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Se perguntarem por mim, dir-vos-ei que não estou. Esta que vos fala é outra que não eu.

{#297.69.2022}

Segunda feira e começar a semana a sair do trabalho mais tarde. Estando a trabalhar em casa não me custa tanto. Mas aquela última hora, hora extra, é sempre a mais difícil de passar. Porque parece que nunca mais passa. E hoje não foi excepção.

Acordar antes da hora prevista e lutar para não me virar para o outro lado. Era certo que dormia pela manhã dentro se me deixassem.

E, de repente, lembro-me que as férias estão quase aí. Pelo menos a primeira parte das férias. Não tenho planos absolutamente nenhuns, tirando um dia dedicado a dentista de manhã e rastreio à tarde. De resto, vai ser uma longa semana sem nada para fazer…

Vai dar para descansar. E vai dar para pensar demais. Em nada e em tudo em simultâneo. Vai dar asneira tanta coisa na minha cabeça e sem nada para me ocupar.

Logo se vê.

Para já tento não pensar. Tento não me preocupar. Preocupando-me, claro. Mas vou fazendo por saber aos poucos como as coisas estão. Quando a vontade é sentar e conversar. Sem ter nada para dizer, mas muito para ouvir. E simplesmente estar lá.

Não vai acontecer, claro, e não me posso esquecer que é preciso dar espaço e tempo. É isso que farei.

Até lá, às férias ou essa conversa sem dizer nada, deixo passar um dia de cada vez. Sem pressa, como sempre. Mas sentindo sempre tudo. O bom e o menos bom. Mesmo que neste momento não saiba muito bem o que sentir ou, sequer, o que sinto.

É dar espaço. É dar tempo. E não me importar com a falta de iniciativa do outro lado.

Amanhã? Logo se vê. Por hoje chega. Recolho e descanso. De resto, um dia de cada vez.

{#296.70.2022}

Domingo. Acordar cedo, antes do despertador tocar, mas não demasiado cedo. Consulta de manhã com o terapeuta fofinho. Voltar para a cama e conseguir dormir. Descansar, portanto.

Não foi, ao contrário do que parece, um dia perdido. Foi um dia necessário. Para repôr energias para a semana que aí vem. Não foi, claro, um dia muito interessante. Mas os meus fins de semana são sempre muito pouco interessantes. E este foi só mais um. Que começou com céu azul, teve chuva, teve apenas nuvens. E uma conversa rápida logo pela manhã. Que, para variar, me soube a pouco.

Mas teve também, ao final do dia, um novo toque de “estou aqui” numa imagem que não desperta interesse por aí além, mas que vejo como um sinal de apoio. E isso sabe muito bem.

Gostava tanto de dizer que o meu gut feeling teimoso tem razão. Porque, e apesar de tudo que já é tanto, continua a dizer que sim, um dia as coisas mudam. Não quero dar-lhe demasiada atenção. Especialmente não agora. Agora não é, de todo, o momento para as coisas mudarem. Porque, ao mudarem agora, será uma ilusão apenas. E não é isso que quero. Quero uma mudança sincera, consciente e tranquila. Por isso deixo que o tempo faça o seu trabalho.

Não tenho pressa. Deixei de ter pressa seja para o que for há muito tempo. Por isso mantenho a minha presença e a postura de sempre. E, se me permitirem, dar-me-ei a conhecer um pouco mais. Depois? Será o que tiver que ser.

Para já concentro-me no meu trabalho diário, concentro-me no que posso ir fazendo com o que vem de outros tempos, concentro-me em estar presente se me quiserem presente. De resto, logo se vê.

Amanhã? Tirando o facto de ser segunda feira e sinal de que o fim de semana acabou mesmo, será melhor. Não tenho pressa. E o que tiver que ser, será. Quando tiver que ser.

{#295.71.2022}

Sábado, aquele dia aborrecido da semana. Começou cedo, claro. E pouco depois retomou-se a conversa com quem vê mais além quando já não esperava que acontecesse. E ainda há muito trabalho a fazer. Que tenho que ser eu a fazer e tenho boicotado. Mas tenho que mudar essa atitude. Sei que o que é preciso fazer depende apenas de mim e de nada adianta ter alguém a estender-me a mão para caminhar se eu continuar a recusar dar um passo em frente. Tenho que fazer melhor para poder estar (e ser…) melhor.

