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Cheio, intenso e sem açúcar

Referia-me assim ao café hoje de manhã. Que é assim que o tomo, sempre, que é assim que deve ser porque para ser alguma coisa que seja em grande, que seja forte, que seja puro.

Aplica-se a tanto mais do que apenas café. Até ao vinho, por exemplo. E tanto o café como o vinho dos últimos dias de constância na minha cabeça não passam de meras metáforas para realidades que estão do lado de fora e que apenas como metáforas consigo partilhar.

Sim, gosto muito de café. Sim, estou a gostar do vinho. Mas, lá está, sem aditivos, puros, em quantidade e em qualidade. Tudo. Tudo, como todos os dias atrás de dias. Experiências atrás de experiências. Assim, as emoções, as sensações, boas ou más, mas sempre grandes, fortes e puras. Porque os aditivos, como o açúcar no café, tiram o verdadeiro sabor das coisas, seja ele demasiado amargo, ou com um travo já de si doce. E a medida sempre alta, porque para ser que seja em grande. E a qualidade, sempre a mais intensa, mais forte, mas nunca queimada. Porque se é para sentir, então que me percorra cada poro, cada camada de pele.

E porque também isto é estar viva. E é querer viver. A vida. Assim, cheia, intensa e sem açúcar.

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“Born bad…is such a sin!”

…ou quando o título do post não tem nada a ver com ter ou não nascido bad e sim com o filme de esta noite. Que me apanhou de surpresa por querer, há tanto tempo, revê-lo e quando menos o esperava o encontro ao chegar a casa depois de um dia estranho, ansioso, dorido, abanado.

Saber de manhã, ou pelo menos à hora que para mim ainda é manhã, que alguém de quem gosto muito se despistou com o carro e fez um pião de 360 graus. Saber que está, ainda, e estará mais uns dias no hospital. Nada de grave, felizmente. Diz ela que sim, está bem, mas mesmo assim…abanou-me. Abalou-me. Diz ela também que a vida é muito frágil, estranha e breve, e é, claro que é e sei tão bem que é. E doeu ler a notícia. Mesmo sabendo que está bem, tantas memórias me vieram à flor da pele. Sim, Pê, estás bem, felizmente! E espero que os 360 graus do pião sejam também 360 graus nessa cama de hospital, porque nem sempre uma viragem de 180 é positiva. Prefiro-te a virar a 360 e ver-te voltar ao que eras antes do pião.

…mexeu cá dentro. Porra, mexeu tanto. Por não esperar, por não saber o que pensar, mesmo que lendo repetidamente “eu estou bem”. Mexeu, fez-me viajar no tempo, 6 meses e 12 dias. Fez-me pensar “merda! e se…?!”. Não se aplica o “e se”, mas mexeu. Remexeu. Remoeu. Pê de Põe-te Boa, já sabes. Pê de não vais ficar aí muito tempo, vais estar apenas por Pê de Precaução, tenho a certeza. E quando saíres vamos comer o nosso 100, beber o nosso café, falar, falar, falar, falar! Mas amanhã vou, tenho que ir, dar-te um abraço. Não posso não o fazer. Não posso perder tempo, já o tenho dito, não tenho tempo para perder tempo e não posso perder tempo não estando com as Pê de Pessoas que gosto tanto.

Dia tão estranho. Mistura de sentimentos. Mistura de situações. Sim, misturei o não misturável. Sim, sei que o fiz desde o primeiro momento mas não me consegui descolar da mistura porque à flor da pele ainda cá está tudo. E a ansiedade instalou-se e minou-me como sempre faz. Por vezes aparece de mansinho, outras aparece como um estalo inesperado. Hoje não percebi como foi mas instalou-se. Cortou-me o ar, fez-me tremer. Fez-me pensar “e se…?” e eu detesto pensar “e se…?” porque e se não?
Dizem, digo também, que a ansiedade é pensar no que ainda não aconteceu. Pensei, sim, no que poderia ter acontecido. E vi e revi na minha cabeça um filme que não gosto, não gostei, nunca irei gostar. E revivi outro filme. E doeu. E moeu.

O dia arrastou-se. Literalmente. Arrastou-se ao ritmo dos minutos lentos que demoram a passar. Arrastou-se até começar a reagir. Mesmo depois de muita música para queimar tempo, mesmo depois de viagens à memory lane, viagens das boas, daquelas viagens a memórias guardadas com carinho por serem boas, muito boas, realmente muito boas. Daquelas de arrepiar a pele, de acelerar a respiração. De querer viver, novamente, o aqui e agora. Mesmo sabendo que não, não vai haver esse aqui e agora.

