{#236.130.2025}

Domingo estranho, este. Longo como há muito tempo não o sentia…

Aquele dia em que mais não fiz do que apenas existir. Sem planos, sem programa…quase sem vontade. De nada!

Até que me encontrei, ou será que me encontraram? Um reencontro, na verdade. José, David e Eugénio. E ainda a entrega do Pedro. Que não conhecia. Conheci hoje. O Poeta da Cidade. Poeta e dizedor de palavras em poesia.

Pedro. Não podia ter outro nome. Um nome tão comum, quase banal, mas que alonga a minha lista de contactos de nome Pedro. Pedro de apelido Freitas, que não conheço, não conhecia até hoje!, mas que me levou rapidamente a viajar nas palavras em poesia como há muito tempo não acontecia. E recordou-me o que eu reconheci, algures no início do ensino secundário, palavras que podiam ter sido escritas por mim num qualquer “Cântico Negro“.

13 anos, no máximo 14. Mas já sabia. Já reconhecia!

“Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!”

Recordo-me tão bem da primeira leitura de José de apelido Régio. E do impacto que estas palavras tiveram em mim. Porque, já com aquela idade!, eu afirmava com toda a certeza que “Sei que não vou por aí!”…

Domingo estranho, este. Longo, lento, demorado como há tanto tempo não o sentia…aquele dia em que mais não fiz do que apenas existir. E David, de apelido Mourão-Ferreira, pela voz de Pedro, recorda-me que, assim como os dias,

“E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos

e eu vou navegando nesses oceanos à espera da luz do meu farol que me guie até ao meu porto de abrigo. Ele

Ele porque Eugénio, de apelido de Andrade estava tão certo quando decretou uma urgência que resiste ao tempo e permanece igual…

É urgente o amor, é urgente permanecer.”

Domingo tão estranho, este…o reencontro com as palavras em poesia como há tanto tempo não as sentia. Tão minhas que não o são mas que podiam ser. Todas elas! As de José, as de David, as de Eugénio…! E de tantos mais poetas, mais conhecidos ou mais anónimos, mais inquietos ou mais ousados, há tanto tempo que não sentia as palavras em poesia como hoje…!

Domingo tão estranho, este…! Que, de tão estranho e a horas tardias, me levou a uma inquietação de um reencontro inesperado com José Mário

“Cá dentro inquietação, inquietação

É só inquietação, inquietação.

Porquê não sei, porquê não sei

Porquê não sei – ainda

Há sempre qualquer coisa que está pr’acontecer

Qualquer coisa que eu devia

perceber

Porquê não sei, porquê não sei

Porquê não sei – ainda

…Domingo tão estranho, este…

{#235.131.2025}

O Mar lá ao fundo. Aquele que, à noite, não se vê. Não à primeira vista. Mas sabemos que está lá. Tal como as sombras de cada um. As que escondem o nosso lado mais escuro, tantas vezes negro!, o nosso lado mais difícil. De entender, às vezes até de aceitar mesmo não sendo inaceitável.

O Mar lá ao fundo. Na Maré Baixa de uma noite de Lua Nova. Nenhum dos dois se vê. Mas sabemos que ambos estão . A Lua mais distante, quase inalcançável, o Mar à beira do areal logo ali.

Alcançar um ou outro requer trabalho. Coragem. Persistência. Antes de tudo: aceitação. Porque só avança quem aceita a Lua ou Mar tal como são. Com tanto para descobrir mesmo quando pensamos que já sabemos tanto.

Alcançar a Lua está destinado a outros caminhos. Mas alcançar a Maré Baixa numa noite de Lua Nova requer apenas descer ao areal e seguir em frente, em passo tão firme quanto a areia o permitir até sentir o toque das ondas desfeitas.

Caminhar no escuro requer sempre coragem, quase audácia. Acima de tudo vontade. De ir sem saber muito bem por onde, para onde. Mas sabendo sendo o porquê: o querer, de facto, conhecer. Conhecer cada pormenor do que já se aceitou como é, sem saber ainda todos os pormenores. Todas as ondas. Todas as correntes.