Depois de uma manhã de muita chuva, voltar para a cama e conseguir dormir. Foi tão importante. Foi necessário. Foi preciso para ter coragem para me enfiar num centro comercial o resto da tarde. Em busca de algo que, pelos vistos, não existe…um simples casaco de Inverno que não aparece em loja nenhuma. Mas, pelo menos, o sábado foi diferente. Menos aborrecido. Mais ocupado. Com nada de especial, é um facto. Mas, pelo menos, saí de casa.

Sei exactamente o que queria fazer em vez de me enfiar num centro comercial. Sei onde queria estar. E, especialmente, com quem queria estar. Nada disso acontece, no entanto. Não me posso esquecer da nega que levei sem sequer ouvir a palavra não. E é também por isso que os meus sábados continuam a ser o que são: aborrecidos.

Continuo preocupada. E com vontade de ajudar. De fazer mais. De estar . Sei que não posso fazer muita coisa, ou mesmo nada. A não ser dar espaço. Não impôr a minha presença. Mas caramba…não deixo de me preocupar.

Sei que tudo acaba por passar. Mas também sei que, até passar, o caminho é longo, tortuoso e dorido. E é isso que me preocupa. E é isso que me faz querer fazer mais. Sem poder fazer nada.

Enfim…ninguém disse que ia ser fácil. Mas volto à velha máxima: um dia de cada vez.

Amanhã? Chova ou não, será melhor. Será um dia bom. Porque eu quero que seja. E se puder fazer do dia um dia bom para alguém, então será melhor ainda.

Por hoje chega. Não foi um dia mau. E só por isso já é muito bom.

{#294.72.2022}

Sexta feira e mais um dia igual aos outros. Tirando as cores fabulosas de final de dia com um céu a roçar a perfeição e aquela hora e quarenta e três minutos de conversa telefónica com quem, quando eu mais precisei, me telefonava todos os dias depois do trabalho só para saber como eu estava.

Não foi um dia mau. Trabalho, olhar para cima, conversar e rir. Não, não foi mau. Só falta mesmo referir que é sexta feira, finalmente.

Voltei a atirar o barro à parede. Lancei um desafio há dias, relembrei-o hoje. Não devo ter sorte nenhuma, porque não houve qualquer reacção ou resposta. Mas não vou desistir. Daqui a alguns dias volto a repetir o desafio. Será a última tentativa. Mas não desisto até ter uma resposta.

Agora recolho e enrosco. Recorro ainda ao ritual nocturno. Só porque sim. Amanhã posso, finalmente, dormir um bocadinho mais, se não acordar espontaneamente demasiado cedo. Mas é fim de semana, e só isso importa.

Amanhã será um dia bom. Porque eu quero que assim seja. E só isso importa. Depois? Logo se vê.

{#293.73.2022}

Quinta feira e a semana quase no fim. É só trabalho e pouco (ou mesmo nada…) mais. Quando a vontade é de fazer acontecer, estar presente, ser mais do que isto. Seja lá isto o que for, que nem eu sei definir. Mas, acima de tudo, vontade de estar presente.

Ainda de ontem que soube hoje: fico muito contente e feliz pelos outros. Sabê-los bem e aconchegados aconchega-me a mim. E hoje, sabendo de ontem, foi assim que me senti: contente, feliz e aconchegada. Não podendo eu fazer mais, fico feliz por saber que há quem o faça.

De resto, mais um dia igual aos outros. Trabalho e nada mais.

Sinto-me um bocadinho inútil por não fazer mais nada dos meus dias. Gostava de fazer mais. Mas não sei o quê…

Enfim…é o que é. E aprendi a detestar esta frase. Mas não deixa de ser o que é. Se sou mais que isto? Sou tanto mais…só preciso de saber para onde direccionar o tanto que sou. Porque sou tanto mais…

Um dia descubro o que fazer. Hoje ainda não é o dia. Mas um dia descubro…

{#292.74.2022}

19 de Outubro. 2022, cinco anos depois de 2017 e daquela primeira mensagem a que só respondi na manhã seguinte em jeito de risada e que, no trânsito para casa, pensei “deixa cá dar uma hipótese”. Hoje, cinco anos depois, agradeço ter dado essa hipótese.

Ganhei mais do que perdi, se é que perdi alguma coisa. E todos os dias continuo a ganhar mais um bocadinho.

Há cinco anos não sabia, ainda. Mas ganhava um amigo. Que, para mim, é mais do que simplesmente um amigo. Mas é o que é. Aprendi a detestar esta frase, mas foi com ele que me habituei a ela.

