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Se perguntarem por mim, dir-vos-ei que não estou. Esta que vos fala é outra que não eu.

{#196.170.2025}

…os meus dias começam a perder a cor… Aliás, já começaram a perder a cor há algum tempo…mas continuo a fazer de conta!

A fazer de conta que estou bem quando estou longe, tão longe!, de estar bem…
A fazer de conta que nada disto me está a consumir e a destruir aquela parte de mim que teima em enfrentar e resistir e que aceita todos os desafios…
A fazer de conta que não sinto absolutamente inútil e um imenso fardo para quem me está mais próximo…
A fazer de conta que chorar não é para mim, quando é!, quando me é urgente!, quando me é tão necessário, quando…quando chorar é tudo o que me resta para lamber as feridas, aceitar isto que me apanhou na curva, aceitar as minhas já imensas dificuldades e limitações, quando chorar, neste momento, é o que mais preciso e nem isso consigo…

Os meus dias começam, ou continuam!, a perder a cor. Cor que tenho usado para continuar a fazer de conta. Cor que me é negada quando tento, quase desesperadamente, extravasar o que continuo a engolir calada e me dizem “já chega!”, “já percebi!” e “não é a hora nem o local para isso”…

Lamento! NÃO CHEGA! NÃO percebeste! NÃO HÁ hora ou local certo quando tudo isto me DÓI! TODOS OS DIAS! E TODOS OS DIAS VAI CONTINUAR A DOER!

Deixem-me falar…deixem-me extravasar…quero, preciso!, de recuperar a COR nos meus dias cada vez mais negros, sombrios, doridos e doídos! Por isso…

…não me exijam que me cale…

Não é justo para vocês? E para mim? É?!

Só peço um espaço seguro onde possa extravasar, dizer o que me dói, dizer o quanto me dói… Sem ter que perguntar “e EU?!”

…os meus dias começam a perder a cor…e eu preciso de a reencontrar. Rapidamente. E em segurança. Porque brincar ao Faz de Conta também cansa. E, acima de tudo, destrói…

(…não me exijam que me cale…porque eu não aguento muito mais…)

{#195.171.2025}

Eu sei. Ainda tenho muito para aprender quanto a isto que me apanhou na curva. Ainda sou uma novata. E, por muito que já tenha lido sobre isto, desde informação clínica a partilhas de experiências de quem passa pelo mesmo diagnóstico, não há teoria que se aproxime da prática. Ler o que vem nos livros parece simples. Até ao momento em que se começa a sentir na pele aquilo que é a nossa realidade.

Doença das Mil Caras, chamam-lhe em português. Snowflake disease, em inglês, ou doença Floco de Neve. Duas pessoas podem ter exactamente o mesmo diagnóstico, dificilmente terão exactamente as mesmas queixas, os mesmos sinais e/ou sintomas.

É importante, claro, receber as partilhas das experiências de outros. Ajuda-nos a perceber como podemos (ou não…) ser afectados. Ajuda-nos, na verdade, a perceber que não estamos sozinhos. Mas estamos…

Estamos sozinhos quando temos que nos adaptar a algo que não é visível e que só nós tentamos entender o porquê e que só nós sentimos. E, por muito que falemos e partilhemos o que nos dói, física ou psicologicamente, quem está de fora nunca terá a verdadeira percepção do que sentimos. Não é como uma constipação. Não é como uma gripe. Não é como qualquer outra doença pela qual já todos passámos, que foi tratada, curada, ultrapassada.

Percebi hoje que a dor é algo a que tenho que me habituar. As dores nas pernas. Na barriga das pernas. Não sei se haverá forma de aliviar as dores. Sei, sim, que as dores nas pernas conseguem ser muito limitantes. Não quero dizer que são incapacitantes, mas…

Tenho tanto que aprender. Tenho. Mas recuso-me a querer meter o Rossio na Betesga. E é o que tenho visto por aí. Quando falam em doenças crónicas. Quando querem meter num mesmo saco toda e qualquer doença crónica. Quando não é possível fazê-lo. Porque nem todas as doenças crónicas são tão severas ou até mesmo tão graves.