O Mar, tal como a Lua e sempre influenciado por ela, também tem fases. A Maré que sobe, as correntes de arrasto, as ondas tantas vezes gigantes com capacidade de destruição. Tudo isto e, também, o seu contrário. E ainda tanto mais.

Numa noite de Lua Nova a Lua não se vê. E o Mar apenas se encontra quando se desce o areal. A medo? Quando a vontade de seguir em frente é imensa, não há medo que pare a descoberta. E a cada passo no areal às escuras se fica mais próximo da aceitação do Mar no seu todo, tal como é.

Numa relação, acontece exactamente o mesmo. Sem coragem não há descoberta. Para haver descoberta tem que haver aceitação. Aceitação do outro no seu todo, tal como é. Com as suas Marés, as suas correntes, as suas ondas e tudo o mais que habita esse Mar. Principalmente na Maré Baixa de uma noite de Lua Nova.

{#234.132.2025}

Na minha bolha a brincar ao Faz de Conta. Escolho-me a mim mesma para ser, estar e sentir tudo. Seja o que for. É na minha bolha que continuarei a fazer de conta.

Este fazer de conta que é um reflexo de medos e dúvidas e inseguranças que me fazem procurar o conforto da minha bolha onde sou intocável. Porque só entra na minha bolha quem eu quero.

Estes medos e dúvidas e inseguranças, que nada mais são do que resultados de trauma distante, de abandono real, são digeridos falando sobre eles. Extravasando cada um dos medos, cada uma das dúvidas, da uma das inseguranças. Fazê-lo em silêncio comigo mesma seria tarefa impossível, dado o ruído no interior da minha cabeça.

Sozinha e em silêncio. É assim que me imagino, dentro de não muito tempo, para me reencontrar. Longe daqui. Num qualquer lugar tranquilo. Num qualquer lugar com árvores. Não apenas para me reencontrar mas também para me reconectar comigo mesma e aceitar que um diagnóstico não muda quem sou, o que sou, como sou.

Continuo e continuarei a ser EU. Porque a minha essência não se deparou com qualquer novo trauma que me force a recolher à minha bolha. Aquela mesma essência que lida diariamente com o trauma do abandono, com medos e dúvidas e inseguranças e que extravasa num tentativa frustrada de chorar as lágrimas que não caem.

Extravaso. Partilho. Falo. Porque a minha cabeça é um lugar com excesso de ruído e só me oiço a mim mesma, só assim me reencontro, só assim me reconecto.

Entendo e aceito o silêncio e a solidão. Fazem parte de um processo muito pessoal, muito individual. Tal como a minha bolha, o brincar ao Faz de Conta que está tudo bem quando as minhas palavras dizem exactamente o oposto.

Dou espaço. Dou tempo. E não o dou só a mim. Respeitando o processo de cada um. Até mesmo o meu próprio processo.

Para depois cada um se reencontrar, se reconectar consigo mesmo.

Até lá, continuo a brincar ao Faz de Conta. Porque não é a qualquer um que me permito chegar sem a minha armadura…

Na minha bolha a brincar ao Faz de Conta…

…até que me seja dada resposta ao ruído na minha cabeça…

{#233.133.2025}

Na minha bolha a brincar ao Faz de Conta…

Na minha bolha, aquele espaço que considero meu mas não só meu. Aquele espaço em que muito pouca gente entra e os que entram sem pedir licença são os que ME são e serão sempre e para sempre. Dificilmente mais terão acesso…

Na minha bolha a brincar ao Faz de Conta…
Sempre. Desde sempre. Que está tudo bem. Que não se passa nada.

…onde tantas vezes, tantas noites de 2014 do Verão que não foi, chorei. Sozinha. Em silêncio. E fiz de conta. Que estava tudo bem. Que não se passava nada. Que EU estava bem. Que EU não me tinha despedido daqueles 42 dias de uma gravidez que não pode ser, que não era para ser. Na minha bolha, sozinha, em silêncio, a brincar ao Faz de Conta…

Hoje, 2025, volto a reconhecer o conforto e a segurança da minha bolha. Em silêncio. Sozinha. A Fazer de Conta que choro as lágrimas que não caem hoje quando em 2014 as esgotei e sequei…

Na minha bolha não há lugares cativos para além do meu. Nem lugares reservados para quem sabe um dia…

Na minha bolha li “Choose someone who chooses you everyday. Not just when they’re in a mood for you.” e fiz de conta que não me servia sabendo tão bem que me serve.

