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Se perguntarem por mim, dir-vos-ei que não estou. Esta que vos fala é outra que não eu.

{#257.109.2022}

Quarta feira, dia do meio, dia nim, nem não nem sim. E cansada como se fosse sexta.

Dia 16 de uma contagem que não queria, nem quero!, fazer. Mas que se faz sozinha. Afinal, se há um ano as tradições ainda eram para manter, hoje parece que já não são.

Continuo a falar sozinha, mesmo que agora já não diga nada. E continuo a insistir na ideia de que quem quer saber, pergunta. Quem quer estar, está. E neste momento nem pergunta nem está.

Encolho os ombros. E encolho-me toda também para ficar pequenina e procurar um aconchego que, até há relativamente pouco tempo, encontrava num ritual nocturno que mantinha desde o primeiro dia. Hoje sinto falta desse aconchego. Mas, pelos vistos, só eu sinto. Assim como também sinto falta do ritual matinal, onde um simples “bom dia” fazia a diferença.

Tenho que procurar novos rituais. Que me aconcheguem. Mas especialmente à noite, para terminar o dia com a certeza que valeu a pena.

Fazes-me falta…nunca to direi, nunca o irás saber. Mas fazes-me falta. Habituei-me demasiado a algo que, no fundo, era nada. Estava bem assim. Mas sei que não me fazia bem continuar a alimentar, para mim, a ilusão de que um dia as coisas iriam mudar. Porque insisti em alimentar, também, aquilo que sempre chamei de gut feeling e, afinal, não era mais do que wishful thinking.

Sozinha. É assim que tenho estado. É assim que estou. Não é assim que quero estar. A solidão é uma companhia filha da mãe que, por muito que queiramos longe, insiste em ficar por perto.

16. Amanhã? Dificilmente termina a contagem. Mas também não serei eu a interrompê-la.

{#256.110}

Doem-me as árvores quebradas. Lembram-me que também eu quebro.

Não há tanto tempo assim, quebrei forte. E há pouco lembrei-me de uma rápida conversa nessa altura, quando disse que não estava bem e resumidamente disse porquê. A resposta dela: “oh não! Isso não pode ser!”… Dei por mim a imaginar um novo diálogo actualizado ao dia de hoje e dei por mim em conflito comigo mesma. Porque a resposta imediata seria aquela que todos querem ouvir, “já passou”. Mas a resposta certa seria sempre “não, ainda não passou”. Porque, na verdade, não, não passou. Se acalmou? Sim. Mas agora com o silêncio e a ausência voltou um bocadinho daquilo que senti naquela altura.

Hoje houve uma espécie de “estou aqui”. Sem palavras, apenas uma reacção, apenas para se fazer presente de forma absolutamente ausente. Não me serve para parar a contagem. 15. E, se a contagem dos 24 finalmente terminou porque o meu corpo reagiu, dos 15 parece-me que é para continuar.

Não serei eu a interromper essa contagem. E dou por mim a pensar que, se calhar, o outro lado pensa da mesma maneira. Duvido que pense assim, no entanto. Mas e se pensar? Ficamos os dois a pensar o mesmo…

Mas não, o outro lado não pensa o mesmo. Tem mais coisas em que pensar. E eu sempre soube o meu lugar na lista de prioridades. Por isso, não. Não pensa a mesma coisa. E esse marcar presença de hoje, de forma tão distante, sem dizer uma palavra, doeu. Porque o que eu queria era um simples olá. Não um gesto de marcar presença mantendo a ausência.

Não, já não espero nada. Nem tenho expectativas de nada. Prefiro assim. Sei que, dali, já não vem nada. Mas lembro-me de todas as conversas, desde o primeiro dia. Do que foi dito, especialmente quando a terça feira aconteceu. Que me foi cobrada a minha mudança, quando não precisava de mudar. E eu voltei a sorrir e voltei aos rituais habituais. Para, agora, ter que aprender a lidar com o silêncio e a ausência. Tanto do outro lado como do meu lado. Mas, do meu lado, para me proteger. Para não me permitir sofrer com uma situação que não me leva a lado nenhum.

Um dia a contagem será interrompida. Não serei eu a interromper essa contagem. Não de iniciativa minha. Só vejo dois motivos para interromper: um postal que, acredito, não vai chegar, e um aniversário a acontecer. Em Outubro. Que é seguido de outro aniversário, aquele que marca o início desta história de praticamente cinco anos. E que, neste momento, parece estar no fim…

Não. Não vou impôr a minha presença. Não vou interromper a contagem. Não vou impedir o silêncio e a ausência. Vou, sim, afastar-me todos os dias mais um bocadinho. Depois? Logo se vê. Sei que me vai custar. Vai doer. Mas também sei que vou sobreviver.

No fundo, sou um bocadinho árvore, mesmo que quebrada. Apesar dos danos, mantenho-me de pé. E acolho o que se aproximar e que queira permanecer. O que não quiser estar presente, não será impedido de se ausentar.

Doa o que doer. Em primeiro lugar estou eu. Árvore quebrada, em silêncio, distante. Mas sempre onde me sabem encontrar. Só não encontra quem não quer. E, quem quer saber, pergunta. Quem não quer…bem, quem não quer saber mantém o silêncio e a ausência. E a indiferença.

Amanhã? Logo se vê. Mas será um dia bom. Porque eu quero que seja. E só isso importa.

{#255.111.2022}

14 vs 24. Já só espero pelo 24 porque não posso senão esperar. Os 14 não espero mais. Mas o relógio continua a contar. E, sim, hoje era suposto a contagem parar por aí. Não parou.

