{#216.150.2025}

In

Su

Por

Vel

…!

O calor que não se aguenta

Refugiu-me em casa. Morro um bocadinho para o Mundo no meu quarto com a ventoinha ligada. Porque, de outra forma, não

E o que está aqui tão perto continua tão demasiadamente longe e inacessível…e custa tanto! Mas…logo se vê…

{#215.151.2025}

…tão perto…tudo o que eu quero, tudo o que eu preciso, ele

…tão perto e tão demasiadamente longe e inacessível…

E estás aqui tão perto que dói…” podia ter sido dito por mim sobre ele. Mas foi ele quem o disse sobre mim…

Tão perto. Tão demasiadamente perto. E ao mesmo tempo tão longe. Tão demasiadamente inacessível…

…mas ainda acredito, porque quero muito acreditar que ainda vai ser possível

{#214.152.2025}

Há coisas que doem. Não há feridas abertas, não há cicatrizes, recentes ou mais antigas, mas doem na mesma. E o final da tarde e início de noite de hoje é um desses dias em que há coisas que doem…

…como o querer, muito!, ir rapidamente a um sítio a pouco mais de 400 metros de casa e perceber, novamente, que já não vou. Já não posso. Já não consigo. Não sozinha. Muito menos rapidamente…

E é também por isso que, resignada, me sento à mesa de sempre, naquele cantinho mais escondido, mais protegido!, da esplanada do costume. E deixo-me ir ficando…continuando a brincar ao Faz de Conta. Faz de Conta que ainda posso, Faz de Conta que ainda consigo, acima de tudo Faz de Conta que nada disto me afecta, que nada disto me chateia profundamente, que nada disto me frustra, que nada disto me revolta, que nada disto me faz doer imenso cá dentro…acima de tudo Faz de Conta que!! Só assim!

Estou cansada de brincar ao Faz de Conta. Mas mantenho-me à mesa da esplanada do costume a fazer de conta que o desfile de ontem se vai repetir sabendo que não, não vai! Mas sem duvidar que esse desfile sorridente me iria acalmar tanto as feridas que me doem…

…e depois vem-me à memória aquela frase que oiço desde sempre que “do longe se faz perto” mas que nunca ninguém ousou ensinar-me como o que está tão perto pode, ao mesmo tempo, estar tão imensamente longe. Ainda mais longe do que o habitual. E, até, a uma distância inalcançável apesar de ser “já ali”…

…e tudo isto me dói. Muito. Tanto. Como um murro no estômago. Ou como se me arrancassem as entranhas e me obrigassem a fazer o que preciso tanto e simplesmente não consigo: chorar. E gritar todas as minhas dores. Soltar a revolta! A frustração! A dor! De já não ser como era! Quem era? Talvez…não sei!

O que sei é que o que preciso tanto está já ali, a uma distância inalcançável, com demasiados obstáculos pelo caminho…mas já ali…porque do longe se fez perto. Mas um perto que está tão imensamente longe…

Fazer de Conta. Que está tudo bem. Que não se passa nada. E que nada me dói… Simplesmente Fazer de Conta…

{#213.153.2025}

Eram 20h. Cheguei à esplanada do costume poucos minutos antes. Sentei-me mais ou menos no sítio do costume, ainda que a minha mesa no cantinho já não exista. Sentei-me na mesa seguinte, junto às escadas.

Pedi o meu café e um cinzeiro. Como peço sempre. O café veio. O cinzeiro, como sempre, ou como nunca, nem sei!, não veio.

Tirei uma selfie, que na verdade foram 3, cada uma pior que a outra. Tirei a selfie com o intuito de enviar para ele. Como que para lhe dizer que estava à espera dele

Tinha-lhe enviado uma mensagem antes de sair de casa a dizer-lhe que era uma boa hora para ir correr…

Tirei a selfie. Quando ia abrir o Instagram para lhe escrever a mensagem, casualmente olhei para o meu lado esquerdo. Em direcção à estrada. Sabendo bem que, sem óculos!, não vejo nada de jeito! Mas…

…mas o que aconteceu depois fica na minha memória. E na dele também. Um momento “NO WAY!“. Um momento que foi, é e será só nosso. À nossa maneira. Aquela maneira que só nós entendemos, só nós sabemos, só nós sentimos.

Como se o Mundo tivesse parado naquele momento. Como se o Universo tivesse posto o Mundo inteiro em pausa. Como se só nós existissemos naquele momento.