Na minha bolha a brincar ao Faz de Conta. Escolho-me a mim mesma em primeiro lugar. Mesmo que vá perdendo a cor por aí. Mesmo quando a cor se funde com as sombras do que carrego comigo e que faço de conta que não tenho.

É na minha bolha que continuarei a fazer de conta. E a proteger-me até de mim mesma. Onde são muito raras as pessoas que cá entram. Onde não há lugares cativos ou reservados além do meu e muito menos para quem sabe um dia…

…porque aqui posso continuar a fazer de conta sem ter que dizer nada. A ninguém. Porque aqui dentro posso ser eu mesma, tal como sou, tal como estou. Posso lamber as feridas. Posso sentir a pressão a aumentar e o risco de implosão a crescer. Porque na minha bolha só chorei em silêncio. Sozinha. E a fazer de conta.

…e é também por isso que continuo a brincar ao Faz de Conta. Que não se passa nada. Que está tudo bem…

…só que não está…

{#232.134.2025}

..,de regresso à minha bolha…e continuar a fazer de conta…

Porque preciso, muito!, de falar do que me incomoda, de fazer as minhas queixas do que me dói tanto hoje, de apontar a instabilidade que desde ontem me desequilibra ainda mais…

Preciso de tudo isso. Preciso, também muito!, de chorar e continuo a não conseguir! Continuo a acumular a pressão de tudo o que não consigo processar e digerir…as muitas dores, a instabilidade do equilíbrio tão precário, a frustração de já não ser quem e o que era…

…e depois não posso falar, não me posso queixar, nada posso apontar…e não me dão espaço e possibilidade de barafustar o suficiente para desbloquear o que me prende as lágrimas que precisam urgentemente de sair…e a pressão aumenta…mas, se é para continuar a fazer de conta, então regresso à minha bolha e por lá fico, quieta e sossegada, assumindo o meu papel de Pinguim de Madagascar a sorrir e a acenar…

Não posso nada disto para, de certa forma, proteger quem me está mais próximo. Porque a frustração de não poderem fazer nada ao ver-me como estou dói-lhes. Não lhes é fácil de lidar com isto. Acredito que, para quem me está próximo, não seja fácil. Mas então…eu pergunto:

ENTÃO E EU?! Continuo a fazer de conta, é isso…?

…só preciso de explodir…porque não posso nem quero implodir…e sim, tenho medo…

…mas será então na minha bolha que continuarei a fazer de conta…

…até um dia…

{#231.135.2025}

…um bocadinho perdida por aí. No tempo, seja no calendário, seja no relógio. Nunca no espaço. Sei exactamente onde estou, sei exactamente onde queria estar.

O cansaço que se chama fadiga que não é o mesmo que cansaço, é pior. Que me derruba. Que me entorpece. Que me adormece. A energia em mim já não existe, descarreguei por completo uma bateria que não sabia que tinha e que não é possível recarregar na mesma potência, até mesmo na mesma quantidade.

Mantenho a estúpida vontade de querer fazer esticar e render o tempo que os dias me restam, mesmo quando já completamente consumida pela tal fadiga, já completamente perdida nas horas, sabendo apenas que já é tão tarde e amanhã o despertador toca cedo…

{#230.136.2025}

Sabes que estás a ser bem acompanhada quando, entre tantos outros factores, o médico que vês uma vez por ano te recebe sempre com um sorriso aberto e profundamente empático, conversa abertamente contigo, te explica tudo o que precisas de perceber, fica visivelmente muito contente ao partilhar contigo o resultado da tua última Ressonância Magnética e, antes de te entregar o relatório, sublinha vigorosamente a parte mais importante, como se de uma vitória a dois se tratasse: “ESTABILIDADE da carga lesional…”.