Diagnosticada aos 20 anos com Hipotiroidismo de Hashimoto, passei já mais de metade da minha vida com uma doença crónica. Que é, também, auto-imune. Requer vigilância e medicação permanente, análises anuais para controlar valores, ecografia anual para controlar nódulos. Provoca cansaço, dificuldade para perder peso, predisposição para Depressão. Incapacidade? Dificuldades motoras e/ou cognitivas? Nem de longe nem de perto. Por isso me custa tanto perceber que há quem queira meter o Rossio na Betesga. E, pelos vistos, sem saber o que diz

Mas não me vou preocupar com isso. Não vale a pena. Tenho que me concentrar em mim. Única e exclusivamente em mim. No tanto que ainda tenho que aprender, no tanto que ainda tenho que me adaptar, no tanto que ainda tenho que suportar…

Volto a repetir para mim mesma: um dia de cada vez. E quando, como hoje, o dia for dorido e difícil, dou mais um passo e outro e ainda outro. Sempre sem pressa. Sempre sem pressão. E sem querer meter o Rossio na Betesga

{#194.172.2025}

Fim de semana a terminar. E a vontade é dizer “Finalmente!” como se fosse garantido que, com o início de uma nova semana, o que me incomodou bastante no fim de semana fosse simplesmente desaparecer. E estou a falar da dor e da fadiga

Dor que, aliada à fadiga, me condiciona desde sexta feira. Fadiga que veio sem ter havido qualquer uso excessivo de energia da minha parte e que tem sido sentida de forma quase extrema…

Dizem que é possível aprender a viver com ambas, a dor e a fadiga. E, até!, viver com qualidade de vida. Que já percebi ser o ponto fulcral no tratamento disto que não tem cura, que me apanhou na curva, que eu não procurei mas que me encontrou e veio para ficar…

Tenho, ainda, muito para aprender, muitas perguntas para fazer, muitas coisas que me assustam e preocupam e me fazem jurar a pés juntos que vou ultrapassar e vencer. Mesmo sem ter qualquer certeza de que o conseguirei fazer…

…e, no meio deste turbilhão de emoções e confusões e supostas ilusões, continuo a não conseguir chorar…

…e preciso tanto! Porque eu sei que sou mais do que isto. Mas tenho tanto medo de me perder de mim mesma por aí…

{#193.173.2025}

Fadiga não é o mesmo que cansaço. É pior. Muito pior…!

Há algum tempo que tenho repetido esta premissa para mim mesma, talvez para não ser apanhada de surpresa, talvez para entender melhor o que pode ser na realidade, talvez para me preparar para a receber. Não sei…

Sei, sim, que há já alguns dias que o meu corpo sussurrava alguns sinais que eu tentei perceber mas que ainda não entendia a real magnitude da mensagem. Até que o que eu achava ser apenas cansaço me apanhou com força…

Começou a ontem. Quando colapsei em cima da cama antes das 4 da tarde para acordar depois das 10 da noite. Avisei que não iria ao Yoga e segui as recomendações do Professor Pedro: descansar!

Comi qualquer coisa lá pelas 11 da noite. Pouco depois da meia noite apaguei novamente e de forma tão rápida que a mensagem que eu estava a escrever ficou ali pendurada à espera que carregasse no botão “Enviar”…

Ainda não eram 8h da manhã quando acordei. Fui à rua beber café antes das 11h, voltei para casa bem depois do meio dia. E foi aí que percebi o que é então esse monstro chamado fadiga…

Tudo o que faço é feito com um esforço desmedido porque não há energia para nada. Até respirar fundo cansa. Mas continuo sempre a achar que eu consigo. Não sei bem o quê, mas consigo!

…só que não. Não quando a fadiga se instala desta forma logo de manhã depois de ter feito…nada! Ainda não tinha saído de casa quando a senti a instalar-se. Mas insisti na ideia de que eu consigo! Não sei bem o quê, mas consigo!

