Author Archives: Kooka

About Kooka

Se perguntarem por mim, dir-vos-ei que não estou. Esta que vos fala é outra que não eu.

#day274

Hoje aterrei num filme surreal, ali a roçar o terror. Pode ter sido culpa do vento que baralhou ideias de quem não as tem muito certas. Ou então Mercúrio retrógrado. Ou maldade pura e dura.

Seja o que for, o que foi feito hoje não se faz a ninguém.

Mas depois, depois há um gato de telhado que resiste ao vento e que me recorda que apesar de tudo estamos unidos. Muito. E em força. Para seja o que for que vier aí.

E há amizades que merecem tanto um A maiúsculo porque estão onde e quando são precisos, ainda que levem por tabela.

Respira, Kooka. Respira. E acredita. Porque o que vai, volta sempre.

E sim, mesmo num filme surreal ali a roçar o terror há motivos para um happy day.10423687_10153036746828800_174458370686335567_n

#day273

Em modo moída. Tanto.

Mas a sorrir. Sempre.

{e a precisar tanto de uma massagem…}11206106_10153033868083800_1274744310439507776_n

#day272

Deitar-me às 22h. Adormecer, finalmente, perto da 1h. Despertador a tocar às 3h.
Sair de casa às 4h35. Atravessar a ponte às 4h50. Chegar ao Cais às 5h. Noite cerrada, ainda. Mas muita agitação na gare marítima ao som da música das Docas.

744 pessoas para desembarcar até às 10h da manhã.

Acompanhar o ritmo da mudança da noite para o dia. Dizendo sempre com um sorriso “good morning”, mesmo quando o Sol ainda dormia.

Recepcionar, orientar, desembarcar. Sorrir, rir, respirar, sentir.

O Sol que nasce quente. O vento que refresca. A sombra fugidia das gruas. As horas que passam devagar ao ritmo de quem acorda de madrugada. As horas, 5, que passam a correr ao ritmo das bagagens entregues no desembarque.

As dores. Nos pés. Nos joelhos. Nos rins. Mas o sorriso sempre. “Good morning! Do you still have luggage to pick up?” ou “your colour and number, please” ou ainda “you’re a green 5/red 6/pink 1, this way please”, sempre sem dores mesmo que a presença morda.

Pausa depois de 744. Preparar para 950.

Briefing. Embarcar. Almoçar com vista para o Tejo, ainda que a hora de almoço ainda não tenha chegado embora o relógio interno já marque a hora do lanche.

Passaportes. Etiquetas. Listagens. Scans. Conversa. Converseta. Risota. Gargalhadas. De ir às lágrimas porque a equipa de 4 não podia ser melhor.
O cansaço a acumular, a fazer-se sentir depois das primeiras 8 horas. Já não dizer coisa com coisa depois das 9. Continuar a rir para não quebrar depois das 11. Conversa de bêbados de sono às 12. E “what happens in the ship, stays in the ship”, receber como resposta da encarregada do navio “what we say now is ‘what happens in Vegas, DON’T POST IT ON FACEBOOK!'” e ir novamente às lágrimas porque rir é a melhor arma contra o sono e o cansaço acumulado às 13 horas de trabalho. Ordenar alfabeticamente 950 passaportes e perceber que às 14 horas já não se sabe o alfabeto para além da letra E. E rir com isso porque parece que fomos para os copos porque já nem as letrinhas das etiquetas conseguimos ler.
Despedirmo-nos “see you in two months” às 14 horas e meia de trabalho.

E é assim que se passam 14 horas e meia a ver navios na terra de ninguém… ♥ venha o próximo, rapidamente, e com a mesma equipa de bordo!
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#day271

Quando uma noite passa a cinco. Que podiam, tanto, ser multiplicadas por outras tantas. E mais outras. E tantas mais. Facilmente.

Tão facilmente. Porque o ali que podia ser noutro lado qualquer fez sentido. Faz sentido. Sei-o. Sinto-o. E, novamente, não só a mim.

Uma noite multiplicada por cinco, multiplicada por dias e horas, 24 sobre 24. Descobertas. Redescobertas. Descanso. Trabalho. Surpresas. Boas, más, boas, assim-assim, boas.

Cor de rosa. Tanto e sempre lá. Que também é aqui.

Mas já se regressou ao aqui e agora. Porque uma noite que se multiplicou por cinco, apenas porque “me lembrei do que disseste dos teus fins de semana”, já passou, já está lá atrás. Guardada essa noite multiplicada por cinco, por dias e horas, 24 sobre 24, no lugar a que pertence. Na memória.

Se é de regressar ao presente de lá? Será, com certeza. Mas quando tiver que ser. Se tiver que se ser. Como tiver que ser.

Aqui e agora, de regresso a casa. Quando estar em casa já me é em tantos sítios. Porque os sinto. Porque me sinto.