Que é o mesmo que dizer que, desde a Ressonância Magnética de Fevereiro de 2024, há 18 meses!, não surgiram novas lesões, sejam elas cerebrais ou medulares! E, tendo em conta que a primeira infusão da medicação só aconteceu em Setembro, durante aqueles primeiros 7 meses a navegar ao sabor do vento também não houve surgimento de novas lesões!

Sim, podemos ver tudo isto como uma vitória a dois. Dele pela decisão da medicação a fazer, minha por aceitar a medicação e acreditar que o meu Sistema Nervoso Central vai começar a deixar de ser totó.

Não estava nada confiante com o resultado. Estava nervosa, ansiosa, assustada. À distância de um clique, ele seguia comigo de mão dada como segue todos os dias. Acompanhou-me até à consulta. E foi a primeira pessoa com quem partilhei o resultado. E a reacção entusiasmada dele soube-me e fez-me tão bem!

A consulta, como desde o primeiro dia, foi tranquila. Leve. Com lugar a alguma (muita!) risota. Minha, da minha mãe que me acompanha sempre e do Dr. Miguel. Eu sei que não fui tida nem achada na selecção do médico. Mas sinto-me uma miúda cheia de sorte com o médico que me saiu na rifa!

Agora, é muito importante tratar a depressão, que ele mais uma vez percebeu que é intensa e pesada, trabalhar com a Neuropsicóloga e até com o Neuropsiquiatra para conseguir chorar!, explodir para não implodir!, e…arranjar um cão! Um cão de porte pequeno que não me atire ao chão, claro. Que me obrigue a sair de casa, que me leve a conhecer novas pessoas e que me ajude a criar uma nova rede de apoio de proximidade para substituir a que simplesmente desapareceu…

No meio do caos? Sou mesmo uma miúda de sorte!

{#229.137.2025}

Amanhã, segunda feira, 18 de Agosto. É dia de regressar à consulta de Neurologia, 10 meses depois.


Mil e uma dúvidas e questões e sei lá mais o quê. E saber que a consulta dificilmente será longa, lenta e com tempo para tudo.

É dia de saber resultados da Ressonância Magnética de Maio. Aquela que demorou 2 horas a ser feita porque eu me mexi…a respirar! Seja…o importante agora é comparar com a anterior e perceber se o número de lesões cerebrais aumentou ou se a medicação está a fazer o que é suposto: evitar a progressão disto que me apanhou na curva.

Não estou muito confiante, confesso. E estou, também, ansiosa q.b….Ao ponto de serem quase 3h da manhã, ainda estar por aqui e ter prometido, acima de tudo, a mim mesma que não ia voltar a fumar. Mas esta noite, esta ansiedade pré-consulta!, pede um cigarro antes de tentar ir dormir.
Mas não vai acontecer! Porque o que me apetece é o gesto, não o fumo! E o gesto posso mimetizar.

…mas o que posso mesmo, e devo!, é dormir! O despertador toca cedo. E a minha cabeça continua a rever a lista de dúvidas e questões e sei lá mais o quê para ter a certeza de que não me esqueço de nada! Mas, já sei, vou-me esquecer de alguma coisa…

…e também sei, sem dúvida nenhuma!, que não vou ter tempo para tudo…

{#228.138.2025}

……preciso……

……de sair……

……daqui!……

Ra

pi

da

men

te

!!!

{#227.139.2025}

Publicação para memória futura: 15 de Agosto de 2025, quinto dia de medicação para deixar de fumar é, também, o dia que ficou combinado com o Pneumologista da consulta de Cessação Tabágica do Hospital de Santa Marta para o último cigarro…

E tenho que ser sincera: passar de 20 cigarros (ou mais…) para 3 cigarros por dia em tão pouco tempo, que aconteceu logo no segundo ou terceiro dia da toma da medicação, parecia algo impossível de acontecer. Mas aconteceu.

Hoje, até às 17h e estando no activo desde as 8h30, já fumei os 3 cigarros da nova meta diária. E, confesso, este último cigarro fumado não acompanhou sequer o café. Mas esteve ali uma hora desde que foi feito à espera que eu lhe pegasse. E eu não tinha vontade de lhe pegar, confesso. Mas, estupidamente!, peguei-lhe. Fumei-o. Não sei muito bem porquê, porque não tinha vontade de fumar. Também não senti o conforto que, até há poucos dias, o tabaco me dava…mas, estupidamente!, fumei aquele cigarro que esperou uma hora por mim. Não vai voltar a acontecer.