Fui beber café, despedi-me da Marli do sorriso maravilhoso, fiz questão de ir à mercearia e tive que me obrigar a ter energia para voltar para casa. Não sei como consegui, mas a verdade é que não podia ficar na rua até ter energia novamente para fazer o caminho de volta…

Fadiga é um monstro. Já sei que ainda tenho muito que aprender. E lidar com este monstro faz parte da extensa lista. O que não posso é deixar de fazer seja o que for, nem que seja só ir ao café ou à mercearia, por causa deste monstro e/ou disto que me apanhou na curva. Porque eu continuo a achar que posso ir e consigo fazer. Não sei bem o quê, mas consigo!

…só que não…!

…quem é que eu quero enganar?

{#192.174.2025}

Que fadiga não é o mesmo que cansaço eu já sei. Pelo menos na teoria já assimilei muita informação. Na prática tenho começado a reconhecer alguns sinais. Mas, ingenuamente, continuo sempre a achar que posso insistir mais um bocadinho, que não vai fazer mal, que vou recuperar como sempre recuperei, que isto, que aquilo, que aqueloutro, que mais não sei quê, que mais não sei que mais…!

Até que chegas ao dia em que colapsas na cama antes das 16h para só acordar depois das 22h. E, mesmo assim, 2 horas depois, estás prestes a colapsar novamente…

Não, fadiga não é o mesmo que cansaço. É pior. Muito pior…por isso, por hoje não dá para mais. Amanhã? Logo se vê…

{#191.175.2025}

Há dias estranhos. Muito estranhos. Que não são nem bons nem maus. São apenas estranhos. Esquisitinhos, mesmo. Mas, até nesses dias, assim como nos bons, mas especialmente nos maus!, ele está sempre.

E esse é aqui ao meu lado, de mão dada comigo, desde o primeiro dia. À distância de um clique, a 135km de distância física mas não mental, mais perto ou mais longe mas nunca longe demais.

Ele, alguém que não esperava, da forma que não contava, uma história a dois desde há dois anos como não sonhava.

Se me dissessem, há 3 anos, que 1 ano depois se dava início a esta história a 2? Muito provavelmente diria que seria impossível de acontecer…

…mas aconteceu. E acontece todos os dias! Eu e ele. Ele e eu. Nós os dois. E, venha quem vier, venha o que vier!, é de mão dada que seguimos. Sempre. Juntos.

O resto? Não sei. Não interessa. É só mesmo o resto. Eu? Estou feliz. Ele? Também. O sorriso no rosto de cada um de nós não mente. E garante que não há impossíveis. Ou não estaríamos aqui, assim, os dois!

Se gosto muito dele? Não! Gosto ainda mais do que isso e não conheço nenhuma palavra que consiga quantificar o tanto que gosto!

Eu e ele!

Ele e eu!

Nós!

O resto? Não quero saber. Nem interessa. É só mesmo isso: o resto!

{#190.176.2025}

…não vou negar que o rumo que o Mundo está a tomar me preocupa, me assusta, me deixa (muito) apreensiva. A velocidade e, até!, a facilidade com que o ódio se espalha, por motivo nenhum que não o ser diferente, faz qualquer um ficar de pé atrás. E o rumo que as coisas estão a tomar é demasiado assustador…

Espalhar o ódio é muito fácil. Tão demasiado fácil. Tão assustadoramente fácil…

Eu sou pelo amor. Nem mais, nem menos. Amor. Apenas e só amor. Pode não ser o caminho mais fácil, e eu nunca gostei de caminhos fáceis que não levam a nada de bom!, mas eu escolho sempre o amor em primeiro lugar. Porque eu sou amor. E a minha religião é essa mesma: amor!

Vou continuar atenta como tenho feito até agora. E tentarei, sempre!, espalhar o que de bom e melhor tenho para dar: amor.