Amanhã é terça feira. E hoje lembrei-me que, há uns meses, terça feira era dia de acontecer. Mesmo que tenha havido aquela terça feira que não aconteceu. E, ao lembrar-me que amanhã é dia de acontecer, fiquei com vontade que acontecesse. Alguma coisa. Seja o que for. Mas sei que não vale a pena ter vontade de nada, porque nada vai acontecer. Nada de nada.

Vai ser só mais um dia para juntar aos 14 que já passaram. Vai ser só mais um dia em que o meu silêncio e a minha ausência não vão fazer diferença. Porque a minha presença também nunca fez.

Repito o que já tenho dito: quem quiser saber, pergunta. Eu não fujo nem me escondo. Estou onde sempre estive. Só não me encontra quem, na verdade, não quer.

Nada disto é o que alguma vez quis. Nada disto me faz bem. E por isso mesmo não gosto do que me faz sentir. E eu sou de sentir. Tudo. E por sentir tudo, por sentir demasiado, por não me fazer bem, decido afastar-me. Com muita pena minha. Afasto-me por respeito a mim mesma. Para me proteger. Para não sofrer mais. Ou ainda mais.

Todos os dias dói mais um bocadinho. Mas um dia vai deixar de doer. Ou então vou estar de tal forma anestesiada que vou deixar de sentir. Ou apenas calejada. Não sei. Sei que um dia deixo de sentir. Até lá, tento ao máximo proteger-me. Porque eu estou em primeiro lugar.

E, quem já esteve no topo da lista de contactos próximos, já está hoje em oitavo lugar. E de certo continuará a descer. E isso entristece-me.

Sim, é triste que me faz sentir. São cinco anos que agora me parecem deitados ao lixo. E eu não quero deitar esse tempo ao lixo. Mas, e lá vem a frase que aprendi a detestar, é o que é.

Amanhã? Volto a colocar-me a mim em primeiro lugar. Como fiz hoje. Como fiz ontem. E só por isso será um dia bom. Porque eu quero que seja um dia bom.

{#254.112.2022}

Domingo que começou azul lá fora e evoluiu para cinzento pegado. O tempo vai mudar lá fora. Mas, cá dentro, faço para que o meu céu se mantenha azul.

Foi um dia tranquilo. Com pouco mais do que sofá, manta e televisão. E a cabeça sempre dispersa, mesmo depois de mais uma conversa em consulta com o terapeuta fofinho.

Novamente a necessidade de reciprocidade. Novamente a necessidade de me focar em mim, colocar-me a mim em primeiro lugar. É o que tenho tentado fazer. Mas, na verdade, não existe muita interacção com o outro no meu dia a dia. Por isso também fica difícil de perceber se estou, ou não, a colocar-me em primeiro lugar.

Por outro lado, o simples facto de me manter quieta e calada no meu canto, de manter o meu silêncio e a minha ausência, tudo isso é colocar-me em primeiro lugar.

Não queria contar os dias. Mas conto. Assim como espero há 23 dias que o meu corpo se manifeste, há 13 dias que espero uma iniciativa do outro lado. Mas não me parece que a iniciativa vá acontecer tão cedo e é possível, praticamente provável, que o meu corpo se manifeste primeiro.

Sei que, no que diz respeito ao meu corpo, não posso intervir para terminar essa espera. Mas no resto posso. E não o vou fazer. Volto a dizer: não vou mais impôr a minha presença a quem não a quer. Se quisesse, já tinha tido tempo para se manifestar. Não o fez. Não o faz. Não o fará tão cedo… E eu não irei impedir a ausência e o silêncio de quem se manifesta com indiferença.

Começo a ficar zangada quando antes apenas ficava preocupada. Nem fico chateada…fico mesmo zangada.

Não posso, nem quero!, estar zangada. Mas o peso da indiferença deixa-me assim. E, colocando-me a mim em primeiro lugar, tenho todo o direito a estar zangada. Só que não gosto de sentir o que sinto.

Aprender a lidar com a indiferença custa. Mas ensina-me também aquela lição que preciso: primeiro estou eu. E, não havendo reciprocidade, não é possível manter a relação. É uma relação de amizade, ou era, mas não deixa de ser uma relação. E, como tal, tem que haver equilíbrio, reciprocidade. E não está a haver. De tudo o que dei em praticamente cinco anos diariamente, recebo 13 dias de silêncio, ausência e indiferença. E os dias vão continuar a contar…

Aprende! Dás mais do que recebes. Depois dói a constatação da indiferença. Aprende a dar na mesma medida. E aprende que primeiro estás tu! E, se alguém não quer receber o que dás, não dês mais. Pára. Impõe a tua ausência no lugar da tua constante presença. Só assim te valorizas. É dessa valorização que precisas, nunca te esquecendo de ti em primeiro lugar.

Amanhã? Será mais um dia na caminhada da auto-valorização. E será, mais uma vez, uma caminhada dura. Mas necessária.

Repito para mim mesma: quem quiser saber, pergunta. Quem quiser estar, está. Quem não quiser, está bem…

{#253.113.2022}

Sábado, dia de acordar duas horas antes do despertador, mesmo tendo passado por mais uma noite interrompida. Mas, ainda assim, acordar com vontade de olhar para o dia de frente e sorrir. Porque sábado também é dia de percorrer um novo caminho – complementar – para cuidar de mim. E aprendi a saber esperar por sábado para olhar para mim de outra forma, o que me leva a descobrir caminhos para me conhecer.

Tudo o que me é transmitido nas manhãs de sábado me faz sentido. Sempre fez. Já estive mais próxima desse caminho, já me afastei sem dar por isso, devagarinho vou regressando.

