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Se perguntarem por mim, dir-vos-ei que não estou. Esta que vos fala é outra que não eu.

{#285.081.2023}

Quinta feira e mais um dia igual aos outros. E, novamente (ou ainda…?), aquela vontade de chorar sem motivo aparente e sem conseguir fazê-lo. Sei que não resolve nada. Mas alivia. A pressão de sei lá o quê.

A verdade é que já me senti melhor, a todos os níveis, comparando com o que sinto hoje. Também já me senti, e estive de facto, pior. Mas aí era apenas (apenas…? “Apenas”…) a parte emocional que não estava bem. Hoje, parece-me, é a parte física que não está bem. Sei que há um estudo que tem que ser realizado, sei que há um exame que tem que ser analisado. E sei que tudo isto me assusta. Se, em relação ao exame, sei mais ou menos o que esperar, relativamente ao estudo não sei nada. Nem sequer se existem sintomas associados aos quais deva estar alerta. Sei, sim, que existem em mim neste momento situações que me deixam alerta sem saber ao certo a que se devem e como ultrapassar. E tudo isso, todas essas coisas que me incomodam neste momento, preocupam-me, assustam-me e frustram-me. Porque continuo à espera de uma consulta e não sei o que esperar.

Dou por mim a caminhar e a ter vontade de parar, desistir ali no meio do caminho e simplesmente chorar. Chorar porquê? Para além do medo? Não sei. Mas acima de tudo é o medo. Do que pode ser e não sei.

No meio disto tudo não estou sozinha. E é tão importante não estar e saber que não estou. E sentir esse apoio, saber que tenho uma mão que me guia e um colo disponível se o caminho se tornar mais difícil, é tão importante. E tudo isso à distância de um clique.

Resiliente. Sei que o sou. E tenho que continuar a ser. Não me basta ser forte. Tenho que ser forte e saber como me adaptar a tudo o que vier. O bom e o menos bom. Felizmente não estou sozinha e isso é o que de bom surgiu de forma inesperada nos últimos meses e que também obrigou a alguma adaptação. E é essa distância de um clique que tem feito a diferença todos os dias e vai continuar a fazer.

Sim, tenho medo. Não, não estou sozinha. Sim, sou forte e resiliente. Não, não faço ideia do que pode vir aí depois do estudo a realizar e da análise do exame. Mas tenho que me lembrar que é tudo um dia de cada vez. É o aqui e agora. O hoje. E, mais uma vez, já estou preocupada com o que está para vir. Ainda não veio. Mas o medo…

Amanhã será melhor. E, se me esquecer de pensar apenas no aqui e agora, sei que à distância de um clique me vão trazer de novo para o momento presente. Por isso, sim, amanhã será melhor. Porque eu quero que assim seja. E por hoje chega de pensar no que ainda não veio…

{#284.082.2023}

Da frustração: não conseguir fazer coisas simples que sempre fiz com facilidade. A cada aula de Yoga, uma nova frustração. Porque há posições tão simples, que não implicam grande esforço, que noutros tempos fazia sem dificuldade e que hoje não consigo…

“Não consigo” é frase proibida nas aulas de Yoga. Porque posso de facto não conseguir a plenitude da posição, mas posso fasear para mais tarde alcançar. Sei que hoje há muita coisa que só faço faseado mas em Julho estarei a conseguir fazer.

Não é só no Yoga que vem essa frustração. No dia a dia também me deparo com vários “não consigo” em coisas simples. Coisas tão simples como, por exemplo, ler um livro. Tenho um livro para ler desde o Natal e não há forma de conseguir sequer chegar ao fim da primeira página. Não consigo concentrar-me. Não consigo lembrar-me da última frase que li… Mas também aqui vou ter que fasear. Voltar a tentar. Arranjar forma de conseguir um mínimo de concentração para avançar para a próxima frase. Já nem peço a próxima página. Respiro de forma profunda e consciente e tento novamente.