Diz quem viu, e só nós vimos!, que olhares se cruzaram à distância, que um sorriso foi enviado enquanto do outro lado havia estupefacção pela surpresa nesse momento “NO WAY!“…e foi tão, mas TÃO bom!

Se podia ter sido de outra forma? Provavelmente não. Se devia? Não foi por falta de vontade. Se irá acontecer novamente? Não faço ideia! Mas, e se não for possível ser de outra forma, então que seja novamente assim.

O sorriso pateta que surgiu ali, gigante e imenso, a vontade de rir, rir muito!, a vontade de chorar porque os 135km estão agora reduzidos a poucos metros…tudo isto me fez sentir em tão pouco tempo muito mais do que tudo o que tenho sentido a conta-gotas nos últimos anos. E não nego: apesar de todas as condicionantes foi TÃO bom aquele momento “NO WAY!“.

As borboletas na minha barriga estão de volta. Foram, há uns anos atrás, esmagadas com um violento e certeiro murro no estômago. Mas, há dois anos, ele presenteou-me com uma mão-cheia de casulos que tenho guardado com cuidado. E hoje…hoje esses casulos devolveram à minha barriga uma quantidade infindável de borboletas que se fizeram sentir logo de manhã e que ao final do dia, depois do nosso momento que só nós entendemos, que só nós sabemos, que só nós sentimos…as borboletas bateram as asas com tanta força que foi impossível não sentir, que foi impossível disfarçar…!

Há coisas que não se explicam. Sentem-se. Vivem-se. Como este momento “NO WAY!“. Como todos os dias desde aquele 5 de Junho de 2023. Como aquilo que existe entre ele e eu. Não precisa de fazer sentido para mais ninguém. Para nós faz. Todo o sentido. E é tão bom quando é assim…!

Hoje foi dia de ir a Lisboa onde já não ia desde Dezembro. Foi muito bom. Soube lindamente. E só o ter ido a Lisboa já tinha tudo para fazer deste um bom dia. Mas, e mais uma vez o digo, aquele momento “NO WAY!” fica na memória. Na minha. Na dele. Na nossa.

{#212.154.2025}

Tratar de mim não é só ir à fisioterapia, ir a consultas, tratamentos e exames no Hospital, parar para alinhar, meditar, respirar e relaxar no Yoga, ter teleconsultas sem sair do conforto do cadeirão no Jardim das Leguminosas. Tratar de mim, ainda que caminhar seja extremamente difícil e doloroso por causa de uma qualquer dor aguda que surgiu na anca depois da fisioterapia, também é voltar onde sou sempre bem recebida e bem tratada e onde me sinto em casa: o salão da Patrícia Lucas onde os meus caracóis foram descobertos e, finalmente!, assumidos e sempre reavivados e definidos em cada visita.

Já não sei (mesmo!) há quanto lá vou sem pensar duas vezes antes de entregar o meu cabelo com total confiança. Mas foi muito antes do início da pandemia. E não troco por nada! Sejam as mãos da Patrícia exímias no corte, seja a inesgotável paciência da Soraia naquela rotina que eu vou sempre deixando para depois (menos desta vez!), seja a qualidade dos produtos que devolveram vida e brilho ao meu cabelo, seja a simpatia de todos os membros da equipa, não me faltam razões para lá voltar.

E, sim!, tratar de mim também é tirar umas horas de uma tarde qualquer para uma visita a quem, desde o primeiro dia, me recebe sempre tão bem e me faz acreditar que os meus caracóis são capazes de conquistar o Mundo.

Obrigada a todas! Prometo que, na próxima visita, vou pensar muito seriamente se aceito o toque certeiro da tesoura da Patrícia.

{#211.155.2025}

Eu…a querer fazer tanta coisa, e preferencialmente ao mesmo tempo, acabo sempre por não fazer nada…

…talvez um dia me consiga organizar para estruturar tudo o que quero conseguir fazer. Incluindo ir dormir cedo…

Hoje ainda não foi esse dia…

{#210.156.2025}

…demasiado calor…

O suficiente para condicionar o meu corpo e, também, tudo o resto que faz de mim quem sou…

{#209.157.2025}

…a precisar muito da minha rede de apoio para promover a explosão que me é tão urgente e evitar a implosão que não me será benéfica…

{Mas é notória a inexistência de rede de apoio de proximidade…e isso faz toda a diferença…}

{#208.158.2025}

…………

…………

…a tentar um meio termo entre a implosão e a explosão…

{#207.159.2025}

…naqueles dias em que o calor excessivo manda parar, eu páro. Ou, pelo menos, dou descanso ao corpo. Mas a cabeça…

…a cabeça está, como sempre, a mil…

…um dia. Um dia decido que está mais do que na altura de dar uso às ferramentas que tenho para desacelerar a cabeça. E, nesse dia, quando começar a dar uso a essas ferramentas tão simples (e tão complicadas…) provavelmente começo a desfazer o nó que está no meu pensamento e o labirinto que é a minha cabeça.

