Author Archives: Kooka

About Kooka

Se perguntarem por mim, dir-vos-ei que não estou. Esta que vos fala é outra que não eu.

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Já tive melhores dias. 

Mas também já os tive piores. 

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De olhar para cima, as coisas boas: 15h30 e ela já lá está. 

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“Tens que cuidar de ti.”

Tenho. Como hoje. 

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O processo de corte é libertador. Mesmo que acompanhado pela raiva e pelo ódio. A raiva e o ódio fazem parte do caminho. E acabarão por passar. A libertação fica.

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Não vejo cor. Não procuro cor. Não sou cor.

Um dia hei-de ver, hei-de de encontrar, hei-de ser. Não hoje. Não agora. Não ainda. Não já.

O desequilíbrio é tão fácil. Tão simples. Chega a ser quase confortável. Quase desculpável? Talvez não. Mas está aqui. Tão acessível. Tão perto. Tão pronto. Tão meu. Tão Eu.

Corda bamba. Fio da navalha. Trapézio sem rede. Sei lá. Sei que não sei, não posso, não consigo, não quero voltar atrás. Não quero este registo negro que não me reconheço, não quero esta vontade de magoar por magoar, este ódio que se instalou em mim. Não quero. Não quero. Não quero. Mas sou, mas estou!, todo este registo desconhecido ou irreconhecível ou o que for. Desequilíbrio. Desequilíbrio. Desequilíbrio.

Falta de cor. Cores. Preto e branco mas não preto no branco. Sufoca-me.

Respiro sem dar conta, respiro sem respirar, respiro sem saber porquê, para quê. Movo-me, desloco-me, efectuo. Não faço nada. Fico estática em mim enquanto o corpo se move, se desloca, efectua. Um corpo mecanizado, autómato, automático. Por dentro imóvel. Sem vontade. Sem cor. Sem ar. Respiro sem ar. O que é isto? Já aqui estive? Não. Nunca foi assim. O ódio. Nunca fui assim. O ódio. Nunca quis assim. O ódio…

Que ódio é este? De onde vem? Serve para quê? O que faz? Não quero. Não sou assim. Não sou isto. Não sou ódio nem falta de cor nem imóvel num corpo automático que respira sem ar.

Um dia. A cor. O ar. O movimento. O Amor. Um dia. Um dia. Um dia. Entendo. Conheço. Reconheço. Não hoje. Não agora. Não ainda. Não já.

Isto é o quê?

Isto sou eu.

…e se um dia me despedir? Que diferença faz?

Nenhuma.

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Hoje? Hoje o ódio. Aquele mesmo ódio  que tinha prometido a mim mesma não sentir. Tinha-me prometido manter-te o respeito e até algum carinho pelo papel que tiveste. Mas hoje, hoje o ódio. 

O ódio que me faz andar na corda bamba, no fio da navalha, num separador de uma estrada movimentada a rasar carros em movimento. O ódio que me faz repetir para mim mesma que te matei em mim na noite de final de ano. O ódio que me faz desejar-te um feliz Ano Novo secretamente desejando que sintas um milésimo do que trago cá dentro. Do que me faz ser o que dizes que sou: instável. 

Antes instável que cobarde. Antes instável que fraca. Como tu. Que procuras soluções sem olhar os problemas de frente, sem os assumires como algo que precisa de ser trabalhado para ser resolvido. 

Antes o ódio. Antes o ódio directo e frontal que o silêncio cobarde de quem não olha os estragos que causou. Que se recusa a ver para não ter que se esforçar a reparar os danos. Antes o ódio que me faz mexer do que a cobardia de não sair da zona de conforto. 

Não, não quero isto para mim, este ódio que começa a consumir-me e a destruir-me ainda mais do que o teu silêncio cobarde, a tua indiferença também ela cobarde. Não quero andar no fio da navalha indiferente aos carros que passam a tão curta distância. Não quero perder o sono porque por dentro a inquietação não me deixa desligar. 

Não. 

Não quero o ódio. Mas hoje, hoje o ódio é tudo o que te tenho. E tenho pena também que nunca o venhas a saber. Porque se o soubesses terias, mais uma vez, a confirmação daquilo que tu próprio me disseste e que eu cheguei a duvidar: que acabas sempre por estragar tudo. E é isso que quero que recordes: as tuas falhas, os teus erros. E que convivas com elas diariamente para te pesarem o suficiente para perceberes que não, o problema não é eu ser instável, como tu me chamas. O problema é tu seres fraco. E consequentemente cobarde. 

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Ano Novo, vida nova, blá blá blá.

Ano Novo, livro novo. Páginas novas. Tanto para escrever. De preferência deixando no ano que acabou ontem os volumes anteriores. Trago comigo a continuação da história, que é minha, que é a minha. Deixo personagens para trás. Não lhes tenho lugar neste novo livro. Não lhes quero ter lugar neste novo livro.

Deixo que o vento da minha tempestade sacuda a árvore que sou. E que com esse vento da minha tempestade caiam os ramos e as folhas mais fracas. Que já não me servem. Que já não me São. E que há muito tempo já não me Estão.

Que seja o vento da minha tempestade a arrancar o que é mais fraco para evitar que me derrube. Não dói a ninguém mais do que a mim mesma. Mesmo que esse vento da minha tempestade provoque, por momentos, um furacão de palavras menos boas. Sentidas, todas elas. Que saia esse furacão de palavras em jeito de despedida no turbilhão do vento da minha tempestade, que saia tudo e arranque à força tudo o que não tem força nem coragem para se manter na árvore que sou. Que saia tudo. Só assim a minha tempestade não me derruba de vez.

