Author Archives: Kooka

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Se perguntarem por mim, dir-vos-ei que não estou. Esta que vos fala é outra que não eu.

#day127 out of 365plus1

Fazes-me falta no Tempo que me falta.

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#day126 out of 365plus1

Não entrava ali há vários anos. Uma mão cheia deles, se as contas da memória não me falham. Não entrava ali porque a última vez foi uma espécie de choque. Sabendo que não seria mais o mesmo, nunca imaginei a diferença tão grande. Da luz natural que tinha, intensificada pelo branco das paredes altas, passou a um sítio cinzento escuro com apontamentos de rosa velho. A caixa de luz ao canto perdeu a vida do acrílico azul sendo agora só mais uma caixa de luz, branca, ao canto. A vista para a cozinha, através das janelas em arco, está cortada a vinil branco.

Reconheci-lhe, no entanto, os sofás pretos que se mantêm no mesmo sítio ao fim de tantos anos, tamanha mudança. Os candeeiros são os mesmos em formato de cogumelos, brancos, a preencher o vazio daquele pé direito. O chão de ardósia. As escadas onde tantas vezes tropecei, hoje não foi excepção tantos anos depois. As garrafeiras também lá estão. Os arcos de tijolo, as paredes escavadas.

Ainda olho para ali como olhava há 7 anos. Como olhei há 10 quando as obras finalmente terminaram. Ainda olho para ali e vejo pedaços de mim espalhados um pouco por aqui e por ali, mesmo não lhe reconhecendo as cores, sentindo a falta da luz natural, do branco das paredes, das flores tatuadas mais tarde na coluna do meio. As mesmas flores dos vinis das janelas e da porta, que já lá não estão mas que continuam comigo em cartões de identidade.

Ainda não é fácil voltar ali e encaixar. E aceitar que o tempo passa e tudo muda. E que já não posso dizer que ali me sinto em casa. Mesmo sabendo que, apesar de tudo, deixei um pedaço de mim ali.

Fica mais fácil quando percebo, ao entrar, que ainda lá está uma cara conhecida. Que me reconheceu tanto tempo depois. Que me recebeu com um sorriso e um abraço. Que partilhou o percurso dos últimos quase 7 anos de trabalho ali, já depois daquilo que era um bocadinho meu, e que me fez sentir como se tivesse voltado a casa.

Gosto de saber que o tempo passa e algumas coisas não mudam. E que há pessoas que não se esquecem de nós.

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#day125 out of 365plus1

De que cor se pintam os dias?

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#day124 out of 365plus1

Sem carro. Por tempo indeterminado.
Ligeiramente sem norte.

Mas entrego e confio.

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#day123 out of 365plus1

Estes, também todos eles partiram à semelhança do comboio de ontem. Novamente fiquei. Segui mais tarde, depois de um dia corrido e de pele queimada do Sol.

Lembrei-me da porta que ontem abri. A que hesitei em abrir. A que não hesito em deixar assim, entreaberta. Mas que ainda não me resolvi em abrir ou fechar de vez.

Madrugada, Sol, manhã, vento, tarde, calor, gente, tanta gente e eu ali mas longe. Junto à porta.

Cansada, sim. Mas hoje tranquila. Tranquila nessa porta entreaberta. Desassossegada noutra que já há muito tempo fiz questão de fechar, trancar, perder a chave mas cuja campainha tocou. Toque que me fez recordar porque a fechei há tanto tempo.

Aqui não hesito. E entre uma porta entreaberta e uma porta trancada, irei sempre à porta que me permitir passagem: a entreaberta.

Madrugada, Sol, manhã, vento, tarde, calor, gente, tanta gente. E eu ali e a querer estar longe. Junto à minha porta.

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#day122 out of 365plus1

Pode um dia ser tão cheio de contrastes? Pode. Como o de hoje. Mesmo que o comboio tenho partido e eu ficado. Porque hesito. Porque demoro a resolver-me.

