Author Archives: Kooka

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Se perguntarem por mim, dir-vos-ei que não estou. Esta que vos fala é outra que não eu.

{#131.235.2023}

Diz-me o calendário que hoje ainda é quinta feira. Fazendo contas de cabeça não discordo.

Estou de baixa médica psiquiátrica há precisamente duas semanas. E tudo começou a ser notado com o cansaço acumulado, extremo, e a dor de cabeça que não passa. O diagnóstico? A psiquiatra insiste na Depressão. Mas, quanto mais eu vou lendo, mais vou encaixando e aceitando os sintomas de Burnout. O terapeuta fofinho, apesar da consulta semanal, ainda não deu o seu veredicto. Que lhe vou pedir este Domingo, dia da próxima consulta. E vou, claro, pedir-lhe ajuda. Porque, ao fim de duas semanas em casa, ainda não consegui desligar do trabalho.

Ruminação. É o nome que tem este sintoma em que insistimos em pensar no que não nos faz bem. E eu não páro de pensar nesse episódio que, não tenho dúvidas!, me fez chegar a este ponto.

Para ajudar, para além da dor de cabeça intensa e persistente, juntou-se um início de infecção respiratória e, quem sabe, uma gripe. Pela primeira vez em vários anos tive febre. Por descargo de consciência fiz o teste que se impõe. Felizmente, o resultado foi negativo. Acho que, sendo positivo, não iria saber lidar com tudo isto ao mesmo tempo.

Segunda feira é dia de consulta com a médica de família. E, também a ela, vou pedir ajuda. Porque não posso continuar como estou.

Sei que não estou sozinha. Tenho quem me estenda a mão, quem me pergunte como estou, quem queira de facto saber. Os outros? Não me interessam. Quem anda distraído anda porque quer. Já me fez falta. Não faz mais.

Agora o importante é tratar de mim. O resto? É isso mesmo: o resto. Amanhã? Logo se vê. Mas, se puder pedir, então peço um dia sem dores de cabeça. Já ajuda a conseguir descansar. Por hoje já chega…

{#130.236.2023}

Para mais tarde recordar quem, de facto, vale a pena…

E depois há aquele momento em que o Pedro P. me telefona só “para saber de ti”. Ao fim de uma hora de conversa, a Vodafone (como sempre…) cortou-nos o pio. Mas, claro, eu voltei a ligar e foram mais 38 minutos a pôr a conversa em dia.

Era com o Pedro que conversava todos os dias depois do trabalho no caminho para casa quando, em 2017, eu estava no fundo do poço. E o Pedro sempre lá, a estender-me a mão para não me deixar afundar. E não deixou.

Hoje, ao perceber que não estou bem, relembrou-me que não estou sozinha. Quis saber o que se passa. Contei-lhe, como sempre, tudo. É das poucas pessoas a quem o faço.

98 minutos que pareceram 98 segundos. E que me souberam pela vida. E um recado no final. “Quando precisares de falar, manda uma mensagem. Assim que sair do trabalho telefono-te!”.

Há poucas pessoas como o Pedro. Pedro P. …P. de Presente. E o Pedro está sempre. Obrigada. Tanto, tanto.

Depois do jantar, o café. Ou, por já ser de noite, o descafeinado. No Spotify? Toca Tom Odell. Hoje, como em 2017, canta Heal. “Tell me that some things last“…

Os Pedros que valem a pena são poucos, muito poucos. O Pedro P. de Presente é um deles. Depois há o Pedro C. …Cesário Amarelo de há 30 anos. E são só esses os Pedros que ficam (e muitíssimo poucos mais). Porque são os únicos que (me) importam.

Mas, à noite, sempre o descafeinado e o Spotify. Hoje com Tom Odell. Heal, claro. E vou cantando baixinho aquilo que quase gravei na pele com a primeira tatuagem: “tell me that some things last“…

{#129.237.2023}

Terça feira, dia de descansar. Acordar às 6h30 da manhã por uma gata que tem um despertador interno, voltar a pegar no sono às 7h30 para voltar a acordar perto das 13h. Não foi uma noite de sono perfeita, até porque já passava da meia noite quando adormeci. Mas foi o melhor que consegui.