Não adianta olhar para trás, para os volumes que lá ficaram. Talvez apenas como lembretes do que já passou. Nem memórias ou recordações lhe quero chamar. Apenas lembretes, um mero post-it que acaba por perder a aderência e que eventualmente se irá perder por aí. Trago comigo a história, que é a minha, trago comigo as tempestades e as calmarias. Recuso manter personagens que já foram principais e hoje são apenas sombras, ausências e silêncios.

E todas as histórias, como todas as árvores, preferem a luz, a presença e o canto das palavras ditas.

Ficam os vestígios, os danos que um dia talvez sarem, as marcas, os ramos partidos à força, as mágoas e os ressentimentos. Tudo isto um dia se transformará em cicatrizes que, como todas as cicatrizes, contarão a minha história.

Comece-se um novo livro em dia de Ano Novo depois de fechar um capítulo em noite de fim de ano. Porque, neste momento, acima de tudo estou eu. Apenas eu. E devo a mim mesma colocar-me, desta vez, em primeiro lugar. Doa o que doer a quem doer. Não irá certamente doer tanto como me tem doído a mim nos últimos 366 dias + 500 + 19 depois de 42.

{Resumo de 2016?} 

Isto. 

#day366 out of 365plus1 

Amanhã serei passado.

{que sejas feliz}

Dizem que final de ano é altura para cortar com o que já não serve, com o que não é importante, com o que “não está”.
Seja, então!

Pode continuar a ser importante, mas se já não está é porque não quer estar. E não sou eu que vou manter o limbo.

Fica quem me Está, quem me É. Os Amigos. Os que têm acompanhado a minha caminhada, a minha luta. Os que me estenderam a mão quando mais precisei. Os que me acolheram como sou. Os que me sabem olhar e VER.
Não posso, nem quero, manter-me no limbo. Corto com o que, pela ausência, pelo silêncio que me grita, me faz mais mal que bem.

Continuará a ter um papel importante. Mas já não nas páginas que ainda hei-de escrever no meu livro. Continuará a ter um papel importante nas páginas já escritas, lidas e relidas e passadas, mesmo que não ainda ultrapassadas.

Se vai doer…? Vai. Muito. Como doeu o primeiro corte há quase 6 meses. Ou, se calhar, até vai doer mais. Mas quem quer saber, pergunta. Quem se preocupa, telefona. Silêncio, apenas silêncio ou pezinhos de lã. Já não me serve. Corto.

Corto contigo. Que sejas feliz. Quem sabe um dia nos cruzemos por aí. E talvez te diga bom dia. Ou talvez não te diga nada. Por muito que mantenhas para sempre em mim o papel que é teu.

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#day365 out of 365plus1 

{………} 

#day364 out of 365plus1 

Se eu queria ser “isto”? Não. Não queria. 

Mas sou. 

Talvez um dia {me} aceite. Assim, tal como sou. Na vertigem entre a cor e o cinzento. Que é, também ele, o cinzento, uma cor. 

Talvez. Talvez um dia. Só não hoje. Não agora. Não ainda. Um dia. Talvez. 

#day363 out of 365plus1 

Não gosto de elogios. Não sei lidar com eles. 

Não gosto que me apontem as minhas falhas também, mas apenas porque as reconheço e sei o que são: falhas. E ninguém gosta de falhar. 

Também por isso não gosto de elogios. Porque, sei-o, acabarei por não corresponder, acabarei por falhar. 

Não gosto de elogios também por me tirarem da média. Por me fazerem sentir a escapar da norma. Quando tudo o que quero é seguir a norma. Ser normal. 

Um elogio deixa-me sem saber como reagir. Eleva-me a um patamar que não reconheço. Faz-me sentir acima da média quando tudo o que procuro é isso mesmo, ser apenas média. Não quero ser nem pior nem melhor que nada. Não quero criar expectativas que sei que não irei corresponder. Porque acabo sempre por não corresponder. Porque “não tem perfil” ou “és instável, sempre foste”. 

Não quero ser outra coisa que não a norma. Não quero ser outra coisa que não média. Não quero ser outra coisa que não apenas mais uma. Não quero a diferença. Não quero ser diferente. Seja num atendimento telefónico, seja na forma como sinto tudo, seja onde ou como for. Não quero continuar a ser diferente. 

Não, não sei lidar com elogios. Não, não sei sequer se os mereço porque sei, à partida, que acabarei por desiludir, acabarei por falhar. Quero apenas que me deixem ser igual. Sem factor diferenciador. Estou cansada de ser diferente… 

#day362 out of 365plus1 

Lembra-te: quando não conseguires olhar em frente, olhos no chão novamente não é opção. Olha para cima. 

#day361 out of 365plus1 

“Tu arranjas tempo para ver essas coisas bonitas. Ainda bem.” 

Não posso esquecer-me de continuar a arranjar esse tempo. São as coisas bonitas que tornam tudo o resto suportável. 

#day360 out of 365plus1 

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#day359 out of 365plus1 

presente | adj. 2 g. | s. m. | interj.

pre·sen·te 
(latim praesens-entis)

adjectivo de dois géneros

 

1. Que está no lugar onde se fala ou de que se fala. ≠ AUSENTE

(…) 

 

substantivo masculino

8. Coisa oferecida a alguém. = DÁDIVAMIMOOFERTAPRENDA

 

“Presente”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/Presente

 

7° Natal do Miguel.

4° Natal do Filipe.

A minha primeira noite de Natal com os Meus Dois.

#day358 out of 365plus1 

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