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Se perguntarem por mim, dir-vos-ei que não estou. Esta que vos fala é outra que não eu.

{#356.10.2022}

Três horas e cinquenta minutos desde que desliguei o trabalho até entrar em casa… Demasiado cansada para reflexões e pensar no que o dia me trouxe.

Amanhã? É possível que seja um regresso a casa muito semelhante. Mas, por agora, não vou pensar nisso e preocupar-me por antecipação. Não vale a pena. O que vale a pena? Manter-me na fase da descoberta. Continua interessante. Vamos ver onde isto me leva, se é que me vai levar a algum lado.

Enquanto isso, a contagem dos dias mantém-se. Vinte e quatro. E a passagem de primeiro para décimo sétimo lugar na lista de prioridades. Nos próximos dois dias há um motivo para quebrar o silêncio. Se vai acontecer? Duvido. Se o vou fazer se não houver iniciativa do outro lado? Ainda não decidi…

Não. Não vou estar a pensar nisso agora. Estou demasiado cansada para isso. E já passa muito da minha hora. Amanhã logo se vê. Por agora, recolho e tento recuperar um pouco do cansaço que sinto. A vantagem de amanhã? É sexta feira. Vou poder desligar de preocupações durante dois dias. Se demorar novamente três horas e cinquenta minutos a chegar a casa não me vou preocupar demasiado. Será o que tiver que ser.

De resto, logo se vê. Mas não me posso esquecer de mim. Porque primeiro estou eu. E a descoberta também passa por aí. Por mim. Em primeiro lugar.

Sim, amanhã será melhor. Por hoje já chega.

{#355.11.2022}

Dia difícil. Sentir ainda a ressaca da chamada interminável de ontem. Decidir falar sobre ela com a única pessoa a quem devo uma justificação. Ou explicação. Ou o que for. Sei que não saio prejudicada pela chamada em si, mas senti que tinha que justificar o tempo gasto em algo que devia ter demorado poucos minutos. Não consegui fazê-lo. E sinto que falhei por isso. E, por esse motivo, senti a necessidade de me explicar. O que não esperava era a minha própria reacção a tudo. Enervei-me. A ansiedade quis fazer-se presente. A vontade de quebrar também. Não foi fácil… Mas foi uma espécie de catarse.

Respirei fundo depois de dizer o que tinha a dizer, depois de sentir o que tinha a sentir. E voltei a mim. Mas não foi fácil…

Foi um dia estranho no geral. Mas já terminou. Não vou pensar mais nisto e vou continuar a fazer o meu trabalho o melhor que sei e consigo. Amanhã? Logo se vê.

E vão 23. Acho eu. Seja. Já não quero saber. Em primeiro lugar estou eu. Tudo o resto vem depois. Se vier…

{#354.12.2022}

Dia de trabalho muito difícil depois de uma chamada demasiado complicada para concluir que me deixou esgotada. Várias horas depois, ainda sinto os efeitos de algo que não consegui controlar. Eu sei que o meu trabalho é desgastante, mas nunca tinha tido uma experiência como a de hoje. Agora é tentar desligar de vez desta situação e descansar a cabeça e o corpo. Já é muito tarde e amanhã é dia de regresso ao trabalho presencial depois de ter estado hoje a trabalhar em casa.

Ainda tive o meu momento de final de dia na esplanada. E hoje foi dia de continuar a descoberta e perceber que há pessoas estranhas no mundo lá fora. Cromos, portanto. E desses já tive a minha dose. Foi bom dar um passo para conhecer alguém novo? Foi. Mas dali não vem nada de interessante.

22 dias e o silêncio que continua presente. Parece que a contagem regressou. Não queria, mas é mais forte do que eu. E nos próximos três dias era uma boa altura para o silêncio ser quebrado. Mas desconfio que não vai ser.