{#189.177.2025}

…cada vez me apetece menos porque cada vez me dói mais. A fisioterapia. Os exercícios físicos intensos na marquesa. O trabalho de subir escadas e voltar a descer e ter que enfrentar, na descida, aqueles dois primeiros degraus que o meu cérebro já não consegue processar correctamente e onde tenho verdadeiro medo de cair. Sei perfeitamente que são dois degraus distintos. Sei perfeitamente onde começa e acaba cada um deles. Sei perfeitamente o tamanho de cada um. Mas são os dois primeiros degraus a descer e o meu cérebro teima em transmitir-me uma imagem incorrectamente processada que me leva ao medo. Ao medo que impede o movimento das minhas pernas que demoram a reagir e a dar o primeiro passo para descer…

Mas, mesmo sentindo esse medo que me paralisa os movimentos, mesmo sabendo que aqueles dois degraus que o meu cérebro processa incorrectamente como se fosse um só sabe Deus a que nível, mesmo sabendo que aqueles dois degraus são realmente dois em níveis diferentes e não um só num qualquer nível que não sei qual é, mesmo sentido esse medo, mesmo sabendo que são dois e não um, mesmo que o primeiro passo demore demasiado tempo até acontecer, mesmo que o meu corpo me diga que está cansado de toda essa rotina diária e peça descanso, mesmo tudo isso!, é na fisioterapia que me encontram. Todas as manhãs durante a semana, é lá que me recordo a mim mesma que todo o trabalho que lá faço é para continuar a dar os meus passos. Passos pequenos, inseguros nunca incertos, equilíbrio precário que resiste, força motriz que insiste. É ali que continuo, e irei continuar!, a tomar conta de mim!

Não me apetece ir novamente amanhã. Mas vou. Porque não ir é sinónimo de desistir. E eu não quero isso para mim. Continuo muito perdida de mim mesma. Mas, para me reencontrar, a procura também passa por ali…

Não me apetece ir amanhã. As dores nas minhas pernas dizem, agora, que não querem. Mas, não duvido!, com o tempo irão acabar por me agradecer…

Muito confusa, muito perdida, muito à procura de mim. Foi algures que me perdi de mim mesma. Será algures que me irei reencontrar. Seja lá esse algures onde for. Até pode vir a ser na fisioterapia…

{#188.178.2025}

…mesmo nos dias em que mais me custa, nos dias em que a vontade inicial é desistir, mesmo nesses dias, ou especialmente nesses dias!, se é para ir, vou!

Perdida de mim. Sem mapa ou GPS para me reencontrar. Procuro-me nas pequenas coisas. Procuro-me nas grandes coisas. Procuro-me em todas as coisas! Procuro-me

Não sei exactamente onde me perdi. Não sei exactamente como me perdi. Não sei exactamente o que de mim perdi…

procuro-me. Sem mapa ou GPS. Resta-me confiar na luz das estrelas. Na sabedoria do Universo. Em mim mesma acima de tudo…

{#187.179.2025}

Se é para ir, não hesito. Vou. Em frente, passos pequenos, nunca incertos, equilíbrio precário que resiste, força motriz.

Medo. Percorre o corpo. Paralisa. Força motriz que insiste. Se é para ir, vou. Em frente, sempre. Não hesito. Sem apoio. Sem rede. Com medo. Sempre. Vou.

Pequenos passos. Inseguros, o valor das pequenas coisas, nunca incertos. Equilíbrio precário que resiste ao abalo das ondas. Em frente. Se é para ir, vou.

Não há garantia. De nada. De ninguém. Do amanhã. Tudo muda. Tudo pode mudar. A qualquer momento. A qualquer instante.

Pequenos passos. Inseguros. Nunca incertos. O imenso peso, o enorme valor. Das pequenas coisas num equilíbrio precário. Que resiste. Força motriz que insiste. Não hesito. Se é para ir, vou.

Pequenos passos. Inseguros num equilíbrio precário, resiste ao abalo das ondas. Passos inseguros, nunca incertos. O peso, valor quase sagrado e imenso das pequenas coisas que não dão nada nem ninguém por garantido.

Pequenos passos, inseguros nunca incertos. As pequenas coisas num equilíbrio precário que resiste. Força motriz que insiste. O abalo das ondas que nada garante. Nem ninguém.