Esse dia ainda não foi hoje…

{#206.160.2025}

Mais uma voltinha, mais uma viagem, mais uma (neuro)consulta.
Dia de mexer nas feridas. E escarafunchar. Não até fazer sangue. Já nos contentamos, a Neuropsicóloga e eu, em fazer as lágrimas cair.

Vamos ver o que se consegue… O bloqueio vai ter que ser desbloqueado…doa a quem doer. Que, neste caso, serei só eu

——-

…a preocupação existe. Da Neuropsicóloga e minha. As lágrimas insistem em não cair…

O trabalho de casa que não foi passado para o papel, mas que está perfeitamente estruturado no labirinto que é a minha cabeça, tem até dia 3 de Outubro para ser escrito. Com tanto que está previsto acontecer (ou não…) até lá, pode haver alterações significativas. Também pode acontecer, e era bom que acontecesse, o bloqueio emocional dar lugar às lágrimas.

É importante relembrar a diferença entre implosão e explosão. E a força da pressão acumulada com enorme potencial para grandes estragos não pode ser descurada.

Sei que, um dia, irei quebrar. Irei cair. Mas, ao acontecer, que seja o resultado do recomendável e saudável processo de explosão. Não por implosão, que traria danos mais severos e, até, perigosos…

Percebo agora que este bloqueio emocional se deve, e muito!, à deficiente rede de apoio. Deficiente para não dizer logo ausente. Inexistente. Porque só me permito explodir e desmoronar tendo a garantia da presença de quem me ampare num colo acolhedor, me aconchegue num abraço protector, me estenda a mão para me permitir reerguer-me. E essa suposta rede de apoio tem-se mostrado muito deficiente, ou mesmo completamente inexistente. E, sem uma rede de apoio funcional, a pressão do que continuo a engolir vai aumentando…

Já optei por manter em silêncio o que me poderia permitir extravasar. Porque “já chega”, “já percebi” e “não é a hora nem o local”, a frustração de quem não pode fazer nada para me ajudar quando eu própria lido com a frustração de já não ser o que era, quem era…fico em silêncio. A engolir. A aumentar e acumular a pressão…

Mais uma vez, e há muito tempo que não o digo, primeiro os outros. Porque a frustração dos outros é causada pela minha própria frustração. E eu não quero ser um fardo para ninguém. Por isso, primeiro os outros. Eu…? Quando der

…logo se vê. Um dia. Não sei quando. Não sei como. Mas um dia…

Implosão vs Explosão. E, neste momento, nem ele me poderá levar ao colo como prometeu há dois anos que faria…

…logo se vê…

{#205.161.2025}

Quinta feira, aquele dia em que pensei “não tenho nada marcado para a tarde! O que quer dizer que vou poder simplesmente descansar!” Até que mudei de ideias e pensei “tenho trabalho de casa para apresentar por escrito na consulta de amanhã, por isso vou até à esplanada das mesas infinitas passar para o papel aquilo que anda às voltas na minha cabeça há mais de um mês…”. Mas, entretanto, surgiu uma encomenda que o carteiro não entregou. Estragou-me os planos da ida à esplanada para estar sem horário e fez-me ir até à vila ao balcão dos CTT.
Consegui vir até à esplanada das mesas infinitas depois de simplesmente poder existir como sou e como estou na ida aos CTT. Trouxe, como trago sempre, o meu caderno onde queria escrever tudo o que tenho para escrever. Estou aqui há 2 horas. O caderno e a caneta? Continuam onde estão sempre: arrumados dentro da mochila…e o que quero passar para a papel continua a acumular na minha cabeça…

Queria estar aqui a escrever, mas sozinha na minha bolha. Sem constrangimentos. E poder simplesmente existir. Tal como sou. Tal como estou…

Cansada, claro. Afinal, não descansei como tinha programado fazer. E amanhã é, novamente, dia de acordar cedo para me esgotar fisicamente logo de manhã na fisioterapia e, o que também vai ser duro, para me esgotar emocionalmente à tarde na consulta no Hospital.