Por hoje chega. Estou verdadeiramente esgotada. Não é só simplesmente cansada. É mesmo esgotada. E ainda a semana não vai a meio. Amanhã será melhor. Vai ter que ser melhor. A todos os níveis. Mesmo que o silêncio se mantenha presente…

{#353.13.2022}

21 dias e a contar… É o que é, “somos o que somos”, seja lá isso tudo o que for. Queira isso dizer o que for. Os dias vão passando. Como foram passando ao longo dos últimos cinco anos. Mas a diferença é que, agora, já não quero saber. Ainda tenho esperança que o Natal faça quebrar o silêncio. Mas ao mesmo tempo tenho dúvidas que aconteça. E se realmente não acontecer só vem confirmar a desilusão.

Enfim. Não quero saber mais. Deixo-me levar pela descoberta. E o que tiver que ser, será. Mas não olho para trás. Para quê? Se continuo zangada? Continuo. Muito zangada. Mas cada um sabe de si. E eu tenho uma certeza: não sou eu quem sai a perder.

Amanhã? Será o dia 22. Seja. Eu continuo no mesmo sítio. Quem quiser, se quiser, sabe onde e como me encontrar. Se não o faz é porque não quer. Então siga.

Sim, continuo zangada. E talvez não deixe de o estar. Mas, neste momento, já não quero saber. De nada. Que seja muito feliz assim.

{#352.14.2022}

Falar dos últimos dias… Sexta feira, depois do trabalho, jantar de Natal da empresa. Em grande. 640 pessoas reunidas. E, pela primeira vez em muito tempo e no que diz respeito ao trabalho, senti que pertencia ali. Foi muito bom. Soube muito bem. Já o tenho dito a algumas pessoas: estou bem onde estou. E gosto de estar ali. E gosto das pessoas com quem estou. Coisas que não aconteciam na empresa anterior, onde sempre declinei jantares, fossem de Natal ou de equipa. Nunca me identifiquei com aquela empresa e menos ainda com aquelas pessoas. Ter saído, mesmo que não tenha sido por minha iniciativa, foi o melhor que me podia ter acontecido. E este jantar de Natal na sexta feira veio confirmar-me isso mesmo. Estou bem ali e gosto de estar ali.

Sábado. Dia de almoço de Natal da família que se adopta e nos adoptou. Foi bom. E se o Sábado tivesse sido só o almoço já teria sido um bom dia. Mas à noite, já tarde, surgiu o desafio da descoberta. E eu fui.

Sei bem o que é esperado desta descoberta. Mas fui na mesma. E foi bom. Partir à descoberta pode ser muito bom. E, desta vez, foi. Ainda me lembro como se faz. E, pela primeira vez em muito tempo, senti-me realmente viva. Apenas não gostei de um pequeno pormenor. Que espero mesmo que seja pequeno. Mas, se a descoberta se mantiver activa e for para desenvolver, irei fazer valer o que não gostei. Porque não me senti segura nem confortável. Porque já lá estive antes. E dessa vez não foi bom. E podia ter corrido muito mal.

Por mim, é para manter a descoberta. Porque gostei do que fui descobrindo e do que fui ouvindo. E senti-me bem em ter ido, apesar daquele pequeno pormenor que será falado.

Hoje, Domingo, dia de consulta com o terapeuta fofinho duas semanas depois. Não consigo habituar-me a não ter consulta todas as semanas. Mas desta vez foi assim, teve que ser. Agora volta ao normal. E, desta vez, tinha tanto para contar. Como sempre, foi importante poder partilhar com o terapeuta fofinho as novidades. Se partilhei tudo? Partilhei o que tinha que partilhar. Há coisas que ficam apenas comigo. Mas sei que foi importante ele saber desta fase da descoberta. Já estava na hora de deixar para trás o que já não faz sentido, o que já não interessa.

