Author Archives: Kooka

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Se perguntarem por mim, dir-vos-ei que não estou. Esta que vos fala é outra que não eu.

#166 out of 365plus1

Manter o foco.

Nada acontece por acaso. Nem quando, inadvertidamente, se confundem horários acabando por me levar exactamente ao ponto que me é certo. Não arriscaria sair da zona de conforto tão cedo conscientemente. Porque, mais uma vez, “não é para mim” ou “não é o momento”.

Manter o foco.

O caminho faz-se caminho, dizem por aí. O caminho, o meu, faz-se respirando. E lembro-me demasiado bem que, nem há tanto tempo assim, respirar não era possível.

Manter o foco.

Respirar num caminho de crescimento. Interior. Respirar num caminho de conhecimento. Meu.
Respirar.

Manter o foco.

O meu caminho é, também, por aqui.

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#day165 out of 365plus1

Dou por mim tantas vezes a pensar no mesmo. Todos sabemos que um dia o tal amanhã não irá chegar. Mas continuamos a dá-lo por garantido mesmo que a nossa história nos recorde, todos os dias, daquela manhã de Novembro.

Também eu me acomodei ao amanhã, ao deixar para depois, ao agora não é Tempo, ao é melhor deixar para dizer depois porque agora não é altura. Os cafés adiados, as idas à praia que não aconteceram, as visitas que não fiz, os jantares que não partilhei, as conversas que não tive. A conversa que não aconteceu.

Agora não, é melhor dar tempo. Agora não, não é a melhor altura. Agora não, sem motivo por que não.

E se um dia o amanhã não chegar? Chega, claro que sim, não sejas parva. Sei que é a resposta pronta. Mas e se o amanhã nunca chegar? Seja o meu, seja o teu, seja o dela ou o dele. Ficam palavras por dizer mesmo que sem demasiada importância, ficam gargalhadas por dar, ficam sorrisos por despontar, ficam cafés por tomar. Ficam conversas por se ter, assuntos por resolver. Fica o vazio de não se poder voltar atrás um dia que fosse para não deixar pontas soltas quando o amanhã não chegar.

Penso demasiado nisto. Porque todos os dias vejo mais um dia cortado no calendário, menos um dia no meu contador. E vejo o tempo a passar e tudo permanece igual porque hoje não é o melhor dia, porque agora estou demasiado ocupada, porque é melhor deixar para depois.

Não tenho Tempo para perder Tempo, repito para mim mesma há dois anos. Mas perco-o a cada dia que deixo passar em branco sem te dizer que gosto de ti, ou o quão importante tens sido tu nos últimos tempos, ou ainda tu que apesar do silêncio sei que estás aí e ainda não te agradeci.

Perco tempo, aquele tempo que não tenho Tempo para perder Tempo, sem te dizer que estavas certo naquele dia, que só eu não quis ver por, oh ironia!, não ser o Tempo certo de ver. Perco tempo ao tentar deixar-me ficar quieta por não querer incomodar, por não querer ser um estorvo, por não querer ser mais um peso. Perco tempo deixando-me sossegada no meu canto por acreditar que seria um incómodo, iria atrapalhar e também por ter aquela estúpida ideia de não ter direito a ter esse tempo, de não merecer esse tempo, ou de mereceres tu passar esse tempo de forma melhor, não desperdiçado comigo e com a minha vontade de não deixar nada por falar, por dizer.

Todos os dias penso, quieta no meu canto, que amanhã é dia certo. Que é amanhã que avanço, me faço presente e volto a bater na porta que deixei entreaberta. E o amanhã chega e volto a adiar para o outro amanhã.

Fico à espera. De um sinal? De um alarme. Que, sem surpresas, me diga que amanhã é, de facto, o dia certo no Tempo certo. Mas…

…e se o amanhã nunca chegar…?

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#day164 out of 365plus1

Esquecer Junho. Esquecer, um bocadinho, o Mundo lá fora. Cada vez mais feio.

Esquecer Junho. Esquecer-me de Junho.

E, de novo, a memória. As memórias à flor da pele.

Esquecer Junho. Esquecer, um bocadinho, o Mundo lá fora.

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#day163 out of 365plus1

Deita-te, respira, relaxa. Fixa um ponto no tecto por cima de ti. Diz-me o que pensas, diz-me o que sonhas, diz-me o que sentes.