Mas, sejam as manhãs de sábado ou as consultas de domingo, existe um factor comum: a necessidade de me focar em mim primeiro, de pensar em mim, de tratar de mim.

Duas pessoas que não se conhecem e de áreas tão distintas dizem-me a mesma coisa: para eu estar bem é preciso pensar em mim em primeiro lugar. E isso que pretendo fazer daqui para a frente.

Se é fácil? Nem um pouco. Se é possível? Com muito trabalho interno acredito que sim.

E é por pensar em mim primeiro que mantenho o meu silêncio, a minha ausência. Já não quero saber o que vai resultar daí. Porque, se o resultado não me for o que preciso, também não me vai trazer nada de bom.

Já não espero nada. Já não peço nada. Tento, ainda, soltar e deixar ir. Não é fugir. É não pôr pressão. E é pensar em mim. Cuidar de mim. O que me for preciso para avançar, chegará. Mesmo que não seja o que quero.

Há várias mudanças físicas a acontecer comigo. Algumas para as quais não estou preparada. Algumas que estão a chegar demasiado cedo. E essas mudanças lembram-me, também, que o mais importante sou eu.

Dói o trabalho que preciso de fazer? Se não doesse se calhar não me era necessário. Mas, por muito que doa, quero fazê-lo. Por mim. Os outros? Terão o seu tempo. Ou já tiveram.

O tempo agora é meu. E, também agora, eu não tenho tempo para perder Tempo. Por isso, não me façam perder tempo.

Gostar de mim. Aceitar-me. Perdoar-me. Antes de tudo o resto, eu.

Amanhã? Será um novo dia para pensar em mim e tratar de mim. Se alguém quiser quebrar o silêncio e a ausência, estou onde sempre estive. Mas não vou obrigar ninguém a estar presente se não quiser estar.

Amanhã continuo a pensar em mim, a tratar de mim. Porque, percebo agora o que já sabia, eu sou o que de mais importante tenho. E eu sou suficiente. Só preciso de estar bem. E para estar bem faço o quê? Penso em mim. Trato de mim. Eu em primeiro lugar. O resto virá depois.

{#252.114.2022}

Sexta feira e uma semana que passou a correr ao mesmo tempo em que tardou a passar. Faz sentido? Talvez não. Mas faz sentir. E eu sou de sentir. Tudo. E vou sentindo.

Assim como sinto os últimos 12 dias de silêncio e ausência. Que, da minha parte, foram (e são) notados. Já da minha ausência, do meu silêncio, não me parece que possa dizer o mesmo…

Vale o que vale. Afinal, fui eu que decidi afastar-me. Por mim. Por mais ninguém que não eu. Porque agora só eu importo. Não me posso esquecer que, enquanto não estiver bem, mais nada vai ficar bem. E, para eu estar bem, tenho que pensar em mim em primeiro lugar. Os outros? Virão depois. Mas, pelo andar de todo o processo, não todos.

Que venha só quem me faz bem. Os outros? Agradeço a sua passagem. Mas não quero mais. Estou cansada de me fazerem doer. Não é, de todo, o que quero (ou quem quero) para mim. Quero quem me complete. Que me faça sorrir mesmo quando a vontade de sorrir é nula. Quero quem me aceite assim, simplesmente, como sou. Quero quem me faça feliz simplesmente por estar ali, que é aqui, junto de mim.

Preciso de me focar no que, de facto, quero. Só assim consigo alcançar o que quero. Terei que ser um bocadinho egoísta? Talvez. Saberei sê-lo? Nunca soube…

Sempre pus os outros primeiro. Não posso continuar a fazê-lo. E hoje, em conversa, repeti inúmeras vezes: não tenho que ser eu. A admitir o erro, a tomar a iniciativa, a dar o braço a torcer, a fazer um esforço seja para o que for. Não. Não tenho que ser eu. Tenho sido sempre eu. Em tudo. Mas não mais. É altura de marcar uma posição correcta e assertiva que só me irá valorizar. E é só disso que eu preciso: valorizar-me. Trabalhar a auto-estima que os outros sempre souberam deitar abaixo e que, por consequência, sempre foi miserável.

Passei a vida toda a deitar-me abaixo e a permitir que os outros o fizessem também. Já chega. Se vai ser fácil? Não creio. Mas vai ter que ser possível. Porque não me posso esquecer: eu em primeiro lugar. Por orgulho? Não. Por respeito por mim.

Seja o que for que a vida me trouxer, que seja bom. Mas, para ser bom, tenho que estar focada no mais importante: eu. O resto? Será tudo resultado do meu trabalho sobre mim própria.

Custa perceber as coisas como elas são realmente. Mas custa ainda mais permanecer tudo na mesma, com uma lista de prioridades completamente errada. Nunca me trouxe nada de bom. E, as poucas vezes que algo de bom me aconteceu, o meu foco era eu. Por isso, tem que continuar a ser.

Já não espero pelas mensagens que não chegam, pelo telefone que não toca, pela companhia que não vem, pelo postal prometido. É claro para mim: quem quer estar, está. Quem não quer, não sou eu que vou impedir. E, mantendo o meu silêncio e a minha ausência, quem quiser saber, pergunta. Sou fácil de encontrar, não me escondo de nada nem de ninguém. Repito: quem quiser saber, pergunta.

Estou cansada. Da semana de trabalho mas, acima de tudo, disto que tenho sentido nas últimas semanas. Mas não será por isso que vou perder o foco. Mesmo que por vezes custe e me apeteça voltar ao que era. Mas não o farei. Porque, antes de tudo, estou eu.

Amanhã? Será um dia bom. Porque eu quero. E só isso importa.