Até porque o silêncio continua. E o recorde dos 20 dias de silêncio, se não foi batido hoje, é batido amanhã. Ainda não me apeteceu contar os dias. Já não acho importante. Já foi. Mas, como borderline que sou, é passar rápida e facilmente do 8 ao 80. Se durante 5 anos foi importante, talvez até demasiado, hoje já não é. Resta-me continuar a encolher os ombros, sorrir e acenar. E soltar e deixar ir. Agradeço por ter acontecido e ainda estou a tentar perceber o que aprendi. Mas acho que aprendi que o mais importante sou eu. O resto é o resto. Primeiro estou eu e tenho que estar bem. Se não for assim, não é bom. Por isso chega. Já percebi, também, que a minha ausência não é percebida. Por isso a minha presença também nunca foi nada de especial. Mantenho, então, a minha ausência. E parto à descoberta.

Fecho um ciclo. Outro talvez se abra. Mas, se não se abrir, também não é o mais importante. O mais importante sou eu. E é isso que me interessa agora: conhecer-me melhor e saber estar bem como estou e como sou. Acima de tudo como sou.

Gosto de ser quem e como sou. E não vou mudar por ninguém. E muito menos ficar eternamente à espera de nada. Como aconteceu nos últimos cinco anos. Foi uma aprendizagem. Mas não vai continuar a ser como era. Se o outro lado quiser quebrar o silêncio, estou onde sempre estive. Sabe como me encontrar. Só não encontra se não quiser. E quem quer saber, pergunta. Quem não quer, está bem.

Amanhã? Dia de trabalho presencial. Vai ser bom, mesmo que as previsões do estado do tempo não sejam as melhores. Vai ser complicado, se realmente chover demasiado, fazer as duas viagens diárias. Mas é o que tem que ser. Dependendo do tempo amanhã, logo se vê como será terça feira.

Seja como for, os últimos dias valeram a pena. Por tudo. E a noite de ontem, por mim, pode repetir-se.

{#351.15.2022}

E hoje foi assim.

{#350.16.2022}

Hoje? Passou por aqui. E foi bom.

{#349.17.2022}

Dia de revisitar outro tempo, outra vida. E, claro, a vontade de voltar a montar a banca em feiras e mercados fez-se presente. Saudades desse tempo, dessa vida.

Foi muito bom rever tantas caras conhecidas de outros tantos mercados e feiras. E rever, também, amizades de há 40 anos (ou mais…!) e trocar aqueles abraços apertados que não se perdem com o tempo.

Dia, também, de cuidar de mim. E confirmar ainda o que já sabia há muito tempo: guys are so freaking predictable.

O silêncio mantém-se. Pois que se mantenha. Porque, se é para me dizerem alguma coisa só por dizer e sem intenções de manter o que se diz, então prefiro que não me digam nada…prefiro o silêncio. Esse, pelo menos, não desilude. Magoa, mas não desilude.

Enfim. Muito cansada. E com tanta coisa na minha cabeça que chego a pensar que já são coisas a mais e nem todas merecem o meu tempo.

Por hoje chega. Amanhã será melhor. Ou então amanhã logo se vê. É continuar a encolher os ombros, sorrir e acenar.

{#348.18.2022}

Dia de regresso ao trabalho presencial. Dia de regresso a Lisboa. Não foi mau. Sem trânsito de manhã, sem chuva no caminho para lá, chuva apenas na chegada à paragem de autocarro perto de casa e por pouco mais de 500 metros. Podia ter sido pior. Como foi ontem, em que optei pela segurança e fiquei em casa.

Dia cheio de trabalho, e mesmo assim a cabeça dispersa por aí, por onde não devia. Custa cortar com algo que durante cinco anos me acompanhou diariamente.

Mas é o que é. Detesto esta frase. Mas é o que é. E, se o silêncio continua, é para ser mesmo assim. 16 dias? Acho que é isso. Mas não me vou dar ao trabalho de voltar a contar os dias. Vou deixá-los passar. Deixá-los correr. Um dia logo se vê. Mas por hoje deixo assim.