Porque, dizem-me à distância de um clique, “a melhor parte de não se conseguir fazer alguma coisa é que deixa espaço para tentar”…e tentar é positivo. E, neste momento, é disso que preciso: coisas positivas. E, por isso mesmo, vou continuar a tentar, seja ler o livro, seja mais uma posição de Yoga.

Frase proibida: “não consigo”. A alternativa: “vou tentar novamente”. Faseando a leitura, faseando a postura, vou acabar por melhorar e alcançar o que se pretende. E devagar e sempre sem pressa a frustração vai desaparecer. E vai desaparecer também a vontade de chorar depois de cada aula. Ou em qualquer outro momento do dia por não conseguir fazer coisas simples. Ou até mais complexas como trabalhar…

Mas não importa. O que importa é não desistir, é insistir mais um bocadinho até conseguir. O trabalho, para já, vai ter que esperar mais um bocadinho. Porque ainda não está no momento certo. Já tentei regressar e não correu bem. Foi demasiado cedo e tanta gente me avisou de que não era boa ideia regressar quando regressei. Não quis ouvir…mas hoje dou-lhes razão. Por isso, agora é altura de tratar de mim, pensar em mim, fazer de mim mesma a minha prioridade.

No meio de tudo isto, seguimos por aí, de mãos dadas à distância de um clique. E não estar sozinha com tudo o que me rodeia não tem preço. E basta um clique para ter as respostas que me faltam, o aconchego e a segurança que preciso e mereço.

Vou derrubando barreiras e recebendo o que mereço.

Amanhã ainda está tão longe, mesmo que já passe da meia noite. Mas já penso que vai ser um bom dia simplesmente porque acredito em dias bons. O resto? O Yoga? O livro? Com calma e, desta vez, prometo a mim mesma que tenho que melhorar para poder regressar ao trabalho com calma e serena.

E, à distância de um clique, ir derrubando barreiras.

{#283.083.2023}

Acordar e receber um relatório de exame: 8,5mm. Num ano aumentou muito. Mais do dobro… Se é de preocupar? Ainda não sei. Neste momento ainda estou na fase assustada… Se for de preocupar acho que não estou preparada para isso…

O que me deixou um pouco mais tranquila? Saber que definitivamente não estou sozinha. E que quem está do outro lado, à distância de um clique, não está só para as coisas boas.

E é importante saber, perceber, sentir que não estou sozinha.

Seguimos caminho assim. De mãos dadas à distância de um clique. Mas sempre lá, para o que der e vier.

Mas bolas…o que começou com 4 mm segue agora com 8,5 mm. E isso obviamente que assusta e preocupa. Mas, para já, respiro fundo, ergo a cabeça e espero pelo dia em que quem estudou leia o mesmo relatório que eu e me diga qual o caminho a seguir.

Não estou sozinha. E isso faz tanta diferença. À distância de um clique alguém não me deixa cair. E também por isso não largo essa mão e respondo sempre com um sorriso.

Por hoje já chega. O dia foi longo e estranho. E neste momento não quero pensar. Em nada que não me faça sorrir. Porque é a sorrir que me quero. Amanhã? Logo se vê como será o dia. Mas, e só porque eu quero, vai ser um dia bom.

{#282.084.2023}

Dia estranho este que começou cedo e se prolongou para uma tarde sem História, apenas um apontamento de histórias ao final da manhã: a marcação de consulta que costumava acontecer no 53 da Avenida do Brasil. Dia 20 de Outubro, dentro de 11 dias quando a incógnita era grande. Foi uma espécie de respirar de alívio, um acalmar da ansiedade de não saber o que esperar ou quanto tempo esperar. A partir desse dia já não estarei fora de pé sem saber nadar. Ou, pelo menos, já não estarei a nadar quase sozinha num mar que ainda não identifiquei. Mais uma vez encontro o caminho para melhorar.