Hoje, cinco anos depois daquela mensagem, sorrio. Continuo a rir quando me lembro da mensagem, porque foi a única reacção possível na altura e, se fosse hoje, seria igual. Mas sorrio porque tem sido um tempo muito bom. E é raro termos uma amizade em que, ao fim de cinco anos, ainda haja vontade de falar praticamente todos os dias. Mesmo que, por vezes, o retorno não seja imediato.

Nos últimos meses tem havido, especialmente da minha parte, algumas dúvidas. Alguns altos e baixos. Alguns baixos muito baixos. Que doeram bastante. Que me atiraram para baixo. Mas que uma simples conversa, que demorou a acontecer, me trouxe de volta ao lugar de sempre.

São cinco anos. Não, a história não fica por aqui. Não sei o que o amanhã reserva, mas sei que uma amizade é para manter por muitos e bons anos.

Amanhã? Logo se vê. Hoje, dia do meio, dia nim, nem não nem sim, não foi mau. Sei exactamente onde gostaria de estar. Mas sei também que, apesar de tudo, não é lá que devo estar. Não hoje. Quem sabe um dia…

{#291.75.2022}

Mais um dia que passou, igual a tantos outros, trabalho e mais nada. E perceber, há poucos minutos, que não, hoje não é quinta feira. É terça…

Ainda o silêncio. A ausência de retorno. E eu sempre preocupada, claro. Mas entendo. E aceito. Sempre com receio, claro. Mas é o que é…

Amanhã? Será melhor. E por hoje ainda não desisto. Atiro o barro à parede mais uma vez antes de desligar e enroscar. Depois logo se vê.

Só quero que, no meio do desconforto, esteja tudo o melhor possível…

{#290.76.2022}

Segunda feira. Começar o dia de trabalho com reunião com o chefe para analisar resultados. Nem tudo é mau, mas há um ponto importante a melhorar. Já o sei desde sempre e continuo sem conseguir fazer melhor. Não depende só de mim e é também por isso que não melhora. Depende também, e muito, de quem está do outro lado da linha. E, das duas uma: ou o atendimento é rápido e a avaliação é baixa, ou o atendimento é mais lento com uma melhor avaliação como é agora. E eu continuo a preferir a segunda hipótese. Enfim…pode ser que, com o tempo, esse ponto da minha avaliação do trabalho fique melhor. Vamos ver.

Segunda feira típica. Difícil de começar. E difícil de prosseguir sem ter retorno. Sei, porque já lá estive, que há momentos em que não nos apetece falar. Com ninguém. Entendo isso tão bem. E aceito. E faço por respeitar. Porque, lá está, já estive nesse lugar.

Mas, apesar de entender e aceitar, não deixo de me preocupar. Se já antes me preocupava, agora preocupo-me ainda mais. E, claro, tenho medo. Não sei exactamente do quê, sabendo tudo o que receio. Preocupo-me, pronto. E muito. Mas fico, agora, quieta e calada no meu canto, sossegada até ter notícias. Até ter um sinal de vida. Um simples “estou aqui” é suficiente.

Vamos ver. Espero que, dentro do possível, esteja tudo bem. Não sei como lidar sabendo que pode não estar. E, de certa forma, sei que não está. E isso deixa-me com aquela sensação de impotência que não gosto. Tenho tentado não ser demasiado intrusiva nem afastar-me demasiado, tentando manter os rituais diários de presença de manhã e aconchego à noite. Mas não ter retorno custa sempre. Assim como custa a quem não está bem estar disponível. Não tem que estar, eu sei disso. Mas só peço um pequeno sinal. Uma reacção que seja.

Vou esperar, claro. Vou dar tempo ao tempo. E vou continuar onde sempre estive: aqui.

Amanhã? Será melhor. Ou então logo se vê. Por hoje mantenho-me onde sempre estive. E a insistir em olhar para cima. Com uma vontade enorme de trocar de lugar. Mas não é possível…

Logo se vê.

{#289.77.2022}

Domingo. E acordar só quando o despertador toca é raro acontecer. Mas este domingo, finalmente, aconteceu. Depois de mais uma noite interrompida, claro.

Manhã de consulta com o terapeuta fofinho, partilha de pequenos apontamentos da semana e também da vontade que surgiu ontem de voltar a partilhar pedaços de mim.

Ao mexer no material que tenho disponível, percebi a quantidade de dinheiro que tenho ali empatado. Ou à espera de ser realizado. E dá-me pena, não pelo dinheiro mas pela qualidade das peças, que esteja ali tudo parado dentro de caixas. Sei que há quem goste do que faço (ou fazia…) e sei da qualidade do trabalho. Por isso decidi reabilitar a loja online e seguir em frente com esse projecto. E porque não? Não perco nada. E ainda posso ganhar por partilhar pedaços de mim.