{#251.115.2022}

Hoje: aquele dia em que nos recordamos que até aqueles que nos parecem eternos se vão. Good save the Queen. The Queen is dead. Long live the King.

Não nego que mexeu comigo…

But in the other hand, tudo na mesma. Se estou mais tranquila? Não sei. Resignada? Talvez. Se é a minha ausência que valorizam, é o que terão.

Cansada. De esperar pelo que não vem. E, aposto, nem virá. Resigno-me. Aceito o que é óbvio. E tento silenciar aquelas vozinhas na minha cabeça que insistem em gritar-me que o problema sou eu.

Só me resta um caminho: manter a minha ausência, aceitar, agradecer, soltar e deixar ir, encolher os ombros, sorrir e acenar. Não volto atrás. O caminho anterior não me levou a lado nenhum.

Se sinto falta dos rituais matinal e nocturno? Foram praticamente cinco anos diariamente… Estaria a mentir se dissesse que não sinto falta. Mas há coisas que não são possíveis manter. E há hábitos que não são saudáveis. Está na hora de pensar unicamente em mim. E esquecer os últimos cinco anos…

Amanhã? Continuará a haver silêncio e ausência. E eu continuarei quieta e calada sossegada no meu canto. Quem realmente quiser saber de mim sabe como chegar até mim. Quem não quiser, manterá o silêncio e a ausência…

Seja como for, amanhã será um bom dia. Porque eu quero que seja. E só eu importo agora. Os outros? Terão que se esforçar para voltar a subir na minha lista de prioridades. E isso requer que tomem a iniciativa. Se não tomarem, se não houver um esforço, não serei eu a puxá-los para o topo. Já chega de ser parva. Mais uma vez: o que importa agora aqui sou eu. Mais ninguém.

…mas a minha cabeça não sossega e as vozes não se calam…

Amanhã? Logo se vê…

{#250.116.2022}

Quarta feira, eterno dia do meio, dia nim, nem não nem sim. Mais um dia de trabalho, claro, em que aproveitei para (tentar) não pensar. Entrar cedo para sair cedo, ao contrário do que tem sido habitual. Mas ficar, demasiado cedo, com muito tempo com o barulho na minha cabeça.

Continua o silêncio. Continuo, eu, na minha ausência. Um dia será sentida. Será notada. Ou não…

Cada vez mais procuro apenas por mim. Os outros não me têm trazido o que preciso. E o que preciso, acima de tudo, é de mim. E isso mais ninguém mo pode dar.

Já o disse antes: é difícil ser eu. Mas difícil apenas para mim. Aos outros só peço que me aceitem como sou. Se não aceitarem também não fazem falta.

Um dia de cada vez. Sem pressa. Mas sempre focada apenas em mim. Neste momento já não quero saber se o silêncio e ausência me gritam aquilo que ainda teimo em não aceitar. Mas isso é neste momento. É possível que amanhã volte a querer saber. Ou quando a vontade de quebrar a ausência e tomar a iniciativa for grande. Mas só há um motivo para quebrar a minha ausência. Se acontecer, quebro por um momento para logo de seguida voltar a mostrar-me como estou: distante. Mas a cada dia que passa mais me convenço de que não vai acontecer.

Fazer o quê? Não posso (nem quero) forçar a presença de quem não está nem quer estar presente.

Mais uma vez, é encolher os ombros, sorrir e acenar. Amanhã? Logo se vê.

{#249.117.2022}

É importante não me esquecer do que escrevi ontem. Porque é importante não me esquecer de mim.

Se é fácil cumprir com o que disse que não faria? Não. Especialmente quando penso em deixar cair as prioridades. Ou apenas mudar-lhes a ordem. Mas é necessário. Tão necessário…

A minha ausência continua a ser indiferente. E, sendo-o de forma tão óbvia, não cabe a mim fazer-me presente. Quem me quiser presente, sabe como me encontrar. E é só disso que não me posso esquecer. O resto? Por muito que custe, é encolher os ombros, sorrir e acenar.

Porque é que me ofereço no trabalho para fazer mais horas? Para manter a cabeça ocupada. Coisa que não acontece quando estou em trabalho presencial a sair à hora certa e a ter que enfrentar, unicamente na minha companhia, demasiado tempo para pensar no que não devo. É muito tempo sozinha comigo mesma. É dar tempo e espaço à minha cabeça para dispersar para onde não deve.

É cansativo e difícil ser eu. Ter que, sozinha, conviver comigo mesma é um desafio diário. Mas não me envergonho de quem sou ou do que sou. É muito fácil, para quem está fora da minha cabeça, lidar comigo. O difícil é estar cá dentro…

Não, não foi um dia fácil. Sempre que tive um momento livre, por muito curto que fosse esse momento, a minha cabeça partiu para onde não devia. Porque tenho saudades de falar com quem não se arrisca a tomar a iniciativa e me faz sentir ignorada. É a indiferença que pesa e magoa.

Sei que um dia esse peso vai aligeirar. Mas a mágoa é possível que fique colada às memórias que ficam.

Se podia não pensar em nada disto quando termino o meu dia? Devia. Mas não posso…porque ainda não me é possível esquecer tudo o que sinto. E eu sou de sentir. Tudo. O bom e o mau. E, neste momento, é o mau que estou a sentir. E não quero. Porque, sei, ao sentir o mau vou estar a transformar aos poucos algo que até há pouco tempo era bonito em algo menos positivo.

Não era nada disto que eu queria para mim há quase cinco anos. Mas é o que tenho. E é-me urgente aprender a lidar com isto…seja lá o que for, mas que neste momento se pode resumir a uma palavra que, cada vez mais, vai pesando e magoando: indiferença.

