Author Archives: Kooka

About Kooka

Se perguntarem por mim, dir-vos-ei que não estou. Esta que vos fala é outra que não eu.

{*disclaimer* Lamechas mode: on} 

Não ofereço prendas nem presentes. Mas agradeço a quem tenho que agradecer pelos (meus) últimos meses. Seja com palavras minhas ou fazendo das palavras dos outros minhas. Como agora.

4 meses. Fez ontem 4 meses que conheci aquele que é, neste momento, a minha luz de presença, ou, como ele mesmo diz, o meu actual farol.

É conhecido lá em casa como “o fofinho” porque termina sempre as sessões com um abraço, daqueles apertados. É como se fosse um amigo que por acaso é terapeuta quando na realidade é o psicólogo que me acompanha há 4 meses.

Tenho muito a agradecer ao Nuno e à Associação ABC por me terem “acolhido” no momento certo. E tenho que agradecer, muito, ao Nuno pelo trabalho semanal que tem feito comigo.

Se há alturas em que é a doer? Há. Faz parte. Há, também, alturas ligeiras. E há, ainda, alturas assustadoras como na semana passada. Em que pela primeira vez percebi que até ele estava assustado. Também faz parte.

Mas, seja em que alturas for, o Nuno “leva-me a casa“. Chama-me de volta à Terra. Permite-me fugir quando estou em modo enguia escorregadia que escapa aos assuntos. E sabe fazer com que, mesmo em fuga, eu fale das coisas. Todas.

Agosto, era uma autêntica “broken soul”. Ainda não estou inteira, há muito trabalho ainda pela frente. E há a AABC. E há o Nuno. E há esta música em loop na minha cabeça hoje dirigida às sessões semanais de duas horas de “regresso a casa”.

Obrigada, AABC. Obrigada, Nuno.

Wrapped up, so consumed by all this hurt
If you ask me, don’t know where to start
Anger, love, confusion
Roads that go nowhere
I know there’s somewhere better
‘Cause you always take me there

Came to you with a broken faith
Gave me more than a hand to hold
Caught before I hit the ground
Tell me I’m safe, you’ve got me now

Would you take the wheel
If I lose control?
If I’m lying here
Will you take me home?
Could you take care of a broken soul?
Will you hold me now?
Oh, will you take me home?
Oh, will you take me home?
Oh, will you take me home?
Oh, will you take me home?
Oh, will you take me home?

Hold the gun to my head, count 1, 2, 3
If it helps me walk away then it’s what I need
Every minute gets easier
The more you talk to me
You rationalize my darkest thoughts
Yeah, you set them free

Came to you with a broken faith
Gave me more than a hand to hold
Caught before I hit the ground
Tell me I’m safe, you’ve got me now

Would you take the wheel
If I lose control?
If I’m lying here
Will you take me home?
Could you take care of a broken soul?
Oh, will you hold me now?
Oh, will you take me home?
Oh, will you take me home?
Oh, will you take me home?
Oh, will you take me home?

You say space will make it better
And time will make it heal
I won’t be lost forever
And soon I wouldn’t feel
Like I’m haunted, oh, falling

Would you take the wheel
If I lose control?
If I’m lying here
Will you take me home?
Could you take care of a broken soul?
Oh, will you hold me now?
Oh, will you take me home?

{Take Me Home . Jess Glynne}

#day357 out of 365plus1 

{…………} 

#day356 out of 365plus1 

Olhar para cima quando não é fácil olhar em frente. 

#day355 out of 365plus1 

O carrossel comboio fantasma montanha russa que não precisa de moedas também descarrila. Basta uma pequena pedra no caminho, ou até mesmo um mero grão de areia na engrenagem e a viagem, já de si assustadora, torna-se quase um pesadelo. Especialmente quando pensamos que a viagem no carrossel comboio fantasma montanha russa que não precisa de moedas está mais serena e tranquila e quase conseguimos perceber que a energia que a move está cada vez mais fraca. Quase conseguimos adivinhar que o porto seguro está logo ali, depois daquela curva que vem depois da descida, daquela mesma curva que antecede a subida. Porque estamos lá em cima e de repente esse lá em cima é muito lá em cima não sendo demasiado e mantém-se sem oscilações durante algum tempo dando uma sensação de continuidade lá em cima. E por momentos quase se acredita que o carrossel comboio fantasma montanha russa que não precisa de moedas é, também ele, vítima da inércia e por falta de impulso continuará a sua marcha mas agora de forma mais constante, mais serena, mais tranquila.

