Author Archives: Kooka

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Se perguntarem por mim, dir-vos-ei que não estou. Esta que vos fala é outra que não eu.

#day147 out of 365plus1

Dias que começam cedo e acabam cedo.
Poder, finalmente, dormir sem horários depois de uma manhã tabelada de tours.
Sim, dormir faz falta. Já sei que não dormir o suficiente me tira filtros e algum discernimento. E sei, também, que não posso ser assim.

Mas com filtros ou sem eles, com mais ou menos discernimento, sou como sou e mais uma vez repito toda a manhã para mim mesma: não esperes que os outros sejam como tu.

E no final do dia fica o sorriso. Descansado, tranquilo e só porque sim. E também porque cada vez mais tenho menos dúvidas: há, de facto, um pote de ouro no final do Arco-íris. E sei que esse final do Arco-íris não está tão longe quanto se faz parecer.

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#day146 out of 365plus1

Tenho personagens fictícias na minha cabeça a quererem saltar para o teclado. Terão que esperar, tal como as outras personagens, as reais.
As reais não querem saltar para o teclado. Mas têm passos para dar para lá daquela porta que abri, deixei entreaberta e que hoje não sei como está. Sei apenas que não está trancada, não sei se está de novo fechada ou se está ainda mais aberta do que a deixei.

Preciso de tempo. Preciso de tempo para o meu Tempo, aquele que teimo em dizer que não tenho Tempo para perder Tempo e que sinto a fugir-me. O Tempo é breve. Sinto o meu cada vez mais breve. Assusta-me. E volto a lembrar-me do que um passado Novembro me ensinou: não deixar nada para depois. Porque esse tal depois pode nunca chegar.

Coordenar tempos, coordenar o meu Tempo. Dar um passo em direcção à porta. Respirar fundo e simplesmente apostar no Tempo que ainda é o meu. Preciso de o fazer.

Até lá, tenho personagens fictícias na minha cabeça a quererem saltar para o teclado. A quererem ganhar vida. A quererem contar histórias. Fictícias apenas por não ter ainda dado o passo que preciso dar, com receio que não sejam mais nada do que personagens fictícias. E o Tempo, o meu Tempo, é breve. E esse tal depois pode nunca chegar.

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#day145 out of 365plus1

Como sempre esqueço-me que sou eu quem permite que me façam sentir assim, a descer. Não posso permitir, não posso esquecer-me.

Amanhã volto a ser eu. Mesmo que tentem que seja outra.

Amanhã voltará a ser melhor.
Não hoje. Não ainda.

(E é nestes dias que a vontade de te escrever aumenta. Escrever-te sem filtros, sem dúvidas, sem vacilos, sem barreiras, simplesmente escrever-te. Dizer-te tudo o que guardo comigo há tanto tempo, demasiado tempo. É nestes dias de cansaço acumulado que baixo a guarda, solto-me de filtros e acredito que esta é a hora, o momento. Não é, eu sei. Não é boa ideia fazê-lo sem defesas. No entanto receio nunca vir a fazê-lo. Por falta de tempo. Do meu tempo. Aquele que não tenho Tempo para perder Tempo. E deixo passar mais um dia sem dizer o que não pode ser deixado por dizer.)

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#day144 out of 365plus1

Não tenho problemas em reconhecer quando falho. Reconheço e assumo os meus erros. E peço desculpa. Não resolve nada, eu sei, mas peço desculpa precisamente por reconhecer que falhei. E farei o meu meu melhor para que não volte a acontecer.

Tenho alguma dificuldade em aceitar quando me atiram as minhas falhas com total falta de razoabilidade. Por muito que o erro tenho sido meu, e tendo prontamente assumido a minha falha, não consigo aceitar argumentos que não são verdadeiros. Não me custa admitir a razão do outro lado. Quando a há. Não havendo, rebato. Quando estou em posição de o fazer. Quando não estou resta-me reconhecer que sim, falhei, e ouvir e calar.

Não me peçam o que não posso dar por não o ter.

Não, o dia não começou bem. Não, tenho poderes sobre-humanos.

O cansaço acumulado das últimas semanas com o culminar do último fim de semana já pesa. Muito. E a falta de razoabilidade abana. E novamente sinto que não pertenço. Ali, aqui, onde for. Não pertenço, não encaixo, não me enquadro.