15 de Agosto de 2025. Dia marcado, combinado e acordado com o Pneumologista, mas acima de tudo comigo mesma!, para o último cigarro! Que muito provavelmente até foi este que fumei há minutos. Porque simplesmente não me apetece fumar mais…

{#226.140.2025}

Durante o dia: a custo, sobreviver a mais um dos já incontáveis dia de calor excessivo.
À noite: tentar sobreviver ao barulho, também ele excessivo, da primeira de quatro noites de Festival à porta de casa.

O Sol da Caparica, em tempos longínquos ainda que o Festival só conte 11 anos de existência e teve que lidar com uma pandemia pelo meio, já chamou bons e grandes nomes. GNR que nos trouxeram aquelas músicas da adolescência, Xutos & Pontapés e mais do mesmo, Jorge Palma que deu um grande concerto, são só 3 grandes nomes que já por aqui passaram. Agora, é ver a qualidade dos artistas a ser substituída pela quantidade de bilhetes vendidos. Quando em tempos os bilhetes chegaram a esgotar, hoje olho para o cartaz e quase me atrevo a dizer que, este ano, não devem faltar bilhetes por aí…

Enfim…o barulho este ano incomoda-me. Muito. Mas, admito, o problema até posso ser eu que estou muito sensível ao ruído.

01h45m da manhã. Do Parque já não chega barulho. Há sossego. Mas é notório o aumento da circulação automóvel pouco habitual a esta hora.

Ainda é só a primeira de quatro noites. Vai ser mais fácil de suportar o barulho que tem hora marcada para terminar do que o calor infernal que parece ter vindo para ficar…

{#225.141.2025}

Calor.

Muito calor.

Tanto calor…

Demasiado calor!

…e eu não (sei se) aguento…

{#224.142.2025}

Café ao fim do dia na esplanada do costume para desligar o chip. Desligar do quê, se não fiz rigorosamente nada o dia todo para além de sobreviver e ver o tempo passar? Pois…também não sei. Nem interessa.

Quando, à mesa da esplanada, seja ela a esplanada do costume, a esplanada das mesas infinitas ou até mesmo a esplanada do Parque que hoje está fechada, dizia eu que, quando à mesa da esplanada, o lugar em frente está vazio ou, como agora, ocupado com a minha mochila, podemos confirmar com 99,999% de certeza que a tal rede de apoio, aquela de proximidade que até podia combinar um café, um almoço, um jantar, um lanche, uma coisa qualquer!, isto, claro, se houvesse vontade!, podemos confirmar que a tal rede de apoio de proximidade simplesmente é inexistente. Não existe. Não há! Mas há tabaco. Há tubos. Há máquina para encher. Há mãos, as minhas, que deixam cair tanta coisa. Há cigarros. Que fazem aquela tal de apoio que NUNCA me falta. Nos momentos bons. Nos menos bons. E especialmente nos maus e, até, muito maus. Nunca me faltou. Nunca me falhou.

Já o resto…

Mas vir à esplanada do costume e fumar um único cigarro? Now that’s a first…!

Agora, podem seguir. Não há nada para ver aqui. E telemóvel para atender? Se ele não toca…

{#223.143.2025}

Continuar a fazer de conta? Sempre. Fazer de conta que não estou zangada. Muito zangada. Comigo mesma. Tão zangada comigo mesma que acabo por descarregar nos outros. Que não têm culpa de nada.

Na verdade, eu também não tenho culpa de absolutamente nada! E, afinal, é comigo mesma que estou tão zangada. Apenas continuo a fazer de conta que não. Que não estou zangada. Que está tudo bem. Que não se passa nada. Que…sei lá eu que mais! É para fazer de conta? Então eu faço, pronto! Até porque já não sei estar de outra forma…

E tento, ou continuo a tentar, vá!, fazer de conta que não estou zangada. Comigo mesma. Com o Mundo em geral. Mas, já percebi, acabo por disparar nas direcções erradas…

Preciso muito de duas coisas, tão simples e tão complicadas: chorar, que continuo a não conseguir, e fazer acontecer aquela minha vontade de “meet me halfway”. E, ao fazer acontecer esta segunda, é mais do que certo que a primeira seria facilmente conseguida.