Enfim…um dia de cada vez. Sem pressa. Mas com alguma urgência para deixar de doer tanto…

Amanhã será melhor. Hoje não foi fácil. Mas amanhã volto a encolher os ombros, sorrir e acenar. Ou apenas e só encolher os ombros, porque o sorriso esbate-se todos os dias e acenar implica que haja um receptor do aceno. E não há…

{#248.118.2022}

Um bocadinho cansada. De telefonemas não atendidos sem retorno, de mensagens sem resposta, de ver o meu esforço desvalorizado, de saber que algumas coisas minhas são uma parvoíce, enfim…cansada.

Não faço (nunca fiz) por agradar ninguém. Sempre disse de mim que “what you see is what you get”. Nunca fui fã de maquiagem e por isso mesmo nunca me pintei de cores que não sou.

Mas estou cansada. Cansada de não ser aceite por ser quem sou por pessoas que acham que me conhecem. Ou que simplesmente nunca me deram uma real oportunidade de me dar a conhecer no mundo lá fora como eu gostaria. Se o tivessem feito, quem sabe se algumas coisas não seriam hoje diferentes?


E, por estar cansada, desisti de tentar agradar. Os telefonemas não atendidos sem retorno? Não volto a ligar. As mensagens sem resposta? Não volto a enviar. As coisas que me são importantes mas que para outros são uma parvoíce? Não volto a partilhar. O meu esforço que é desvalorizado? Não volto a comentar.

Não, para mim não está sempre tudo bem. Cada vez mais tenho noção de que são poucas as pessoas que realmente me conhecem. E são poucas, também, aquelas que me dão oportunidade de me dar a conhecer.

Por isso, siga. Não ando cá (nunca andei) para agradar a ninguém. A única pessoa que tenho que agradar sou eu própria. Os outros vêm depois. Mas não aqueles que me acolhem com indiferença, seja pela minha presença ou pela minha ausência. Esses ficam lá no fundo da lista de prioridades. Alguns até já estiveram no topo. Hoje não estão mais.

{#247.119.2022}

Domingo e mais uma noite interrompida. Acordar de madrugada, à hora a que o despertador toca quando vou para o trabalho em modo presencial. Não ter sono para voltar de imediato para a cama. Pensar na vida, especialmente no que não devo pensar. Voltar para a cama e conseguir dormir até à hora de acordar ao Domingo a tempo de me preparar para a consulta com o terapeuta fofinho.

Ter a consulta e passar boa parte do tempo a evitar pegar no tema que, na verdade, queria pegar.

Reciprocidade. Concordámos ambos nesse ponto. Noutros também, se não mesmo em todos, mas a reciprocidade resume a consulta. Ou a falta dela, neste caso…

É essa falta de reciprocidade que me magoa. E que me faz acreditar, mais uma vez, que o problema sou eu. Fica difícil não pensar nisso. Porque, em todos os casos de rejeição, o denominador comum sou eu.

Por muito que ele me recorde que pode haver tantos factores que podem ter levado a essa rejeição ou simples falta de tempo e disponibilidade, o denominador comum continuo a ser eu.

Continuo ausente, distante, quieta e calada no meu canto, sem tomar iniciativa. Já decidi que não o farei. Não tenho que o fazer. Não tenho que ser sempre eu a fazê-lo. Sei que posso esperar sentada por iniciativa do outro lado. Mas pelo menos não imponho a minha presença a quem não quer saber da minha ausência.

Não, hoje não foi um dia muito bom. Também não foi mau, na realidade. Mas foi dia de mexer onde dói. E esta ausência dói. Muito. E, claro, passei demasiado tempo a pensar no que não devo.

Amanhã é dia de trabalho. Vai fazer-me bem. Não vou ter tempo para pensar na reciprocidade ou falta dela. Mas, mesmo ocupada, sei que vou estar sempre à espera de receber um sinal de que, afinal, a minha ausência é notada. Sei que esse sinal não vai acontecer. Mas vou estar à espera dele.

Até que um dia deixo de esperar…

{#246.120.2022}

Sábado. Dia de ronha e preguiça no sofá neste dia que é o mais aborrecido da semana. Pôr o sono em dia, portanto, mesmo tendo acordado cedo depois de mais uma noite interrompida. Foi um dia sem História ou histórias. Mas dias como o de hoje também são importantes e necessários.

E ainda ou mais uma vez o silêncio e a ausência. Cada vez mais acredito que a minha presença não é importante para quem eu queria por perto. Por isso, faço presente também a minha ausência. Um dia será sentida. Ou não…

Se tenho saudades? Tenho. Se tenho vontade de tomar a iniciativa? Muita. Mas não o faço. Sei o meu lugar na lista de prioridades. Lá muito para baixo. Por isso decidi não impôr a minha presença a quem não questiona a minha ausência.

Se dói? Claro que sim. Mas, e aprendi a detestar esta frase, é o que é.

Não me esqueço, no entanto, de tudo o que foi dito. Há dois anos e meio ou há pouco mais de três meses. Não me esqueço. E, se calhar, esse é o problema. Mas é um problema que é unicamente meu. Porque sou eu que não esqueço. E, se calhar, sou só eu que dou importância ao que foi dito nessas conversas. Mais uma vez, o problema está do meu lado. Não adianta dizerem-me que eu não sou o problema. Sou. Não há como negar. Afinal, sou o denominador comum. Isso ninguém pode negar.