A esplanada das mesas infinitas está prestes a fechar. E eu estou prestes a pôr-me a caminho de regresso a casa. E, ainda não sei bem como ou quando, mas hoje tenho que passar para o papel o que tenho vindo a adiar numa espécie de bloqueio emocional que é um mecanismo de auto-protecção…

Vir à esplanada das mesas infinitas valeu a pena pelo sossego que é durante a semana. Mas o trabalho de casa continua por fazer…

——-

[…e, às 2h da manhã, o trabalho de casa continua por fazer e o descanso continua por acontecer…]

{#204.162.2025}

[Perigosamente a fugir daquele a que baptizei de “O meu momento de reflexão”. Que me faz parar para pensar e reflectir sobre o dia que agora termina. Mas essa reflexão, embora necessária, nem sempre é pacífica… Provavelmente, se não fugisse do tanto que sinto e que preciso processar para digerir, conseguiria aquilo que preciso tanto e não consigo: chorar…. E esta fuga a este momento terapêutico de reflexão é, muito provavelmente, também ela um qualquer bloqueio emocional mecanismo de auto-protecção…]

Mais uma voltinha, mais uma viagem, mais uma manhã no Hospital. E, para esta manhã, sessão dupla na primeira fila.

Logo no início da consulta, a médica perguntou se era alérgica a alguma coisa e se me dava bem com o Betadine. Sem alergias e sem problemas com o Betadine. Podemos avançar.

Na primeira sessão, injecção de gel de reforço de cartilagem, ou aquilo que eu andava há meses a pedir: WD40 para desenferrujar o joelho.

A agulha entrou, o gel espalhou e doeu para xuxu porque o meu cérebro decidiu que era um bom momento para uma reacção neurológica: espasmos cada vez que o gel entrava.

Para a segunda sessão estavam previstas 3 injeções:

  • corticóides
  • anestésico
  • soro fisiológico para ajudar a espalhar os outros dois

Corticóides: feito. O resto? É melhor parar por aqui! Foi detectada uma reacção alérgica!

Acabou por ser “só” uma reacção alérgica da pele da perna onde foi aplicado o spray desinfectante. Isto para quem não faz alergia a nada…toda a zona da perna onde foi aplicado o desinfectante parecia ser sócia do Benfica desde pequenina, dada a intensidade do vermelho!

Acabei por só receber os corticóides, que no fundo era o que precisava para tratar a inflamação. Agora que a pele regressou ao seu normal tom de quem agradece um bocadinho de Sol para perder a brancura, é dar repouso ao joelho por hoje e acreditar que a infiltração vai resolver o problema do joelho.

Mas, acompanhar o procedimento no ecrã do ecógrafo deitadinha na primeira fila, é muito mais interessante do que, como há 25 anos, ver o tamanho imenso da agulha que rodopiava debaixo da pele para espalhar os corticóides naquela rotura de ligamentos do tornozelo do pé esquerdo.

[…e volto a fazer o dia esticar pela noite dentro… Ir para a cama é um momento de extrema vulnerabilidade que faço por evitar. Mesmo quando preciso muito, tanto!, de dormir, descansar e recuperar… Conheço-me tão bem…bem demais…e os sinais? Reconheço-os todos. À distância…]

{#203.163.2025}

Chorar.
É preciso.
…é urgente…e não consigo fazê-lo…

…até quando é que vou conseguir aguentar a pressão de engolir a frustração, a raiva, a revolta, sem conseguir digerir nada disto, sem conseguir amenizar as dores, sem conseguir aceitar que já não sou a mesma, continuando a chorar em seco quando as lágrimas se recusam a cair…?

Chorar não resolve nada. Menos resolve o que nem sequer tem solução.


…mas liberta-me de um peso imenso que me sufoca e me consome diariamente há demasiado tempo…

{#202.164.2025}

Há dias mais difíceis do que outros. Hoje foi um desses dias. Quando o corpo cansado e dorido me grita e me dói e me faz chorar. Chorar sem lágrimas. As lágrimas que insistem em não cair. Que estão presas não sei onde, não sei porquê…

Disse-me a Neuropsicóloga do Hospital que não conseguir chorar é um mecanismo de auto-protecção, que o meu subconsciente está a evitar o sofrimento que o chorar irá trazer. Mas também disse que não é saudável não chorar. Porque é demasiada pressão acumulada. É um grande desgaste psicológico. Que acaba sempre por se manifestar de alguma forma física. E não é bom continuar a não conseguir chorar. É urgente que as lágrimas caiam. É urgente aliviar a pressão que me consome…

Tenho trabalho de casa para a próxima consulta daqui a poucos dias. Pôr por escrito como seria o momento ideal para me permitir chorar. Já tenho o local perfeito. É longe, muito longe, não irá ser possível acontecer aí. Mas, e a julgar pelo que as fotografias que ele me enviou, aquela floresta composta por árvores de troncos finos, fáceis de abraçar, era o local perfeito.

