{#106.261.2024}

Há formas de começar o dia que valem muito por cada kilómetro de distância. Mesmo que a vontade seja a presença. O toque. O beijo. O cheiro. A pele. O calor.

Sim, há formas de começar o dia que valem muito por cada kilómetro de distância. E, de repente, é nesses momentos que a distância parece não existir. Porque o que queremos está já ali connosco.

O dia foi muito longo e muito cansativo. Mas depois há tatuada na memória aquela manhã de hoje…e que se quer repetir, desta vez à distância de um toque, de um abraço, de um beijo.

Sim, há manhãs que nos tatuam memórias que ficam. E, como tatuagens que são, ficam para sempre.

{#105.262.2024}

Passar o fim do dia nos corredores do Hospital de Santa Marta é estranho… O mais estranho, ou talvez nem por isso, é demorar mais de duas horas da Costa ao centro de Lisboa.

Bem, pelo menos foi o tempo suficiente para que o meu irmão fosse intervencionado antes de nós chegarmos.

Um enfarte a meio da tarde. Uma paragem cardíaca na ambulância a caminho do Hospital de Vila Franca de Xira. Uma reanimação bem sucedida na ambulância em plena Autoestrada. Ambulância sempre acompanhada pela VMER.

Reencaminhamento urgente para Santa Marta. Cateterismo de urgência bem sucedido.

Há dias do caraças. Ou apenas tardes e finais de dia. Pesados, claro.
A minha mãe já esteve com ele, ele ligou agora para cá. Está bem e é o que importa.

Tinha tudo para correr mal. E quase correu. Mas, mais uma vez, os profissionais do SNS a serem o que são: BONS profissionais.

Houve quem me faltasse? Houve. Mas, por hoje, o dia está fechado. Amanhã? Logo se vê. Já sei, porque já mo relembraram, que amanhã é outro dia. Mas houve quem me faltasse…

{#104.263.2024}

13 de Abril, Dia Mundial do Beijo. E que bom que é poder celebrar esse dia, ainda que à distância de um clique, com aquele que nos beija e aconchega a cada letra que nos escreve.

Tatuagens na memória. Aconteça o que acontecer, essas são nossas e ninguém as pode apagar.

Se algum dia vai ser diferente? Ambos acreditamos que sim. Ambos queremos que sim. Mas vamos um dia de cada vez, sem pressa, sem pressão.

Se algum dos dois está preparado para o que já não se pode negar que é real? Nenhum dos dois estava preparado para as consequências de um simples “Olá” há 9 meses. Mas aconteceu. Por isso, vamos sem pressa. Um dia de cada vez. Sempre.

Amanhã já não se comemora o Dia Mundial do Beijo. Mas o beijo, esse, vai continuar a existir. Seja em que dia for. Mesmo que à distância de um clique.

Gêémedêtê tanto tanto. Em ti encontro aconchego sempre que me acolhes no teu abraço.

{#103.264.2024}

Sexta feira e todo o dia com a sensação de ser quarta feira. Ou, por vezes, até segunda feira. Não posso dizer que seja por falta de rotina, porque segundas, quartas e sextas já estão bem definidas como rotina. Pelo menos aquelas horas entre sair de casa, ir à fisioterapia e regressar já fazem parte da rotina.

Não, hoje o dia não foi muito bom. A fisioterapia correu bem, desta vez com o Alexander, francês e colega do Miguel que hoje ficou em casa doente. Também ele muito engraçado, conversador e bem preparado. Terminam o estágio dia 19, o mesmo dia em que termino este segundo ciclo de fisioterapia. Se vou ter mais? Não sei. O que sei é que os estagiários todos que têm passado por mim vão fazer-me falta. Não só pelo tratamento mas também pela companhia. São miúdos. São. Mas sabem conversar. Sabem rir. Sabem cativar.

Terminada a fisioterapia é sempre hora de voltar para casa. E hoje, percebi quando cheguei à porta do prédio, era o último sítio para onde queria voltar. Não me perguntem porquê. Mas provavelmente por me sentir presa e não conseguir ir muito longe. Nem sozinha nem acompanhada.

A neura instalou-se rapidamente. Para ser acompanhada pela sempre presente frustração. Estava, mais uma vez, zangada. Comigo. E insegura. Muito. Tanto como há muito tempo não estava.