E preciso muito desse caminho. Porque hoje, mais uma vez e novamente sem motivo aparente, voltou a vontade de chorar. Posso pôr as culpas na TPM? Posso. Mas é demasiado redutor…

Tem-me valido a companhia diária e quase constante de quem, na realidade, está longe. Mas, hoje em dia, do longe se faz perto e estamos à distância de um simples clique. E é essa presença que me tem impedido de cair novamente. Porque cair é fácil e, sei-o bem, depois da queda chega-se a um lugar que sabe ser demasiado confortável. E sair de lá, por ser confortável apesar de ser um lugar feio, não é fácil. E eu não quero voltar a esse lugar. Feio. Escuro. Até assustador. Porque, não duvido, ao voltar a esse lugar não vou querer sair tão cedo.

Mas, também sei, tenho neste momento motivos para não querer cair. Para não me permitir cair. Há uns anos, quando caí, tinha todos os motivos para me deixar ficar lá. Até que o dia 307 aconteceu e voltei a sentir que tinha vontade de estar bem.

E, desta vez, não sei como ou quando aconteceu, sei apenas que algo aconteceu. Independentemente da distância, dos “mas“, seja do que for!, alguma coisa aconteceu. E está a acontecer. Todos os dias mais um bocadinho. E esse acontecer tem-me mantido à tona. Tem-me permitido não desistir de mim quando era tão fácil desistir.

Dia 20 está quase aí. E, mesmo que amanhã volte a ter, como hoje, vontade de chorar sem motivo aparente, sei que à distância de um clique alguém não me vai deixar cair.

Não sei o que aconteceu, não me atrevo a dar-lhe um nome. É um mecanismo de protecção não nomear o que sinto? É. Mas, chamem-lhe o que quiserem chamar, aconteceu e é bom. Sabe(-me) bem. Faz(-me) bem. Não sei o que aconteceu nem como nem em que momento. Mas não importa saber isso tudo. Afinal, não posso querer controlar tudo. Por isso, deixo acontecer, deixo fluir. E é tão bom poder ser assim. Mesmo que este assim seja a única forma de ser. Não interessa.

Não, não vou voltar a cair. Sei que estou meio perdida, meio sem Norte, a empurrar problemas com a barriga, problemas que continuam a estar no mesmo sítio sempre. Mas não estou sozinha. Não, desta vez não estou sozinha. E isso faz toda a diferença.

Dia 20 está quase aí. E, como sempre, é um dia de cada vez. Sem pressa. Sem pressão. E eu em primeiro lugar. O resto? Logo se vê. Amanhã será melhor. Porque eu quero que assim seja.

{#281.085.2023}

Domingo e a consulta com o terapeuta fofinho. E o facto de, agora, as consultas serem sempre sinónimo de risota. Porque o tempo de chorar já lá vai. Mas ainda preciso do meu tempo e espaço para parar e reflectir. Fazer o balanço da semana. Recentrar-me. Analisar o que se passou, como se passou, como reagi.

No fundo, perceber o que senti. Porque eu sinto tudo de forma intensa. O bom e o menos bom. E, nas últimas semanas (meses…?), tem sido sentir de tudo. Sentindo sempre tudo de forma que, às vezes, nem eu entendo bem. Mas ele, o terapeuta fofinho, leva-me ao ponto de parar e pensar.

E tenho tanto para pensar. Nada para decidir, mas tudo para sentir. Como aquele momento que ficou gravado na memória como uma tatuagem. Que me fez tremer nas bases. Tremer as pernas. E me acordou as borboletas na barriga. E tudo isso é tão bom. Se tenho que parar para pensar no que sinto? Sim e não. Sim porque o que sinto é bom, bonito e faz-me bem. Não porque o importante é o aqui e agora. E, quando assim é, não se pensa. Sente-se e pronto.

Foi um dia longo, que terminou num pôr do Sol na praia. Mas um dia sem histórias ou História. Amanhã? Procura-se que seja um dia bom. Só porque sim. As tatuagens da memória estão cá. E é tão bom.

Por hoje? Já está. Amanhã logo se vê.