Não me esqueço do que foi escrito e dito há seis meses. Mas, pelos vistos, sou só eu que não esqueço. E devia esquecer. E devia, também, já ter aprendido que, daquele lado, muita coisa é dita apenas por dizer. Como aquele jantar que foi falado só por falar.

Enfim. Continuo zangada. Mas aí a responsabilidade é minha. Porque já há muito tempo que devia ter percebido estas nuances. Mas não quis vê-las.

Zangada. Ainda. E muito. Não me faz bem nenhum. Mas é assim que me sinto. Um dia pode ser que passe. E por agora só tenho que aceitar que quem quer saber, pergunta. Quem não quer, mantém o silêncio. E é pena que seja assim. Porque não tinha que ser…

Amanhã será melhor. Sem ser dia de trabalho, vou ter demasiado tempo livre para pensar no que não devo, no que não quero. Não vai ser fácil. Mas, correndo tudo bem, vai haver conversa de raparigas. E só isso importa. Porque essas conversas são extremamente necessárias. Importantes. Quase obrigatórias. E só isso já vai valer a pena.

De resto, logo se vê. Mantenho a postura dos últimos meses: encolher os ombros, sorrir e acenar. E sim, é preciso encolher os ombros para que se note. Só assim posso dizer que sim, estou zangada, sem dizê-lo directamente e com todas as palavras. Mas é o que é. E espero mesmo que se note. Quero que se note. Pode ser que assim consiga uma reacção. Duvido, no entanto, que essa reacção aconteça tão cedo. E não, desta vez não vou ficar à espera. Nem vou quebrar o silêncio. O que tiver que ser, será. Quando tiver que ser. Se tiver que ser…

{#347.19.2022}

Dia de dilúvio. Dia de optar pela segurança e ficar em casa. Começou à hora de sempre de um dia de trabalho presencial, muito cedo, ainda de noite. E as notícias do mundo lá fora não eram boas. Muita chuva, demasiada chuva. E, das autoridades, a recomendação: fiquem em casa, não venham para Lisboa.

Não fui. Nem tinha como ir. A menos que tivesse um submarino, não tinha como sair daqui, não tinha como chegar a Lisboa. Tudo inundado, estradas com demasiada água, algumas cortadas nos acessos ao meu destino. Optei pela segurança. Optei por ficar em casa. O computador ficou no trabalho porque quem de direito não pensou que, apesar dos avisos, a situação pudesse vir a ser tão extrema. Como foi.

Custou-me não ir trabalhar. Não duvido que tenha sido um dia muito complicado. Não fui capaz de não pensar nos meus colegas. Se o dia anterior, que foi um dia normal, já tinha sido muito complicado, hoje com todas as ocorrências que surgiram deve ter sido o caos. Mas, sem dúvida, optei pela segurança.

Amanhã espera-se que seja um dia melhor. Logo se vê como será o começo do dia. Embora as previsões não sejam animadoras, espera-se algo melhor do que hoje. Vamos ver… Mas, se for caso disso, voltarei a optar pela segurança. Sem dúvida.

Tirando tudo isso, nada de novo. A descoberta a correr como previsto e uma insistência que me incomoda. E o silêncio que continua. Mais uma vez o digo: não serei eu a quebrá-lo. Quem quer saber, pergunta. Quem não pergunta, não quer saber. Seja.

Amanhã logo se vê. Seja o que tiver que ser. Mas, em primeiro lugar, a minha segurança.

{#346.20.2022}

Dia de regresso ao trabalho presencial. Dia que começou muito cedo e ainda não acabou. São 22h30m e ainda há tanto para fazer para amanhã…

Não me importo de ir para o local de trabalho. Importo-me, sim, com o facto de demorar duas horas e meia a chegar a casa. Depois de um dia puxado no trabalho, e com chuva lá fora, a vontade é chegar a casa rápido. Mas não acontece…

14 dias. Mas quem é que está a contar o silêncio que se traduz em indiferença…? É continuar no mesmo registo: encolher os ombros, sorrir e acenar. Quem perceber, percebe. Quem não perceber, nunca percebeu nada. E quem quer saber, pergunta.