Amanhã completa-se a semana de silêncio e ausência. Mas retomo as consultas com o terapeuta fofinho depois das férias dele. E essas consultas fazem-me falta. Porque são conversas livres, sem tabus, onde posso dizer tudo o que tenho guardado nas últimas semanas. E oiço também. E consigo, através do que oiço, relativizar algumas coisas. Pôr em perspectiva. Analisar de outro modo. Ver por outro ponto de vista. E tantas vezes tem feito a diferença essa possibilidade de ver as coisas de outra forma.

Sim, amanhã será melhor. Nem que seja só pelo regresso a essa hora semanal. Em que vou poder analisar como me sinto com o silêncio e a ausência. Em que vou poder, também, analisar a minha postura de ausência em resposta ao silêncio.

Não posso esquecer-me da importância de soltar e deixar ir. Não é fugir. É não pôr pressão. E o que não é meu é para soltar. E deixar ir. Mas, no meio disto, só não quero perder uma amizade. E é disso que tenho medo. Mas, enfim, encolho os ombros. É sorrir e acenar. O que está lá para a frente logo se vê.

Sim, amanhã será melhor. Hoje foi o que teve que ser. Amanhã logo se vê…

{#245.121.2022}

Sexta feira e o trabalho presencial. Manhã de formação numa tema que vai ser difícil dominar. Mas que me desperta curiosidade. Vamos ver como corre esta segunda tentativa, porque a primeira não parece ter corrido muito bem…

O que correu bem foi o exame que fiz há umas semanas e que já sabia ter sido positivo. Só não sabia a nota. Soube hoje e fiquei a conhecer a sensação que uma avaliação de 90% gera depois de muito estudo e muito trabalho. Foi bom. Foi melhor do que esperava.

A incursão no trabalho presencial foi curta. Na próxima semana, pelo menos durante dois dias, regresso ao trabalho a partir de casa. Não me importo de investir mais tempo no trabalho, entrar mais cedo para sair mais tarde. Mas só o consigo a partir de casa. Por isso, segunda e terça feira assim será depois de dois dias no local de trabalho.

Cansada. Sair de casa antes do Sol nascer, regressar mais de 12 horas depois. Muito cansada, claro. Mas nem por isso deixo de procurar retorno. Ou, pelo menos, um outro retorno. Aquele “estou aqui” que não acontece. A cada nova notificação, procuro encontrar o tal retorno. O tal “estou aqui”. Mas ele não chega. Nem por isso vou procurar de outra forma. Orgulho? Talvez um bocadinho. Mas não posso deixar de pensar em mim primeiro. E, se não me procuram, não me vou impôr. Chega de o fazer.

Não me vou alongar muito mais sobre um assunto que me faz sentir mal de cada vez que penso nele. Porque me sinto desvalorizada. Ignorada. Até esquecida. Mereço mais. Mereço melhor. Um dia terei tudo isso. Mas dificilmente virá dali.

Amanhã, sábado. Dia de dedicar a manhã a dormir um bocadinho mais para depois receber orientações sobre mim mesma. Análises alternativas, se lhe quiserem chamar assim, que me fazem sentido. Que não procurei agora, já tendo em tempos tido muita curiosidade. E que sempre me fez sentido. Agora recebo esse trabalho como que numa espécie de doação e numa altura em que preciso de orientação. É interessante perceber como é que as coisas fazem sentido quando parecem não ter sentido algum… Mas também há tanta coisa que parece ter sentido e depois não fazem sentido algum. Não é nada que me faz mal, não é nada que me prejudique. É só alguma coisa que me recorda que ainda tenho um longo caminho a percorrer e algumas, muitas!, coisas que preciso trabalhar. Mesmo que o boicote se instale.

Mas foi este caminho que resolvi abraçar. E foi aqui que me recordaram da necessidade de soltar e deixar ir. E me explicaram que não é fugir, é não pôr pressão. E que, se for o melhor para mim, será meu.

Por hoje chega. Falta-me o ritual nocturno, assim como me faltou o ritual matinal. Mas vou continuar quieta e calada no meu canto.

Amanhã? Sábado, o dia mais aborrecido da semana. Vai ser bom. Porque eu quero que seja.

{#244.122.2022}

Dia de regresso ao local de trabalho. Dormir tarde e mal para acordar muito cedo. 2 horas mais cedo do que o habitual dos últimos dois meses e uns pozinhos. Se é fácil voltar a entrar no ritmo? Não. Nem um pouco. Soube bem voltar para entrar logo em formação? Soube. Foi bom voltar a estar com pessoas. E a formação? Apesar de repetida, foi muito boa por ser necessária.

Amanhã a manhã será mais exigente por não ter a habitual boleia. Tenho que regressar aos transportes públicos de manhã, testar o novo sistema de transportes que, em dois meses de actividade, se tem revelado um caos.

Foi bom voltar ao café da manhã e sentir que há sítios onde os clientes não são esquecidos e são sempre bem recebidos. Foi bom voltar ao café depois do almoço pelos mesmos motivos embora em sítios diferentes. Foi bom, também, conseguir chegar a casa cedo com tempo para um momento de esplanada para desligar o chip e não quebrar abruptamente com a rotina dos últimos meses.

Não foi um dia mau. Faltou, claro, aquela presença que me deixaria aconchegada. Continuam o silêncio e a ausência. Esses sempre presentes. Mas não serei eu a interromper essa presença indesejada. Faz-me falta o ritual matinal. Faz-me falta o ritual nocturno. Mas irei acabar por me habituar e não esperar nada. Nem um “estou aqui”. Porque se a minha ausência não é percebida, então a minha presença também não faz sentido.

Mais uma vez: soltar e deixar ir. Não é fugir. É não pôr pressão.