Mas, como dificilmente alguma delas irá acontecer, continuo como sempre: a brincar ao Faz de Conta.

{#222.144.2025}

Plano para os próximos 25 dias, a começar amanhã: deixar de fumar…
São mais do que muitas as razões para deixar de fumar. São também muitos os motivos que ainda me fazem pegar num cigarro…porque, por exemplo, o tabaco tem estado sempre lá para mim nos momentos bons, nos momentos menos bons e, especialmente!, nos momentos maus e até nos muito maus. Nunca me falhou. Tem sido aquela rede de apoio que me falta tanto, a tal rede de apoio de proximidade. E não, quem nunca fumou um cigarro não vai conseguir entender. Nem eu preciso que entenda. Mas, lá está!, na ausência dessa tal rede de apoio de proximidade o tabaco esteve SEMPRE presente…

Foi precisa uma consulta de Cessação Tabágica? Foi. Depois do alerta do Neurologista em Fevereiro de 2024 já percebi que não podia ser de outra forma. Aliás, soube-o logo na altura…

Agora, depois de acordar datas com o Pneumologista e de ter investido na medicação que me irá ajudar (e espero mesmo que ajude!), tenho 25 dias para estruturar os meus dias sem a minha rede de apoio de proximidade.

Amanhã, dia 11 de Agosto, começa o rígido plano de deixar de fumar. Sendo que o último cigarro tem que acontecer antes de dia 15.

Se vai ser fácil? Adorava dizer que sim! Mas desconfio sempre de facilidades. E pensar que, dentro de muito poucos dias!, fico num trapézio sem rede a caminhar na corda bamba…assusta-me. Não o nego…

Já sei, como tudo o resto é um dia de cada vez. Pois que seja. Vou só ali preparar o mealheiro para começar a fazer poupança com o que não vou gastar em tabaco para oferecer a mim própria um fim de semana longe daqui. Não só preciso como também mereço! Ou será ao contrário? Já nem sei…

{#221.145.2025}

…frustração também é isto…
Vir ao Fórum com os meus sobrinhos e não conseguir acompanhá-los. Querer ir a 3 lojas, todas no mesmo corredor, demorar horas para chegar onde quero. E perceber, nos olhares, nas expressões não faladas, nos poucos comentários que fazem, a frustração dos 2 homens da minha vida para me acompanharem…

E ouvir, do microsobrinho “tia, larga lá a bengala, tu consegues andar sem ela!” ou “consegues andar mais depressa, não consegues?” e ainda “mas não te consegues equilibrar porquê? És um bebé agora?”…e ter que ouvir e calar. E, mais uma vez, engolir o que não processo.

Já lhe expliquei várias vezes o que tenho. Como me afecta. O que se passa com o meu cérebro. Também sei que, aos 12 anos, ainda não é fácil compreender toda a informação que até para um adulto é tantas vezes difícil. E também sei que, para ele, também não está a ser fácil aceitar a nova tia…

O mais velho não se pronuncia. Não comenta. Não diz nada. Tenta acompanhar o meu passo. Até se fartar e desaparecer no passo rápido dos 15 anos.

Frustração também é isto tudo. Que eu dispensava não fazê-los passar por isto. Mas esta é a nova tia dos 2 homens da minha vida. E a minha vontade é pedir-lhes desculpa, mesmo sabendo que não tenho culpa de nada…

A vontade, num dia particularmente difícil como o de hoje, é chorar. Enrolar-me sobre mim mesma, deixar-me ficar em posição fetal. E chorar…

…mas não consigo e eles não têm culpa nenhuma de eu estar assim…e eu também não…

{#220.146.2025}

Sexta feira. Fisioterapia de manhã seguida de nova consulta com o Fisiatra da clínica para novo ciclo de tratamentos. Que, já se sabe, serão para continuar indefinidamente. Yoga ao fim da tarde. Onde, mais uma vez, confirmei que ainda me consigo surpreender a mim mesma com o que alcanço nesta prática tão exigente.