Estou muito cansada. E com dores de cabeça. Depois de um dia como o de hoje, não podia ser de outra forma. Mas uma quebra do silêncio sabia bem…

Não vai acontecer.

Recolho-me. Amanhã será melhor.

{#345.21.2022}

Domingo que começou demasiado cedo, sem necessidade. E sem a consulta semanal com o terapeuta fofinho que tanta falta me faz. Especialmente quando, como agora, tento soltar o que é para deixar ir e preciso de falar sobre isso com quem me ouve sem julgamentos e me orienta para que, eu mesma, encontre o caminho a seguir.

Deixei de contar os dias de silêncio, mas sei que já são treze. O recorde está nos vinte. E, parece-me, rapidamente será batido. Não vou procurar quebrar o silêncio. Não me cabe a mim fazê-lo. Não fui eu que o iniciei. Não fui eu que mudei. Não fui eu que descartei cinco anos de algo que, sei agora, significa zero. Se me afastei? Pode dizer-se que, de certa forma, sim. Ou simplesmente me remeti ao meu lugar.

Logo se vê se o silêncio será quebrado. E, se acontecer, quando. E, claro, o jantar não vai acontecer. Mas isso eu já sabia desde o primeiro dia. Ainda quis acreditar que seria possível. Estava apenas a iludir-me a mim mesma, como quiseram fazer comigo. E eu, até certo ponto, deixei.

Não deixo mais. Para mim não faz sentido pegar num assunto e sugerir algo quando, na verdade, não há vontade para que aconteça. Para mim esse comportamento, essa atitude, não faz sentido. E, talvez por isso, me magoe. Mas não me vai magoar por muito mais tempo.

Uma das características da Perturbação de Personalidade Borderline é passar do 8 ao 80. One day you care, the next you don’t. Quis acreditar que isso não iria acontecer neste caso, mas está a acontecer. Não gosto de sentir isto desta forma, mas vejo esta mudança como um mecanismo de defesa. Para evitar continuar a magoar-me.

Não me vou alongar muito mais sobre o assunto. Não o quero fazer. Assim como não quero saber se ou quando o silêncio será quebrado. Mas preciso da orientação do terapeuta fofinho para me ajudar a perceber se estou, ou não, no caminho certo…

Amanhã? Será melhor. Um dia atrás do outro atrás do um. Se há alguém aqui que sai a perder, não sou eu…

{#344.22.2022}

Uma das características da Perturbação de Personalidade Borderline é passar do 8 ao 80. One day you care, the next you don’t.

E assim se passa uma situação de primeiro lugar na lista de qualquer coisa que não quero chamar de prioridades para décimo segundo. E a descer…

Temos pena.

Ou se calhar não. Já era tempo de mudar este paradigma…

Como sempre, é encolher os ombros, sorrir e acenar. It is what it is. Seja.

Por outro lado, a descoberta está a ser interessante, mas não deixa de trazer surpresas que, de certa forma, até já esperava.

Enfim…é o que é. E aprendi a detestar esta frase. Mas é o que é…

{#343.23.2022}

Sexta feira de sabor a segunda de manhã. Não foi fácil acordar para começar o trabalho a horas, mesmo estando em casa. Segunda feira regressa o trabalho presencial e vai ser bom, mas muito difícil de acordar.

Hoje valeu-me o som de mensagens a entrar para me ajudar a acordar. Segunda feira logo se vê o que me vai ajudar a acordar ainda mais cedo.