Se é para ir, vou.
Agora para que o depois não seja já tarde demais…

————–

Os passos são pequenos. São inseguros mas não incertos. Vou. Vou sempre. Se é para ir.

…mas há um antes e há um depois. E esse depois é agora.

E é esse agora que dói. Dói tanto. Dói ainda mais saber que não é possível voltar ao antes quando eu nem aceito o depois. Esse depois que é agora! Que me agita! Que me revolta! Que me dói! Tanto! Que me grita que preciso, muito!, de chorar! Com urgência!

…não consigo chorar! Continuo a não conseguir chorar! E continuo a engolir em silêncio esse depois que é agora, que me dói, muito, tanto!, que me consome em silêncio e a seco porque as lágrimas teimam em não cair e eu preciso TANTO que elas caiam! Agora! Que é esse tal depois que veio sem licença tomar o lugar do antes!

…do que EU era antes…que não era assim…que conseguia chorar quando a dor era maior do que eu…

O que era EU antes…tenho saudades desse EU de antes…que não volta mais…e esse não poder voltar dói. Muito! Tanto…!

…e eu de agora, desse depois do que era antes, preciso MUITO de descongestionar o que não me deixa chorar! Porque eu não consigo chorar…!

…e preciso tanto de o fazer…

(…e sussurro, baixinho, um urgente pedido de ajuda que ninguém parece ouvir…………)

{#186.180.2025}

Pequenos passos. Inseguros, mas com a certeza do valor das pequenas coisas. Equilíbrio precário que resiste ao abalo das ondas.

Não deixar nada por dizer. Não deixar nada por fazer. Não deixar nada para depois. Se é para ser, é agora. Não deixar para quando já for tarde demais.

Não dar nada por garantido. Não dar ninguém por garantido. Tudo muda. Tudo pode mudar a qualquer momento. Não há garantia de nada. Nem do amanhã. Especialmente do amanhã…

Pequenos passos. Inseguros. Pequenas coisas que ganham uma enorme dimensão num equilíbrio precário que resiste ao abalo das ondas.

Esta sou eu. Esta também sou eu!

………se até o Mar se recolhe na maré vaza, se até o Mar procura o conforto do confronto………

Pequenos passos. Inseguros num equilíbrio precário que resiste ao abalo das ondas. Passou Inseguros, nunca incertos. O valor imenso das pequenas coisas que não permitem dar nada nem ninguém por garantido.

Um Tsunami originado por um Terremoto com epicentro longínquo. Ondas de choque não garantidas. Réplicas não desejadas…

Pequenos passos, inseguros nunca incertos. As pequenas coisas num equilíbrio precário que resiste. O abalo das ondas que nada garante. Nem ninguém.

Não deixar nada por dizer. Não deixar nada por fazer. Agora para que o depois não seja já tarde demais…

Eu, assim. No conforto do confronto…

{#185.181.2025}

Cheguei a casa, à hora de almoço, e na televisão, em directo de Gondomar, o Primeiro Jornal da SIC acompanhava os preparativos para os velórios de Diogo e André. Os velórios que ninguém queria com aquelas idades, 28 e 25 anos…

Depois de contarem os percursos de Diogo e André no futebol, nacional e internacional, uma ligação a Liverpool. Ao estádio onde tantas vezes se cantou “His name is Diogo” e para onde agora os adeptos se dirigiam. E a certa altura o repórter refere a quantidade de camisolas e cachecóis que os adeptos iam deixando em homenagem a Diogo. E, estupidamente!, dou por mim a pensar “mas porque é que deixam camisolas e cachecóis…?” para, subitamente, levar um daqueles estaladões que não se vêem e ouvir a minha própria versão aos 13 anos a gritar com a minha versão dos 48 e a relembrar “TU TAMBÉM DEIXASTE O TEU LENÇO DOS ESCUTEIROS NO CAIXÃO DO RICARDO!“…

foi há 35 anos. Continua a doer hoje como doeu aos 13 anos. E sim, no dia do funeral, aproximei-me do caixão do Ricardo, tirei o meu lenço de Júnior, investidura há tão pouco tempo, e deixei-o em cima daquele corpo que, para mim, já não era o Ricardo. Deixei o lenço simplesmente porque o senti na altura. E hoje percebi porque o fiz. 35 anos depois, percebi.