Respira, relaxa. São apenas palavras que te peço. Palavras que traduzem o que não te sei ler. Palavras que me falam o que pensas, que me relatam o que sonhas, que me sussurram o que sentes.

Respira, relaxa. Fixa um ponto no tecto por cima de ti. Cruza as mãos no peito. Cruza os pés. Deixa-te ficar, assim cruzado em linhas de conversas fora de horas, sem pressa, sem rumo, sem horários ou destino. São apenas palavras que te peço. Cruzadas e entrecruzadas, do que pensas, do que sonhas, do que sentes.

Respira, relaxa. Não faças planos, não quero planos. Fala-me apenas do que vês nesse ponto fixo no tecto por cima de ti. De que cores o pintas, que desenhos lhe traças, que palavras lhe deixas. Como numa tela, conta-me os detalhes de cada traço, o pormenor de cada cor, o foco de cada ponto de fuga.

São apenas palavras. Respira, relaxa. Deixa-te levar por esse momento. Esse momento que é teu e desse ponto fixo no tecto por cima de ti. A quem falas, com quem partilhas o que vês, o que sonhas, o que sentes. Só tu e esse ponto. Como um ponto de fuga que guia e marca a perspectiva.

Não sou eu esse ponto fixo no tecto por cima de ti. Não sou essa tela. Não sou mais do que eu mesma, assim, como me sabes, como me conheces.

Mas sou eu quem te pede: fala-me do que vês, diz-me o que pensas, diz-me o que sonhas, diz-me o que sentes. Em troca das tuas palavras deixo-te um ponto fixo no tecto por cima de ti. Porque também eu, também tu, todos precisamos de um ponto de fuga. Para respirar. Para relaxar.

Deita-te, respira, relaxa. Fixa um ponto no tecto por cima de ti. E sê, simplesmente. Tu igual a ti próprio, com o que pensas, com o que sonhas, com o que sentes guardado para ti.

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#day162 out of 365plus1

“Mente quieta, espinha erecta e coração tranquilo” onde, de longe e apesar de tudo, a espinha erecta é o mais fácil de manter. Coração tranquilo, sem inquietações de maior. Mente hiperactiva, que se esquece que o corpo está ali e é também ali que tem que estar. Quieta. Sossegada. Acima de tudo calada.

Mente inquieta que não pára de perguntar “o que queria aquilo dizer?”, seja aquilo de há um mês, um semestre, um ano, dois anos… Mente que se interroga, e me interroga, sobre o significado das coisas, sejam gestos, palavras, actos e atitudes, perguntas que foram mal respondidas.

Sim, ainda estou aí. No registo dos “porquê?”, da necessidade de tradução.

“Inspirar profundamente e alongar” e quando alongo lá vai ela de novo. Fazer perguntas, trazer memórias, rebuscar episódios que já estão lá atrás no tempo mas ainda aqui, presentes, nesta mente inquieta, irrequieta, que procura entender, procura perceber, procura explicação para o que não tem que ter outra explicação que não seja ser simplesmente assim porque é assim que se é.

Coração tranquilo, sem inquietações, não dança certo com uma mente inquieta, irrequieta, que interroga e tenta entender o que o coração tranquilo lhe responde e repete.

“Soltar o ar devagar” e manter a espinha erecta. A mente lá vai, solta. Quando devia estar aqui, está lá, a percorrer todo um calendário para trás, a visitar recantos da memória trazendo à tona pormenores que pensava já arrumados. E sempre a pergunta: porquê essa pergunta? E, mais repetitivo, porquê aquela resposta? Aquelas respostas… A minha que sei que não mudaria naquele tempo, mas que no Tempo que me é agora seria diferente. Mais simples. Mais clara. Mais directa. Mais sincera… Não que não o tivesse sido antes, simplesmente foi a única possível no olho do furacão.

“Respirar e relaxar” e a vontade de me levantar dali, correr atrás daquela mente inquieta, irrequieta, que é a minha mas não acompanha o corpo. Vontade de lhe fazer a vontade e procurar as respostas, as traduções, as explicações que não têm que ser mais do que ser simplesmente assim porque é assim que se é.

Coração tranquilo. Descompassado a tempos quando a mente grita ainda mais alto e distorce o que o coração sabe porque sente.