A tarde serviu também para descansar, antes de me dedicar a esta partilha. Pelos vistos estou mais cansada do que pensava. Mas, depois de descansar e quando me dediquei às minhas peças, senti algo que há muito tempo não sentia. Um grande ânimo. E soube tão bem.

Sei que os próximos dias vão ser de muito trabalho para recuperar a loja online, divulgar cada uma das peças disponíveis, partilhar o que tenho. Mas vai ser bom. E estou animada com isso.

A única coisa que me deixa mais apreensiva nestes dias não tem a ver comigo, mas com quem trago comigo, cá dentro. Sim, estou preocupada, sim, tenho medo. Mas não posso fazer muito mais do que já tenho tentado fazer. Mas mesmo assim sei que é pouco. O ideal, como se fosse possível, era com um sopro fazer passar o que dói. Não é possível, infelizmente. Por isso, dou-lhe tempo e, acima de tudo, espaço.

Claro que os rituais diários se mantêm. Não passo sem eles. E, se antes não me disseram para parar, não páro agora se continuarem a não dizer.

Amanhã é dia de regresso ao trabalho. À rotina. E de acrescentar, ao final do dia, o tempo dedicado a peças que são pedaços de mim. Por hoje já chega. É hora de recolher, desligar e enroscar.

Amanhã? Logo se vê. Mas, se for como hoje, já vai ser bom.

{#288.78.2022}

Sábado. Que, por norma, é o dia mais aborrecido da semana, hoje não foi. Três anos depois foi dia de feira. Voltar a montar a banca, organizar os artigos em exposição, ver reacções e ouvir os comentários.

Em termos de vendas não foi um dia bom. Já ali tive volumes de vendas muito melhores. Mas, desta vez, o objectivo principal não era vender para fazer pela vida mas sim vender para partilhar parte de mim.

Apesar de haver ajuda cá em casa para produzir as minhas peças, sinto-as todas parte de mim. Porque é de mim que nascem, crescem e partem. São pensadas, às vezes desenhadas, testadas. Vêm de dentro. E revejo-me em cada uma delas. Nem fazia sentido se assim não fosse. Isso seria fazer por fazer e isso não consigo.

Foi bom voltar a montar banca tanto tempo depois. Mas foi ainda melhor sentir o apoio dos amigos. Senti-me muito aconchegada a cada nova reacção de apoio. E foram muitas e de diversas formas. E foi muito por sentir esse apoio que decidi que está na hora de tentar libertar as peças que ainda tenho cá por casa. Não faz sentido mantê-las fechadas numa caixa quando podem fazer sorrir outras pessoas. E, por isso, abdiquei de uma tarde de descanso e ronha para me dedicar à apresentação e partilha de peças que são, na realidade, parte de mim.

Foi um bom dia. Soube muito bem fazer o que fiz de manhã. Não sei quando voltarei a repetir. Não é fácil deslocar-me com uma logística tão complicada como um dia de feira exige quando não tenho carro. Mas quem sabe um dia?

Por hoje só eu fui importante. Não me esqueci de ninguém, o outro lado esteve sempre presente e a preocupação também. Mas hoje só eu fui importante.

Amanhã? Logo se vê como será. Dedico-me ainda à partilha de peças alternando com descanso. Para além disso, é o que for. Estou cá para quem me quiser presente. Mas continuarei a ser eu o mais importante.

{#287.79.2022}

E a sexta feira aconteceu. Tudo como previsto. A consulta de manhã, a ida a Lisboa pela tarde, mas acima de tudo o almoço.

Novamente, momentos de partilha. Que são sempre bons, ainda que se refiram a outros tempos menos positivos. Mas não deixam de ser momentos de partilha.

E, novamente, a vontade de fazer passar o que está mal, transformar em algo melhor. Um ombro, uma palavra, mas acima de tudo um abraço. Que, novamente, ficou a faltar.

Tenho plena consciência do risco de me magoar. Mas custa-me saber o que sei, ver o que vejo, porque já estive lá. Sei o que dói. E sei, também, que o caminho é longo. E penoso.

Mas estou aqui. Se precisarem de mim, se me quiserem presente, é presente que estarei. Sempre. Sem olhar para trás, sem pensar duas vezes.

