Author Archives: Kooka

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Se perguntarem por mim, dir-vos-ei que não estou. Esta que vos fala é outra que não eu.

#day293 {que na verdade é #day294}

“Colhemos aquilo que plantamos” ou “somos aquilo que espalhamos” ou outra qualquer frase do género.
Os frutos dependem, também, daquilo com que nos alimentamos. Mais uma vez é uma questão de saber escolher. E mais uma vez escolho o que me faz bem. Um dia de cada vez ♥

{já vos disse que, quando crescer, quero ser uma árvore?}11406835_10153090544368800_590099045677690187_n

#day293

O carro do jacarandá. Não veio de nenhum casamento, veio da feira.
E recordo-me do dia em que, no mesmo jardim, há uns anos e uns metros mais atrás, no final de um dia imenso de feira, o carro não estava lilás e sim rôxo das amoras que o vento trouxe dos ramos altos.
Rôxo o vidro, rôxo o carro. Com uma camada de algo que quase me atrevo a chamar de compota.
Directo para a lavagem automática mais próxima. Com cuidado, a visibilidade era demasiado reduzida. O limpa-parabrisas não foi suficiente para abrir caminho.

Hoje ficámos em tons de lilás. Sem necessidade de lavagem urgente. Sem compota. Sem riscos no caminho. Perfumado por fora. Decorado com toques daquilo que mexe cá dentro e que só eu entendo.

O carro do jacarandá, que já foi das amoras. E que me faz pensar. Que as escolhas que fazemos trazem, sempre, consequências. E é preciso escolher bem. Mesmo que seja apenas o local para estacionar. Porque, afinal, uns poucos metros podem fazer toda a diferença.

A cabeça não desliga, ao mesmo tempo que acompanha o duelo interno entre o que é e o que não é, o que podia ser mas não é, o que não podia ser mas é. Duelo entre escolher o estacionamento debaixo da amoreira e arriscar a reduzida visibilidade ou avançar poucos metros para acolher o perfume do jacarandá.11390162_10153088486283800_5439110448998497066_n

#day292

Dia de visitas programadas, visitas habituais, visitas por acaso e visitas surpresa. Todas elas de me deixarem aconchegada. Muito.

Dia quente, longo e com um intenso cheiro a perfume. Provavelmente dos jacarandás.

Agora? Cansada. Mas aconchegada. Muito.

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#day291

Dos dias em que só me apetece gritar: hoje.

Cada vez gosto menos de correrias e dias atrapalhados…

Agora dormir que já é tarde para quem tem que madrugar.

{mas, tirando as dores de costas, foi um dia azul ♥11390136_10153085174613800_1895882127463923191_n}

#day290

Hoje, sono. Muito. Depois de uma noite como há muito não tinha. Em branco. Sem motivo. Ou cheia deles sem saber. Sem perceber. Sabendo. Percebendo.

E, ao longo do dia, a memória. As memórias. As boas. As menos boas. Mas acima de tudo as más. Novamente.

E saudades também. Do que não é. Mas podia ser. Podia? Não sei. Mas sinto-lhe a falta. Quem sabe na próxima semana essa falta se vá.

Por agora, o sono. As memórias. Todas elas. A certeza do que quero. Do que não quero. A incerteza do que é. Ou não é. Ou podia ser. Só que não.

Vou para dentro. Vão vocês também.11350643_10153083219658800_2089740640468700475_n

#day289

Há dias que passam devagar. Como o de hoje. Sem pressas. Sem horários. Sem histórias. Sem História.
Há dias que precisam de ser assim. Porque também estes dias são bons. E necessários.

Lá longe, o filme de terror de há duas semanas parece estar a reaparecer. Mais leve, mas ainda surreal.
Lá longe, há uma vontade de ir! Sem olhar para trás. Sem quê nem porquê. Sem porquê? Não. Com muitos porquês. Porque sim. Porque não. E porque também.

Mas, por cá, um dia após o outro. Numa calmaria que nunca pensei ser possível depois de tantas tempestades. “Estás tão bem”, dizem-me. Estou, respondo. E vou continuar. Perguntam-me como estou. Respondo que, finalmente, estou bem. “Gosto de saber isso”, respondem-me. Também eu. E também por isso, por gostar de saber e por gostar de estar bem, faço questão de continuar. Independentemente dos filmes surreais ou dos sonhos altos sem dormir.

Um dia de cada vez. Não consigo ser de outro modo. Pelo menos agora já não consigo. E o dia de hoje, sem pressas, sem horários, sem histórias, sem História, está prestes a chegar ao fim. Amanhã? Logo se vê ♥fr03062015232351

#day288

Em modo “anda comigo ver a Lua Cheia”. Que, como sempre, está linda.

Mas esta noite a Lua Cheia vai ficar lá em cima sem que a vá ver e sentir com tempo, com atenção. Porque, a vê-la com tempo e atenção, seria no telhado que não o das últimas noites ou no jardim temporário que tenho visitado.