………ninguém disse que o caminho que se percorre a solo, ainda que não sozinha, era fácil. Ninguém disse que tranquilizar o coração era fácil. Ninguém disse que aquietar a mente era fácil. Ninguém disse que manter a espinha erecta era fácil. Mas respirar tornou-se mais fácil, mais simples, com o passar dos danos. E é a respirar, e a alongar, que vou mantendo o coração tranquilo, com mais ou menos dificuldades em manter as costas na postura correcta, correndo atrás dessa mente inquieta, irrequieta, que não se cala e não acompanha o corpo. E é também a respirar e a alongar que sigo o meu caminho a solo sem me esquecer de que não estou, nunca, sozinha. As respostas, as traduções, as explicações, essas chegarão se tiverem que chegar. Porque a mente não acompanha o corpo e por isso mesmo o corpo não faz as perguntas que a mente teima em querer respondidas.

Se eu podia ser mais simples? Se eu podia não ser tão complicada? Se eu podia não querer sempre respostas, traduções, explicações para tudo?

Não. Não podia. Porque simplesmente não seria eu.

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#day161 out of 365plus1

Dias simples. Ou simples dias. Um atrás do outro atrás do um, claro.

Em busca das novas rotinas, que são velhas conhecidas.

Não posso esquecer-me do foco. Não posso perder o rumo. Perder-me do rumo, o meu.
Não posso esquecer-me de mim. Não posso perder-me de mim.

Encolhi os ombros. Aceitei. Segui. Continuarei a seguir. Em dias simples. Ou simples dias. Um atrás do outro atrás do um, sempre. Porque não adianta ter pressa. O que tiver que ser, será. Como tiver que ser. Se tiver que ser. Quando tiver que ser.

Encolho os ombros. Aceito. Sigo.

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#day160 out of 365plus1

Fazem falta as coisas bonitas. Seja uma pintura na parede, seja um sorriso à chegada.

As pinturas nas paredes podem ser temporárias, os sorrisos à chegada, esses, duram enquanto permanecerem gravados na memória. E se há uns meses dizia que não me lembrava de te ver sorrir, hoje recordo aquele sorriso que me foi inesperado.

Fazem falta as coisas bonitas. Fazem falta sorrisos inesperados. O teu guardo comigo. Em mim.

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#day159 out of 365plus1

A que temperatura se medem os dias?

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#day158 out of 365plus1

Há quem o diga por desenhos, há quem o escreva nas paredes, há quem o sussurre ao ouvido, há quem o cale simplesmente.

Como eu. Que te desenho, que te escrevo, que te sussurro, que não te digo. Que não assumo.

Que guardo. Que exponho e que nego.

Há quem o escreva nas paredes, há quem o debite no éter. Como eu, há tanto tempo. Desde antes de perceber que escrever nas paredes ou debitar no éter não é suficiente. Como dizê-lo por desenhos de traço incerto, tremido, inseguro é tão perceptível como um sussurro ao ouvido no ruído dos dias.

Há quem. O escreva. O desenhe. O sussurre. O cale. Há quem. Como eu.

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#day157 out of 365plus1

Um dia atrás do outro atrás do um. E aproveitar ao máximo cada bocadinho.

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#day156 out of 365plus1

Quebra abrupta de rotinas. Percebo hoje que preciso dessas rotinas. Durante demasiado tempo tive outras rotinas e achei, sempre, que estava bem com elas. Depois dos últimos meses percebo que não.

Ou então estou apenas em processo, ainda, de me reencontrar e de refazer horários e rotinas. Pensei que fosse mais fácil. Afinal não está a ser.

Um dia atrás do outro atrás do um. Novamente. Sempre. E tirar partido de cada novo dia e guardar o melhor de cada um. Sempre.

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#day155 out of 365plus1

Quando a vontade é deitar tudo cá para fora. O que devo, o que não devo. O que posso, o que não posso. O que quero, o que não quero.

Directamente. Sem rodeios nem metáforas, sem dualidades nas palavras. Straightforward.

Quando a vontade é deitar tudo cá para fora, páro. Respiro. Deixo-me ficar. Quieta até à última.

Um dia. Um dia deito tudo cá para fora e entrego os pontos e abro o jogo. Até lá, entrego e confio.

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#day154 out of 365plus1

O céu é o limite, dizem. Se é ou não, não é importante.