Novamente e cada vez mais a vontade de me isolar, de me fechar. Talvez tornar-me um autómato em horário laboral. E mesmo fora dele. Dizem que os autómatos não sentem. Também não pertencem, não encaixam, não se enquadram. Mas cumprem a função para a qual foram programados. E não importa que o número de horas de trabalho seja largamente superior ao previsto, quando o sinal do nível de bateria se aproximar de um nível baixo basta ligar uma bateria externa até recarregar novamente. E até lá a função continua a cumprir-se sem quebras. Não sentindo absolutamente nada, nem dores, nem o peso do corpo moído nem a falta de alguém que se quer perto, mais perto e mais presente. Não tendo função na memória para reconhecer cheiros e aliá-los a momentos, a pessoas.

Fechar-me. Isolar-me. Não é viver, sei-o tão bem. Bem demais. Automatizar-me não é solução por não ser possível. Porque não tenho capacidades sobre-humanas, porque sinto. Sinto dores, sinto as palavras que me dirigem, sinto as faltas das ausências, sinto arrepios na pele e borboletas na barriga, sinto sono por aumento da dívida de horas à minha cama, sinto “mais do que devia”, sinto a vertigem causada pelo cheiro na minha roupa que me activa a memória e me leva de imediato para onde queria realmente estar agora.

Não. Hoje não foi um dia bom. Não foi um dia fácil. Mas terminar este dia longo e difícil com a presença daquele cheiro que me leva onde queria estar torna tudo mais simples.

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#day143 out of 365plus1

Fato preto e camisa branca, lenço de farda. Pasta, listas, horários, grupos.

Horas longas, fusos horários alternativos.

Turnaround, debark, embark, aboard, ashore.

Acompanhar, comunicar, coordenar, ajudar.

Que dia tão longo, este. Tão estranho por repetir navios sem repetir, na totalidade, experiências.

Que dia tão estranho, este.

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#day142 out of 365plus1

Dizem que não há amor como o primeiro. Aplica-se, também, a navios em turnaround.

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#day141 out of 365plus1

Se um dia te disserem “pode dar-me a mão só um bocadinho?”, não hesites. Dá a mão, estende o braço, serve de apoio, acompanha nesses menos de 50 metros em mais de 20 minutos. Não é Tempo perdido. É Tempo ganho.

Porque um dia foste tu a pedir a mão para manter o equilíbrio. Porque um dia foste tu a precisar de um braço estendido. Porque um dia foste tu a precisar de um ponto de apoio para percorrer os teus menos de 50 metros em mais de 20 minutos.

Deixaste um sorriso genuíno. Devolveste em igual medida a uma senhora que podia ser tua avó. Que sabes que se chama Constança e tem dos sorrisos mais bonitos que encontraste nos últimos tempos. Perguntou-te se lhe davas um beijinho quando finalmente a deixaste bem entregue. Não deste um, deste dois. E sentiste, quando te ajoelhaste à sua frente, já sentada e notoriamente cansada, sentiste um bocadinho daquele mimo de avó que há tantos anos não sentes. E, tal como em conversa de avó e neta, ralhaste e fizeste-a prometer que não repetia a aventura. Riste com ela quando te disse envergonhada que prometia. E tiveste vontade de a abraçar quando te foste embora como se abraça uma avó.

Se um dia te disserem “pode dar-me a mão só um bocadinho?”, não hesites. Com essa mão dada pode vir um bocadinho de magia daquela que só as avós sabem ter.

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#day140 out of 365plus1

Há dias em que o sorriso não é tão fácil. Há dias em que a dor, aquela física, fica quase insuportável. Cada passo, cada movimento, por mais ligeiro, dá vontade de parar e chorar. Dá vontade de ficar quieta até deixar de doer.

Respiro fundo. Repito. Aguento. Suporto. Não é fácil. Mas também esta dor constante, física, acabará por passar da mesma forma que chegou: sem aviso.

Até lá aguento. Suporto o insuportável. E abro o sorriso ainda assim, ainda que a cada novo passo a vontade seja chorar.

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#day139 out of 365plus1

Um dia volto a escrever-te. Não me lês, eu sei, mas voltarei a escrever-te um dia. Não um dia longínquo, daqueles que podem nem acontecer. Mas um dia daqui a poucos dias, um dia daqueles mais calmos de volta a horários regulares. Em que consiga parar sem me preocupar com o despertador a tocar ainda de noite para regressar a casa já com o Sol a despedir-se.