{Rir com ela}

Dizia eu ontem que ia continuar a rir com ela, como ela. Ela que sou eu.

Porque os anos passam mas continuamos a ser a mesma e única pessoa. Assim, a rir. Sempre. O mais possível.

{#280.086.2023}

Sábado, aquele dia aborrecido da semana. Mas hoje com tanto para fazer, com tanto que foi feito.

E vontade, grande, de repetir momentos que se gravam na memória como uma tatuagem.

Não sendo possível, fizeram-se bolachas, que é quase a mesma coisa. Só que não…

Vontades…desejos…afectos. Acima de tudo afectos. Momentos intensos. Cúmplices. Recíprocos. E um sorriso ao canto da boca e brilhozinho nos olhos.

Se quero mais? Quando já se tem tanto…

Amanhã, dia de consulta com o terapeuta fofinho. Reavaliar o meu momento actual. Tentar perceber se é, de facto, Burnout (ainda) ou Depressão (novamente). Redefinir estratégias de recuperação e, quem sabe, cura. Mas a Depressão não tem cura. Trata-se, recupera-se, mas não se cura. É uma ferida que nunca cicatriza. Que volta e meia sangra de novo.

Não sei, não sei mesmo, qual é o meu ponto actual. Porque, e isso sei, o Burnout não foi devidamente tratado, ou pelo menos eu não permiti que fosse tratado durante o tempo que deveria ter sido. E a Depressão vai e volta e tem demasiados pontos em comum com o Burnout.

No fundo, é como estar dentro de água, sem pé e sem saber nadar. E ter que aprender a nadar quase à pressa. Amanhã, dia de consulta com o terapeuta fofinho, volto a pedir ajuda para reaprender a nadar.

E momentos como o de ontem são fundamentais para me manter à tona de água e também contribuem para reaprender a nadar.

Não, desta vez não vou permitir quase afogar-me. Seja Burnout, seja Depressão. Já tenho ferramentas para utilizar. Tenho mãos estendidas para evitar a minha queda. E tenho, acima de tudo, muita vontade em estar bem. Continuo muito cansada, com pouca capacidade de concentração, a não acertar nas palavras à primeira e, por isso, dizer disparates. Não, neste momento ainda não estou como deveria estar, como queria estar. Mas, ainda assim, posso dizer que já estive pior.

Agora é tarde, mesmo sendo noite de Sábado, já passa das 23h. Lá fora dizem que há chuva de estrelas. Ou já houve, afinal o pico já passou. Cá dentro o sono começa a pesar. Por isso, é altura de enroscar e aninhar. Amanhã? Já se sabe: será melhor. Mas dêem-me mais momentos como o de ontem. Com a mesma intensidade. A mesma cumplicidade. A mesma reciprocidade. No fundo, a mesma tatuagem repartida por 2. E aí não só será melhor, será perfeito.

{Ela, que sou eu}

Às vezes cruzo-me com esta foto. E, de cada vez que a vejo, recordo-me de mim mesma assim. Pequenina e a descobrir o Mundo.

Hoje, tantos anos depois, percebo que lhe devo tanto. Desde um agradecimento por ser sempre igual a si própria, a um pedido de desculpas por tê-la magoado tanto quando a devia ter protegido.

Ela, que sou eu, continua a descobrir o Mundo. E aprendeu a perdoar os erros de quem a devia ter protegido e falhou. Afinal, estávamos as duas a crescer e a descobrir o Mundo.

Hoje sei, sem dúvidas, que gosto muito dela. E não duvido que ela também gosta muito de mim. Venha o que vier, estamos cá uma para a outra, eu mulher adulta, ela a minha eterna criança interior.

Não há muito tempo atrás tive oportunidade de a abraçar e pedir perdão. Ela abraçou-me de volta e disse-me “somos Amor”. E somos. E enquanto continuarmos próximas, seguindo caminho de mãos dadas, sei que vou continuar a sorrir e a rir como ela e com ela. Ela, que sou eu.