Aqui e agora. Aconchegada. Recarregada. Mimada, até. E apaixonada por um sítio que não conhecia por dentro, mesmo estando aqui tão perto. E apaixonada por tanta outra coisa que agora não interessa. Porque “aqui e agora e amanhã quem sabe se sequer cá estou”.

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#day270

Seja lá o que for, faz{-me} sentido. E, sei-o, percebo-o, não é só a mim.

…posso não ir embora…?

Cor de rosa. Claro. Nem podia ser de outra forma. Seja qual for o tom.

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#day269

Gosto de espaços com História e com histórias.
Com gente que nos trata bem e pelo nome.
Com um sorriso nos lábios e nos olhos.

Sim, tem sido uma semana de descobertas e surpresas. Amanhã? Seja o que tiver que ser.10996665_10153023425548800_1073739289136039443_n

#day268

Dia cheio. Em cheio. De nada no que toca a horários. De tudo o que é de surpresas boas.

“Come what may”, o que interessa é o aqui e agora. E sabe bem. Tanto.

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#day267

Just sitting around, doing nothing at all.

Porque “lembrei-me do que disseste sobre os teus fins de semana e achei que te ia fazer bem”.

Sim, há quem ainda me consiga surpreender pela positiva =)

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#day266

O que é que a Arruda dos Vinhos e Foros da Catrapona têm em comum?
Nada que não eu própria.

{hoje é um bom dia para começar uma espécie de Volta ao Mundo em 80 dias…}11205588_10153017928158800_5783472181961772807_n

#day265

Dia de encontros e reencontros.
Mestres e discípulos. Guias de caminhos.
Viagens em estado alfa.

Dia de sol e calor. Muito de ambos.

Um dia azul, portanto =)

E eu, mais uma vez, agradeço ♥10420307_10153016169613800_1495927701110638214_n

#day264

Hoje bateu-me a saudade. Saudade de uma coisa tão simples como um fim de semana digno desse nome.
Um fim de semana sem horários, sem trabalho, sem pressões nem preocupações, sem rotinas.
Bateu-me a saudade de ficar na ronha, de ficar a vegetar no sofá a ver televisão ou a dormir a sesta ou a ler ou simplesmente a conversar.

Diz que o último fim de semana digno desse nome aconteceu em Novembro. Já vai para seis meses.

E agora a pergunta que se impõe: para quando um fim de semana digno desse nome?

Se não for por mais nada, que seja para dar descanso às minhas costas, que doem e desesperam por descanso.

Por outro lado, e apesar de estar a coser há mais de 6 horas, faço o gosto e não me queixo ♥ {mas também mereço um fim de semana digno desse nome}11209628_10153014314828800_3715398131571514578_n

#day263

Rooting. Growing. Blooming.11070963_10153012418098800_927426998790922044_n

#day262

Em modo “música alta, cantarolar alto e dançaricar a conduzir”. Sem motivo em particular, apenas porque sim e porque também e porque sabe bem e faz bem.

E porque os dias são azuis e refletem todas as cores ♥11193352_10153010574208800_8305389296764326026_n

#day261

Os cemitérios são locais estranhos. Ou melhor, não são estranhos, mas parecem.
São uma espécie de museu, onde são depositadas memórias. Porque o que lá se deixa, o que lá se deposita, não passa disso mesmo: memórias.
Dos que foram, dos que partiram à nossa frente, é só isso que fica.

Porque quando entregamos alguém a um cemitério entregamos apenas o que é palpável, físico. Que se desfaz com o tempo, que também ele deixa de existir.
A outra parte, aquela que não é visível, não é palpável, a mais importante, já lá não está. Já não pertence ao plano físico.

Restam, então, as memórias. E as presenças na ausência.

Hoje fiz as pazes com os cemitérios.
E percebi que é possível sentir-me em paz ali.

Percebi hoje o que é aquilo que sempre senti num cemitério. Uma paz difícil de explicar. E ao mesmo tempo uma espécie de inquietação que não sei, ainda, explicar. Mas que está lá. Como um sussurro.

Quantas histórias conta um cemitério? Quanta História está depositada num cemitério?

Dei por mim hoje em paz num cemitério e a sentir novamente aquela paz estranha e aquela inquietação. E a recordar-me de, na infância, passar horas a brincar no cemitério ao lado dos escuteiros. A visitar o túmulo da minha tia-bisavó, que Portugal conheceu mas eu não. De ficar ali, a apanhar pedrinhas e flores. De me sentar na beira da pedra tumular como se estivéssemos a conversar, eu e a minha tia-bisavó.

Fazia o mesmo noutros túmulos que me eram desconhecidos. Mas que de alguma forma pareciam chamar-me.