Sei que as mensagens vão continuar a chegar. E têm sido essas mensagens que me têm feito sentir viva novamente. Há muito tempo que não me sentia viva. Ainda não é mais do que a fase da descoberta, mas não deixa de ser importante a forma como me sinto. E isso é bom. E é isso que me estava a faltar. Não deixa de ser uma massagem ao ego. Mas pode vir a ser mais do que isso.

Seja o que for, está a ser interessante. E importante. Amanhã? Logo se vê.

Sem pressa e, tenho aprendido também, sem vagar. Vamos ver.

{#342.24.2022}

Feriado e o dia que começou estupidamente cedo sem necessidade.

E a descoberta que vai avançando a bom ritmo. Sei exactamente onde me vai levar: a lado nenhum. Mas não deixa de ser uma massagem ao ego. E recorda-me que estou viva e tenho todo o direito a estar. E a demonstrá-lo. E, acima de tudo, a senti-lo. E a aproveitá-lo.

Um dia de cada vez. Mas já muito perto do pouco de não retorno…

De resto? O silêncio mantém-se. E não serei eu a quebrá-lo.

{#341.25.2022}

O dia acordou muito cedo e muito feio. Escuro e desconfortável. Mas não correu mal.

Muito trabalho e o primeiro jantar de Natal da equipa de trabalho. Pela primeira vez em muitos anos estive presente num jantar de Natal de equipa de trabalho. E foi giro. Não fiquei até ao fim, mas foi bom ter ficado.

Voltar para casa foi assustador por causa do mau tempo. Chuva como há muito tempo não via. E medo de vir na estrada como há muito tempo não tinha. Mas cheguei a casa inteira. Cansada, molhada, mas inteira.

A descoberta que continua. De forma engraçada e possivelmente interessante. Vamos ver como corre e se desenvolve. Porque tem pernas para se desenvolver. Não necessariamente para andar. Mas logo se vê o que sai dali.

De resto, o silêncio que se mantém. Até quando? Não faço ideia. Mas também já não quero saber.

Amanhã é feriado. E vai ser bom só por isso mesmo. Sexta feira regresso ao trabalho a partir de casa. Sei que segunda feira tenho que voltar ao trabalho presencial, mas não me preocupa. Custa sair de casa ainda de noite e regressar muito tarde. Mas a recepção no trabalho presencial tem sido boa. Sinto-me bem ali. E isso é muito importante.

Agora? Ganhar coragem para me arrastar até à cama. Já é tarde. E a noite passada foi curta e o dia longo. Por isso é mais do que merecido o descanso.

Amanhã? Será melhor, mesmo que hoje não tenha sido mau. E logo se vê o que o dia me irá trazer.

{#340.26.2022}

Dia de regresso ao trabalho presencial. Significa sair de casa uma hora antes do nascer do Sol e chegar a casa tarde, mas de boleia não tão tarde como o previsto.

Foi bom regressar. Voltar às rotinas. Voltar às pessoas. Simplesmente voltar. Ocupar a cabeça para não pensar no que não me faz bem.

E o caminho da descoberta está aberto. Não me vai levar a lado nenhum, sei exactamente o que vem dali, mas deixo-me ir. Para já está a ser interessante e engraçado. E está a relembrar-me que estou viva. É uma massagem ao ego? É. Se é mais do que isso? Não.

Reconheço aqui histórias passadas. De outros tempos, outra vida. E dou por mim a pensar que isto também sou eu, também faz parte de mim. Seja lá isto o que for.

Um dia de cada vez. Sem pressa. E, estou a aprender, também sem vagar. Mas, decididamente, sem olhar para trás. Os últimos cinco anos não são para esquecer, mas são para ficar lá atrás. O silêncio continua. E, desta vez, não vou contar os dias. Começo, devagarinho, a soltar e deixar ir. Continuo zangada, mas neste momento já não quero saber. O jantar? Sei desde o primeiro momento que não vai acontecer. E mantenho uma ideia: quem quer saber, pergunta. Quem não quer, paciência. Não sou eu que perco.