Talvez. Talvez hesite em dar o primeiro passo, a medo. Hesito. Como hoje hesitei. Hesito mas acabo sempre por dar esse primeiro passo. Como hoje dei. E voltei a hesitar. Mas resolvi-me a abrir a porta, como abro tantas vezes. Hesitei antes. Hesitei depois. Porque do outro lado da porta não sei se o que vejo é a realidade ou fruto da minha imaginação. Não sei se os caminhos que vejo são os meus ou apenas ilusórios.

Hesito. Hesitei. Porque sempre que abro a porta não sei por onde seguir. Se posso sequer seguir. Os sinais estão lá, do outro lado, todos eles. Conheço-os um a um. Mas nem sempre os sei ler.

Hesito. Hesitei. O comboio foi e eu fiquei. Porque não era naquela direcção que eu queria ir. Hesitei. Apanhei o seguinte. Na direcção oposta à que queria. E a porta ali ficou, entreaberta. Os sinais li-os todos. E hesitei. Resolvi-me por outra margem.

Apesar de tudo, foi mais um dia que passou.
Não ri. Chorei. Mas, e o mais importante, sorri. Ainda que um sorriso pequenino e tímido. Quase imperceptível. Quase sem hesitar.

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{do dia da Mãe}

No último dia da Mãe escrevia isto.

Desde o primeiro dia que oiço dizer que o tempo ajuda. Que acalma a dor, porque é dor o que realmente se sente. Que tudo fica melhor. Que tudo fica mais tranquilo.

Talvez. Talvez ainda não tenha passado esse tal tempo no meu Tempo. Talvez esse tal tempo seja um conceito relativo. Ou talvez nem sequer exista.

Não procuro a memória. As memórias. Estão todas cá. Intactas. Intensas. Todas elas.

Procuro, isso sim, encaixar e avançar. De certa forma tenho conseguido. Com altos e baixos, baixos que já não são tão baixos como noutros tempos. Com avanços e retrocessos. Faz parte, penso eu. Sei que tenho ainda muita coisa para arrumar nesta gaveta. Gaveta que não fecha por estar demasiado desarrumada, desorganizada.

Sei que há coisas que oiço, que me dizem, que são inocentes, sem intenção de magoar, são coisas simplesmente banais. Dizerem-me “tens sorte porque não tens que ir a correr para casa tratar dos filhos”. Não lhe chamaria sorte. Preferia mil vezes perder o pôr do Sol na praia por ter ido a correr para casa tratar do meu filho.
Ouvir no escritório, a um domingo, pedirem desculpa à colega do lado “por lhe ter estragado o dia da Mãe. Eu sei que ela não tem filhos e você tem as miúdas”, sendo que “ela” sou eu e estava ali, presente. “eu não ligo nenhuma ao dia da Mãe, mas você tem as miúdas” e os olhos cedem às lágrimas, o ar não entra, e digo entre dentes que adorava não ligar nenhuma ao dia da Mãe e antes que o choro fique incontrolável vou lá abaixo e já venho e espero pelo elevador com as lágrimas a escorrer e desço do quinto andar a chorar compulsivamente como há muito tempo não acontecia.

O tempo ajuda, o tempo acalma. Mas esse tempo ainda não chegou ao meu tempo e o resto do dia de escritório é passado a tentar secar os olhos, a tentar respirar, enquanto se preparam papéis de última hora de um navio inesperado. E a tarde é passada na esplanada, ao Sol, sozinha, com os óculos escuros a esconder os meus olhos que teimam em não secar.

O tempo ajuda. Mas se há um ano doeu, hoje doeu ainda mais. E dói. E sei que continuará a doer. Especialmente enquanto a gaveta continuar entreaberta por estar desarrumada. Um dia talvez acalme.