Arrastou-se o dia com tanto para fazer e nada, praticamente nada, feito. Uma luta por dentro, como é tantas vezes, como custa tantas vezes.

Obrigar-me a sair depois do jantar para um olá surpresa num aniversário surpresa, não foi fácil. Venham daí as drogas, pensei. Claro que sim, a ansiedade só lá vai com as drogas e esta semana já vai na segunda vez que recorro a elas, quando ao fim de 20 anos já deveria saber lidar com esta coisa que não é uma coisa mas sim um bicho muito feio e filho da mãe. Mas saí. E pensei bolas, quero viver e viver também é isto, é sair de casa depois do jantar só para ir dar um beijinho surpresa num aniversário surpresa, estar um bocadinho, conversar um pouco e voltar para casa. Sim, viver também é isto. Aliás, viver é isto, não é arrastar um dia, minuto a minuto, só porque o tempo tem que passar e não podemos fazer nada contra isso. Sim, viver é muito mais do que ver os minutos a avançar no relógio. Viver também é o arrepio na pele provocado pelas memórias. Também é sair para fazer uma surpresa. Também é levar um abanão porque alguém rodou a 360 graus. Viver é tão mais isto, caramba…

…e chegar a casa e ser surpreendida por um filme. Nada mais do que um filme, que finalmente me acalmou a ansiedade. Um filme que há tanto tempo queria rever, que apanhei já quase a meio mas que vou rever novamente amanhã. Ou depois.

Um filme violentíssimo, muito, mas ao mesmo tempo uma história de amor. Disfuncionais, os protagonistas desta história de amor. De amor e mortes, muitas. Sem sentido, claro, como todas. Mas de amor. Sem dúvida. E retenho a frase que diz tudo: “Only love can kill the demon. Hold that thought.”
E é isto. Mesmo. Sem mais. Assim, tal e qual. Só o Amor pode matar o demónio. Seja esse demónio o que for, mesmo que seja apenas e só ansiedade. E o Amor, o Amor, esse, vem em tantas formas.

E ficam as memórias, prevalecem as boas, claro que sim, as que fazem, ainda hoje, tantos anos depois, arrepiar a pele e acelerar a respiração.

…e a ansiedade que acalma e aparenta estar longe daqui…

……mas continuo sem ver a Lua, sem ir ao terraço, sem beber vinho, sem ter cafezinhos, sem criar novas memórias. E isso, tudo isso, também é viver. E o que eu quero, mesmo, é viver. Porque, como diz a Pê, a vida é frágil, estranha e breve.

Para ti, Pê.

Papoilas. Ou manchas de vermelho paixão.

Bora coser? Bora!

Coseu-se e acabou-se. E agora, e agora? E agora nada porque não há sono, não há ninguém em casa que não eu e a gata, não há conversa e converseta, não há vinho nem ginja porque beber sozinha não tem piada, não há Lua nem estrelas, só nuvens. E agora? Agora nada porque há uma vontade doida de ver a Lua, de subir ao terraço, de estar, de ser, de aqui e agora.

Seja lá isto tudo o que for.

Dos cafés e do vinho

Nada acontece por acaso e não é por acaso que os cafés e o vinho se misturam por aqui. Porque faz sentido que se misturem, mesmo que misturas destas possam ser pouco recomendáveis.

Há cafezinhos que volta e meia se repetem, com a importância que um café tem. As borboletas na barriga não passam de moínhos de vento e a euforia do início abrandou para a quase rotina de um café só porque sim, porque estamos em caminho.

E depois há o vinho. Que há tanto tempo me apetecia, mesmo não bebendo, não sabendo beber, nunca tendo bebido vinho na vida. Ou tendo bebibo apenas para provar, para lhe sentir o sabor uma vez que fosse.

Mas há muito tempo que me apetece, tanto, um copo de vinho. Só porque sim, porque a simples imagem de estar com um copo de vinho na mão me relaxa, e o que eu preciso de relaxar! E desanuviar. E simplesmente estar e saborear.
Estar no aqui e no agora. E o que é aqui e agora é o que é. O resto? O resto vem depois, se tiver que vir, o que tiver que vir. Porque não tem que vir, não tem que ser. Interessa apenas o aqui e agora.