Mais uma vez: encolher os ombros, sorrir e acenar.

O que tiver que ser será. Mas agora concentro-me em mim. Não posso esquecer-me de mim. E este deixar ir também é cuidar de mim. Por muito que me custe. E custa. Mas um dia pode ser que a minha ausência seja percebida. E aí logo se vê.

Amanhã? Logo se vê. Para já tento ter uma noite tranquila, em que consiga descansar. Mas sei que será um dia bom. Porque eu quero que seja.

{#243.123.2022}

Quarta feira, dia do meio, dia nim, nem não nem sim. Sempre sem saber muito bem qual é o dia da semana, apesar de saber (sempre) qual é o dia do mês.

Mais um dia de trabalho em casa. O último até ver, depois de mais de dois meses. Podia habituar-me a isto. Ou melhor, já me habituei. Por isso é que custa tanto a preparação para o regresso ao trabalho presencial. Como está a custar. Mas o regresso ao trabalho presencial não vai ser mau. Vai custar, muito, o acordar a horas impróprias e sair de casa ainda muito cedo. Mas vou voltar a acompanhar o nascer do Sol e vou, também, apanhar as cores do final de dia, pelo menos até entrarmos em horário de Inverno. Mas para isso ainda falta algum tempo. Há que aproveitar o tempo.

De resto, neste dia do meio, o silêncio. A ausência. E, desta vez, pelo menos até ver, nem um “estou aqui”. Mas não é por isso que vou dar um passo. Vou manter-me quieta e calada no meu canto. Não tenho que ser sempre eu a tomar a iniciativa. Se custa? Dizem que o tempo ajuda, mas ainda custa, sim. Muito. Mas não me posso esquecer: soltar e deixar ir. Não é fugir. É não pôr pressão. E o que tiver que ser, será. E, se for para ser, que leve o tempo que for. Se vou ficar parada à espera? Não. Vou vivendo. Se é que posso chamar a isto viver. É apenas uma espécie de sobrevivência porque pouco ou nada acontece de diferente. Mas é mesmo assim.

Gostava de receber um “bom dia” sem ser eu a tomar a iniciativa. Gostava de receber um “boa noite” também. São gestos pequeninos mas que sabem muito bem. Sei que, do outro lado, também eram gestos bem recebidos. Mas não vou alimentar o melhor de dois mundos quando eu sou apenas uma. Entenda quem entender…

A minha ausência será notada. Não sei quando. Mas um dia… Até lá, procuro o que é melhor para mim. Paz, acima de tudo. E o Amor, aquele do A maiúsculo. Que tenho para dar a quem quiser receber.

Amanhã? Vai começar muito cedo. Mas vai ser um bom dia. Só porque sim. E porque também. Por hoje faço por não pensar em mais nada. E muito menos naquilo que, na verdade, me incomoda: o silêncio e a ausência…

{#242.124.2022}

Acordar com o despertador e com sérias dificuldades em despertar. Perguntar, ainda pouco ou nada desperta, se hoje é sábado ou domingo para, de imediato ser acordada à força com um murro de realidade: é terça feira.

Ainda é terça feira…e já sinto esta semana como se fosse a mais longa de sempre. Não entendo este cansaço. Não sei se quero entender. Tenho medo… Não o verbalizo, não o digo a ninguém, tento não pensar, tento encontrar justificações. Mas, na verdade, tenho medo deste cansaço absurdo e deste meu desnorte com os dias da semana.

Tento não pensar. Assim como tento não pensar que passou um dia em que rejeitei o ritual matinal. E, como previsto, não houve iniciativa do outro lado. Ou, pelo menos, não directamente. Porque houve mais uma reacção a uma fotografia. Publicada ontem, reacção hoje de manhã. Preferia que essa reacção a uma fotografia fosse substituída por um “bom dia”. Porque esse ritual matinal faz-me falta. Assim como o ritual nocturno me faz falta. Mas não vou ceder. Vou manter-me quieta e calada no meu canto. Não vou querer marcar presença. Ou melhor, até vou querer. Mas não o vou fazer. Não irei marcar presença junto de quem não questiona a minha ausência.

Amanhã, quarta feira. Novamente a entrar mais cedo no trabalho para sair mais cedo também. Último dia de trabalho em casa. Pelo menos até ver. Vai ser um dia bom. Por hoje chega. Dia longo, apesar de tranquilo. Mas, lá está, muito cansada.

Venha a quarta feira. Amanhã será melhor. Ou será igual, e isso só por si já não será mau. Agora desligo e esforço-me para não cair na tentação de uma rápida mensagem de boa noite. Não. Não o farei. A minha ausência será notada. Um dia. Talvez ainda não hoje. Mas prefiro, neste momento, marcar a minha ausência do que a minha presença.

Sim, por hoje chega. Amanhã logo se vê. Mas, mais uma vez, sem rituais. E, de certeza, sem iniciativa do outro lado ou sem qualquer reacção do género “estou aqui”. Porque, até ver, a minha ausência é indiferente…

{#241.125.2022}

Pode uma fotografia desinteressante fazer disparar a ansiedade? Pode. Se houver, a essa mesma fotografia, uma reacção que tomo como uma espécie de retorno.

Houve retorno de manhã. Meia dúzia de palavras, algo quase fugaz. Ao contrário do que esperava. Não esperava mais palavras, na realidade só esperava silêncio e ausência. Enganei-me. E depois, ao final da tarde, aquela reacção a uma fotografia desinteressante. Como quem diz “estou aqui”.