A morte do Ricardo, aos 13 anos, levou também um pouco de mim. Um pouco de nós todos. E, por isso mesmo, deixei com ele o lenço de escuteira que, por insistência dele, voltei a ser 3 anos depois. Eu deixei o meu lenço. Tantos de nós deixaram também. Lenços. Bóinas. Facas de mato. Pedaços de cada um que ficaram ali, parados no tempo de uma morte inesperada. Que nos marcou a todos. A ferro quente. Porque não é suposto perdermos ninguém com aquela idade. Naquela idade. Um vizinho. Um amigo. Um irmão. No meu caso um namorado

Percebi então a entrega de camisolas e cachecóis dos adeptos no estádio do Liverpool pelo Diogo. Porque, com o Diogo, com o André, também cada um daqueles adeptos perdeu um pouco de si.

Hoje fez-me sentido. 35 anos depois. Fez-me sentir

35 anos depois ainda dói. Muito…

{#184.182.2025}

Não, o dia hoje não foi fácil…
Parecia estar a correr normalmente, apesar de ter perdido o autocarro, mas segui o meu caminho no autocarro seguinte até Almada para a Fisioterapia, tranquilamente de phones nos ouvidos a ouvir o programa da manhã da rádio como em todos os dias normais. Bem disposta, a rir sozinha com o que me chegava nos phones. Uma equipa sempre bem disposta e bem humorada, muita rebaldaria que hoje parecia mais aguçada, muita risota, muitos disparates para começar bem mais um dia de muito calor. Parecia, portanto, mais um dia normal.

Até que, antes das 9h15m, aquela voz que nos habituámos a ouvir a conduzir o programa, que nem maestro, entra no ar num tom sério com a notícia que ninguém quer dar: morreu Diogo Jota. E o irmão André Silva. 28 e 26 anos respectivamente. Dois miúdos, portanto.

O Diogo e o André não me eram nada. Não me eram família. Não me eram amigos. Não me eram nada. Eram “só” jogadores de futebol que me entravam em casa pela televisão muito de vez em quando. Não me eram nada. Mas passaram a ser aquele abanão que, de vez em quando, preciso.

Aquele abanão que me relembra que o “Depois faço”, o “Depois digo” pode tão rapidamente transformar-se em “Agora é tarde demais…”…

Em 2013 tive um abanão desses. Nessa altura adoptei o lema “Não tenho tempo para perder Tempo” e prometi a mim mesma priorizar o “Aqui e Agora“. Mas o tempo vai passando e acabei por me desleixar com essa promessa. Encostei-me não sei bem onde. Dei demasiadas coisas por garantidas. E a notícia desta manhã do Diogo e do André foi o tal abanão que estava a precisar…

Foi um choque. Pelas idades, por tudo o que acabou ali. De forma completamente aleatória e absolutamente injusta.

Pensar nisso dói-me. E, também por isso, fiz questão de reforçar junto dele o que trago cá dentro. Que ele já sabe, mas que eu faço questão de repetir. Tantas vezes quantas me apetecer. Porque há 2 anos ele é o meu farol nos momentos escuros, é o meu porto seguro nas minhas tempestades.

Não deixo nada por dizer. Porque não vou dar a hipótese a um “Depois” de se tornar um “Tarde demais”…

É uma merda… É.

É uma grande merda…

{#183.183.2025}

Depois de mais uma noite com pouco mais de 3 horas dormidas por causa daquela estupidez de dor que aparece à noite e se intensifica com o calor para desaparecer quando aplico a placa de congelação, hoje foi dia de regressar à Fisioterapia.