Porque tenho sorte em não ter que ir a correr para casa para tratar dos filhos e em vez disso posso dar-me ao luxo de ir ver o pôr do Sol na praia depois de um dia longo de trabalho. Porque podem chamar-me de última hora no dia da Mãe porque até nem tenho filhos. Ou então é tudo isto mas ao contrário.

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#day121 out of 365plus1

Quieta e sossegada no meu canto a marcar linhas paralelas. E, mais uma vez, a recordar que linhas paralelas nunca se cruzam, apesar da ilusão no ponto de fuga.

O ponto de fuga já não existe. As linhas? Serão sempre paralelas.

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#day120 out of 365plus1

De novo, a vertigem. A vertigem do salto. Não falar. Não querer falar.

Forçar um rumo quando o que se quer realmente é o oposto. E o oposto não pode, não deve?, ser forçado.

Um dia atrás do outro atrás do um? Sim. Um dia atrás do outro atrás do um. Sempre sem fingir, continuando a fazer de conta.

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#day119 out of 365plus1

Não falar. De novo a não querer falar.

Apenas a vontade impossível de avançar no tempo. Nos dias. Poucos mas intermináveis dias.

Não quero falar.

Mas os dias terminam às cores. Vazios.

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#day118 out of 365plus1

Quando a ansiedade te faz encostar o carro. Porque te prende os movimentos. Porque te leva por caminhos que não queres. Porque preferes dar tempo e ter o teu Tempo para regressar à confiança de que tudo vai correr bem.

A Terra não roda, não gira. És tu que te moves nela, sobre ela. Com passos mais ou menos seguros, no caminho que é o teu, seja a tua escolha ou não. Segues o teu caminho o melhor que podes, o melhor que sabes, mesmo sabendo que podias sempre ter feito mais, podias sempre ter feito melhor. Podias sempre ter feito diferente.

A Terra não roda, não gira. És tu que te moves nela, sobre ela. E por isso é normal voltares aos lugares de sempre ou até encontrares os lugares que não queres. Aqueles que evitaste enfrentar no tempo certo e onde te cruzas agora. Agora neste tempo diferente, neste caminho diferente, acertas o passo na direcção que tem ser, seja ela a direcção certa ou outra qualquer.

A Terra não roda, não gira. E, a menos que te mexas, ficarás sempre no mesmo lugar. E por isso decides mexer-te. Respiras fundo e voltas a arrancar com o carro, com calma e um pouco mais de confiança porque, afinal, a Terra roda e gira e a cada volta crias um novo caminho dentro do teu caminho.

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#day117 out of 365plus1

Tudo tem os seus ciclos. Até as árvores.

Não posso esquecer-me de ser árvore. Raízes vincadas no solo, ramos rumo ao alto qual cabeça erguida depois de tanto tempo de olhos postos no chão.

Não posso esquecer-me de ser árvore. Mesmo que os meus ramos estejam de novo despidos.

Tudo tem os seus ciclos. Até as árvores. E até as árvores se voltam a vestir num novo ciclo que chega após chuvas e ventos e tempestades.

Não posso esquecer-me de ser árvore e enfrentar as tempestades com a certeza que, mais tarde, mais forte, os meus ramos serão maiores e voltarão a ter cor.

Tudo tem os seus ciclos. E eu, árvore ou não, também.

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#day116 out of 365plus1

descarrilar | v. tr. | v. intr.

des·car·ri·lar – Conjugar
verbo transitivo
1. Desviar do carril; fazer sair dos carris.
verbo intransitivo
2. Saltar fora dos carris sobre que ia rodando (carruagem).
3. [Figurado]  Sair do bom caminho, da senda do dever; disparatar.

“Descarrilar”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/DLPO/Descarrilar [consultado em 25-04-2016].