Há toda uma espécie de euforia neste momento que não faz sentido, que não entendo, que não quero. Quero os pés assentes no chão, ainda que a cabeça viaje por aí. Quero ir com cuidado, com calma, com segurança. Muita coisa mudou de um dia para o outro. Literalmente. Não mudei eu, continuo a mesma que era antes da mudança. Mas por algum motivo que não entendo há esta espécie de euforia que não procurei, que não quero, que não entendo mas que marca presença.

Estou segura de mim. Estou segura do que percebi há dois anos e que desde então tento negar até a mim mesma. Estou segura do que sei. Porque vi. Porque senti. Não o nego mesmo que me neguem a mim. Porque há coisas que não se explicam, sentem-se apenas e está aí tudo. Não adianta negar, fugir, ignorar. Está lá. E eu sei que não sou eu apenas a sabê-lo.

Há uma luta interior. Não é minha. A minha é outra. A minha é a luta para não abrir o jogo, para não entregar os pontos. Já resisti antes. Já o neguei a mim mesma antes. Hoje não nego. Mas não abro. Deixo essa luta interior, que não a minha, acalmar e apaziguar. O que tiver que ser será. Quando tiver que ser. Se tiver que ser. E será. Porque já é. Já tem sido. Continua a ser.

E de novo a euforia. Não, não sei. Digo que sei porque sinto. É aquela tal vozinha, a de sempre, que mo diz. Não quero dar-lhe importância, como nunca quero. Mas sei por experiência que essa tal vozinha não me mente. Mas e se essa voz for apenas resultado da minha imaginação, da minha vontade, e não a outra, a tal que me avisa?

Deixo-me ficar, marco presença, afasto-me mantendo-me por perto. A porta lá está, entreaberta. Vou espreitando mas não me atrevo a abri-la. Porque a tal euforia pode ser apenas ilusão. Vontade minha de uma qualquer realidade.

O céu é o limite, dizem. Mas eu quero manter os pés assentes no chão, mesmo que flutue, há tanto tempo, dois palmos acima do chão com a cabeça a voar por aí.

Tanto que mudou em tão pouco tempo. Tanto que mudou em tanto tempo mesmo que pouco ou nada tenha mudado. Mas hoje já não consigo negar a mim mesma aquilo que há dois anos ando a tentar negar.

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#day153 out of 365plus1

No calendário e na agenda ainda constam os navios. Os navios vão continuar a chegar, mesmo que já não os registe no Cais e na memória.

No calendário e na agenda vão passar a constar prazos de entrega e feiras e mercados. E as perspectivas são as de sempre: um dia atrás do outro atrás do um, no aqui e agora e sem ter Tempo para perder Tempo.

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#day152 out of 365plus1

Sou uma miúda de sorte. E sou grata por isso.
Sou grata pelos últimos 5 meses em que cresci, aprendi e me surpreendi a mim mesma em tanta coisa.

Sou uma miúda de sorte. E sou grata, também, por quem me rodeia. Pela preocupação do “e agora?” e pelo carinho do “vai correr tudo bem” e pelas palavras, os gestos, os mimos.

Tudo são ciclos. De aprendizagem, de crescimento, de conhecimento. E hoje fechou-se mais um. E, muito importante, em paz.

Tranquila. Segura.

Se deixa saudades? Claro que sim. As minhas guias que desde o primeiro dia me acolheram, os motoristas que fui conhecendo, os seguranças do terminal. Até as horas de despertar de madrugada para ver o nascer do sol no Cais.

Venha o próximo ciclo. De volta às agulhas e linhas e bancas e feiras e ideias e projectos e sonhos. Estou cá. E isso é o mais importante.

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#day151 out of 365plus1

Falo tantas vezes daquela vozinha que me sussurra ao ouvido. Falo mais do que oiço, na verdade. Ou, pelo menos, falo mais do que a atenção que lhe dou.

Já devia saber que quando ela se instala, quando se faz presente, devia prestar atenção, ouvir o que me diz e agir em conformidade. E há já alguns dias que ela me acompanhava. Que me incomodava. Que quase me gritava. Há já alguns dias que ela me dizia que havia um elefante na sala.

Desvalorizei. Assumi que seria cansaço acumulado, apenas. Cansaço acumulado e inseguranças minhas. Medo de falhar. Mas aquela vozinha continuava lá. A sussurrar-me ao ouvido aquilo que eu não queria ouvir.