Continuemos então. A descobrir o Mundo. E a ser o que somos: Amor.

{#279.087.2023}

Um bocadinho perdida nos dias da semana, mas já sei que é sexta feira. E é uma sexta feira que termina com recordações que ficam. Porque existem momentos que, de tão intensos, puros e verdadeiros, ficam registados na memória como uma tatuagem.

E hoje houve um desses momentos. Intenso. Sem resistência. Sem restrições. Apenas um momento em que de dois se passou a um. Apenas? Foi tanto. Tão mais do que apenas.

Entrega. Pura e simples. Verdadeira. E reciprocidade. Desde o primeiro momento.

Há momentos que, de tão intensos, puros e verdadeiros, ficam registados na memória como uma tatuagem. Como hoje.

E é tão bom quando assim é.

{#278.088.2023}

Se não me engano, faltam 80 dias para o Natal…e continuamos num Never Ending Summer.

Não faço pedidos para o Natal, assim como não faço planos seja para o que for. O que vier, vem. Se tiver que vir. Quando tiver que vir.

Mas há um pedido que faço para todos os dias. Guardo esse pedido para mim. Na verdade são dois pedidos. Ambos podem ser concretizados, mas nenhum depende só de mim. Tanto num caso como no outro já fiz a minha parte.

E depois há perguntas que surgem sabe-se lá porquê, às quais eu respondo, e que ficam em loop na minha cabeça por não entender realmente a origem dessa pergunta. A minha resposta foi dada, mas como boa overthinker fico a remoer… Talvez venha a questionar a origem da pergunta, o seu porquê. Ou então fico a remoer ad eternum…

Seja como for, a minha resposta foi dada. E mantenho o que disse como resposta.

Agora? É hora de enroscar e aninhar. O dia foi vazio de histórias ou História. Mas foi longo…

Amanhã? Será melhor.

{#277.089.2023}

Dia longo com 8.700 passos e 6 km nas pernas. E, para terminar, uma aula de Yoga daquelas de fazer doer tudo.

É, também, aquele dia em que me apetece dizer “vamos!”, e íamos. Não interessa exactamente para onde, desde que longe de tudo e todos. Só duas almas que se guiam de mãos dadas. E a vontade é tanta.

Volto a pôr os pés no chão e a olhar a realidade de frente. Ninguém vai fugir. Há tanto a perder num dos lados. Ou não, não sei. Mas vontade de ir, essa, existe.

Para já fico sossegada. Para já e depois também. Sossegada. Sempre. Sei que não posso pedir muito mais do que já tenho. E já é tão bom. Mas sim, fazia as malas e ia.

Cansada, muito cansada, depois de um dia fisicamente puxado. Agora é hora de recolher e enroscar para descansar. Amanhã é feriado mas, para mim, será só mais um dia. Não garanto que amanhã consiga reunir a energia para ir até à praia. Logo se vê. A verdade é que são 23h e mal me aguento acordada.

Não, hoje não foi um mau dia. Apenas longo e pesado. E, por isso mesmo, a única coisa que peço agora é poder enroscar e aninhar para conseguir descansar.

Amanhã? Logo se verá como vai ser. Por agora não consigo sequer pensar, quanto mais escrever…

{#276.090.2023}

Dia de acordar cedo para, finalmente, poder dizer “doutora, preciso de ajuda”…Não que a médica de família consiga ajudará muito, mas prolongou-me a baixa por mais 30 dias. E recomendou saíres de casa, ir à praia, ver o pôr do Sol e, mais importante, seria eu mesma a minha prioridade. Alguém que concordâncias comigo. Porque eu tenho que estará em primeiro lugar. O resto? Logo se vê.

Diana também para tomar uma decisão que vai resolver o meu depois. Deixa de haver uma preocupação. Do ar o corpo à ciência. Alivia uma situação delicada e ainda pode, ou posso!, ser útil.