E na Fisioterapia fiquei a saber que o Zé, o Fisioterapeuta, tem uma fama que o precede. Fama de ser violento na manipulação das pernas de quem trata. E, a rir-se, diz-me que a culpa da fama que tem é minha. Porque, quando as velhotas assistem à manipulação das minhas pernas, começam em coro a dizer “coitada da miúda! Ele dá cabo da miúda!”. E acabei eu a rir também, claro. E assumo a minha parte da culpa. Porque, já sei, ao levantar uma perna mantendo a outra esticada consigo uma abertura bem para lá dos 90 graus. Digamos que tenho uma abertura um bocadinho obtusa em termos de graus. E elas, como os outros Fisioterapeutas da clínica, ficam de boca aberta a assistir à violência dos tratamentos com o Zé. Já eu e Zé rimos. Muito! E qualquer dia estamos os dois no Cirque du Soleil por causa da minha abertura de mais de 90 graus. E continuamos a rir os dois. E rimos bastante à conta do coro.

E foi também com o Zé que hoje percebi um pouco mais do que é este raio desta dor no meu braço. É uma dor neuropática causada pelos fios descarnados que deveriam conduzir a informação do meu cérebro para os nervos do meu braço mas que se cruzam pelo caminho e fazem curto circuito. Que dói. Muito! Demais, até!

Para chatear mais um pouco, a diplopia, também conhecida por visão dupla, não me larga e está a bombar. Quero ler. Mas, sem aquela pala num olho, vejo as letras a dobrar numa autêntica sopa de letras, o que torna a leitura impossível.

Com isto tudo, estou cansada, claro. Muito cansada. Tenho dores. Tenho calor. Tenho sono. O sofá é demasiado quente para o que eu consigo suportar. Por isso, já tenho os meus cuddle buddies em cima da cama à minha espera. E o mais provável é adormecer ainda antes de colocar a pala no olho e pegar no livro…

…e quem diria que, com esta idade, iria assumir o novo look de pirata? Não tenho perna de pau, mas quase. Também não tenho olho de vidro. Já cara de mau…tem dias!

{#182.184.2025}

Mensagens por responder? Tenho. Eu sei que tenho. Mas também tenho um calor de ananases, daqueles que não se aguentam. Mas isso, já sabemos, temos tido todos. Eu é que entrei em modo “Sobrevivência” ainda no final da semana passada e não dou para tudo. Até a fisioterapia está à minha espera desde a semana passada. Por isso, não me levem a mal. Eu não sou de não responder a mensagens, especialmente quando são daquelas boas de receber e que sabem tão bem. Essas sem dúvida que merecem ter resposta. E vão ter!

Entretanto, e para tentar refrescar um pouco, hoje foi dia (ou noite, vá…) de café depois de jantar na esplanada do costume. Aquela onde eu teimo em voltar porque…sei lá eu porquê!

Agora é hora de voltar para casa. Por incrível que possa parecer, está frio! Depois dos 35 graus de máxima, temos agora uns ventosos 21 e estou…a gelar! Nunca pensei ser possível dizer que tenho frio depois de um dia estupidamente quente, mas a verdade é que tenho! Por isso, com licença! Vou para casa!

{#181.185.2025}

Demasiado calor nos últimos dias. Daquele calor que ninguém aguenta. Eu sei que eu não aguento. Nunca aguentei. Agora, desde isto que me apanhou na curva, ainda aguento menos…

A última vez que saí de casa foi sexta feira para uma consulta no Hospital a meio da tarde e Yoga ao final do dia. De resto, tenho andado numa espécie de jogo das escondidas com o calor. Que me encontra sempre, por muito que eu me tente esconder dele…

Isto que me apanhou na curva já me tinha ensinado que há sempre coisas novas para aprender. Todos os dias. E agora calha-me estar a aprender o que é, de facto, a dor neuropática. Aquela que há várias noites me tem acordado dada a intensidade que pode ter. E o calor, aqui, é só mais um gatilho para despertar o que me faz vocalizar demasiado alto porque dói. Muito!

Não me recordo de quando foi a última noite que dormi por inteiro. Sei que não foi a última noite. Sei também que é impossível aguentar o calor do sofá onde poderia, eventualmente, recuperar à tarde das noites dormidas ao sabor da exigência da dor.