Quem está lá sempre à distância de um clique hoje encontrou uma Corujinha difícil. Não só pela neura, pelo mau humor mas sobretudo pela insegurança…

Não foi uma tarde fácil. Até que, já perto do final da tarde, me obriguei a enroscar no sofá, procurar o aconchego do calor do edredon e da almofada térmica e dormir. Obriguei-me a dormir. Estava cansada e não tinha percebido. E foram duas horas de sono profundo no sofá e no aconchego do calor que procuro a qualquer hora mas especialmente quando me rendo ao sofá e quando, à noite, chega a hora de dormir.

Não, hoje o dia não foi bom. Ou, pelo menos, a tarde. Zangada. Triste. Frustrada. A sentir-me sozinha mesmo sabendo que não estou. Agora é hora de enroscar e aninhar com a almofada térmica novamente. Porque, ainda não percebi porquê, procuro o aconchego do calor…

Amanhã começo o dia com o Yoga que não consegui fazer na quarta feira. Depois? Volto para casa. E fico à espera de um telefonema prometido esta tarde para amanhã. Telefonema que devia acontecer mais vezes. Porque me sabe bem. Porque me faz bem. Porque há palavras que quando ditas de viva voz sabem melhor do que as mesmas palavras escritas. São as palavras certas. As palavras todas. E que ambos sabemos quais são.

Amanhã será melhor. Tem que ser melhor. E eu sei que vou fazer por isso…

{#102.265.2024}

Nunca irás caminhar sozinha. Já mo têm dito. Hoje caminhamos apenas as três: eu, a Primavera, e a minha bengala. Por hoje chega.

Em casa o dia todo, precisei agora, depois das 19h, de vir a esplanada do costume. Beber um café, dizer olá à Primavera, dar uso às pernas e trabalho à bengala.

Porque é que eu falo tanto disto que me apanhou na curva? Porque ainda não encaixei. Porque ainda não tenho o diagnóstico fechado. Porque estou sem apoio psicoterapêutico. Porque não posso carregar tudo isto sozinha. Porque preciso exorcizar o que me incomoda muito. Porque quero normalizar o meu novo eu. Porque não deixo de ser eu. Igual ao que sempre fui. A única diferença? É a dificuldade na marcha. E as dores que não me largam.

Hoje, na esplanada do costume, somos só nós as 3: eu, a Primavera e a minha bengala.
Quem se quiser juntar, não necessariamente na esplanada, pode fazê-lo. Por mensagem, por exemplo. Ou por telefone, mesmo sem ter o meu número de telemóvel. Tanto o Instagram como o Messenger permitem ligações de voz. Quem não quiser, está bem. Porque, na verdade, nunca irei caminhar sozinha. A minha bengala não vai a lado nenhum sem mim…

“Walk on, walk on
With hope in your heart
And you’ll never walk alone
You’ll never walk alone”

(You’ll Never Walk Alone
Canção de Gerry & The Pacemakers
)

São 21h. E eu ainda estou na esplanada do costume. Não, não estou a assistir ao jogo do Benfica. Futebol não é comigo. Mas então…ainda estou na esplanada do costume porquê…?

…porque só me apetece chorar…e já sei que não consigo. Nem aqui, ao telefone como já estive, nem em casa, onde a resposta é sempre o silêncio…

E não, chorar não tem mal nenhum. Não resolve nada, eu sei. Mas alivia a pressão que tenho em cima de mim. Dentro de mim…

Frustração. É frustração. Muita… É isso que me impede de progredir e, simultaneamente, que me impede de chorar. Custa-me não conseguir fazer o que antes dava por garantido. Custa-me aceitar que nada disto volta a estar bom. Custa-me aceitar tudo isto. Talvez consiga quando houver um diagnóstico fechado e um tratamento possível delineado. Frustração. É frustração!

frustração

(frus·tra·ção)

nome feminino

1. Acto ou efeito de frustrar.

2. Sentimento de insatisfação ou de contrariedade, geralmente causado pela não concretização de um desejo, de uma expectativa, de uma necessidade ou de um objectivo. = DECEPÇÃO, DESALENTO, DESAPONTAMENTO, IRRITAÇÃO, MALOGRO ≠ EXULTAÇÃO, REGOZIJO, SATISFAÇÃO

3. [Psicanálise] Condição emocional alterada de quem vê contrariada a satisfação de um desejo pulsional, de uma actividade satisfatória.