Acumulam-se as curvas e contracurvas no caminho com o estado da via a necessitar de atenção. Segue-se caminho um dia atrás do outro atrás do um, com paragem em todas as estações e apeadeiros excepto Chelas e Marvila, a um ritmo mais ou menos constante de dias bons e dias assim-assim. Longe os dias maus. Passe mensal, passe diário para contabilizar cada um dos dias que chegam, que passam.
Mas o estado da via a necessitar de atenção. Não que existam obstáculos intransponíveis, apenas pedras pelo caminho que se vão soltando da engrenagem. Sim. As pedras não estão no caminho. Estão na engrenagem, escondidas algumas delas de modo a permitir o fluir do percurso. Mas o estado da via a necessitar de atenção.

São pedras. Pequenas pedras, que se escondem aqui e ali, que de vez em quando se soltam e caem na via, naquela via a necessitar de atenção. Pedras que vão caindo sem fazer estrago, aliviando a carga, a sobrecarga de pedras que se escondem. Algumas dessas pedras fazem parte da estrutura que cobre a engrenagem. Foram sendo recolhidas à passagem por aqui e por ali. Construindo toda uma estrutura que cobre o que faz mexer, o que faz seguir em frente. No fundo, o que faz seguir em frente é essa engrenagem que precisa de manutenção mas também da protecção dessa cobertura de pedras.

As outras pedras foram também recolhidas por aqui e por ali. Muitas delas com o seu propósito no momento certo em que foram recolhidas, outras cuja função ainda não é bem clara apesar de fazerem parte de todo o percurso, outras apenas um peso que é preciso largar. E é preciso largá-las do modo certo para não danificar ainda mais a via, já de si a necessitar de atenção. É preciso largá-las do modo certo, já fora de tempo, para não danificar ainda mais a estrutura que as transporta, em sobrecarga, há já demasiado tempo.

São essas pedras, em sobrecarga e já mal arrumadas, que põem em risco a engrenagem. O pó dessas pedras já se faz sentir, já se lhes ouve o atrito. E mesmo assim se segue a viagem num percurso certo que efectua paragem em todas estações e apeadeiros excepto Chelas e Marvila, um percurso de um dia atrás do outro atrás do um. Com excesso de carga. Com sobrecarga de pedras mal arrumadas a espalhar pó pelo caminho, por essa via a necessitar de atenção.

É necessária uma paragem em breve. Seja em que estação ou apeadeiro for, mesmo até Chelas ou Marvila. É necessária uma paragem em breve para aliviar a sobrecarga no sítio certo, já fora de tempo. É necessária uma paragem em breve para arrumar essas pedras em depósito próprio. Voltar a limpar a via. Voltar a desobstruir o caminho. Voltar a olear a engrenagem. E com passe diário seguir a conta dos dias que chegam e dos dias que passam, já sem pesos nem risco de descarrilamento por excesso de carga mal arrumada.

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#day115 out of 365plus1

E se eu fosse duas? Se não fosse tantas numa só? Se fosse apenas duas?

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#day114 out of 365plus1

“Na terra dos sonhos, podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal
Na terra dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual
Na terra dos sonhos não há pó nas entrelinhas, ninguém se pode enganar
Abre bem os olhos, escuta bem o coração, se é que queres ir para lá morar”

{Jorge Palma . Na Terra dos Sonhos}

Já o Mundo dos Sonhos é tão diferente. No Mundo dos Sonhos o céu pega fogo e as nuvens ardem. Há terroristas armados de metralhadora e cintos de explosivos escondidos no trajecto de todos os dias, pelo meio do mato dos caminhos de infância. Há autocarros com turistas que me têm como guia para um porto seguro, autocarro conduzido por uma colega de feiras que percorre os caminhos de sempre em sentido contrário. E onde nos cruzamos com eles, os homens armados de metralhadora e cintos de explosivos.

O céu pega fogo e as nuvens ardem enquanto mudo de cenário e me vejo com eles, os homens armados de metralhadora e cintos de explosivos,  em troca de um caminho seguro para o autocarro com turistas conduzido por uma colega de feira.