Até que há uma pedra no caminho. Ou um grão de areia na engrenagem. O descarrilamento. E a viagem mais constante, mais serena, mais tranquila, transforma-se numa queda livre de um trapézio sem rede de segurança. E vem de novo a vertigem da queda, a dor do impacto. A falta de luz. Para logo se perceber que, afinal, a pedra no caminho, o grão de areia na engrenagem, o descarrilamento, também eles fazem parte do percurso dessa viagem não desejada no carrossel comboio fantasma montanha russa que não precisa de moedas.

Quero acreditar que um dia, não sei quando, essa viagem terá o seu fim. Quero acreditar que um dia, lá mais à frente, essa viagem que nunca procurei começará novamente a ser mais constante lá em cima, mas não demasiado lá em cima, mais serena, mais tranquila. Até eventualmente se transformar numa outra viagem qualquer. Sem a vertigem da queda, sem a dor do impacto de quem cai do trapézio sem rede de segurança.

Até lá apenas vou acreditando. Não sei ao certo em quê. Não sei ao certo em quem. Sei que não totalmente em mim. Porque continuo sem verbalizar tantas pequenas coisas que me são enormes de verbalizar. Mas o som simples não sai.

#day354 out of 365plus1 

Não há noite nenhuma em que não chame por ti. 
Não há noite nenhuma em que não te procure. 
Fazes-me falta. Muita. 

#day353 out of 365plus1 

Do que não posso esquecer-me: tenho muito pelo que agradecer. Tenho muita gente a quem agradecer. 
Não, o caminho não é fácil. Não está a ser. Nunca foi, mas especialmente agora, de novo, cada novo dia é um dia pesado. Por tudo. Pelas ausências, pelas perdas, pelos silêncios. Pela falta de força, apesar da vontade. Pela falta de coragem de olhar para o espelho e de olhos nos olhos verbalizar aquilo em que não acredito. 
Mas tenho muito pelo que agradecer mesmo que tantas vezes me esqueça. 

Mas tenho muita gente a quem agradecer mesmo que insista em esquecer-me. 
As ausências, as perdas, os silêncios, pesam. Moem. Doem. Assustam. Mas tenho que agradecer até pelas ausências, pelas perdas, pelos silêncios. Ainda que me façam chorar. 

#day352 out of 365plus1 

{……………} 

#day351 out of 365plus1 

{……………} 

#day350 out of 365plus1 

Aquela sensação, estranha, de que já aqui estive. Que já presenciei isto. Que já vivi isto. Nunca o tendo presenciado, nunca o tendo vivido. 

Aquela sensação, estranha, de estar a assistir a um filme que já se viu algures no Tempo. Ver de fora, como numa plateia. Ou como se saísse do meu corpo por instantes para assistir àquela cena.

Já ali estive algures no Tempo. Não há tanto tempo assim. Mas estive. Déjà vú, dizem que se chama assim. Sensação estranha, chamo-lhe eu. E não gosto. 

Março. Não sei o quê nem porquê, oiço Março a escoar na minha cabeça enquanto revivo o que nunca aconteceu antes. 

Sensação, estranha, de não entender estas sensações. 

#day349 out of 365plus1 

Verbalizar. Tarefa da semana. Verbalizar. 

É mais fácil verbalizar quando se acredita. Quando se sabe que o que verbalizamos é, de facto, verdade. É real. 

Não verbalizo. Por muito que, interiormente, repita tantas vezes mesmo não acreditando e querendo acreditar, querendo que seja verdade, que seja real. Não verbalizo. 

Mas uma mentira repetida inúmeras vezes acaba por se tornar uma verdade, dizem. Não, uma mentira será sempre uma mentira por muito que a repita, por muito que a verbalize. 

Estou cansada de mentir a mim mesma. De dizer a mim mesma que sou mais do que isto, que sou melhor do que isto. Porque não sou. Porque isto é o que sou, quem sou. E por isso não verbalizo. 

Porque não acredito. Porque não sou. Porque sei que não sou. Porque, no fundo, sou isto. Mesmo querendo ser mais e melhor, sou apenas isto. 

Verbalizar. Tarefa da semana. Não concretizada. Mais uma vez. 

Não verbalizo. 

#day348 out of 365plus1 

{……………} 

#day347 out of 365plus1 

Por vezes é preciso alguém que me chame de volta à Terra. Que umas vezes me diga para não racionalizar o que sinto e outras que não me deixe cair no medo obrigando-me e ajudando-me a racionalizar o terror que tantas vezes toma conta de mim. 