O dia foi lento, lentinho, chegando mesmo a ser parado. Fui ao café depois do almoço, à esplanada do costume, mas não por muito tempo. Tinha ideia de me aninhar no sofá e deixar-me levar pelo sono a olhar para a televisão. Não aconteceu como queria…não consegui apagar. E agora, 22h40m, não tenho nem sono nem vontade de ir para a cama…

Mas deu para parar o corpo. Isso também é descansar. Preciso de dormir? Muito. Mas está a ser complicado conseguir um sono de qualidade…

Vamos ver como corre esta noite. E amanhã? Logo se vê. Se a gata não me acordar à hora de sair para trabalhar já é muito bom…

{#128.238.2023}

Segunda feira. Aquele dia em que era suposto regressar ao trabalho. Não aconteceu, claro. Nem vai acontecer tão cedo. Baixa prolongada até 6 de Junho. Sei de quem vai subir paredes amanhã quando receber o meu email com o papel da baixa e olhar para a data. Mas não quero saber. Em primeiro lugar estou eu. E eles, os que vão receber o email e fazem a gestão do trabalho, também não querem saber de mim. Estou em casa há praticamente duas semanas. Ainda ninguém se dignou a perguntar como estou e/ou se preciso de alguma coisa. Temos pena. Só que não…

Ir a Lisboa buscar o papel da baixa foi uma tortura. Porque o corpo está muito cansado. A cabeça também, mas o corpo…

Chegar a casa e querer descansar. Almoçar à hora do lanche. E o telefone toca para saberem de mim. Uma amiga de longa data, de há mais de 20 anos. Que começou por ser formadora de trabalho, passou a colega e rapidamente subiu à categoria de amiga. Falamos uma vez por ano, às vezes duas. Já tínhamos falado este ano pelo meu aniversário. Mas as minhas partilhas deste estado absurdo a que cheguei chegam a quem quer saber. E ela quer. Uma hora e vinte e três minutos de conversa. E a promessa de um café à beira mar em breve.

Sabe muito bem quando querem saber de nós.

Outro telefonema pouco depois. De quem me fez cair no colo aquilo que eu não procurava mas que agora sei que é o que quero. E que mereço. Mais quarenta e cinco minutos de conversa. Vai correr bem. E terei uma resposta em breve.

Quis descansar depois de chegar a casa. Ainda não consegui. O corpo, é verdade, tem estado sossegado. Mas a cabeça continua acelerada. Depois dos telefonemas ainda não tive tempo para processar o dia. Que não foi nada de extraordinário, mas foi longo.

Agora, pouco depois das 22h30m, é hora de parar, recolher e enroscar…e tentar desligar. E dormir. Amanhã não há horário para acordar como houve hoje. Por isso, logo se vê como corre a noite e a que horas acordo. Não tenho pressa. Só quero melhorar. Recuperar. Voltar a estar bem. E até dia 7 de Junho, dia de regresso ao trabalho, ainda tenho algum tempo. Vamos ver como corre até lá…

Amanhã? Logo se vê. Mas será melhor. Porque eu quero que assim seja.

{#127.239.2023}

Domingo, dia de consulta com o terapeuta fofinho. A quem conto tudo e que me ajuda a analisar tudo o que se passa comigo e/ou à minha volta. E que me ajuda, também, a pôr as coisas em perspectiva.

Ontem ao final do dia, em conversa noutro fuso horário, percebi que estou muito zangada. E foi o que me fez zangar que me fez chegar a este ponto. De rotura. E, claro, esta manhã voltei a esse tema com o terapeuta fofinho. E, já sei, é um tema que precisa muito de ser trabalhado. E vai ser. Só depois de o trabalhar é que vou conseguir fazer as pazes com o trabalho. Para já, não consigo sequer pôr a hipótese de regressar rapidamente. Sei que, mais tarde ou mais cedo, vai ter que acontecer. Mas, para já, não tenho condições nem físicas nem mentais para isso. Primeiro tenho que recuperar. Nem que seja a parte física, que está de rastos. A parte mental também precisa de algum descanso e alguma recuperação. E para isso preciso de tempo.