{#339.27.2022}

Segunda feira e o trabalho a partir de casa terminou hoje.

De resto, o que já esperava: silêncio.

Não quero saber. Não estou preocupada com o jantar que não vai acontecer. Decidi que é tempo de partir à descoberta. E, para já, está a ser interessante.

Um dia de cada vez. Sem pressa. Amanhã? Será melhor. E logo se vê.

{#338.28.2022}

A esplanada do costume fecha ao Domingo, mas não é por isso que deixa de haver o café de fim de dia, o meu momento comigo mesma.

Hoje foi dia de consulta com o terapeuta fofinho e falámos daquela coisa de me descobrir a mim mesma. E chegámos à conclusão a que eu já tinha chegado há uns dias: sou muito mais do que uma perturbação de personalidade, sou muito mais do que mostro a quem não me dá tempo para me mostrar, sou muito mais do que a armadura que visto todos os dias e, muito importante, sou muito mais do que uma simples presença online.

Sou tanta coisa. E só o vê quem se permite ter tempo para ir desmontando a armadura. Só o vê quem me permite ir desmontando a armadura.
Os outros, os que não têm tempo, os que não me dão tempo, pensam que me vão conhecendo. Não podiam estar mais enganados.

Mais uma vez: quem quiser saber, pergunta. Quem não pergunta, não quer saber. E dessas pessoas já tenho várias à minha volta. Não preciso de mais. Não quero mais.

E, não querendo, só me resta acreditar que sim, vai correr tudo bem.

{#337.29.2022}

Sábado. Que começou cedo. A custo. Mas que valeu a pena, apesar de longo.

Não tive o meu momento de final de dia, apesar de ter ido à esplanada do costume. Mas não tive tempo nem oportunidade para estar apenas comigo. Tenho muito para conhecer em mim mesma, de mim mesma. Mas para isso preciso de tempo comigo mesma. E aquele bocadinho na esplanada do costume ao fim do dia tem servido para me organizar, para pensar, para me estruturar e delinear os próximos passos.

Não adianta ter pressa. E muito menos adianta perguntar como se faz o caminho. Porque é um processo só meu. Que irá levar o tempo que for preciso. E que se irá realizar sabe-se lá como. Mas é possível fazer. E, dizem-me, vai valer a pena.

Todos os dias um bocadinho. Acho que me conheço, mas na verdade há coisas sobre mim que desconheço. Acho que sei quem sou, que sei o que quero. Mas não tenho a certeza. A única certeza que tenho neste momento é que me sinto perdida. Gostava que me apontassem o caminho, mas, se o fizessem, não seria o meu caminho.

Posso ainda não saber muito sobre o meu processo, o meu caminho. Mas sei que terei que cortar com o que me faz mal. E há coisas que, apesar de já me terem feito bem, neste momento não me trazem nada de bom. E é por isso que continuo zangada. E não posso. Nem quero.

Amanhã é dia de consulta com o terapeuta fofinho. E sei que ele me pode ajudar, não a delinear o caminho a percorrer, mas encontrar ferramentas que me permitam olhar para mim de forma a encontrar-me.

Nada disto é fácil. Nada disto é simples. Mas é necessário. Porque eu quero estar bem (e neste momento não estou…) e para isso preciso de entender tudo o que trago cá dentro. Perceber porque é que sou como sou. Porque é que sou quem sou. Sou borderline, é um facto, mas também sou mais do que apenas isso. E é isso que preciso de saber: quem sou eu para além da perturbação de personalidade borderline.

Sinto-me cansada. Mas, percebo agora, sinto-me cansada de não saber quem sou. O que sou.

E, quando souber, tudo será mais fácil e simples. E melhor. E eu quero muito estar (e ser) melhor. Mas, já sei, vai custar. Especialmente quando começar, finalmente, a cortar com o que não me faz bem. E vou ter mesmo que cortar. Doa o que doer…