Percebo, agora, que era para mim algo perfeitamente natural e normal brincar no cemitério e ficar à conversa com os túmulos e jazigos e campas, mesmo sem emitir um som. E percebi também que, ao crescer, essa naturalidade se perdeu. Por se ter perdido a inocência ganhando em perdas que nem sempre se entendem como partidas, fins de ciclos.

Percebo agora que encaro os cemitérios de forma mais pacífica do que até há bem pouco tempo. Porque voltei a sentir o que sentia na infância. Porque voltei a conversar, a ouvir, a sentir. As histórias e a História que os jazigos de hoje partilharam comigo. Alguns com 160 anos de História e histórias.

Não, não enlouqueci para falar de cemitérios. Não enlouqueci para dizer que converso com campas, túmulos ou jazigos. São, apenas, coisas minhas. Metáforas ou não. Mas que apenas têm que fazer sentido para mim.

E saí de lá em paz, como entrei. Leve. Muito leve.

E pela primeira vez tudo se encaixou e fez sentido.
E voltei a ter 7 anos, altura em que saltaricava pelo cemitério e apanhava pedrinhas e cantarolava baixinho.

Não, não enlouqueci. Mas também nunca escondi que não sou muito normal =) e é tão bom não o ser ♥11036898_10153008871453800_6098891820320015968_n

#day260

Mensagens bonitas via redes sociais.

Jogos de tabuleiro depois do jantar.

Uma Lua linda a nascer, majestosa, por cima do rio.

Sou uma sortuda, é o que é ♥11150776_10153007228578800_6940879476664272463_n

#day259

Quando for grande quero ser uma magnólia ♥11015198_10153005413303800_7994917168017869561_n

#day258

{é tudo por hoje}11150740_10153003101178800_2797891392197281800_n

{como desestabilizar em menos de nada}

O dia inteiro a fazer de conta que a data não é importante. Que não é minha. Que não me é, simplesmente. Porque não é.
No meio de uma converseta de parvoeira de fim de feira, de brincadeira, receber como resposta “tu ainda não és mãe. Se um dia fores…”

………respirar fundo, morder o lábio, tentar aliviar o nó na garganta, secar os olhos que de repente ficaram húmidos com a violência do murro no estômago.

Não, ainda não sou mãe. Ou sou não sendo. Ou fui. Não sei.

Sei que não pensei noutra coisa o dia inteiro. Sei que fiz por esquecer. Sei que fiz por não lembrar.

Sei, também, que foi uma resposta inocente. E que, no contexto, fez sentido.

Mas bolas…os murros no estômago doem, cortam o ar, apertam a garganta e humedecem os olhos e fazem o queixo tremer………SavedPicture-201553233012.jpg

#day257

Ir ao Jardim da Estrela no primeiro fim de semana de cada mês é mais do que apenas “ir vender para a feira”. Muito mais.

É lidar com o mau feitio do vizinho do lado que de mau não tem nada. É desde as 7 da manhã lidar com as provocações do vizinho e responder à altura e à letra. E a cada nova provocação rir de doer a barriga. E provocar de volta. Porque enquanto um diz “Mata!” já o outro foi e esfolou!

É ter uma afilhada que é uma espécie de segunda mãe. Diz ela que também tem mau feitio, tal como o filho que também é o vizinho do lado que mata e esfola e provoca e faz rir e ri também. Ele e ela, a mãe, a minha afilhada que é um bocadinho mãe de todos.

É alguém dizer “dão chuva para amanhã” e poder responder “já devias saber que ninguém dá nada a ninguém! Por isso não há chuva!”. Ou então ouvir “vai chover” e ouvir como resposta “vai tu, mal educado”…

É falar de coisas sérias quando é de falar de coisas sérias. Mas acima de tudo é rir de doer a barriga, de ir às lágrimas ou de pedir que párem de nos fazer rir ou temos que pôr a bomba da asma.

É amizade. Companheirismo. Respeito mútuo. Uma espécie de família. A Família Estrela. Que só quem faz parte desde o início entende.

E se ir a Mafra a casa dos meus tios é ir à terra visitar a família, ir ao Jardim da Estrela é uma reunião de família, mensal, que me faz ligar à Terra.10985436_10153000991388800_2705970842075895601_n

#day256

Há sempre uma primeira vez para tudo, dizem. E hoje houve. E mexeu cá dentro novamente. Mas não vou permitir que vá mais longe.

Voltemos ao aqui e agora. E às coisas pequeninas que me fazem sorrir.

Duzentos e cinquenta e seis depois de dezanove depois de quarenta e dois. Tanto tempo que parece tão pouco que parece uma eternidade.

Aqui e agora! Porque eu sou mais, eu posso mais. Estabilidade em mim. Para mim. Por mim.11193388_10152998550903800_2674753317456922694_n