Vai custar? Parece que sim. Nunca imaginei que o corpo cedesse tanto como cedeu nos últimos dias. São dores nas pernas, nos pés, dores de cabeça que não passam… Falta ainda uma semana para ter consulta com a médica de família. E aí vou deixar o rol de queixas físicas que me têm incomodado tanto nos últimos dias…

Sei que não estou sozinha. Tenho quem me acompanhe. Seja do outro lado da Serra, seja do outro lado do Mundo. E, saber e sentir isso, é tão importante. Não, não estou sozinha. E tenho quem se preocupe e me estenda a mão.

Este caminho é duro? É. Muito. Mas tem que ser feito. Por mim. E eu vou fazê-lo. Custe o que custar, vou fazê-lo.

Amanhã? É um novo dia. Aquele dia em que devia regressar ao trabalho. Não vai acontecer. A baixa médica foi prolongada. Não sei ainda até quando. Mas, para já, é o que preciso: tempo. Para mim. Para descansar. Para dormir. Para, acima de tudo, descansar.

O resto? É isso mesmo: é só o resto. Depois logo se vê. Em primeiro lugar estou eu. E agora, mais do que nunca, não me posso esquecer de mim.

{#126.240.2023}

Sábado. E dormir, no mínimo, 12 horas sem interrupções. Alguém estava a precisar de uma maratona de sono. E nesta última noite consegui.

Continuo muito cansada, mesmo assim. Fui à rua e voltar para casa custou-me. Muito. Aqueles 100 metros pareceram-me 100 kms.

Depois do almoço a vontade era instalar-me no sofá e deixar-me ir. Não aconteceu. Em vez do sofá, optei pela cama. Mas não dormi. Também é preciso viver um bocadinho. Mantive-me na cama, sempre deu para descansar o corpo. E a distância de 5.726 km e a diferença de 5 horas no fuso horário não existiram. E, quando assim é, é tão bom.

Há um ano alguém me disse que eu devia dar uma oportunidade à vida. Na altura tentei fazê-lo. Foi bom enquanto durou. Não me chateei quando a vida seguiu o seu caminho. Agora, um ano depois, dou uma nova oportunidade à vida. Aliás, desde Dezembro que tento fazê-lo. Nunca deu em grande coisa. Agora? Não sei onde isto me vai levar. Mas, mesmo que não me leve a lado nenhum, está muito bom.

Hoje, até olhar para cima me custou. Muito. Mas nem por isso deixei de o fazer. Porque já passou o tempo de ter os olhos no chão.

E confirmei, numa simples troca de mensagens a 5.726 km de distância, que estou muito zangada com o trabalho. Ou com tudo o que diga respeito a trabalho. Um trabalho que eu gosto muito de fazer, numa área que eu gosto muito, um trabalho que eu faço bem feito. E que é constantemente desvalorizado. E não consigo esquecer-me de quando os meus resultados foram deturpados por alguém que, acabado de chegar, desconhece a realidade do meu trabalho…

Sim, cada vez mais encaixo as peças de Burnout. Cada vez me faz mais sentido. Amanhã é dia de consulta com o terapeuta fofinho. E vou fazer questão de falar com ele sobre isso. Na verdade, sobre tudo o que me está a fazer (muito) mal.

Enfim…neste momento valem-me as mensagens enviadas a 5.726 km com 5 horas de diferença no fuso horário. É isso que me tem distraído e ocupado a cabeça. De resto? Pouco ou nada me tem gerado interesse. E o cansaço intenso que não passa também não me permite ter vontade de nada ou coisa nenhuma.

Amanhã? Logo se vê… E o resto é isso mesmo: é só o resto.

{#125.241.2023}

Cheguei a sexta feira. Não sei como, só sei que cheguei. Extremamente cansada. Desgastada. Simplesmente sem força para absolutamente nada. Hoje nem para o café na esplanada ao final do dia.

A dor de cabeça intensa insiste em não passar. Continua presente, a todas as horas, em todos os momentos.

Exponho o meu estado actual sem qualquer tabu. Como sempre expus qualquer coisa relacionada com saúde mental. Ou a falta dela. E sei que, com essa exposição, não só recebo apoio como lanço alertas. Sei que tenho várias pessoas preocupadas comigo neste momento. Não duvido que haja outras tantas mais alerta a sinais que tantas vezes passam despercebidos, que são desvalorizados.