O céu não estava em chamas nem as nuvens ardiam antes, quando entrei no Mundo dos Sonhos. Quando passava no aeroporto, chegava às Partidas sem ser o aeroporto o meu destino. Quando me cruzei contigo e passaste por mim como se não me visses tendo-me olhado nos olhos. Seguias em direcção às Chegadas de uma sala de espera de hospital.

O céu não estava em chamas nem as nuvens ardiam quando nos cruzámos naquelas rampas de um Mundo estranho e tu me olhaste nos olhos, baixaste os teus e seguiste. E obriguei-me a acordar do sonho no sonho, sabendo que viajava no Mundo dos Sonhos querendo falar-te no Mundo que não é dos Sonhos. Mas foi ainda no Mundo dos Sonhos que não consegui ligar-te e o Céu pegou fogo e as nuvens arderam.

E foi ainda no Mundo dos Sonhos, com o céu em chamas e as nuvens a arder, que enquanto seguia num autocarro com turistas guiado por uma colega de feira que seguia em sentido contrário por caminhos de sempre cruzando-nos com homens armados de metralhadora e cintos de explosivos escondidos no mato dos caminhos de infância, entregando-me em troca de segurança para outros, foi ainda nesse Mundo dos Sonhos que repeti sem cessar a mesma pergunta que te fiz naquelas rampas de um Mundo estranho e hei-de continuar a repetir no Mundo que não é dos Sonhos: porquê?

No Mundo dos Sonhos o céu arde e as nuvens pegam fogo. A realidade e a fantasia cruzam-se. Encaixam-se. Existe resposta para tudo. Mas nem no Mundo dos Sonhos consigo a resposta que procuro.

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#day113 out of 365plus1

Não deixar andar. Não deixar nada por resolver. Ir.

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#day112 out of 365plus1

Fazes-me falta. Nunca fui apologista daquela coisa de “só faz falta quem cá está”. Porque se está não falta. Porque não estar pesa.

Fazes-me falta. De diversas formas, por diversos motivos, em diversos momentos.

Fazes-me falta. Não há muito mais que possa dizer ou fazer. Fazes-me falta e é só.

Recordo outros tempos, outras vidas?, sinto as diferenças que o Tempo trouxe. Fazes-me falta e a maior diferença nem é essa. Porque, percebo agora, de certa maneira sempre me fizeste falta.

Fazes-me falta. Há tanto Tempo que não dei conta do Tempo passar. Há tanto Tempo que não dei conta da falta que me fazias. Da falta que me fazes.

Da falta que continuarás a fazer-me.

Fazes-me falta.

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#day111 out of 365plus1

Às vezes é só uma questão de perspectiva.

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#day110 out of 365plus1

A que velocidade navegam os dias?

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#day109 out of 365plus1

Um dia escrevo-te uma carta. Provavelmente de despedida. Porque um ponto final é, muitas vezes, uma despedida. Especialmente se essa carta não tiver resposta como tantas outras que te escrevi. Aquelas que tu não leste, aquelas que leste e não as soubeste para ti, aquelas que escolheste responder não respondendo.

Um dia escrevo-te uma carta. Se em papel ou não, não sei. Escrevo-te uma carta como te escrevo hoje. Ou em papel com envelope e estampa dos correios. Uma carta onde te digo adeus, onde te agradeço, onde te digo tudo o que nunca disse.

Um dia escrevo-te uma carta. Daquelas sem filtros. Onde não uso metáforas. Onde não pinto a cor dos dias mesmo que os dias por vezes não tenham cor. Onde me exponho crua, sem pudores nem receios.

Um dia escrevo-te uma carta. Mesmo que seja a última. Mesmo que não a leias. Mesmo que não chegue ao destino extraviada na rede do correio. Mesmo que nunca seja enviada.

Um dia escrevo-te uma carta. Não te direi nada que não saibas já. Não te direi nada de novo. Não te direi nada de nada. Porque essa carta que um dia te irei escrever é daquelas cartas que não sei escrever. De despedida. De adeus. De ponto final.

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