Se o queria presente num momento de extrema vulnerabilidade, de extrema nudez emocional? Não. Sim. Não sei… Não por saber da frustração que lhe iria causar. Sim porque o abraço dele me iria permitir desabar sem cair totalmente. Não sei porque…não sei porque não sei…

As lágrimas teimam em não cair. Mas todos os dias choro. Choro sem lágrimas. Choro com as dores. Choro com as dificuldades. Choro de frustração, de raiva, de revolta. Choro de desesperança… Choro a seco…e sexta feira, na consulta com a Neuropsicóloga do Hospital, vou ter que ter por escrito o cenário programado para me permitir chorar…

Entendo que o meu subconsciente me esteja a proteger do sofrimento. Porque sei exactamente o quanto me vai doer nesse momento. Conheço perfeitamente a emoção que me vai invadir. Sinto o meu grito de dor a rasgar-me a voz. Sinto as minhas pernas a cederem ao peso do tanto que me dói. Sinto…sinto que não sou eu a permitir-me chorar quando não me permitem sequer falar…

Sim. Queria tê-lo comigo nesse momento. Ele que, todos os dias, me faz esquecer isto que me apanhou na curva. Ele que, todos os dias, me alivia do peso esmagador que engulo e carrego. Ele que, todos os dias, me seca as lágrimas que não caem. Ele que, todos os dias desde há 2 anos, caminha de mão dada comigo sem nunca largar…

Sim. Queria tê-lo comigo nesse momento. Não. Não quero expô-lo de tão perto à minha dor. Não sei…tenho medo de até eu própria não conseguir suportar a dor intensa que, todos os dias, numa espécie de trapézio sem rede!, me vai consumindo devagarinho…

Todos os dias, sem lágrimas, sem ele saber, choro. E, nos momentos de dor mais profunda, só posso recordar os presentes que a vida me tem dado. E ele é um desses presentes inesperados que aceitou, sem saber ao que ia, amar.

Todos os dias, eu e ele. Seguimos o caminho que nos foi apresentado sempre de mão dada…

{#201.165.2025}

Sair de casa TODOS OS DIAS! Por muito que me custe, por muito que me doa, é OBRIGATÓRIO! Dar uso às pernas! Passo a passo! Em passos pequenos, inseguros nunca incertos, equilíbrio precário que resiste, força motriz que insiste! Mas NUNCA deixar de o fazer! Porque deixar de o fazer é meio caminho andado para aquele ponto que eu recuso!

Não vou, não posso!, permitir que isto que me apanhou na curva me trave e me impossibilite de dar um passo que seja! Vou continuar a obrigar-me a ir à rua todos os dias para caminhar! Porque desistir seria tão mais fácil mas eu não gosto de caminhos fáceis…nunca gostei! E não é agora, especialmente não agora!, que me vou render a esse caminho…

…porque não quero, não posso, não aceito! Essa não sou eu…! E, como tal, recuso o que esta porcaria me reserva!

Hei de continuar a ir ao Parque as vezes que eu quiser! E, se deixar de ir, será porque eu não quero e não porque eu não posso…!

{#200.166.2025}

Continua a faltar-me a cor. Mas, desta vez, já não me falta café. Que é quase a mesma coisa…só que não!

Há dias mais difíceis do que outros. E o de hoje, que começou estupidamente cedo sem nada programado para o início da manhã, foi longo, dorido e difícil…

Há muito tempo que digo isto: toda a gente devia ter um psicólogo. E hoje foi dia de consulta. E foi daquelas doridas e difíceis. Porque há pontos que fazem doer quando tocados. E todos temos esses pontos. Que doem quando tocados e têm que ser trabalhados por quem sabe: o psicólogo. Ou, neste caso, a psicóloga. Que é quem veio tomar o lugar do terapeuta fofinho de quem sinto muito a falta!