Falei hoje com a psiquiatra. Ela insiste no regresso da depressão. Mas, desta vez, não concordo com ela. Porque, quanto mais leio sobre o assunto, mais reconheço o meu estado como estado de Burnout.

A baixa médica vai ser prolongada. Iria terminar este domingo, mas não estou minimamente em condições, físicas ou mentais, para regressar ao trabalho. Até quando é o prolongamento da baixa? Ainda não sei. Mas sei que cada dia conta para a recuperação.

Vai demorar, não tenho dúvidas disso. Vai ser trabalhoso. Vai ser difícil. Mas sei que não estou sozinha. Tenho pessoas preocupadas comigo e a puxar por mim, tenho a psiquiatra que me ajustou a medicação e aceita que não me sinta em condições de regressar ao trabalho e tenho o terapeuta fofinho que me vai ajudar a lidar com isto e a encontrar o caminho para a recuperação.

Não, a dor de cabeça não passa. Continua intensa. Contínua presente. E, por referir a constante presença da dor de cabeça, recebi uma proposta holística que não vou recusar. Em princípio, irá acontecer ainda hoje. E é tudo o que eu preciso neste momento. E que há já vários procurava, mas sem saber ao certo a quem pedir. Muito por não querer incómoda ninguém.

Sim, estou muito cansada, dói-me muito a cabeça, atingi o meu limite. Mas sei que é possível recuperar.

Um dia de cada vez. E sempre sem pressa. Sei que vou melhorar. Não sei quando. Mas sei que vou.

{#124.242.2023}

Dia longo que começou ainda ontem. Ontem, dia de procurar ajuda. Resultou em 12 horas na sala de espera das urgências do Hospital e sem ser vista por nenhum médico…

Não, não estou bem. Estou à beira da rotura. Ando a acumular há muito tempo. Mas cheguei ao ponto de já não aguentar mais.

Agora é procurar ajuda. Mas ajuda efectiva. Não aquela ajuda que nos faz desistir depois de 12 horas na sala de espera das urgências do Hospital. E, para além de procurar ajuda, conseguir efectivamente descansar. É urgente descansar. E eu não consigo…

Amanhã? Logo se vê. Mas vou continuar a precisar de ajuda e de descansar…

{#123.243.2023}

E depois chega aquele dia em que não dá mais e é preciso parar e pedir ajuda.

E hoje foi (é…?) esse dia. Uma chamada para a Saúde24, uma visita às urgências do Hospital. Cheguei às 19h34m. Passei pela triagem uma hora depois. São 23h05m. Continuo à espera de ser vista por um médico.

Estou farta de aqui estar? Estou. Mas, quando decidi que preciso mesmo de ajuda, já sabia ao que vinha. Sei que só devo sair daqui de manhã, ou muito perto disso. Mas já não dá mais. A dor de cabeça intensa insiste em não passar. O cansaço extremo é cada vez mais notório. Por isso, sim, vim ao sítio certo, no momento certo.

Amanhã? Falo novamente com a psiquiatra como ficou combinado. E vou-lhe pedir prolongamento da baixa. Independentemente do que for diagnosticado hoje, do que for recomendado hoje. Sei que ainda não estou em condições de regressar ao trabalho.

De resto, logo se vê. Um dia de cada vez.

{#122.244.2023}

Acho que ainda é terça feira. E o cansaço acumulado ainda cá está. A dor de cabeça não passa. E até a tarefa mais básica se mostra difícil e extenuante.

Não, não está fácil. Não consigo desligar e, efectivamente, descansar. Durmo pouco. Durmo mal. Acordo cedo. E durante todo o dia me arrasto por aí, entre o sofá e o cadeirão. Mas não faço o que preciso: dormir.

Não estou a gostar nem um pouco da forma como me sinto. Sei que melhorar só depende de mim. Mas se nem eu consigo obrigar-me a dormir…

Preciso de ajuda. E, com a dor de cabeça sempre presente e cada vez mais intensa, já decidi que amanhã vou procurar ajuda ao único sítio onde realmente me podem ajudar.

Por hoje, vou tentar fazer o que tenho que fazer para me ajudar a recuperar. Dizem que está nas minhas mãos. E eu acredito que sim. Só tenho que me empenhar e não desistir.