Não posso, claro, esquecer-me de mim. E proteger-me. Mantendo-me sem expectativas. Sempre sem expectativas. Só assim previno uma futura dor. Mas, por agora, penso também no outro lado. Que, também ele, merece melhor. Mas, se calhar, está a passar por algo que devia passar. Não sabemos. Sabemos, sim, que vai levar o seu tempo, mas vai melhorar. Eu, pelo menos, sei que sim. E, no que puder ajudar, ajudo.

Agora descanso. Mas a vontade era continuar o momento de partilha que teve que terminar por haver obrigações e horários a cumprir. Deixo, no entanto, a porta aberta à possibilidade de novos momentos. Sejam eles quando forem.

{#286.80.2022}

Sexta feira à quinta, ou o fim de semana a começar um dia mais cedo. Amanhã será um dia preenchido, mas sem trabalho. De manhã a consulta para mostrar os exames menos bons, à tarde uma ida a Lisboa para a vacina da gripe. Mas à hora de almoço…

Bom, à hora de almoço já sei que vai ser um pouco desconfortável. Para ambos os lados. Mas pelo menos vai acontecer. Já está confirmado e a ser combinado. Agora é acalmar a ansiedade e não permitir a expansão das borboletas na barriga. Sei que não as controlo, mas não posso permitir que me tragam expectativas. Não quero, nem posso!, ter expectativas.

Se vai ser fácil a confusão entre o desconforto e as borboletas na barriga? Já sei que não. Mas vou tranquila. No meu papel de alguém disponível para ouvir, para falar ou simplesmente ficar em silêncio.

Sim, amanhã vai ser um dia preenchido. Mas será um dia bom. Venha o que vier da consulta, corra como correr o almoço, seja como for a ida a Lisboa, não vou permitir que o meu dia seja alguma coisa que não seja boa.

Só o almoço e a companhia vão valer por tudo. O resto? O resto é o resto e logo se vê.

{#285.81.2022}

Quarta feira, dia do meio, dia nim, nem não nem sim. Passou a correr. E sexta feira está quase aí. Já confirmada, mas ainda não combinada, parece que vai mesmo acontecer.

Amanhã, último dia de trabalho esta semana. Que passe também a correr para que sexta feira chegue rápido. São vários os motivos que me deixam ansiosa por sexta feira, já os citei todos ontem. Mas, claro, há um que me deixa um bocadinho mais ansiosa.

Mas, com a ansiedade, aprendi que não adianta ter pressa. Ansiedade é viver em função do futuro. E eu sei lá se lá chego sequer. Por isso vou vivendo um dia de cada vez, uma hora de cada vez, um momento de cada vez. Sem pressa. Sempre sem pressa. Mas sem perder tempo.

Sim, não foi um mau dia. Foi praticamente só trabalho. Pouco tempo de esplanada depois do trabalho porque o frio se fez presente. Mas ainda houve, ao longo do dia, possibilidade para trocar algumas palavras. E confirmar o que, do outro lado, não está esquecido. E fico contente por não estar.

Mas por hoje já chega. Dou o dia por terminado, mas só termina de facto depois do ritual nocturno de aconchego de fim de dia. Custou-me muito aquele período em que não me dedicava a esse aconchego. Porque era a mim que faltava…

Enfim. Enquanto fizer sentido, continuarei. É um aconchego que ser dois lados. E a mim sabe muito bem fazê-lo.

Amanhã? Estarei mais perto de sexta feira. E se até os planetas distantes se fazem perto, sexta feira também está já à vista.

O resto? Logo se vê… Um dia de cada vez. Uma hora de cada vez. Um momento de cada vez…e sexta feira a chegar.

{#284.82.2022}

Terça feira. E o dia todo a sensação de ser quarta. Não me importava que já fosse quarta feira a terminar. Seria o mesmo que dizer que sexta estava quase aí.

Sexta feira promete ser um dia intenso. De manhã, consulta para mostrar os exames menos bons feitos no final do Verão. Fico um bocadinho ansiosa pela consulta. E tenho razões para isso. Mas vou ter que esperar pelo próximo passo a dar, seja ele qual for. E acreditar que vai correr tudo bem.

A tarde vai ser de ida rápida a Lisboa. Mas entre a consulta e a ida a Lisboa há um almoço que espero não estar esquecido. Mas, claro, só irei acreditar na altura. Quando estiver a entrar no carro. Aprendi a não acreditar em promessas, ainda que não tenha sido feita nenhuma promessa embora se tenha apalavrado. Amanhã confirmo…sei que há um horário a cumprir depois do almoço, sei que terá que ser um almoço rápido. Mas prefiro que seja o tal almoço apalavrado e não mais um almoço sozinha entre uma consulta e uma vacina.