“frustração”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2024, https://dicionario.priberam.org/frustra%C3%A7%C3%A3o.

Sim, preciso de ajuda. Porque já não sei como lidar com tudo isto sozinha…e essa ajuda tem que me chegar rapidamente. Porque eu não aguento muito mais ao sabor do vento…

“As frustrações pessoais são aquelas em que o obstáculo reside no próprio indivíduo.”

(Autor desconhecido)

E é assim que resumo os últimos meses…longos meses…Sem data prevista para nada. E eu não aguento muito mais lidar com isto tudo sozinha. Estou a repetir-me, eu sei. Mas não aguento mesmo. Não sozinha…

{#101.266.2024}

Quarta feira, dia do meio, dia nim, nem não nem sim. Ou um dia de merda…

Dia longo. E extremamente cansativo. Sair de casa pouco antes do meio dia porque, mais uma vez, os bombeiros chegaram mais cedo para me levarem à fisioterapia que só começa às 13h30. Eram 12h20 e estávamos no Hospital.

Apanhar um bocadinho de Sol no jardim do Hospital, passar pela cafetaria e arrastar-me para a fisioterapia. Sim, as minhas pernas já não estavam muito boas quando entrei. Doridas, muito. Dores, tantas. Não só nas pernas, um pouco por todo o corpo. E a dor de cabeça, mais uma vez, a instalar-se.

A conversa com a fisioterapeuta que me deixou (muito) apreensiva. Existe a real possibilidade de me darem alta da fisioterapia no final deste ciclo. E eu não quero isso. Porque ali é o único sítio onde estão, de facto, a fazer algo por mim. Nem que seja só a trabalhar o equilíbrio e a reaprender a andar o melhor possível. Vamos ver… Só sei que não posso perder esse apoio. Não estou ainda em condições de andar sozinha. E, claro, a frustração faz-se presente…

Sair da fisioterapia directamente para a Junta Médica da Segurança Social. Disseram-me que estava tudo muito atrasado e que ainda ia ter que esperar um bocado. Realmente, a sala de espera estava muito cheia, com muita gente a esperar de pé. Mas, afinal, acabei por não esperar tanto assim.

Gabinete 3. Estava apreensiva. Não sabia que técnicos me calhariam hoje. Ao entrar, percebi que eram os mesmos de Novembro. Que me ouviram na altura, que me renovaram a baixa, que foram informados sobre a suspeita que havia e cuja consulta de especialidade ainda não tinha acontecido e que, no final, me disseram “não se preocupe, a senhora está muito bem”. Na altura, já a sair do gabinete, ri-me para dentro. Já sabia das dificuldades que sentia e que não fazia ideia que iam piorar tão depressa.

Desta vez, pediram-me o relatório do neurologista, entreguei-o, olharam para ele na diagonal, confirmaram no relatório que necessito de canadiana para me deslocar tal como me apresentei hoje devido à dificuldade na marcha. Desejaram-me as melhoras, despediram-se e eu sem saber o resultado. Passei no balcão do secretariado, como é suposto, assinei o que tinha a assinar e só nessa altura percebi: a baixa estava autorizada. Não nego que me saiu um peso de cima.

Chegou a hora de voltar para casa. A paragem do autocarro não é demasiado longe. Mas a inclinação da rua é demasiado grande. Descer a rua foi um desafio. Felizmente não ia sozinha. Canadiana no braço esquerdo, agarrada à minha mãe com o braço direito… Custou. Muito. Demasiado para quem já não estava bem das pernas antes da fisioterapia, levou um novo tareão e trabalhou a sério as pernas, já tinha ido da paragem do autocarro até à Segurança Social e subido, também a custo, parte da rua demasiado inclinada.

Apanhar o autocarro de volta para casa, sair na paragem do costume e arrastar-me até ao café. Sem força, estabilidade e/ou coordenação nas pernas, eram 17h quando cheguei ao café… E, durante todo o percurso, pensar que seria chegar a casa, descansar uns minutos e voltar a sair para estar às 19h no Yoga…e sempre a pensar “eu não sei como vou aguentar ir até lá, fazer a aula e regressar a casa”. O Yoga fica a 1km de distância. Ida e volta são 2km. Não é muito. Faz-se bem. Mas hoje essa distância ganhou uma dimensão insuportável. Não estava em condições para caminhar mais 2km. Nem para dar mais dois passos!