Mas, e apesar de ter sido um dia tranquilo, estou muito cansada. Amanhã quero ir à praia de manhã. Vamos ver a que horas acordo e se terei energia de manhã.

Enfim…foi, na verdade, só mais uma ter a feira. Amanhã logo se vê como será. Mas nem dói um mau dia.

{Quando eu morrer não levarei flores para o meu buraco}

Quando eu morrer… (eh)
Não levarei flores pra o meu buraco

Porque eu vou morrer… (eh…)
De cancro

E não se dão flores
E não se dão flores
E não se dão flores
A quem morre de cancro…
Não há tempo

Ou então vou morrer… (eh…)
Cheio de radiação

Devido a um erro qualquer… (qualquer…)
Sem importância

Agressão nuclear
Agressão nuclear
Bem planificada e perfeitamente justa…

E se eu escapar…(oh oh…)
Com vida a tudo isto

Morrerei de fome… (fome…)
Comido por um bicho

E não levarei flores
E não levarei flores
E não levarei flores

Pra o meu buraco (pra o meu buraco)
Pra o meu buraco (pra o meu buraco)
Pra o meu buraco (pra o meu buraco)
Pra o meu buraco (pra o meu buraco)
Pra o meu buraco (pra o meu buraco)
Pra o meu buraco (pra o meu buraco)

Pra o meu buraco
Pra o meu buraco
Pra o meu buraco
Pra o meu buraco
Pra o meu buraco
Pra o meu buraco
Pra o meu buraco

-Xutos & Pontapés-

-Quando eu morrer

Penso na morte mais vezes do que gostaria. Se calhar até mais vezes do que seria saudável. Penso na morte dos meus, claro, mas penso, acima de tudo e mais do que gostaria de admitir, na minha própria morte.

Há muitos anos que “sinto” que o tempo, o meu tempo, se está a esgotar. Claro que nada me garante que, de facto, esteja.


Nunca tinha pensado, apesar de tudo, no depois. Não na vida depois da morte, coisa que não existe, mas no funeral e no trabalho que, depois de morta, iria dar a quem cá fica.

Digo “iria” porque hoje tomei uma decisão. Que não custa nada e ainda pode ter a sua utilidade: doar o corpo à ciência.


Mesmo que seja só daqui a muitos anos, ficam já a saber que não haverá funeral. Nem velório. Nada de cerimónias fúnebres. Quem quiser, se quiser, que se junte para um almoço ou jantar. Sushi não é obrigatório, mas não era mal pensado. E bebam um copo por mim. Façam isso. E celebrem a vida. Enquanto eu, já depois de morrer, vou também celebrar a vida e doar o corpo à ciência.

Amanhã preencho o papel. Depois é só ir ao notário e, depois de reconhecida a assinatura, é só enviar o documento para a Faculdade de Medicina.

Sempre disse que o meu papel aqui passa pelos outros, para os outros. E nada como continuar a sê-lo quando o meu tempo deste lado se esgotar.

Já sabem: um almoço ou jantar e beber um copo por mim. Eu continuarei por aí a cumprir o meu papel.

{#275.091.2023}

Segunda feira e foi um dia preenchido. Exames médicos aonde se esperar ter reprovado a tudo e feedback de uma denúncia de má conduta.

Que existem razões para preocupação no que diz respeito aos exames, existem. Espero, obviamente, que não sejas nada e que, a ser alguma coisa, seja de simples resolução.

Quantos à denúncia, que seja tratada como tem de ser. E que não tragas repercussões. Na verdade, não fui eu quem águas mal. Se é ambiente profissional é condutor profissional que se pede.

Amanhã logo saberei como serão as próximas semanas… Não quero, nem posso!, pensar muito nisso. Amanhã logo se verá. Não souber de fugir ao trabalho, mas neste momento é o que parece estar a acontecer…mas tenho tantos motivos para isso.

Por hoje não quero pensar mais, nem nos resultados dos exames que já deviam ter chegado nem no resultado do que foi falado esta tarde. Quero, sim, descansar. Amanhã é dia de acordar muito cedo…e depois logo se vê.