Se estou ansiosa por sexta feira? Muito. Mas só num caso me permito ter expectativas: a consulta. De resto, já aprendi a não esperar nada. Tento que as borboletas na barriga não se manifestem. Especialmente quando, como hoje, fico a falar sozinha. Nunca gostei…e cada vez gosto menos disso. Mas amanhã confirmo se o almoço acontece. E, se a resposta for sim, só acreditarei quando estiver a entrar no carro. Não pode ser de outra forma.

Mas ainda é terça feira…ainda falta tanto tempo. Vou ter que lidar com a ansiedade. E viver não um dia de cada vez, mas uma hora de cada vez, um momento de cada vez. E confiar no Universo. Que sabe o que faz.

Por agora não faço muito mais. Dou o dia por terminado. E tento descansar. Amanhã? Será menos um dia até sexta feira. E será um bom dia. Porque eu quero que assim seja. E depois? Logo se vê.

{#283.83.2022}

Segunda feira e o Outono instalado com frio e chuva. É o tempo certo, mas eu não estou preparada para isto. Assim como não estou preparada para tantas outras coisas que andam agora à minha volta. Algumas simples, em que me basta encolher os ombros, sorrir e acenar, outras que acontecem antes de tempo mas que fazem parte do ciclo natural e ainda outras que me vão obrigar a enfrentá-las com coragem e força.

Não estou preparada para nada disto. Mas não posso fingir que não se passa nada. Até mesmo a chegada do Outono mexe comigo, a chegada do frio e da chuva quando ainda estou perdida nos dias de Verão.

Mas volto à velha máxima: um dia atrás do outro. Um dia de cada vez. Repito-o para mim e para quem precisa de o ouvir agora mais do que eu.

Dar tempo ao tempo. Não me esquecendo, nunca, que não tenho tempo para perder Tempo. O que tiver que ser, será. No tempo certo, nunca antes, nunca depois.

Segunda feira. E, por vários motivos, nunca mais é sexta… Até lá, mantenho-me aqui. E sempre a querer estar

Mas é o que é. É trabalho, é rotina, é tentar não pensar demais. Em nada. E tentar, também, não sentir. Essa que para mim é sempre a parte mais difícil. Não sentir… Como é que se controla isso? Não se controla. Por muito que se diga que sim, que se consegue controlar o que se sente, é impossível. Pelo menos para mim. Não pensar consegue ser mais fácil. Mas até nisso eu falho. Penso demais, sinto demais. Borderline, claro. Nem podia ser de outra forma.

Respirar fundo. E repetir. Relaxar. Soltar e deixar ir. Não é fugir, é não pôr pressão. E, pelos vistos, o Universo ouviu-me. Agora é continuar e esperar para ver o que mais me vai trazer. Mas mantendo a expectativa de sempre: nenhuma.

Amanhã? Logo se vê. Hoje já não foi um dia mau. Amanhã será melhor.

{#282.84.2022}

Domingo. E acordar 2 horas antes do despertador tocar. Já começa a ser um hábito. Mesmo que adormeça tarde, como ontem. Quando posso dormir mais um bocadinho, o meu corpo decide que estou a perder tempo. E, de certa forma, estou. Mesmo que a essa hora não se passe nada ao Domingo. Enfim…pelo menos não me sinto tão cansada como há poucos dias me sentia. O que é bom.

Atirar o barro à parede nem sempre resulta. Mas atirei na mesma, com expectativa zero porque já sabia qual ia ser o resultado. E acertei.

Quero muito que o outro lado esteja bem. E no que puder ajudar, ajudo. Mas não vou impôr a minha presença. Mantenho os rituais de sempre, porque sei que fazem sentido, pelo menos para mim, ao mesmo tempo que relembro que estou aqui. E o que vier, vem. E, já o disse antes, se me quiserem presente, é presente que estarei.

Amanhã é dia de regresso à rotina de trabalho. Felizmente a partir de casa. A entrar mais cedo como tem sido habitual nas últimas semanas. Mas a sair à hora de sempre. E esta semana será mais curta. Por isso tem tudo para correr bem.

Agora enrosco e desligo. Amanhã prevê-se chuva, o que deve dificultar as cores do final de dia. Mas hoje foi bom ir até à praia apanhar esse momento e captar cores bonitas e intensas. Valeu a pena. Amanhã? Logo se vê.