De resto? Mais um dia sem História ou estórias…

{#219.147.2025}

Há dias em que, na Fisioterapia, ir à marquesa é sinónimo de dor, lágrimas que não caem e muito “não quero!”…

Eu sei que a Fisioterapia diária é a minha maior aliada para continuar a conseguir, simplesmente, ir. Não interessa onde. Apenas conseguir ir. Com passos pequenos, inseguros nunca incertos, equilíbrio precário, mas ir!

Hoje foi um desses dias carregados de “não quero!”, muitas dores nos músculos das pernas moídas pelo calor e muitas lágrimas que não caem. Que continuam a não cair. Nem com as dores violentas nas pernas, ao fazer aqueles exercícios tão simples, tão básicos!, nem assim as lágrimas ousaram cair…

Sim, a Fisioterapia hoje foi, novamente, uma manhã de choro sem lágrimas. O que eu queria agora? Um colo. Aquele colo que me acolhe, me aconchega, me protege, me permite ser eu como sou e como estou. Aquele colo onde me permitiria desabar, cair, barafustar, explodir para não implodir…e finalmente sentir as lágrimas a molharem o meu rosto.

…porque desde as 9h30m, hora a que entrei na Fisioterapia, ainda não parei de chorar. Chorar sem lágrimas, mas chorar…

Some days are better than others. E hoje tem sido particularmente mau, difícil e muito doloroso…

——-

…passa das 20h30m e eu já devia estar em casa para jantar com aqueles que são, serão (para) sempre!, os homens da minha vida. Já não aplico o diminutivo “homenzinhos” porque, quando já olho um deles nos olhos a direito sem necessidade de olhar para baixo, deixa de ser possível aplicar o diminutivo.

São os 2 homens da minha vida que crescem a olhos vistos, quando o mais velho já está só a 2 cm de ter a mesma altura que eu e que, já me disse, já percebeu porque é que lhes estou sempre a pedir abraços. E dá-os tão bem e tão bons.

Nenhum dos dois me chama pelo nome. Chamam-me pelo que lhes serei sempre e para sempre: tia. E, já sabemos, não troco esse título por nada.

O que eu queria mesmo agora era um daqueles abraços do Miguel, que desde cedo se habituou a dar abraços à tia mas que só recentemente a irmã de 18 meses o fez perceber o quanto são bons, o quanto sabem bem, o quanto fazem bem…

Passa das 20h30m e eu voltei à esplanada do costume, aquela onde venho há 16 anos e da qual acumulo uma lista interminável de queixas…

…e, ao sentar-me à mesa da esplanada, exactamente no mesmo sítio onde há uns anos chorei copiosamente ao ouvir uma música na rádio, a mesma rádio desse momento passa agora exactamente a mesma música que me fez chorar tanto enquanto escrevia no meu caderno o que tanto me doía…

Hoje, a mesma música, uma vontade imensa de chorar e as lágrimas sem cair, o caderno na mochila e a caneta sem ser usada, e a cabeça tão longe daqui novamente a 135km de distância…

Quando voltar para casa não vou pedir um abraço ao Miguel. Sei que rapidamente mo daria, sem questionar. Mas também é provável que eu chore, como neste momento, ainda que sem lágrimas. E não quero que ele me veja assim. Nem ele nem o Filipe, os 2 homens da minha vida que o serão sempre e para sempre.

Nem a mesma música na mesma rádio e sentada no mesmo lugar na mesma esplanada me consegue fazer chorar. As lágrimas insistem em não cair…e eu estou à beira da implosão. Tal altamente não recomendada…

{#218.148.2025}

O café na esplanada do costume foi servido. Como sempre, cheio, intenso e sem açúcar. Quem quiser café com complementos que venha até cá e o peça. Até porque eu tinha imposto a mim mesma um limite horário: 15h15m. Para poder ter tempo de descansar depois de uma noite demasiado curta e difícil e estar minimamente em condições para, daqui a pouco, ir alongar braços e pernas na aula de Yoga.