Por vezes é preciso alguém que me pegue nas mãos e me diga “vamos até onde puderes agora, mas eu sei que podes muito mais”. 

Por vezes é preciso alguém que me diga “eu acredito em ti e nas tuas capacidades” para que eu mesma comece a deixar de duvidar ainda que só um bocadinho. 

Por vezes é preciso alguém que olhe para lá do farrapo e veja quem sou por inteiro: perdida mas com vontade de encontrar o Norte. 

Por vezes é preciso alguém que me diga “estou aqui para o que precisares, sempre que precisares”. 

Por vezes é preciso alguém que seja e faça isto tudo. Mesmo que esse alguém seja um profissional preparado para trabalhar tudo o que trago cá dentro. 

Já não é só um profissional. É uma espécie de amigo que faz terapia. E que nos últimos quase 4 meses tem sido fundamental para que o meu caminho não seja totalmente às escuras. E hoje, mais uma vez mas especialmente hoje, duas horas de uma enorme violência emocional num caminho que, sendo meu, já sei que não percorro sozinha. Porque há uma luz para lá da escuridão, que é de presença e também farol para que não me perca. 

Ninguém entra na vida de ninguém por acaso. Mesmo que seja um profissional preparado para trabalhar tudo o que trago cá dentro. Mesmo que seja alguém que cumpre o papel profissional de trazer de volta à Terra quem está aterrorizada. 

Às vezes é preciso alguém. Que me acompanhe uma vez por semana sem pressa. Que me oiça activamente. Que me diga, todas as semanas, que sou muito mais e melhor do que me permito aceitar. 

Mesmo que seja um profissional. Mesmo que seja um técnico de saúde mental. 

#day346 out of 365plus1 

Um 

dia 

atrás 

do 

outro 

atrás 

do 

um. 

#day345 out of 365plus1 

……falta-me um bocado de mim…… 

#day344 out of 365plus1 

Fazes-me falta.

Se em 2008 foi fácil habituarmo-nos uma à outra, hoje não me é fácil habituar-me à tua ausência.

Foram quase 9 anos em que éramos uma só. Onde eu estivesse era certo que estarias também. Mesmo quando e onde não devias, ora em cima da máquina de costura, ora em cima dos tecidos em que estava a trabalhar.

Lembro-me tão bem das primeiras noites contigo. Fazias questão de dormir num cantinho da minha almofada e, de alguma forma, sentires-me ali. Fosse com uma patinha tua no meu pescoço ou a tua cauda na minha cara ou o teu nariz no meu cabelo. Tinhas sempre que estar a tocar-me, a sentir-me de alguma forma.

Lembro-me daquela tua fase, ainda eras tão pequenina, em que me acordavas com patadas na cara. Sempre me ri a contar isso embora gostasse mais quando me deixavas dormir.

Foste crescendo e a almofada deixou de ter espaço para as duas. Adoptaste a minha cintura como ninho de eleição e praticamente todas as noites era aí que começavas os teus sonos.

Era sempre comigo que dormias e nunca percebi como é que uma coisa tão pequena conseguia ocupar tanto espaço numa cama para dois. Mas a verdade é que era sempre eu quem tinha que se moldar à tua presença porque o meio da cama pertencia-te.

Aprendi muito contigo. Aprendi aquela coisa do amor incondicional, que não pede nada em troca nem guarda ressentimentos. Ficavas feliz quando eu entrava em casa, tivesse saído há 5 minutos ou há 5 dias.

Esperavas-me à porta de casa ainda antes de eu entrar no prédio. Muitas vezes bastava-te ouvires-me a estacionar o carro. Quando entrava já te ouvia a miar, a chamar por mim. E, se demorasse mais um bocadinho, não sossegavas até que finalmente entrasse em casa. E depois de me teres em casa tínhamos que ter sempre aqueles minutos só nossos, só nós as duas, contigo ao meu colo a ronronar.

Percebo esta noite o quanto me custa a minha cama vazia sem ti. Não ouvir o teu miado ao entrar no prédio. Não tropeçar em ti porque já não te enrolas nos meus pés quando ando pela casa. Ter o colo vazio de ti e do teu ronronar.