Tudo isto me confunde. Me baralha. E não me faz bem. Eu tento a distância. E a isso me vou obrigar nos próximos dias. 15 dias. Mais coisa, menos coisa. Não vou querer marcar presença. Vou, mesmo, apostar na minha ausência, no meu silêncio, na minha distância. Darei retorno se houver iniciativa do outro lado. Mas farei um esforço (grande) para me manter quieta e calada no meu canto.

Se já foi notada alguma diferença? Chego a duvidar. Se vai ser notada a minha ausência? Duvido também.

Quem sabe se soltar e deixar ir me traz o que preciso. Não sabendo eu, sequer, o que isso é. Só sei que sim, faz sentido soltar e deixar ir. Está mais do que na altura de o fazer. Ou vou esperar mais cinco anos por nada? Não. Não vou.

Se vai custar? Já está a custar. E só eu sei o quanto. Mas é o melhor para mim. E, não posso esquecer-me, tenho que pensar em mim em primeiro lugar.

Amanhã não haverá, da minha parte, aquele ritual matinal que tem havido nos últimos cinco anos. Como não tem havido nas últimas duas semanas. Mas amanhã, especialmente, não vai acontecer. Como esta noite, e a custo, também não haverá ritual nocturno. Fazem-me falta estes rituais? Muita. Mas vou ter que me habituar a não os fazer.

Vou ter que me habituar a tanta coisa, na verdade. E cortar com hábitos de tanto tempo não é fácil. Mas vou ter que conseguir.

Amanhã? Será melhor. Todos os dias um bocadinho melhor. Por muito que me vá custar. Mas já decidi que, seja como for o dia, vai ser um dia bom. Porque eu quero que seja. O retorno, se o houver (e duvido que haja porque não vai haver iniciativa minha), será só mais um extra.

{#240.126.2022}

Domingo preguiçoso, dia de descansar e repôr baterias.

Cansada? Um bocadinho menos. Mas, acima de tudo, muito cansada dos fins de semana vazios e inúteis. Preciso, rapidamente, de encontrar alguma coisa para fazer aos fins de semana. Tenho demasiado tempo livre nas mãos nesses dois dias. E tenho muito de mim para dar a quem quiser receber.

O que gostava mesmo de fazer não vai acontecer, infelizmente. Por vários motivos, mas especialmente por ter percebido (tarde) que a ideia não foi bem recebida. Não posso dizer que gostava de perceber porquê, porque agora sei. Mas não deixa de ser algo que me faz sentido e me faria bem. Mas não vou voltar a pegar nessa ideia. Muito menos falar dela com quem de direito novamente.

Hei-de encontrar alguma coisa. E hei-de provar a mim mesma que não sou inútil como tantas vezes me sinto.

Se estou bem com esta sensação de inutilidade? Nem um pouco. E, quanto mais penso nisso, pior me sinto.

Mas amanhã é dia de regresso ao trabalho, à rotina. À única coisa que me ocupa o tempo. Não é suficiente. Não posso viver só para trabalhar. Isso não é vida. É sobrevivência. E eu quero viver.

De resto, continua o meu esforço para me manter quieta e calada no meu canto. Não tenho tido muito sucesso nesse esforço, sei que amanhã irei novamente dizer alguma coisa, mas sei também que amanhã, ao contrário de ontem, dificilmente terei retorno. Seja. Já estou por tudo. Se não são percebidas as mudanças, não cabe a mim evidenciá-las. E, se não é notada a ausência, posso continuar afastada e ausente. Não vai fazer diferença. Já não faz…

Mas não me posso esquecer do que me tem sido ensinado nas últimas semanas: agradecer, soltar e deixar ir. Não é fugir. É não pôr pressão. E, o que tiver que ser, será.

Se me apetece chorar? Sim. Se o vou fazer? Não. Para quê? Serve de quê? Já não sou adolescente. Já o fui muitas vezes em idade adulta e serviu de zero. Ou melhor, serviu e muito para me deixar a sentir mal. E não quero isso para mim novamente. Por isso, simplesmente me afasto. Solto e deixo ir.

Não, hoje não está a ser uma noite fácil. Mas vai melhorar. Principalmente quando deixar de me sentir inútil. Quando começar a dar de mim a quem (me) quiser receber.

Amanhã? Logo se vê. Será melhor por estar ocupada. Por hoje chega.

Abro espaço para quem quiser chegar. Quem não quiser, paciência. Já estou por tudo…

{#239.127.2022}

Muito cansada. Diz quem sabe e que, esta semana, a minha vitalidade decresceu. E, desta vez, até eu senti.

Ontem à noite ainda houve tempo para um bocadinho de conversa, quando já não esperava qualquer retorno. Foi bom? Foi. Soube a pouco? Pois…

Mas tento manter o rumo que me é necessário: soltar e deixar ir. No que vai resultar? Naquilo que for melhor para mim. Seja o que for.

De resto, muito cansada. Demasiado cansada. Amanhã? Ainda terei tempo para descansar.

{#238.128.2022}

Longa semana que, finalmente, chega ao fim. Muito cansada e sem saber muito bem do quê.

Ontem ainda um breve retorno depois de, oh espanto, mais uma iniciativa minha. Hoje mantive-me quieta e calada no meu canto o dia todo. Mas não vou conseguir não dizer nada antes de ir dormir. Porquê? Não sei. Para quê? Também não sei. Mas sei que alguma coisa vou dizer. Para não ter retorno, claro.

Mas estou cansada. Muito cansada. Por isso os filtros estão desligados e não quero saber se devia ou não estar quieta e calada no meu canto.

Amanhã? Novamente dia de tratar de mim. E, acima de tudo, de descansar. O resto? Logo se vê.

E não me posso esquecer: encolher os ombros, sorrir e acenar.