Sei que vou dar a volta a isto. Não sei quando nem como. Mas vou ter que dar a volta a isto. E antes que o estrago seja mais grave…

{#121.245.2023}

São 5.726 kms de distância, 5 horas de diferença horária. Mas que me têm feito muito bem.

Faz-me companhia, distrai-me daquilo que me perturba neste momento, deixa-me ser eu tal como estou e como sou. Faz-me bem, não nego.

O que é que vai sair daqui? Muito provavelmente nada. Mas, para já, está muito bom. Amanhã? Logo se vê.

{#120.246.2023}

Domingo de preguiça. Muita preguiça. Ou descanso, apenas isso.

Dia de consulta com o terapeuta fofinho. Que era para acontecer de manhã. Aconteceu ao final da tarde. Mas o que importa é que aconteceu. Porque estava a precisar. E foi ao falar com ele sobre a última semana que percebi que estou, de facto, muito zangada com o trabalho e com o que me levou ao momento em que estou.

Mas, mais uma vez, digo a mim mesma: um dia de cada vez. Dar tempo ao tempo. Acima de tudo, dar tempo a mim mesma. Para descansar, recuperar e ganhar coragem para enfrentar os próximos dias.

Respirar fundo. Eliminar o que não interessa. Acreditar, sempre, que vai melhorar. E vai correr bem. Porque eu mereço. Amanhã? Será melhor.

{#119.247.2023}

Sábado. Que era suposto ser aquele dia aborrecido da semana em que dava para descansar e vegetar no sofá. Só que não aconteceu…

Acordar mais cedo do que era suposto. Sair de casa cedo. Voltar só à hora de almoço para poder dedicar pouco mais de meia hora ao sofá. Sairá antes das 16h. Voltar um bocadinho antes das 19h. E aí, sim, desligares nos sofá por das horas…

A dor de cabeça, que tem sido uma presença constante, Hoke está particularmente difícil de suportar e superar. Mas pode ser que uma boa noite de sono ajude…

Recolho agora. Vou, mais uma vez, fazer o que tenho que fazer, mesmo que não faça de forma completa. “Não faz mal, a intenção está lá”, dizem-me. E acredito que sim.

Amanhã é dia de consulta com o terapeuta fofinho. A quem quero contar os meus recreios da minha situação actual. Não está fácil…mas sei que ele me vai ajudar a acalmar a ansiedade. Como faz sempre.

Por hoje já não dá mais. E,mais uma vez, queria dormir cedo e não vai acontecer…

{#118.248.2023}

Sexta feira. Aquele dia que tinha prometido a mim mesma que ia ser para começar a tratar de mim e, finalmente, descansar.

Não aconteceu, claro. Acordar cedo, sair de casa cedo, fazer análises, voltar para casa pelo caminho mais longo. Mas também o mais bonito, à beira da praia. Com passagem pelo parque no regresso.

Quatro quilómetros depois, chegar a casa muito cansada. Tentar dormir um bocadinho depois do almoço… Se dormi trinta minutos, foi muito. E não foi bem dormir. Foi aquele estado nem cá nem lá. Deu, pelo menos, para descansar o corpo enroscado no sofá. Mas não, ainda não posso dizer que o dia tenha sido para descansar.

Amanhã, sábado, também não vai ser. Programa de manhã, marcado para as 10h30, que me vai obrigar a acordar cedo e sair de casa cedo também. À tarde, programa às 16h que vai demorar pelo menos duas horas. Depois, quando regressar a casa, logo se vê.

Apesar de continuar a sentir-me cansada, apetece-me ir jantar fora e dois dedos de conversa. O mais certo é não acontecer. Mas não deixa de me apetecer. E também isso é tratar de mim. Mas, e não me posso esquecer!, o mais importante agora é descansar. Para poder, depois, ter resistência física para o que vier.

Com tempo recupero. Mas também há um outro lado que preciso de recuperar. E, nesse campo, há muito trabalho a fazer. E não posso, nem quero!, desistir. Porque, se o fizer, não me vai trazer nada de bom.

Por isso, amanhã logo se vê. Por agora recolho, trato de mim, faço o que é preciso ser feito. E tento ter uma noite tranquila.

{#117.249.2023}

Dia de tratar da minha saúde mental. É certo que a consulta estava marcada desde Dezembro, mas acontece no momento certo.