Ontem não tive tempo para encaixar tudo e acho que cheguei a casa meio anestesiada da anestesia que te deram antes daquela última injecção. Hoje revivo na minha cabeça cada segundo que passámos juntas naquele gabinete onde me despedi de ti. Onde te dei colo mais uma vez, mas já sem o teu ronronar, apenas um corpo trémulo quase sem forças. Disse-te que ias ficar bem, que para onde irias estarias melhor. Para não teres medo porque eu estava ali contigo. Pedi-te para ires tranquila, em paz. Disse-te para não te preocupares porque eu fico bem. Ficarei, com tempo. Olhei-te nos olhos, rocei o meu nariz no teu como fazíamos tantas vezes. Fiquei contigo até ao fim. Vi os teus olhos perderem o brilho. Vi o teu corpo a perder a pouca vida que ainda lhe restava. E de repente aquele corpo morto que ali estava já não eras tu. Já não estavas ali… Mas não deixaste, nunca, de ser linda.

Disse-te que te amo e pedi-te perdão. Perdão por ter falhado contigo e não ter conseguido tratar de ti como merecias. Perdão por te fazer passar pelo estado a que chegaste e que eu durante algum tempo, demasiado tempo, me recusei a aceitar que era mais grave do que queria admitir a mim própria. Porque admiti-lo seria, como acabou por ser, mais uma perda para a qual eu não estava preparada. Mais uma ausência para a qual eu não estou preparada.

Não sei como vai ser esta habituação à tua ausência. Sei, sim, que não será fácil. Já não está a ser. Mas prometo-te que vou ser forte, mesmo não te tendo comigo para me enroscar e aninhar e acalmar como sempre fazíamos nos meus dias menos bons, nos meus dias maus.

Era em ti, era contigo que reencontrava alguma serenidade. Que recuperava alguma força para aguentar as cacetadas destes quase 9 anos,mas sobretudo destes últimos 3.

Não sei como vai ser agora chegar a casa e não te ter. Procurar o teu calor na minha cama. Sentir o teu peso a doer-me na minha anca ou ter-te encaixada na curva da minha cintura.

Sei sim que não vou poder ir abaixo. Porque tu não estás comigo para me socorrer como sempre soubeste fazer.

Peço-te, novamente, que me perdoes por ter falhado contigo.

Hoje sinto-me novamente vazia. Porque fazes-me falta, Maria André. Muita. E irás fazer sempre.

#day343 out of 365plus1 

12 de Janeiro de 2008 – 8 de Dezembro de 2016. 

Fazes-me falta. 

#day342 out of 365plus1 

Às vezes esqueço-me que tudo são ciclos. Que tudo tem um princípio e um fim. Até os dias que começam às cores. 

Desculpa, gata. Sei que falhei contigo. Mas fico ao teu lado até ao fim. 

#day341 out of 365plus1 

Dor de cabeça. Frio. Calor. Calor. Calor. Calor. Lenços de papel, muitos. Riscos e rabiscos. Nariz entupido ou a correr. 

A mil. Eu. Outra vez. Novamente lá em cima. Muito lá em cima. Prefiro a média altura. 

Falta-me o chão, mas não estou sem chão. Falta-me aquela porta que não está aberta nem está fechada. Por onde não passa nada e onde em tempos passou tanto. “Vivendo e aprendendo”, dizem-me. Hoje sou eu quem já não quer uma porta. Hoje sou eu quem prefere uma parede. Não para o conforto do confronto ou o confronto do conforto da parede. Não foi assim há tanto tempo que o quis, que o procurei. Mas hoje prefiro uma parede porque dá mais feedback que uma porta que não está aberta nem está fechada. Uma parede permite a existência do eco. Sempre melhor que o silêncio. Porque o eco é presença. Porque o silêncio é ausência. 

Dor de cabeça. Frio. Calor. Lenços de papel. A vertigem de lá em cima. A mil. Eu. 

Assim. 

#day340 out of 365plus1 

“Mas estás com pressa para começares a atender? Tem calma, rapariga! Tens tempo.” 

“Já merecias um bocado do lombo, já chega de costeletas.”

“E que tal? Estás a gostar da experiência?”

“Tu deves ter, quê?, trinta e poucos anos, não tens mais.”

“Fico contente por te ouvir assim, mais animada.”

“Não te esqueças, tu mereces isso e muito mais.”

…são coisas pequenas que são tão grandes. Que me são tão grandes. 

#day339 out of 365plus1 

“Ao fim de semana gostava que não fizesses nada, apenas tratasses de ti.”

Ainda não foi este fim de semana. Trabalhou-se, muito ainda que pouco se veja, para aqui.