O elefante na sala existia. O elefante na sala era eu. Que todos viam, menos eu. De quem ninguém falava. E o elefante na sala, eu, lá continuava com uma vozinha a sussurar-lhe ao ouvido e a dizer que algo estava errado.

Tenho pena de não ter, mais uma vez, dado a devida atenção e a devida importância a essa voz. Já devia saber melhor. Já devia saber que essa voz não me mente. O desfecho talvez fosse o mesmo. Mas amorteceria o impacto da surpresa logo pela manhã.

Termina-se um ciclo. Dizem-me que, de algum modo, falhei. Talvez. Mas sei que tentei navegar neste mar, que tanto gozo me deu, da melhor forma que soube.

Termina-se um ciclo. E se ontem dizia que não procurava o Norte por não estar perdida, se de manhã dizia que ia correr tudo bem, neste momento não posso dizer mais do que isto: perdi o pé.

Termina-se um ciclo. Amanhã. Depois? Depois continuarei como sempre: um dia atrás do outro atrás do um. E a prestar a devida atenção ao que aquela vozinha que me sussurra ao ouvido me vai dizendo.

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#day150 out of 365plus1

Há quanto tempo não tinha dois dias seguidos sem horários, sem horas, sem programa? Não me queixo, muito pelo contrário, mas o corpo, esse, ressente-se de horários inconstantes, incertos e sem pausas.

Dois dias sem pressas nem pressões, apenas ser, apenas estar. E sentir, sempre. E construir cenários improváveis para personagens fictícias na minha cabeça, que teimam em querer saltar para o teclado, ganhar vida própria.

Sentir. Mesmo que o ar entre devagar. Mesmo que o corpo pese. Mesmo que a luz magoe os olhos, o som não entre, os cheiros não existam. Sentir sempre. Sejam as borboletas que por cá se mantêm, cada vez mais domesticadas mas prontas a bater as asas no meu estômago a qualquer momento. Seja aquela vontade de estar ali, lá, que não é aqui. Seja aquela vontade de ser. De lá, ali. Sentir, sempre.

Não procuro o Norte, nem busco luz de presença. Já não. Vou seguindo ao sabor dos dias. Sei que sei mais do que admito. Sei que sei mais do que é dito, falado. Porque leio. E sinto. E de novo aquela vozinha ao meu ouvido que me avisa, que me aconselha, que me confirma. Dificilmente se engana, essa voz. E por isso mesmo lhe dou ouvidos. E por isso mesmo espero, quieta. O Tempo há-de ser Tempo no Tempo certo. Já tive dúvidas. Hoje não tenho. Quando for Tempo, será o Tempo no meu Tempo. Espero, mas deixo a porta entreaberta. Já aprendi que não adianta deixá-la fechada à espera que alguém a abra. Fica assim, entreaberta, e no seu Tempo será passada essa porta. De cá para lá? De lá para cá? Não. A meio caminho.

Até lá, não me perco. A luz de presença que já não procuro está ali, sempre. E há tanto Tempo que ali está.

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#day149 out of 365plus1

Dias sem histórias, sem horas e horários também têm cor.

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#day148 out of 365plus1

Com quantos passos se conta uma História?

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{little did I know}

Little did I know back then.

Faz dois anos que escrevi isto. Não imaginava na altura todos os alarmes e todas as surpresas que me esperavam. Que, afinal, fui eu que de certa forma os pedi.

Little did I know back then.

E hoje leio e releio e percebo que já há dois anos era como hoje. Tanto que aconteceu e tão pouco que mudou. Não tinha noção na altura. Ou talvez tivesse e apenas achasse que não. Aliás, disse-o quando escrevi, mantenho dois anos depois: sou totó o suficiente para não perceber.

Hoje? Hoje acho que percebo. Porque, lá está, tanto que aconteceu e tão pouco que mudou.

As borboletas que fazem flutuar dois palmos acima do chão. Não me lembrava de ter escrito isto há dois anos. Mas têm sido uma constante ao longo de todos estes meses. Sempre pelo mesmo motivo. Sempre.

………e confesso-me tão mas tão totó hoje como há dois anos. Mas hoje totó com mais dois anos de experiência.

{E não, não sou apenas eu a ver e a perceber, pois não? Ou a não ver e a não perceber, sei lá eu…}