Esta noite já roça a madrugada. O calor mantém-se excessivo. Estou cansada do que fiz hoje: nada! Mas não nego que tenho medo do que me espera esta noite…

Não vou pensar muito mais. Vou tentar dormir. Não posso continuar a faltar à Fisioterapia. Faltei sexta feira. Faltei hoje novamente. Amanhã tenho que regressar. Custe o que custar. À tarde tentarei recuperar. Mas, de manhã, a Fisioterapia espera por mim.

Até lá, está muito calor. Demasiado calor…

{#180.186.2025}

Quando são praticamente 23h, não faltam muitos minutos para lá chegar mas sobram graus no termómetro que há dias regista o que é extremo, termómetro que a esta hora ainda marca 28 numa noite de Verão que chama para ir até à praia, quando são praticamente 23h…

…e, na véspera de mais uma semana excessivamente quente que vai me obrigar a enfrentar o calor da rua e do exercício físico, recolho ao cadeirão onde me encontro há horas sem perspectivas para me mexer, sem vontade de comer, sem conseguir arrefecer a minha pele fervente nem com uma toalha molhada…

A verdade é que há já alguns dias que não me sinto bem. Muito por causa do calor excessivo que se tem feito sentir. E já desisti de tentar dizer seja a quem for como o calor me faz sentir: mal! Por isso, resta-me aguentar o calor excessivo, aquele que faz com que às 11 da noite estejam 28 graus, aquela temperatura que até durante o dia é muito quente e que à noite nos chama a todos para a praia…

Estou realmente cansada. De não fazer nada porque o calor não deixa. De tentar, sem sucesso!, refrescar a temperatura da minha pele. Cansada de não estar bem de maneira nenhuma…

23h20m agora. 27 graus no termómetro. E não, uma descida de 1 grau não se nota. A noite promete. Mas não promete nada de bom…

{#179.187.2025}

Antes das 10h da manhã já o termómetro marcava 27 graus. Às 23h15m o termómetro marcava 26 depois de ter subido aos 38 às 17h50m. Alerta vermelho até segunda feira. E vontade de sair de casa…? Bem, ter vontade tenho. Muita! Mas coragem para enfrentar esta brasa? Não existe. Nem coragem nem condições nem coisa nenhuma…

As ventoinhas cá de casa estão em pleno funcionamento. As janelas que estiveram fechadas todo o dia para não deixar entrar o calor estão agora abertas numa vã tentativa de fazer circular o ar e deixar entrar um pouco daquilo que não existe: ar fresco.

Há muitos anos que digo que temperaturas acima dos 27 graus deveriam ser inconstitucionais. Mas ninguém me liga nenhuma. Por isso vou continuar a derreter por aí, ou seja, algures dentro de casa. Por muito que sinta uma imensa necessidade de sair de casa, não me parece que vá acontecer antes de segunda feira. A menos que seja para ir até às escadas do prédio onde está sempre fresquinho.

Relembro que estamos em Alerta Vermelho. Que significa risco extremo. Para a saúde e também risco extremo de incêndio. Mas, e não foi assim há muitos minutos, começou fogo de artifício algures. Não faço ideia onde. Só sei que, com o Alerta Vermelho, com risco extremo de incêndio, quem não cancelou o fogo de artifício é só alguém extremamente irresponsável. E estúpido, vá…

{#178.188.2025}

Uma noite para esquecer porque aquela coisa que eu chamo de estupidez fez-se presente a meio da noite. É possível que seja mesmo uma questão neurológica mas, já sei, “tem que falar com o seu neurologista”…pois, não é possível ser de outra forma.

E agora, já com a cabeça a cambalear e o sono a apertar, está mais do que na hora de desligar por hoje. Mas vou querer falar sobre a consulta de hoje. É-me importante.

…e descansar também…!

{#177.189.2025}

IN

VI

SI

BI

LI

DA

DE

……

…é das dores que não matam.

Mas moem. E doem.

muito…!