Um dia volto a escrever-te. Não me lês, eu sei, mas voltarei a escrever-te o tanto que quero contar-te. O tanto que quero dizer-te. Nada que não saibas já, mesmo que não me leias. Nada que te seja completamente novo. Mas voltarei a escrever-te. Sobre dançar à chuva, rir sem pressa e quase sem motivo. Sobre a Lua que me acompanha ainda que tu acompanhes o Sol.

Tenho vontade de te escrever. Um dia volto a escrever-te. Não me lês, eu sei. Mas voltarei a escrever-te. Um dia.

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#day138 out of 365plus1

Vontade de parar. Só por um bocadinho. Parar e conversar e rir e sorrir e apenas estar, apenas ser, apenas sentir.

Vontade de ver o tempo passar. Mesmo que não tenha Tempo para perder Tempo, quero senti-lo e vivê-lo.

Vontade de ser. Vontade de estar. Vontade de sentir. Vontade de Viver.

Vontade. Tanta de tanta coisa tão simples.

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#day137 out of 365plus1

Uma espécie de jogo das diferenças. Onde pormenores mínimos marcam a diferença em cenários idênticos.
O que mudou? Não mudando nada, mudou tanto. Não tudo, o cenário mantém-se. Mas os detalhes, por muito pequenos, quase ínfimos, dizem-me tudo.

Se posso estar errada? Claro que sim. Quero acreditar que não. Porque há pequenas coisas que não se conseguem fazer passar pelo que não são. Mesmo que sejam pequenas, são demasiado grandes para serem outra coisa qualquer.

Jogo o jogo das diferenças. Observo. Sou surpreendida. Detalhe atrás de detalhe. Pormenor atrás de pormenor. E percebo que esses detalhes, esses pormenores, se calhar apenas estiveram escondidos no desenho observado.

Não há vencedores nem vencidos no jogo das diferenças. Há, apenas, surpresas. E o dissipar de dúvidas, ainda que possa estar absolutamente enganada e esses detalhes sejam apenas isso mesmo: detalhes. Sem importância.

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#day136 out of 365plus1

“I see in blue, I see in blue, I see in blue
Oh, when you see everything in red
There is nothing that I wouldn’t do for you
Do for you, do for you
Oh, cause you got inside my head”

E ela lá em cima, a minha Lua, que não desilude. Entre portas entreabertas ou apenas mal fechadas que acabam por abrir, ela. Sempre presente.

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#day135 out of 365plus1

Sem pressa, sem horas e horário.

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#day134 out of 365plus1

Sol em dias de chuva. Chuva sem abrir o chapéu. Chuva no rosto, saltar poças. Só porque sim. Só porque faz bem sentir a pele molhada.

Gosto. De Sol em dias de chuva. De madrugadas serenas, manhãs intensas e chuva no rosto.

E gosto de ti assim, nascente por entre nuvens, sobre águas que correm nos dias de todos os dias.

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#day133 out of 365plus1

Das coisas que se dizem tanto e que só prestei a devida atenção quando a minha mãe mo disse: “não podes esperar que os outros sejam como tu”. Para o bom e para o mau, não posso mesmo. Esqueço-me constantemente. Esquecia-me. Hoje faço questão de o repetir a mim mesma várias vezes ao dia. Especialmente naqueles momentos em que constato que, sendo eu, faria exactamente o contrário. Mais uma vez, para o bom e para o mau.

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#day132 out of 365plus1

Acção – reacção. Ou quando coisas mínimas, gestos simples quase insignificantes fazem a diferença. Toda a diferença. Mesmo que tudo se mantenha igual. Gestos simples que não dizem nada a tanta gente, absolutamente nada, a mim dizem-me muito ainda que esse muito pareça tão pouco. Não é. Não é tudo, não é imenso, mas já é alguma coisa.

E volto a saltaricar em bicos dos pés, sorrio a cantarolar, por dentro a bater palminhas e aos pulinhos de contente. Porque acção – reacção. E vejo-me novamente adolescente, com risinho nervoso típico da idade, aos pulinhos de contente.

Há dias inteiros que se ganham assim. Com pequeninos nadas. E regressam as borboletas que, não estando desaparecidas, estavam adormecidas. E regressa a dança na ponta dos ténis, o sorriso ao canto da boca e o brilhozinho nos olhos enquanto vou por aí a cantarolar e a saltaricar desarrumando as folhas à beira dos passeios.