E percebo que quem me acompanha entende quando digo que não estou bem e me diz “é melhor parar JÁ antes que o estrago seja mais grave”.

Para já, são 11 dias de baixa psiquiátrica. Podendo ainda ser prolongada. Vamos ver como corre…

Sei que há outra componente muito importante que está a influenciar o meu estado actual. E tenho que trabalhar esse ponto com muita convicção e força. Nunca me esquecendo do que preciso de pedir: protecção. Ajuda e protecção.

Sei que, de tantas maneiras, não estou sozinha. Mas há presenças que não quero. E é aí que tenho que dizer “Não“, pedir ajuda e pedir protecção. Só assim vou conseguir vencer isto. Se é fácil? Não. Mas também nunca pensei que pudesse ser tão difícil…

Mas eu vou conseguir. Porque eu sou tão mais do que isto.

Baby steps. Nunca me esquecer disso: baby steps.

{#116.250.2023}

Quando percebes que o estado de exaustão em que te encontras não tem só a haver com a parte física, claro que te assustas…

Há muito mais para além do que é visível e/ou palpável. Sei que o meu caminho também passa por aí. E ter decidido avançar por aí não está a ser fácil. Nobody said it was easy. No one ever said it would be this hard…

Parece que a experiência de há uns dias abriu portas que se querem fechadas. E que, agora que permiti que fossem abertas, cabe-me a mim, e só a mim, fechá-las. Posso pedir ajuda, claro. Mas, acima de tudo, tenho que pedir protecção. Não posso, nem quero!, permitir que se aproxime de mim quem não é bem vindo.

Sou da Luz. Sou do Amor. A Sombra não é bem vinda aqui. Mas é a Sombra que está a tentar prender-me. E perder-me. Não o quero. E faço questão de o repetir. Fazer finca pé para que se afaste. Ergo barreiras. Ergo muros. Peço protecção. E dou os meus passos um de cada vez.

Para mim só quero Luz. E Amor. E vou conseguir com a ajuda de quem está sempre comigo, mesmo que eu não veja, conquistar o Eu que sou.

Baby steps. Com medo? Pelo desconhecido, claro que sim. Mas sabendo que não estou sozinha.

Não, hoje não foi um dia fácil. Mas não vou permitir que se repita. Porque sei que ajuda e protecção estarão sempre disponíveis. Só tenho que pedir. E peço. E agradeço. O resto? O que não interessa? A isso simplesmente digo “Não“.

Um dia de cada vez. Amanhã será melhor…

{#115.251.2023}

À beira da exaustão. E sei que não é só o descanso físico que é necessário. Há todo um outro trabalho para fazer. E que só eu posso fazer. Por mim. Para mim.

Já comecei a fazê-lo. Mas, das duas vezes que o fiz, adormeci em menos de nada, tal é o estado em que me encontro. Mas é preciso manter o foco. E usar as ferramentas que tenho.

Baby steps. Um passo de cada vez. Sem medo. E, se der medo, vou com medo na mesma. O importante aqui sou eu. Para além do cansaço, há em cima de mim um qualquer novelo de não sei o quê que me está a prender e a limitar. Cabe-me a mim, com as ferramentas que tenho, desembaraçar esse novelo por forma a conseguir avançar. Mas, para isso, tenho que me dedicar a fazer o que tenho que fazer. E não desistir.

Hoje, feriado, foi possível descansar um pouco mais para tentar recuperar. Não foi o suficiente, claro. Amanhã? Logo se vê. Mas a verdade é que os sinais de exaustão estão todos cá. E assustam…

Amanhã logo se vê como será… Por hoje dedico-me, novamente, a mim. Depois logo se vê…

{#114.252.2023}

Já não a via há uns dias. Mas hoje, depois de um dia de humor de cão e antes de entrar em casa, lá estava ela. E, perto dela, um qualquer planeta que mal se vê e que eu não sei identificar. Mas estavam lá. Os dois. Para mim.

O dia foi mau? A verdade é que podia ter sido pior. O cansaço em excesso acentuou um mau humor desgraçado que há muito tempo não sentia. Felizmente amanhã é feriado, vou poder tentar recuperar um bocadinho mais. Sim, estou à beira da exaustão. Não, não é bom. Preciso de parar por mim. E tratar de mim. É urgente fazê-lo.