E ontem. Ontem um copo de vinho ao jantar, ou foram dois? Ou um com acrescento. E duas ginjinhas. Ou foram 3? Aqui não me recordo, mas a ginjinha is the new long drink. De tanto tempo que demorou a ser bebida. Como o vinho. Demorado. Degustado. Apreciado. A acompanhar o jantar, mas que não precisava de companhia, bastava o vinho. Não. Não se bebe vinho assim. Acompanha-se, sempre. Porque sim. Porque o vinho não é para ser bebido a sós. Ou é, mas não é.

E o vinho foi tudo o que eu sabia que ia ser. A descontração. A sensação de “finalmente estou solta”. O sorriso parvo sem motivo. Mas convicto. E sincero. E o sorriso a saber-me bem. Como há muito, tanto tempo não sorria. E as risadas. Só porque sim, porque o vinho era bom, a companhia também. A ida ao terraço mas oh bolas começou a chover, já não vamos! Arriscaria a dizer que foi a noite perfeita, ao fim de tanto tempo, a noite perfeita. Porque houve vinho. E não é o vinho o mais importante, mas é. “Dizer isso assim até parece conversa de bêbados.” Parece mas não é e como dizê-lo de outra forma que não assim, o vinho? É dizê-lo como disse ontem, “era mesmo isto que estava a precisar”, o quê, o jantar?, “não, o álcool”. E rir porque na verdade ainda soa pior.

E sim, bebi vinho e soltei uma parte de mim que andava há tanto tempo esquecida, adormecida, e fiquei alegre como só o vinho deixa, e fiquei com o peso do vinho nos joelhos, nos braços, e ri, e conversei, e ouvi, e vi, e deixei-me estar, e deixei-me levar, e deixei-me ir.

E percebi, como já tinha desconfiado com o café, percebi com o vinho que sim, estou viva. E estou de volta. Sou eu novamente, a mesma que lá para os finais dos anos 90, lá para meados de 98 começou a adormecer, a desaparecer, a não existir numa espécie de hibernação que só há pouco, tão pouco tempo terminou.

E caramba, estou viva, estou aqui, estou agora! Com café, com vinho. Com nada disto, com tudo. E sabe tão bem…sabe tão bem saber que sim, que estou de volta, a mesma eu com quem não me cruzava há tanto tempo, que há tanto tempo não reconhecia no espelho.

Para melhor, para pior? Melhor, decididamente melhor. Mais segura, menos ingénua, menos “tonhó”, mais decidida. Com medos e inseguranças e ansiedades, claro, mas acima de tudo sem pressa porque não adianta ter pressa, nada resolve ter pressa e é só o aqui e agora. O que tiver que acontecer é aqui e agora. Porque é só aqui e agora que acontece. Porque ontem já aconteceu e amanhã quem sabe.

Não, não me preocupo com o vinho. Haverá vinho quando tiver que haver. Preocupo-me ainda menos com café. Café bebo-o sempre, todos os dias. Sozinha, acompanhada, a dois, a três, a tantos. Os cafés que forem. E entre vinho e café, prefiro, obviamente, o vinho.

Sejam lá o café e o vinho aquilo que forem para além de simples café {cheio, forte, sem açúcar} ou vinho {tinto, apetece-me tanto tinto, ou branco/verde quando o tempo voltar a aquecer}.

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Desta coisa dos cafezinhos

Tenho a certeza que muita gente levanta o sobrolho com estas partilhas que tenho feito dos cafezinhos.

Lamento, vou continuar a fazê-las até achar que devo. Sem entrar em pormenores que não interessam a ninguém. Mas sim, vou continuar.

Porque preciso. Porque, se não contar ao mundo, sinto que na realidade não existe.

Porque foram precisos estes cafezinhos para me fazer lembrar que, afinal, estou viva. E que mereço mais que o marasmo e falta de entusiasmo por mim mesma dos últimos anos.

Quem acompanhou o blog nos idos de 2003, mas especialmente de 2004, sabe que houve coisas que não foram fáceis para mim de lidar. Coisas essas que me levaram a esse marasmo. Outras tantas, que vieram por arrasto [ou não], levaram-me à falta de entusiamo por mim mesma. Foi preciso que passassem 10 anos, dez, para acordar de novo para a vida. E perceber que, porra, também mereço mais e melhor do que me tenho permitido a mim mesma nos últimos anos, anos esses que foram 10 e só hoje percebi.

Há toda uma vida lá fora. Há tanta gente lá fora. E, ao longo destes anos, que foram dez, houve algum entusiasmo que sempre soube que não passaria nunca disso, apenas entusiasmo. Mas que nunca calhou ser mais que isso. Porquê não sei. Talvez nunca tenha havido aquela coisa que cresce cá dentro que não são borboletas mas que é um bicho qualquer. Porque, e especialmente nos últimos 6 ou 7 anos, eu mesma não me permiti que houvesse. Por tantos motivos que nem eu sei quais. Ou talvez nenhum motivo, e que sei identificar tão bem. Sim, assim mesmo: tantos que não sei quais, nenhum e que sei identificar tão bem.