Mas ela, a minha nova terapeuta, pode não me conhecer tão bem como o terapeuta fofinho já me conhecia. Mas bastou-me dizer-lhe que a cor me fugiu para ela saber exactamente onde mexer…!

Foi difícil? Muito. Doeu? Mais do que eu estava à espera. E mexeu cá dentro com tanta coisa que, mesmo depois daqueles 90 minutos de conversa, fui espalhando por aí os danos. E não queria.

Foram gritos de socorro? Foram. Foi a insegurança da falta de colo, da ausência de validação de mim por inteiro, foi o silêncio ensurdecedor que me grita para estar calada quando preciso tanto de extravasar, foi………foi a abertura de uma autêntica caixa de Pandora. Que me assusta. Claro que sim. Porque sei que guardar tudo bem guardado nas respectivas gavetas da caixa de arrumação de tanta coisa que tenho para arrumar vai dar trabalho, vai levar tempo, vai-me deixar vulnerável, vai fazer-me cair. E pode ser que caiam também as lágrimas que teimam em não cair e que eu preciso tanto de soltar…

Claro que ele foi quem levou por tabela. E eu não queria nada que isso acontecesse… Só quero, só preciso!, que ele continue de mão dada comigo. Que não me negue colo quando mais preciso. Que não me invalide nesta minha nova realidade…

A cor continua a faltar-me. Mas há café, que é quase a mesma coisa. Só que não…
Por agora? Preciso muito de tempo. E de espaço. E de colo. E da certeza que não estarei sozinha quando chegar o momento de secar as lágrimas que teimam em não cair…

{#199.167.2025}

Quando “possibilidade” passa a “probabilidade“. Falo daquilo que durante tanto tempo foi apenas uma eventualidade que podia ou não vir a acontecer e que hoje vejo como algo praticamente certo de que vai acontecer. É o passar do “se” ao “quando“. E, não nego, é daquelas coisas que começam a assustar um pouco mais do que gosto de admitir.

Falo da minha lista de “ainda não” onde no topo se mantém o “ainda não caí“. E é um “ainda não” que faço questão de manter por muito tempo. Mas…

…os passos pequenos, inseguros nunca incertos, equilíbrio precário que resiste, força motriz que insiste…sozinha não são fáceis de dar. Assumo a minha dificuldade, como não?, mas também assumo a minha vontade de continuar a dar sozinha esses mesmos passos pequenos. Com a Maria Hermengarda na mão, sempre!, que não irá nunca evitar uma queda, que vai acontecer sabe-se lá quando sabendo perfeitamente o porquê. De Maria Hermengarda, a bengala companheira de todos os dias, na mão irei sempre insistir em manter a minha premissa “se é para ir, vou!“…

…mas, quando uma “possibilidade” passa a “probabilidade“, é obrigatório parar um pouco para descansar, recuperar e só depois continuar.

É que ainda não caí mas também não me apetece nada fazê-lo. Porque, já sei, os danos podem ser mais do que apenas um joelho esfolado…

{#198.168.2025}

…é cansaço. É muito cansaço. Não nego que é o cansaço que me está a fazer tremer nas bases…

…e a cor continua a faltar-me. A falhar-me.

Mas, enquanto houver café, está tudo bem. Porque é quase a mesma coisa…

…só que não…

{#197.169.2025}

A cor, ou a sua ausência. Tenho vontade de pegar nos meus lápis de cor e voltar a colorir os meus dias. Rapidamente a cor se esgota novamente quando coloco à minha frente o leque de opções para o futuro. Futuro esse não tão longínquo quanto eu gostaria. Na realidade trata-se, até, de um futuro que nunca sequer imaginei nos meus piores pesadelos. E o leque de opções resume-se a pedir já em Agosto um estatuto que não sonhei para mim ou empurrar com a barriga lá mais para a frente o inevitável pedido.

A cor foge-me todos os dias e eu desisti de tentar agarrá-la. Não me cabe a tarefa de segurar o que não quer ficar. E os meus lápis de cor já não sabem pintar os meus dias de ausência de cor.

Sozinha. Pensei que não. Porque tantos me dizem que não estou. Mas quando mais ninguém pode estar dentro da minha cabeça, é sozinha que estou.

Mil caras. Floco de Neve. Tenha o nome que tiver. É unicamente minha. E não adianta tentar passar a mensagem. Enganam quando dizem não estarmos sozinhos. Mas é sozinhos que estamos…é sozinha que estou. Comigo mesma numa convivência difícil quando todos os dias me perco mais um pouco. De mim mesma…