{#274.092.2023}

E, de repente, há aquele momento em que tenho que parar para pensar se é Sábado ou Domingo ou até outro qualquer dia da semana… É Domingo. Claro que sim. Se ontem foi Sábado e amanhã é Segunda feira, se hoje foi dia de consulta com o terapeuta fofinho, claro que hoje é Domingo.

E a consulta com o terapeuta fofinho hoje, ao contrário do que tem sido habitual, não foi fácil. Foi dia de tocar em algo que, neste momento, me está a deixar desconfortável. Muito desconfortável. Trabalho. Hoje foi dia de falar de trabalho e de porque é que estou, de novo, de baixa. Disse-me, claro, o que eu já sabia, só não sei como conseguir: desligar. Mudar o chip. Deixar o trabalho no trabalho, não trazê-lo comigo para casa ou para onde quer que seja. Mas a verdade é que não consigo mesmo desligar…

Foi duro pegar neste assunto. Porque me deixa mesmo muito desconfortável. Como há muito tempo alguma coisa não deixava.

Mas, à tarde, uma espécie de psicanálise com quem me tem dado a mão. E a dica é a mesma: desligar. Mudar o chip. E expôr mais um bocadinho de mim. Dar-me a conhecer um bocadinho mais. E, do outro lado, reciprocidade. Equilíbrio. O que eu tanto tenho procurado. Equilíbrio porque não fui só eu que me dei a conhecer. O outro lado, sei-o, foi até onde se sentiu confortável. Mas foi! E só isso importa agora. Se houver mais tardes como a de hoje, serão muito bem vindas.

De resto, é a ansiedade, é a Depressão, é a insegurança, é a Perturbação de Personalidade Borderline, é tudo isto a falar ao mesmo tempo. E só eu sei o eco que tudo isso faz na minha cabeça. E a confusão que é ter tudo isso em simultâneo a querer ensinar-me a desligar.

Não, a manhã não foi fácil. A tarde ajudou a melhorar o resto do dia. Mas a noite…a noite promete ser difícil…vamos ver.

O que importa é que há postais em trânsito. De mim para os outros, ao contrário do habitual. Foram poucos desta vez, há mais que eu quero enviar. Mas dou por mim com uma grande dificuldade em me concentrar para escrever, mesmo que pouco.

Amanhã? Será melhor. Será um dia ocupado, não vou ter muito tempo para sentir o caos e a confusão que vai na minha cabeça… E só por isso já vai valer a pena. O resto? Logo se vê.

{#273.093.2023}

Sábado preenchido a tratar de mim. De manhã duas horas de Yoga que pareceram 15 minutos, à tarde duas horas no cabeleireiro para dar conta deste cabelo que parece sempre sem graça e que sai de lá em jeito de caracóis.

E voltar a ler e reler aquele email que chegou ontem e que quero muito acreditar que vai trazer coisas boas. Porque também as mereço.

E uma companhia para ver a Lua, mesmo que não seja visível da minha janela. Mas há uma mão que pega na minha como eu pego também e seguimos para ver a Lua. Já não é super nem está iluminada a 100%, mas quase. Mas é sempre um bom motivo para ir. De mãos dadas. E sorrisos ao canto da boca. Saltaricando por aí. E ela, a Lua, sempre cúmplice e sempre sem revelar o que guardamos para nós. Porque é nosso. E um bocadinho dela também. A Lua, sempre presente. Sempre lá. Mesmo quando não se vê. Mas sempre, sempre lá.

Tratar de mim por e para mim. Não me posso esquecer disso. Não me posso esquecer de mim. Seja com o Yoga, seja com o cabeleireiro. Seja, também, como será amanhã, com o terapeuta fofinho. Mas, seja como for ou com o que for, em primeiro lugar estou eu. E agora é tempo de ser o meu tempo.