Não ali na praia, hoje não faria sentido. Por não ser ali que queria vê-la. A Lua. Cheia.

Tento convencer-me que o meu lugar é na praia e não no jardim assim como nunca foi no telhado. Tento convencer-me que sonho, mais uma vez, acordada. Tento convencer-me que sei exactamente o que é e o que não é, o que quero e o que não quero.

Tento, mas não consigo. Porque não quero conseguir. Porque, às vezes, faz bem sonhar acordada, mesmo que o sonho seja alto.

Já desisti, há muito, de fazer planos. Mas, de novo, tenho vontade de os fazer. Não quero. Mas apetecem-me. Os planos.

Por agora? Por agora fico-me pela Lua Cheia. Que não consigo ver da minha janela. Mas, ainda assim, anda comigo ver a Lua Cheia…

Ou, em alternativa, dedico-me a Marte…♥

#day287

De volta a casa. A minha casa. À minha casa. Depois de três semanas ora em casa do meu irmão ora na casa cor de rosa que não é minha mas que sabe um bocadinho a “podia ser”. Mas não é.

De volta a casa e o telefone todos os dias a tocar a perguntar “quando é que voltas” à casa cor de rosa. E a minha vontade é ir. Sempre. Sem olhar para trás.
Mas três semanas fora de casa, de minha casa, da minha casa, significam três semanas sem trabalhar, sem pegar nos tecidos, nas agulhas, nas linhas, nas tesouras, na máquina de costura. E daqui a poucos dias é dia de montar a banca novamente e é preciso trabalhar. Mas a vontade, a minha, mas que (percebo) não é só minha, é voltar à casa cor de rosa que não é minha mas que sabe um bocadinho a “podia ser”. Ou “podia também ser”. Mas não é. Não é. Não é.

De volta a casa. Há tanto tempo que não sentia vontade de voltar a casa. A minha casa. À minha casa. Tanto tempo que sentia, apenas, vontade de não estar em casa. Em minha casa. Na minha casa. E, no meio disto tudo, aquela dualidade de “quero voltar para minha casa” e “quero voltar para a casa cor de rosa que não é minha mas que sabe a ‘podia ser’ mas não é”.

E entramos em Junho e recordo Junho de há um ano. Tão diferente de hoje. Tão sem respirar nesta altura. Tão sem Norte. Tão em busca de cafezinhos e vinho e idas ao telhado mas agora está a chover, não vamos. E fomos quando não choveu. E o vinho que se bebeu. E os cafezinhos que foram isso apenas mas também tanto mais porque me ajudaram a respirar. Como o vinho que também acabou por me cortar a respiração.

Três semanas fora de casa. Um ano depois de Junho. Tanta coisa diferente hoje. Já não procuro o vinho. Subo ao telhado, mas a um telhado diferente, com e para experiências diferentes. Sem cafezinhos. E não sinto falta de nada disso. Porque já respiro. Já sei respirar sozinha. Mesmo sabendo, aprendi no último ano e à força, que não estou sozinha. Nunca. ♥

Não marco cafezinhos nem procuro vinho. Acolho-os se surgirem. Claro que sim. Mas hoje já não para respirar como há um ano. Hoje apenas, apenas?, apenas para disfrutar. Do vinho como do café.

Em Junho de há um ano não passava três semanas assim, fora de casa. Porque tudo era tão diferente. Tão mais calmo lá fora, tão tempestade cá dentro. Não havia, também, uma casa cor de rosa que não é minha e nem sabia, na altura, um bocadinho a “podia ser” porque simplesmente não era, não me existia.

Hoje estou de volta a casa. A minha casa. À minha casa. E olho para trás. Estranhamente com um sorriso desde Junho de há um ano. Apesar de tudo, com um sorriso. E em paz. E com uma vontade imensa de voltar para a casa cor de rosa que não é minha mas já tem um bocadinho de mim por lá.

Um ano desde Junho. Três semanas fora de casa. Um semana longe da casa cor de rosa.

Novamente o aqui e agora. Mas aqui em minha casa agora. ♥
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#day286

5 gerações, talvez 6, talvez mais. A História, minha, e as histórias, nossas, também passam por aqui.
Hoje mais um pedaço de História com a geração mais nova. Reunião da geração anterior. E assaltarem-me as memórias das outras gerações que aqui passaram antes de nós e a rever mentalmente fotografias de outros tempos e a ouvir novamente as histórias da nossa História.

Há sítios assim. Que não tendo tido tanto de mim, fazem-me ser eu, fazem parte de mim.