Há um qualquer novelo que tem que ser desembaraçado e só eu o posso fazer. E, quando o fizer, as coisas começam a acontecer como têm que acontecer. Faz sentido para vocês? Não tem que fazer. Mas, felizmente, tenho quem me chame de volta à Terra e me relembre que eu tenho, de facto, todas as ferramentas de que preciso e já me apontaram o caminho a seguir. Por isso, há trabalho a fazer e que vai ser retomado hoje, sem falta. Porque, diz-me ele, o iceberg está aí. E eu não quero ser o Titanic.

E vê-la hoje fez-me, mais uma vez, lembrar que não estou sozinha. Mas o trabalho só pode ser feito por mim.

{#113.253.2023}

Sabes que estás à beira do limite quando o teu corpo começa a dar sinais de exaustão.

Já o sinto há uns dias. Mas hoje esses sinais fizeram-se sentir de forma mais intensa… Dormi, descansei, mas não recuperei. Terça feira é feriado. É já depois de amanhã. Parece pouco tempo até lá. Mas sei lá como vai ser amanhã…

Por agora, está na hora de recolher e enroscar. Aproveitar que ainda não é muito tarde. E tentar recuperar um bocadinho de energia para aguentar o dia de amanhã. Terça feira logo me dedico a tentar recuperar mais um bocadinho…

{#112.254.2023}

Sábado. Aquele dia aborrecido da semana. Depois de mais uma noite interrompida às 4h da manhã, a manhã foi dedicada a fazer o que precisava tanto: dormir. Podia ter aproveitado de outra forma? Cansada da maneira que ando, a resposta só pode ser não, não podia.

Sábado à tarde costuma ser dedicada a vegetar no sofá. E, eventualmente, acabar por adormecer. Mas hoje não. Hoje foi tarde de café com uma colega de trabalho que mora perto. Café e um passeio à beira da praia. Aproveitar o Sol de Verão. Ver o Mar que ainda é de Inverno. Conversar. E simplesmente estar.

Claro que cheguei a casa ainda cansada. Mas tive direito a um abraço demorado do filho mais velho, que só hoje me conheceu, que pouco ou nada conversou comigo. Mas que, antes de se ir embora, me brindou com aquilo que gosto tanto: um abraço. Soube tão, mas tão bem.

A vontade de fazer acontecer mantém-se. Ainda tentei o “sim”. Mas, do outro lado, o cansaço também se faz presente. E, apesar de também haver vontade de um café, vamos ter que esperar mais um bocadinho. Não faz mal. Não há pressa. Mas, mesmo não havendo café, houve conversa. Daquela que tocou pontos inesperados. E que merecem, sempre, ser falados, conversados.

Foram mais de três meses de silêncio. E agora, depois de quebrado o silêncio, surgem os pontos sensíveis. Nesses três meses a vida seguiu. E eu segui com ela. Porque assumi esse silêncio como um fim. Não esperava um regresso. E menos esperava esse regresso acompanhado com as palavras que me trouxe. Mas a vida seguiu e eu segui com ela. E, ao falar desse tempo de silêncio, percebi que algo incomodou o outro lado. Sem razão. Porque, lá está, a vida seguiu e eu segui com ela.

Se foi importante conversar? Para mim foi. Porque eu sou de conversar sobre o que me incomoda. Só assim consigo entender o que acontece e porque é que me incomoda. E questiono. E tento entender. Para conseguir seguir.

Perdeu-se o encanto? O outro lado diz que sim. Mas, depois de conversar, assume que exagerou na reacção. Reacção que, para mim, não faz sentido. Porque não fui eu quem trouxe o silêncio. Durante três meses, continuei no mesmo lugar. Continuei a ser eu mesma. Mas a vida também continuou. E eu acompanhei-a.

Não me arrependo de ter seguido a vida como segui. E não tinha que ficar à espera que o silêncio fosse quebrado. Porque, para mim, foi entendido como um fim.

Pelos vistos não foi. Agora? É um dia de cada vez, como sempre. Depois, logo se vê. Se esse café surgir, óptimo. Até lá, vou continuar a ser eu. E a conversar sobre o que me incomoda.