Estive um pouco na esplanada do costume. A 100 metros do meu prédio. Não sei como consegui caminhar até casa. Só sei que estou, de facto, em casa. E, mal consegui mudar de roupa, aterrei no sofá e automaticamente adormeci. Dormi profundamente por mais de duas horas, tal era o cansaço que trazia comigo. Acordei, jantei e agora cadeirão. Com muitas dores nas pernas, sem força e a ter que me arrastar até à cama.

Amanhã, felizmente, não tenho nada a acontecer. Irei acordar à hora que for. Queria muito ir até à praia à tarde, mas acho que vou optar por descansar. Recuperar de um diagnóstico muito longo, muito cansativo, muito difícil. E, entretanto, a dor de cabeça continua presente. E eu só quero que me ajudem com tudo isto. Porque eu já não sei mais o que fazer. E não posso, de maneira nenhuma, ter alta da fisioterapia. O único local onde têm feito alguma coisa para me ajudar…

{#100.267.2024}

E, ao centésimo dia do ano, ela continua com vontade de chorar e não consegue. E ela sou eu.

Acordar como acordo todos os dias: com dores. Em todo o lado. E, por causa das dores, ter grande dificuldade em sair da cama. Todos os dias as dores, especialmente nas costas, me dificultam muito a saída da cama. Coisa que parece tão simples…

Tomar o pequeno almoço, beber o meu café, preparar-me para sair. Porque o desafio, mais uma vez, foi lançado: “vamos ao parque. Vamos até onde conseguires.” Esta premissa é obrigatória.

Fomos devagar, claro. E, mesmo com o auxílio da bengala, muitas vezes me desequilibrei, outras tantas tive que, à última da hora, agarrar-me à minha mãe para não cair…

Chegadas ao parque, sentámo-nos naquele que é o nosso banco favorito. Que é mais alto do que os restantes e nos deixa com os pés no ar a balançar como miúdas pequenas.

Tratar do que tinha para tratar ao telefone e, depois disso, entrar um pouco mais no parque. Ficámos a meio, mais ou menos. Mas suficientemente para ver o caminho até à praia, onde queria tanto ir. Cheguei a pensar (e a dizer) “eu consigo ir até lá”.

Passava das 14h, ainda não tinha almoçado, já sentia pernas cansadas e doridas, joelhos presos… Sim, eu conseguia chegar ao paredão para ver o Mar. Mas tive que optar: voltar para casa enquanto ainda conseguia andar de forma mais ou menos segura e ainda com alguma força nas pernas ou fazer o restante caminho do parque até ao paredão para ver o Mar e saber que o regresso seria bastante mais difícil e muito mais doloroso.

Optei por voltar para casa. E não foi fácil. Sempre muito devagar, sempre a agarrar o braço da minha mãe para não me desequilibrar e cair. Não, não foi fácil o caminho até casa. Ter que subir os 5 degraus de acesso ao pátio, entrar no prédio, subir mais 5 degraus de acesso aos elevadores e as dores fortes sempre que subia mais um degrau…

Cheguei a casa completamente de rastos. Com muitas dores. Com pouca força nas pernas. Almocei e aterrei no sofá depois de, a muito custo, ter passado pelo cadeirão para beber o meu café. Cada vez que tive que me levantar, fosse do cadeirão ou do sofá, para ir à casa de banho ou à cozinha, as dores sempre presentes e cada vez mais intensas e praticamente incapacitantes. As minhas pernas só estavam bem sossegadas e sem esforço no sofá…

Ainda pus a hipótese de voltar à rua ao final da tarde para apanhar um bocadinho de ar e beber um café na esplanada do costume. Mas as dores, mais uma vez, não deixaram.

O que me acompanhou também durante o dia todo foi a visão dupla. Agora, mesmo com os óculos, já não consigo ler as legendas porque o texto vem sempre sobreposto e em duplicado. E eu já não aguento isto tudo…

A única coisa que eu peço e que sei que não vai acontecer tão depressa como gostaria é que fechem o diagnóstico. Ou seja, todos aqueles exames cujos resultados ainda estão atrasados deviam ficar prontos rapidamente. Porque havendo resultados é possível fechar o diagnóstico. E, com o diagnóstico fechado, tenho acesso à medicação que toda a gente me diz que me vai permitir ter qualidade de vida e até uma vida o mais perto possível do dito normal.