A culpada disto tudo? Eu. A única responsável. Esqueci-me de mim. Pus-me de parte.

E hoje, hoje percebo e sei e sinto que sim, preciso de mais, mereço mais. Muito mais. Porque não sou menos que ninguém e tenho o direito a ser feliz.

Se estes cafezinhos vão dar em mais alguma coisa, não interessa. Já estou a ganhar. Já deram em acordar-me para a vida e perceber que sim, que preciso de mais, que mereço mais, que sou mais.

E sim, amanhã há novo cafezinho, iniciativa minha, mas já decidido que há também um home made dinner. Iniciativa dele. O que vier daí? Que venha… =)

Dos cafés que duram 3 horas

Ontem. Café que devia ser rapidinho porque o cansaço é mais que muito. Rapidamente se passaram 3 horas. Outra vez.

E eu gosto destas 3 horas. Muito.

{e as dm’s que continuam. E sempre a sensação de “já foste, Kooka Maria”…e já nem me importa se “já foste” ou não.}

Não tenho tempo para perder tempo. E estas três horas não são tempo perdido.

São tempo de ir conhecendo e sair novamente com a sensação “conheço-te da vida toda”.

E depois há finais de dia assim, de sentar na relva, debaixo das árvores. Com a luz perfeita para um final de dia perfeito. E continuar a conversar, a ouvir, a falar, a partilhar, a conhecer. E o sol a dizer que amanhã é outro dia, e as dm’s a prolongarem-se pela noite, porque a noite também é dia.

E, cá dentro, há um bichinho que vai crescendo. Que tinha desaparecido há muito tempo. Tanto tempo. Demasiado tempo. E não sendo borboletas na barriga, é um bichinho que enche o peito, preenche a alma. Vai crescendo devagarinho. Mas com força. Que assusta, claro. Mas que diz também “que se lixe”. Estou viva, estou “aqui e agora”. E quero [e vou!] aproveitar cada segundo disto. Seja lá isto o que for. Porque mais facilmente me arrependo do que poderia ter sido se tentasse mas não tentando do que não foi mas tentei.

[…]

{. afinal, disto de voltar ao blog pode ser giro. ou não, ainda não percebi .}

Guardo tudo

Guardo cartas, guardo postais, guardo papelinhos com recados, guardo desenhos, guardo cadernos.

Um dia [re]encontro[-me em] tudo.

. Envolver . Desenvolver . Devolver .

Envolvo-me na mesma medida em que me entrego. Entrego-me na mesma medida em que me desenvolvo. Desenvolvo afectos, carinhos, amores. Desenvolvo envolvências e entregas.

Devolvo na mesma medida em que recebo. Envolvo, desenvolvo, devolvo.

E não é sempre assim?

Quando tudo tem tudo para ser tudo ou quase nada

Como voltar ao blog. Tem tudo para ser bom. Tem tudo para correr bem. Tem tudo para correr mal, também.

Tem tudo para fazer bem. Tem tudo para ser tudo aquilo que preciso. Tem tudo para ser precisamente nada do que preciso.

Tem tudo.

E no fundo não tem nada.

{ … }

Penny…

Penny…

Penny…

{. sing me Soft Kitty .}

Facto

Deixei de ter tempo para perder tempo.

15 anos. Mais 22 de experiência.

De hoje: voltar a ser um bocadinho adolescente novamente. Mas já longe dos 15 anos. Fazer coisas pela primeira vez. Em muitos anos, pelo menos.

A “borboletagem” na barriga, que não é o mesmo que borboletas, pela antecipação.

A decisão de última hora de um café adiado há vários meses. E porque não hoje, já?

3 horas de conversa, interrompida apenas pelo frio e pelo imprevisto das horas. Mais meia hora à entrada do parque de estacionamento.

Nem a dor de cabeça que crescia teimosamente me demoveu de querer mais cafés. De querer saber mais. Conhecer melhor.

O que vem depois? Não sei. A piada de ser adolescente já longe dos 15 anos e simultaneamente adulta nos recém 37 é essa mesma: não saber. E não me importar com isso.

De volta

Não necessariamente com muito ritmo. Mas com saudades do meu escape, da minha caixa de chocolates 🙂