{#281.85.2022}

Sábado, aquele dia aborrecido da semana. Hoje não foi muito diferente, apesar de ter tratado de mim de manhã e ter acabado por adormecer no sofá à tarde. Que também é uma forma de tratar de mim.

Ainda de manhã, aquela conversa que já começou a ser um hábito com quem (me) vê de outra forma e acaba por me dar dicas de orientação. E, mais uma vez, a certeza de que há muito trabalho a fazer, mas que depende unicamente de mim. Soltar e deixar ir. Neste caso concreto não é uma questão de não pôr pressão. É, acima de tudo, de perdão. A mim e a outros. A mim é difícil perdoar-me, mas é mais fácil de aceitar porque acredito que mereço perdão. Já o o perdão a outros…

Mas tenho mesmo que me dedicar a trabalhar esta área. Sei que muita coisa mudará para melhor se o fizer, essencialmente mudará a minha relação comigo mesma. E eu preciso disso. E mereço isso. Estar bem comigo mesma é o melhor caminho para poder estar com os outros.

Sei que não posso fazer muita coisa por um outro muito específico. Mas sei que quero muito que me permita estar . Tenho medo, claro, por ele. E também por mim, sim. Mas acredito que, com tempo, espaço e a ajuda que soube procurar, vai ficar bem.

Eu continuarei por cá. Se me quiserem presente, é presente que estarei. Não me esquecendo, também, de mim. Em primeiro lugar, mas de mangas arregaçadas para trabalhar e braços abertos para abrigar.

De volta ao momento presente. O aqui e agora. Amanhã? Logo se vê. Já correu mal uma vez, não me esqueço disso. Mas agora é diferente. Porque eu própria estou diferente. Sou diferente. Por isso, sim. Amanhã logo se vê.

{#280.86.2022}

Sexta feira de uma semana mais curta de trabalho mas intensa em presença e novidades. Presença possível, novidades várias. Trabalho intenso mas que gosto muito de fazer.

Fim de semana à porta e novamente aquela perspectiva de não ter nada de interessante para fazer. Não pode continuar assim. Mas é assim que é. Pode ser que um dia mude. Quando encontrar algo que me faça sentido.

Continuo preocupada, claro. Não imponho a minha presença, mas os rituais diários voltaram. Sem ir mais longe do que o habitual cumprimento matinal e o aconchego nocturno. Sei que valem o que valem, ou seja, muito pouco. Mas também sei que sabem bem. Pelo menos a mim. Já tinha saudades, confesso.

Sei que o risco de me magoar é grande. Mas agora não volto atrás. Quando sei, na primeira pessoa, o que é estar ali, assim. Mas também sei que a minha presença só será necessária se desejada. Por isso, se me quiserem presente, é presente que estarei.

Agora é hora de desligar e enroscar. É sexta feira à noite e apetecia-me, muito, sair. Beber um copo de vinho tinto e dar dois dedos de conversa. Até sei exactamente com quem. Mas não acontece nem se pôs alguma vez essa hipótese, por isso opto por enroscar. Se ainda houver conversa hoje, será muito bem vinda. Mas dificilmente haverá. A única coisa que peço é que esteja tudo bem.

Amanhã? Acordar cedo, tratar de mim, voltar para a cama quando regressar a casa. Ou estacionar no sofá a olhar para a televisão. Logo se vê. Enquanto não encontro o que me faça sentido para preencher o dia mais aborrecido da semana, é este o programa.

De resto, logo se vê. Estou cá. Se me quiserem presente, basta uma palavra. Mas agora descanso. Amanhã será um dia bom. Porque eu quero que assim seja.

{#279.87.2022}

Dia de caixa de correio animada. Dois postais que me encheram as medidas. Sendo que um deles não tinha a certeza que viesse a caminho. Mas veio. Demorou muito tempo a chegar. Mas o que importa é que foi enviado. Quando eu cheguei a duvidar que fosse sequer lembrado.

Nunca perco a esperança quando sei que há postais a caminho. Por muito tempo que demorem, acredito sempre que chegam ao destino, que chegam até mim. E um postal, com muito ou pouco texto, é sempre especial. Porque é tempo dispendido, dedicado a outro. E o tempo não é reembolsável.

Vejo muitas vezes o tempo como um investimento. Especialmente quando envolve outras pessoas. Por isso é que não gosto quando me fazem perder tempo. E eu não tenho tempo para perder Tempo. E se há relativamente pouco tempo houve uma tempestade perfeita que me fez perder tempo, hoje olho para trás e vejo que cinco anos de um porto de abrigo têm sido o melhor investimento que podia ter feito.