Casamentos, baptizados, funerais, comunhões, crismas. Numa espécie de ponto de encontro, local de reuniões.11205511_10153075646063800_7652001104304488554_n

#day285

Já lhe chamam a minha sombra porque onde eu estiver ele tem que estar.
Eu chamo-lhe a minha luz porque é sempre ele quem vai à frente.
Seja para o que for, a tia tem que estar presente. Quando não está, ouve-se “tia! Onde estás? Anda!”. E eu vou ♥

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#day284

Esta noite no telhado faz frio. E vento. Não há converseta nem risota e a ginja já acabou.
Mas há finais de dia com vista sobre o Tejo, há Lua, há aviões tão perto que quase parece que os podemos tocar, há a coruja da Quintinha.

E há os Meus Dois. Que me chamam para brincar, para jantar, para lavar os dentes, para ir dormir.

“A tia faz, a tia dá, a tia fala, a tia veste, a tia ajuda”. Tudo é a tia ♥

E, no meio de tudo isto, começo a ter saudades de casa. Da minha casa. Do meu espaço. Do meu canto. Do meu tempo.
Contam-se pelos dedos da mão o número de noites passadas em casa, na minha casa, nas últimas três semanas. Três semanas em trânsito entre um jardim que é temporário e um telhado que é permanente. Em trânsito entre o que era para ser uma noite e passou a cinco e o que era para ser dois dias que passaram a dez e continuam a somar.
Com vinho de um lado, ginja do outro. Realidades tão diferentes quanto distantes.

E a minha casa, o meu canto, o meu espaço ali a marcar o meio geográfico ainda que não fique exactamente a meio.

Sim, começo a ter saudades de casa. Quase a ter saudades de mim…

Mas com mais ou menos saudades de casa, mais ou menos frio no telhado, mais ou menos “nem eu sei bem o quê” no jardim, têm sido três semanas intensas. E boas ♥11392901_10153072289998800_5437096341064784877_n

#day283

Telhado, Lua, estrelas, aviões, converseta, risota e ginja. 2a parte. De várias daqui para a frente. Haja mais ginja, que esta já acabou!11391495_10153070735438800_3274313318182515268_n

#day282

Conversas de telhado até às tantas.
Muita risota e parvoeira em família, daquela de sangue e da que se estende aos amigos.
Tudo iluminado apenas por uma Lua fantástica.

E assim seguem os dias mais ou menos tranquilos ♥11062263_10153066306303800_4779049997113715051_n

#day281

{e sempre lá, a minha Lua ♥ }

I’ll build a stairway to Paradise
With a new step ev’ry day!
I’m gonna get there at any price;
Step aside, I’m on my way!

I’ve got the blues
And up above it’s so fair.
Shoes! Come on and carry me there!

I’ll build a stairway to Paradise
With a new step every day.
Ok, with a new step every day.

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#day280

Tira dali, arrasta para aqui. Muda de um lado, põe no outro.
Lava, limpa, esfrega.
Carrega, acarta, desmonta, remonta.

No meio disto tudo, as costas que há mais de duas semanas me dizem que não tenho a postura correcta nem juízo nenhum. E um pé torcido que começa a doer e a inchar apenas 48 horas depois.

Cansada. Moída. Dorida. De corpo, não de alma.

E a noite que termina voltando ao telhado. A um telhado novo depois de um jardim novo, alternando entre um e outro. Um telhado permanente. Um jardim temporário, até um dia.11266654_10153052185318800_153948923421530939_n

#day279

Por aí que é aqui.10268417_10153049147813800_4959815574508787201_n (1)

#day278

Smelly, uma espécie de Soft Kitty com 2 meses.

Andamos de namoro este fim de semana.11351149_10153046527073800_5538732969384415232_n

#day277

Um dia azul. A pedir descanso.11025159_10153044127028800_1836578349679123818_n

#day276

Das vantagens de ir ao telhado: conseguir respirar e ter uma nova perspectiva do Mundo.

Dia mais tranquilo hoje. Pausa no filme surreal.10411826_10153041728688800_3143583194352541213_n

#day275

Tarde a sós. Mimos da tia em troca de inúmeros “não gosto de ti, mas é mesmo a sério” com um sorriso trocista ao canto da boca.

Ser pirata, brincar com Legos, ler histórias, ver desenhos animados. Terminar com uma “ida ao cabeleireiro” enquanto ele me escovava o cabelo. “Queres ficar como a Rapunzel? O teu cabelo já está tão comprido!”

Maquiagem, vestido de princesa, tiara, pestanas postiças e purpurinas. Tudo na imaginação dos 5 anos aplicada à realidade dos 38.

“Estás a ficar tão bonita! Todos os homens se vão apaixonar por ti e vais arranjar um namorado! Olha aquele a olhar para ti…já está apaixonado!”

Terminar com um casamento entre a tia vestida de branco e um brontossauro vestido de preto com banquete de peluches para alimentar o noivo.

E é tão fácil ter um dia cheio ainda que com cenas do episódio anterior ♥13407_10153038620393800_2762851550704569612_n