dado. Com carácter de urgência… E o primeiro diagnóstico está feito: doença desmielizante. Desta já não me livro. Resta agora fazer os exames em falta para perceber melhor a extensão do dano. Que é irreversível e neurodegenerativo…
…ainda estou a processar tudo e numa espécie de negação. Não quero pensar até ter respostas às questões que ainda não sei que vou fazer. E, entretanto, sinto-me completamente perdida e sozinha. Que não estou. Sozinha pelo menos. Porque a resposta que recebi foi algo como “como é que combatemos isso? Como é que lutamos contra isso?”. E esse plural não tem preço, especialmente agora.
…e a vontade de chorar hoje está em força mas, claro, não verto uma lágrima. E hoje tenho tantos motivos para chorar e simplesmente não consigo. Frustração. Revolta. Apreensão. Medo. E nem uma lágrima…
Não sei se amanhã será melhor, quero acreditar que sim. Mas neste momento já não sei o que esperar. Só peço que seja um dia tranquilo. O resto logo se vê…
Um dia sem História ou histórias, mas com um final de dia como há muito tempo não via.
Os dias vão correndo devagar, as lágrimas teimam em não cair mas o nó na garganta continua apertado.
Valem-me as mensagens que vão chegando à distância de um clique, que me aconchegam e me fazem sentir segura.
De resto, a confusão interna prevalece sobre tudo o resto. Se gosto de estar assim, em modo inútil? Nem um bocadinho. Porque é inútil que me sinto.
Amanhã será melhor, até porque a partir de amanhã alguma coisa terá que mudar. Reajuste de medicação e orientação do que fazer para melhorar, é isso que vou pedir amanhã. Por isso, será melhor. O resto será igual, mais um dia igual aos outros. Seja então. Depois? Logo se vê…
Pessoas que desvalorizam a Depressão: não o façam. Porque aquilo que era a Depressão de há 8 anos não é a mesma de agora. E a Depressão dói.
E dói ainda mais quando esse sofrimento é desvalorizado pelos outros.
Tenho a minha forma de exorcizar fantasmas. E esta é uma delas: falar sobre o que dói. E se, há 8 anos, sabia exactamente o que ainda me fazia doer, hoje não sei. Sei apenas que dói. Muito. Por isso não, não desvalorizem a Depressão. Porque a Depressão corrói-nos por dentro. Pior ainda quando não sabemos apontar o que nos faz doer…
Poder dizer a alguém “Gosto de ti!” e, como resposta, ter correspondência é tão bom. E é tão importante. Não me lembro quando foi a última vez que isso aconteceu antes do momento presente, em que todos o dias o digo, em que todos os dias mo dizem. E é sempre importante quando isto acontece, mas ganha outro peso quando nos sentimos menos bem, quando a Depressão teima em dar sinais de estar de volta…
A Depressão come-nos por dentro. E, quando ataca, não há sítio pior para estar do que dentro da própria cabeça… Como eu estou agora. Presa dentro do que não interessa, a minha cabeça. Cheia de ruído, de vozes que me atacam, que me diminuem. Mas depois, e à distância de um clique, está quem faz a diferença e me relembra, todos os dias, que eu sou mais e melhor do que as vozes na minha cabeça apregoam.
Gosto de ti. Muito. Tanto, tanto. E é tão bom saber que sentes o mesmo que eu sinto. E que não me deixas sozinha.
Tatuagens na memória. Tatuagens que ficam gravadas. E que me ajudam a silenciar as vozes na minha cabeça.
Sim, a Depressão é um bicho filho da mãe. Já lá estive antes e não queria voltar. Mas, por algum motivo, estou lá novamente. E não quero. Mas, apesar de tudo, não sei como sair de onde estou. Porque sim, já saí antes. Mas não sei ao certo como. E agora também não sei como sair. Sei, sim, que o não estar sozinha é muito importante. Mas também é um peso para quem está do outro lado. E não é justo…
Prometo a mim mesma, todos os dias, que não vou deixar-me levar pelo caminho mais fácil que é deixar-me ir pela melancolia e até pelo medo. Mas todos os dias acabo por ir mas um bocadinho…
É como o caminhar…tenho que me obrigar a andar para lutar contra a dificuldade na mobilidade. Porque, já sei, se hoje não andar amanhã será pior. E isso não pode ser. E é também essa dificuldade que me empurra para este estado que não quero.
No fundo é uma pescadinha de rabo na boca: quando ando, sinto a dificuldade e a descoordenação. E cresce a frustração e a revolta. E sou atirada para um estado de Depressão que pesa e dói. Ao mesmo tempo é uma bola de neve que cresce todos os dias um bocadinho e eu não sei como travá-la.
Sinto-me diminuída e consequentemente mais desanimada e frustrada. Mas depois, à distância de um clique, há quem me oiça e me estenda a mão. E me diga “Gosto de ti” mesmo que eu não o diga primeiro.
É, os últimos tempos têm sido estranhos. Difíceis, até. Mas faz-me bem saber que não estou sozinha. A Depressão aproxima-se a passos largos de um lugar de destaque nos meus dias. E eu tenho que lutar contra ela. Mas fica difícil quando vejo tudo cinzento e todos me dizem que a vida é colorida…
Não, não estou sozinha. Sim, digo “Gosto de ti” sem receber silêncios constrangedores do outro lado. Recebo exactamente a mesma frase.
Gosto de ti. Muito. Tanto, tanto. E só posso agradecer por estes 5 meses em que aprendi a importância de quem está à distância de um clique.
Domingo que podia ser um dia um bocadinho mais activo e não foi.
De manhã, a consulta com o terapeuta fofinho. Falar do que me preocupa e assusta neste momento: a dificuldade na mobilidade. Uma coisa tão simples e que se tem revelado tão complicada. Caminhar. Ir, a pé, do ponto A ao ponto B. Vou. Sempre. Mas a grande custo…
Agora é esperar pela marcação da consulta que foi pedida, com carácter de urgência, em Agosto e que, no início deste mês, ainda não tinha saído da parte administrativa e não tinha ido sequer a triagem médica… É esperar e tentar aligeirar a ansiedade, a frustração e a revolta. Três factores que estão presentes e não me permitem estar tranquila. Porque o medo, esse, cresce um bocadinho a cada novo dia de dificuldade…
A tarde foi para descansar e recuperar das noites mal dormidas e fazer aquilo que estava a precisar: dormir. Tão somente dormir. Ainda ponderei ir à rua ao fim do dia para beber um café e apanhar um bocadinho de ar. Mas a vontade rapidamente passou. Amanhã. Amanhã saio de casa e apanho ar. Hoje foi mesmo dia dedicado à preguiça. Também mereço. E também preciso.
Amanhã será melhor. Prevê-se um dia um bocadinho mais activo. Quero ir até ao paredão. Ver o Mar. Apanhar Sol se este não estiver escondido atrás das nuvens. Logo se vê. Mas amanhã será melhor. Porque eu quero que assim seja. Hoje foi só o que tinha que ser, como tinha que ser.