Recusei trazer comigo o caderno cor de rosa, aquele que aguarda pacientemente que eu lhe deposite as palavras, já sobejamente conhecidas, que farão aquela carta de amor, ridícula como todas as cartas de amor!, prometida há tanto tempo. Demasiado tempo…

Café na esplanada do costume, não necessariamente na mesa de sempre, lá ao fundo, no cantinho que em tantos Invernos me abrigou. Da chuva, do vento, das pessoas, do Mundo…

Mas hoje não procuro esse abrigo. O abrigo que há tanto tempo procuro, o abrigo em forma de abraço que há tanto tempo aguardo, continua a não vir…

Etapas de contra-relógio. A correr contra o tempo. E a ver o tempo a esgotar-se. Desfiles acompanhados? Nada disto é para mim. Nada disto é o que eu preciso. Nada disto é o que eu procuro.

Na coluna de rádio da esplanada do costume a M80 faz-nos chegar as palavras e a voz de Pedro. Abrunhosa de apelido. Mas sempre mais um Pedro… E as lágrimas que teimam em não me cair fazem os meus olhos brilhar.

É, novamente, o nó na garganta de quem continua a engolir sem digerir e processar aumentando a pressão do alto risco de implosão. É, novamente, o gelo no estômago de quem sente a morte das borboletas na barriga que não têm para onde voar.

O meu limite horário das 15h15m está largamente ultrapassado. Recolho o caderno que não abri. A esferográfica que não gravou palavras no papel. Mas não me esqueço que o caderno serve para me relembrar de que, seja o que for!, faço-o à MINHA maneira.

Agora? Recolho ali à minha bolha. Volto a vestir a minha armadura. Sem cor.

Sigo sempre sem pressa. E não corro contra o tempo. Etapas de contra-relógio? Assim como os desfiles acompanhados, não são para mim…

{#217.149.2025}

A fazer de conta desde 1977, porque não continuar…? Afinal, já sou especialista nisso…

…e esta noite, em que luto comigo mesma, faço de conta. Que não faz mal. Que entendo. Que aceito. Que não me dói. Que não me magoa. Que não previa já que o tempo, contado quase ao segundo, se iria esgotar rapidamente. Tão rapidamente que se torna visível a falta de esforço para fazer acontecer. Promessas que nunca o foram porque, na verdade, nunca existiram. Assim como o esforço. Inexistente quando tão necessário…

Faço de conta. Como não? Faço de conta que não engoli mais uma daquelas coisas que, noutros tempos, facilmente me fariam chorar. Faço de conta que não senti, como nunca pensei sentir neste caso, o gelo no estômago que matou todas as borboletas que tinha na barriga. Faço de conta que não senti aquele nó na garganta de quem só lhe resta engolir a frustração causada pela ausência de esforço. Faço de conta que consigo verter as lágrimas que, estupidamente!, teimam em não cair. “Explodir para não implodir“, diz-me quem sabe. Explodir é urgente, implodir é perigosamente grave, ou gravemente perigoso. Ou ambos. Mas continuo a engolir o que deveria ser chorado. Continuo a acumular a pressão que ameaça a implosão. E continuo a fazer de conta.

Faço de conta. Que está tudo bem mesmo que esteja em luta comigo mesma bem depois da 1h da manhã sabendo que o despertador toca demasiado cedo. Porque ir dormir não é solução. Porque as vozes na minha cabeça voltaram para se rir. De mim. Que continuo a fazer de conta.

Faço de conta que choro. Porque chorar implica verter as lágrimas que teimam em não cair. Por isso, faço de conta. Faço de conta que não aprendi a chorar sem lágrimas!

A ausência de esforço para fazer acontecer dói. Ou dói-ME! A mim! Que procuro alternativas a desfiles acompanhados, alternativas que não acontecem. Por ausência de esforço para fazer acontecer…

Faço de conta. Que está tudo bem. Que a noite existe para silenciar as vozes na minha cabeça que se riem. De mim. Faço de conta que não as oiço. Faço de conta que aceito ceder à noite. Faço de conta que estou tranquila.

A fazer de conta desde 1977. Especialista em fazer de conta