Vou andando ao sabor do vento. Tenho fisioterapia onde em todas as sessões me desafiam um pouco mais. E onde caminhar em solo liso é muito mais fácil. Na vida real, ou seja na rua, é tudo menos fácil caminhar. E até em casa não consigo caminhar sem me apoiar para não cair…

Estou farta disto. Disto que não pedi, não procurei, que me apanhou na curva nem sei porquê. Mas que, em tão pouco tempo, progrediu bastante. Para pior…

Mais uma vez só tenho vontade de chorar. E, para variar, não consigo. E sim, preciso muito de apoio psicoterapêutico, que já não tenho, e que entenda disto. Porque, sozinha, não sei até onde vou conseguir aguentar…

Amanhã? Com o que está agendado para depois da fisioterapia, é bom que seja melhor… Logo se vê…

{#099.268.2024}

Já tenho dito por aí que digo Olá a todos os cães e gatos que se cruzam comigo por aí. E, às vezes, acontece eles responderem-me olhando para mim e acabando por se aproximar de mim para receberem festas. E basta um simples Olá. Um bocadinho como aquele Olá que deixei a 5 de Julho. Não foi um cão ou um gato que se aproximou, mas alguém que olhou para mim. E bastou um simples Olá que se mantém 9 meses depois.

Mas, dizia eu, páro sempre para lhes dizer Olá. E, esta tarde na papelaria, não foi excepção quando me voltei a encontrar com o Thor. Disse-lhe simplesmente Olá. E a reacção foi erguer aquela cabeça enorme do chão e olhar para mim. Trocámos mimos, claro. E, quando se levantou, mostrou que pode ser um cão de muito grande porte, mas é uma delicadeza sempre que nos encontramos.

É um cão enorme, com uma cabeça monstruosa e umas patas extraordinariamente grandes e pujantes. Quem não o conhece pode ficar apreensivo. Mas é uma delícia de cão mimalho.

Vou continuar a dizer Olá por aí sempre que me cruzar com um cão ou um gato. Mas só a eles. Porque aquele Olá que dei a 5 de Julho já me trouxe tudo o que procurava e não sabia.

Se me preocupa o facto de dizer Olá a cães e gatos que se cruzam comigo? Não, nem um pouco. Mas começa a preocupar-me um bocadinho (grande) o meu estúpido hábito cada vez mais recorrente de falar sozinha. Seja para “mandar calar” quem está a fazer barulho na esplanada ou a fazer obras aqui ao lado, seja para resmungar porque me dói a cabeça ou as pernas. Ou seja simplesmente porque sinto necessidade de vocalizar e dizer alguma coisa que não interessa a ninguém e que só eu entendo o contexto. Ou ainda estar a ditar o que estou a escrever no telemóvel.

Também é um facto que me preocupa sempre que começo a cantarolar sem sentido e que toda a gente ouve ou quando começo a gemer entre dentes porque alguma coisa me dói. Levantar-me (a custo) do cadeirão então é uma sinfonia de ais e uis e o caminho a percorrer até ao sofá ou até ao meu quarto é toda uma outra experiência sonora significativa.

A sério que isto começa a preocupar-me. Porque eu não era assim.
But then again, claro que falo sozinha. Às vezes preciso de ouvir “experts” seja lá sobre o que for.

Não, começo a não achar piada a isto. E começa mesmo a preocupar-me. Se até um cão a ladrar eu mando calar e depois passo horas no cadeirão a falar comigo mesma que é o mesmo que dizer que passo horas a falar sozinha…

É continuar a encolher os ombros, sorrir e acenar. Nothing to see here. Move on…

{#098.269.2024}

Domingo, dizem, é dia de descansar. Ou dia de não fazer nada. Acordar às 8h da manhã sem necessidade é que não tem piada.

Não faz mal, 10h da manhã de um Domingo parece-me uma boa hora para enroscar e voltar para a cama. Foi sono directo até às 14h. Se era o que eu queria? Não. Mas era o que eu precisava. Como agora que são 17h15m o meu corpo pede sofá depois de muito tempo, demasiado tempo, no cadeirão. Deu tempo para tudo que se resume a nada e ainda receber dois telefonemas.