Acção – reacção. Um nada que é tanto.

Amanhã volto a pôr os pés no chão.

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#day131 out of 365plus1

Sinto a tua falta. Ainda não to tinha dito hoje. Há algum tempo que não to digo. E ao mesmo tempo acho que todos os dias o digo a toda a gente menos a ti.

Sinto a tua falta e das conversas de parvos que tantas vezes tivemos, sem pés nem cabeça muitas das vezes. Mas que faziam sentido sempre. Quantos anos são já? Tantos e já tanto aconteceu e tanto mudou e outro tanto permanece igual. Menos as conversas de parvos sem pés nem cabeça. Agora são as conversas de adultos cordatos ou as desconversas sem sentido. E dessas, as desconversas sem sentido, não tenho saudades nenhumas.

Sinto a tua falta. Ainda não to tinha dito hoje. Não, já to tinha dito hoje. Como digo todos os dias. Não aos outros apenas mas também a ti. Todos os dias marco mais um dia em que senti a tua falta. E todos os dias, de alguma forma, to digo. Só a ti.

E hoje, hoje digo-o abertamente. Sinto a tua falta e das nossas conversas de parvos, sem pés nem cabeça muitas das vezes e sinto falta também das desconversas sem sentido por sabê-las importantes e outrora urgentes.

Sinto a tua falta, digo-o hoje abertamente. Naquela porta que arrisquei a abrir e que deixei entreaberta, ou que pelo menos julguei deixar. Digo-o hoje abertamente. Digo-to hoje abertamente. Sinto a tua falta.

…mas, como habitualmente, serei a primeira a negá-lo a quem mo perguntar.

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#day130 out of 365plus1

Ainda é cedo para fazer planos para o fim de semana? Não é terça, ainda é segunda, eu sei. Mas sinto-a como uma terça que se vai repetir amanhã, a verdadeira terça feira.

Chove lá fora, Maio mês de trovoadas e uma Primavera que não se instala. E eu penso em planos de fim de semana que ainda tarda e que, já sei, não adianta apressar nem planear.

Sábado ainda tão longe, domingo que já vem marcado em horário de madrugada, terça, quarta e quinta vai-se andando, sexta de Rainha pela manhã. Sábado ainda tão longe. Sábado que devia começar sexta e estender-se até domingo. Agenda em aberto e planos tantos. Ou tão poucos porque não são realmente planos, apenas desejos, vontades.

Trovoada lá fora, a chuva. E o sábado que não vem. O sábado que em tempos pode ser um qualquer dia da semana, sem planos, agendado em cima do joelho. O sábado que podia ser um qualquer dia da semana, mas planeado de véspera ao sabor das marés.

Ainda é cedo para fazer planos para o fim de semana? E para quê fazer planos se, já sei, não passam nunca de desejos, vontades que guardo comigo e não partilho? Talvez a indecisão, o nunca mais me resolver para dar um passo. O passo.

Não. Não é cedo para fazer planos. E decido não os fazer por já saber que não vale a pena. Sábado irá chegar. A seu tempo. No seu Tempo.

Por agora terça feira que ainda é segunda. A chuva lá fora. Maio mês de trovoada. E a Primavera que não se instala.

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#day129 out of 365plus1

Quantas vezes tenho vontade de dizer “faz-me um desenho”…? Seja para descodificar o que os olhos vêem, seja para descobrir o que não vejo os olhos dizerem.

Desisti de fazer desenhos usando palavras. Ou se calhar digo isso a mim mesma, continuando a desenhar jogos de palavras com frases que nem sempre parecem encaixar. E por aí vou seguindo a ler paredes de estações de Metro, em linhas que efectuam paragens em todas as estações mas onde não existem apeadeiros.

Tudo isto são desenhos em palavras. As estações, os apeadeiros, as paragens com excepção, a viagem de ida e sempre de volta.

Não. Não desisti de fazer desenhos usando palavras. São os desenhos que melhor sei fazer, ainda que arrisque unir pontos a lápis sobre o papel dando forma a riscos que aparentam, de início, não fazer sentido. Tal como as palavras. Onde nada parece fazer sentido, onde todas desenham o que trago comigo.

Um dia digo “faz-me um desenho”. Nesse dia espero saber escrevê-lo. Nesse dia espero saber lê-lo.

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#day128 out of 365plus1

Com que traços se riscam os dias?

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