Quando esta história começou, há praticamente cinco anos (faz cinco anos dentro de poucos dias…), foi com medo que embarquei. Claro que foi, afinal não sabia o que me esperava do outro lado. Não sabia quem estava do outro lado. Nem sabia que podia ser uma das melhores pessoas que conheço.

Depois veio tudo o resto. Aquele “já foste”, logo no primeiro dia, deixou-me completamente do avesso até ganhar coragem para admitir para o outro lado o que trago comigo, cá dentro, em mim. E aí novamente o medo. Que tudo mudasse e que perdesse aquilo que já tinha conquistado: um amigo. Nada mudou, nada se perdeu. Nem mesmo quando, há poucos meses, recebi aquele murro no estômago que me derrubou como nunca pensei ser possível… Mas foi. Aconteceu. Doeu. Muito. Mas nem aí perdi aquele que vejo como porto de abrigo. Nada que uma conversa não tivesse resolvido. E que acabou por, de certa forma, até fortalecer o que já existia…

É verdade que, em consequência desse murro no estômago, decidi afastar-me. Não impôr a minha presença. Dar espaço e deixar a amizade seguir o seu rumo. Sem saber, na altura, que o outro lado também levou um murro no estômago. Pensei mil coisas. Que a minha ausência não era notada, não era percebida. Estava enganada. Fiquei a saber há muito poucos dias o quanto estava enganada. E hoje quero ser eu porto de abrigo, se quiserem que o seja.

E o postal que não sabia se tinha sido enviado, o que cheguei a acreditar não ter sido lembrado, veio pouco tempo antes desse murro no estômago que o outro lado recebeu. Mas chegou na altura certa. Numa altura em que existe uma nova proximidade. Uma nova disponibilidade. E uma vontade, minha, de inversão de papéis: quero ser eu, dentro do que posso ser, porto de abrigo.

Sim, um postal é algo especial. Pode ser algo muito simples. E ao mesmo tempo ser tão forte. Porque, já o disse, é tempo investido de alguém para alguém. E nesse gesto tão simples vejo que o investimento dos últimos cinco anos não foi desperdiçado. E é também por isso que continuo a preferir o porto de abrigo, que pode nem levar a lado nenhum, a uma tempestade perfeita com alto potencial destrutivo.

É com um sorriso no rosto (e no olhar!) que hoje termino o dia. Porque, às vezes, basta um simples postal para me aconchegar. Como hoje.

{#278.88.2022}

Feriado a meio da semana. Dia de consulta com o terapeuta fofinho logo de manhã. Um dia inteiro para não fazer nada de especial a não ser tentar descansar e ainda procurar o pôr do Sol na praia para lá das poeiras que andam no ar.

Da consulta: partilhar novidades e pontos de vista e ainda o meu lado no meio disto que pode causar confusão. Sem expectativas, reforço, e explico o porquê. Porque, neste momento, não quero mais do que já tenho. Porque não seria justo para mim por não ser real. E sei que, mesmo com o que já tenho, ainda existe a possibilidade de me voltar a magoar. E sei que pode acontecer. Espero que não aconteça, e aqui admito-o de forma até egoísta, mas a possibilidade é real. Por isso não quero mais do que aquilo que já tenho. E que já é tanto.

Estou uma crescida, digo tantas vezes ao terapeuta fofinho. E ele ri-se pela forma como o digo, mas concorda e diz-se orgulhoso. Que sei que está. Têm sido anos de muito trabalho conjunto, mas que dão frutos. Só assim posso explicar esta minha atitude sem expectativas mas presente para o que for preciso. Mas, acima de tudo, sem expectativas.

Reli Outubro de 2017. Quando tudo isto começou. E reconheci cada palavra, mesmo reconhecendo que tanta coisa mudou. Para melhor. Mas, se calhar, a única coisa que mudou fui eu. Porque encontrei, nesse Outubro de 2017, uma nova razão para querer estar melhor, querer estar bem. Razão que se mantém até hoje. E que é o motivo da minha preocupação dos últimos dias e da minha ausência de expectativas.

Passaram 5 anos. Como se tivessem passado 5 minutos de tão rápido que foi. 5 vidas de tanto que aconteceu sem que nada tivesse, de facto, acontecido acontecendo.

Quarta feira. Feriado a meio da semana. Dia de descansar. E a cabeça sempre lá. E, se for lá que me quiserem, é lá que estarei. Quando quiserem. Se quiserem. Sem expectativas.

Amanhã? Logo se vê. Mas será um bom dia. Só porque eu quero que assim seja.