Sábado e dou o dia por terminado cedo. Cansada. Sem planos e sem vontade de os ter. Porque o que na realidade tenho, que a Lua guarda para si, é o que quero ter para esta noite. Sábado, aquele dia aborrecido da semana, desta vez foi tudo menos aborrecido. E assim continua.

Amanhã? De novo de mãos dadas por aí, a saltaricar e de sorriso ao canto da boca. E, claro, brilhozinho nos olhos. O resto? Neste momento o resto é só isso mesmo: o resto. E tem tudo para amanhã ser um bom dia.

{#272.094.2023}

7.866 passos. 5,60 km. O equivalente a subir a um quarto andar. Parece muito? Para algumas pessoas é pouco. Para mim é justificação suficiente para dizer que estou cansada.

Não há nada que não me doa. E se já antes precisava de uma massagem agora então era muito bem vinda.

Podia dizer-se que amanhã é Sábado e que podia dormir mais um bocadinho. Não posso. O despertador vai tocar às 8h e o Yoga vai começar às 10h. À tarde? Também não vai ser possível descansar. É dia de tratar de mim. Seja. É da maneira que durmo cedo. Amanhã, porque são 23h15 agora e ainda aqui estou.

Mas o dia valeu a pena. Claro que me esqueci de comprar uma coisa que precisava, apesar de ter ido ao sítio certo. Seja. Não é urgente. Mas bolas……

Ainda de ontem: gostei de ser levada pela mão para ver o pôr do Sol na praia. De hoje: gostava tanto de ser levada pela mão a ver a Super Lua.

Amanhã: vai ser bom. Simplesmente porque sim. Porque eu quero que assim seja. E cada vez gosto mais dos dias bons.

{#271.095.2023}

Hoje era um daqueles dias em que não me apetecia mesmo nada ir até à praia. Cansada, muito cansada. Sabe-se lá bem do quê, mas cansada é como me sinto.

Mas fui picada. Incentivada a ir só mais um bocadinho, já estava à porta do parque, só tinha que o atravessar e aproveitar a luz do final do dia. E a praia já ali a chamar por mim. E fui. Pegaram-me na mão e foram comigo.

E valeu tão a pena. Cheguei antes do pôr do Sol e fiquei até ao fim do espectáculo. E foi tão bom.

É estúpido às vezes não fazer certas coisas a menos que seja picada nesse sentido. Como hoje. Por mim não tinha ido. Mas picaram-me. E fui. E saber que me pegaram na mão para irem comigo é tão bom. Havemos de o fazer mais vezes. Vale bem a pena para encontrar um cenário destes.

E, distâncias à parte, mais mas menos mas, saber que alguém lá longe está comigo e me acompanha de mãos dadas, não tem preço. Se há uns meses estava a contar com isto? Nem um bocadinho. Mas foi uma coisa boa que me aconteceu. E ainda bem.

{#270.096.2023}

Quarta feira, dia do meio, dia nim, nem não, nem sim. Mais um dia, menos um dia. Dormir até muito tarde. Mas dormir sem interrupções. Há muito tempo que precisava disto. Precisava muito disto.

Hoje não houve praia. Mas houve Yoga ao final do dia. Também estava a precisar.

Amanhã? Será melhor. Dormir sem despertador a marcar o ritmo do dia ainda antes do dia começar não se aplica, por enquanto. Por isso é para aproveitar. O resto logo se vê.

{#269.097.2023}

Mais um dia por casa, mais uma tarde de praia. E sempre aquela sensação de estar a falhar com o trabalho…

Cansada de andar na areia. Cada vez mais difícil. E tenho que dar a volta a isto…

Uma dor num sítio onde não é suposto doer. E o alarme, cá dentro, dispara. Mas quero muito acreditar que não é nada.

E o vírus que continua por aí, em livre circulação… Que não faça estragos, é o que desejo.

De resto, sou eu a tentar não me perder de mim mesma. Amanhã? Logo se vê. Mas acredito que será bom. Porque eu quero que assim seja.