Mas as dores um pouco por todo o corpo dizem-me que é tempo de sofá. Não há, infelizmente, um botão de reset que reponha o corpo em condições, por isso é melhor ouvi-lo e satisfazer os seus pedidos. Por isso, com licença, vou só ali assumir a minha relação de proximidade com o sofá. E, sendo Domingo, não dá nada de jeito na televisão. Que é o mesmo que dizer que vou adormecer em menos de nada.

Se eu queria que a minha vida estivesse reduzida a isto? Não, de todo. Mas fui apanhada na curva por algo que veio para ficar e, ainda sem qualquer tipo de medicação, vou-me adaptando como posso e como sei. Por isso, e mesmo sem botão, vou só ali tentar fazer um reset. Depois? Logo se vê.

——-

E o reset no sofá durou até às 19h e pouco. Agora, que é quase meia noite, estou a lidar com o sono que tenho há horas mas estou em luta comigo mesma. Sei que tenho que ir dormir, sei que tenho que acordar cedo amanhã, sei que devia fazer um horário de sono decente. Mas, como disse, estou em luta comigo mesma. Porque os meus dias se têm resumido a nada e eu quero sempre mais. Mas, já sei, não posso. Por isso, e porque tenho de facto muito sono, vou para a cama. Ainda tenho algumas coisas para fazer antes de dormir. Mas esta luta comigo mesma não me traz nada de bom.

Amanhã é, novamente, dia de fisioterapia. Novamente me vou queixar das dores. E, novamente, o Miguel, fisioterapeuta estagiário, vai puxar por mim. E, o mais certo, é levar um novo tareão.

Estou cansada das dores. Os desequilíbrios mantêm-se em alta mas, de uma forma ou de outra, vou-me apoiando aqui e ali em casa e na muleta na rua. Mas as dores…nas pernas, nos joelhos, nas costas…em suma, no corpo todo, não sei como as tratar. Só sei que, nestes dois dias do fim de semana, o meu corpo me pediu para parar. E foi isso mesmo que eu fiz. Parei para descansar, dormir e recuperar. Mas, ainda assim, me sinto muito cansada, com muito sono e muitas dores.

Vamos ver como acordo amanhã e como corre a fisioterapia. Depois? Logo se vê. Mas, por hoje, deixo de lutar comigo mesma…

{#097.270.2024}

A vontade era, como é todos os dias, ir até ao paredão ver o pôr do Sol na praia. Não sendo muito longe, para mim neste momento está a uma distância incrível. Na quinta feira à tarde fui ver o Mar. Ir foi simples, voltar já custou. E o resultado na sexta feira foi ter os músculos todas das duas pernas e os joelhos também completamente presos. Muito presos.

Ontem, na fisioterapia, levei um tareão, é verdade, mas as pernas continuam num estado ainda longe do normal e o joelho esquerdo está miserável. A recomendação do fisioterapeuta para o fim de semana: caminhar. Nunca deixar de o fazer.

Hoje foi dia de Yoga e foi acordar de manhã sentindo-me um poço de dores. E, desta vez, não só nas pernas e joelho. As costas também. A aula de Yoga hoje, apesar de ter sido uma aula muito suave e relaxante, foi também extremamente difícil e muito dorida. No final da aula, a conversa habitual com o professor. Falei-lhe do meu estado na sexta feira depois da ida ao paredão na quinta. Resposta dele: se estás assim é porque foi demais. Recomendação para o fim de semana: parar e descansar! E foi o que fiz.

Depois do almoço, aninhei no sofá e adormeci. Está na hora de assumir a minha relação com o meu sofá…não passo sem ele.
As dores continuam, o joelho esquerdo está miserável, andar é uma dolorosa aventura, mesmo em casa. Mas, pelo menos, dei ao meu corpo o que ele estava a pedir: descanso!

Portanto, voltar a ver o pôr do Sol na praia vai acontecer. Só não sei nem como nem quando. Mas sei que vai…

Até lá, obedeço às ordens do meu corpo: descansar e não abusar. Sim, preciso de caminhar, dar uso às pernas, fortalecer os músculos. Mas, neste momento e com tantas dores e tamanhas dificuldades, não consigo… Aprendi no Yoga que a frase “não consigo” é uma frase proibida. Mas neste momento não consigo mesmo. Continuo como de manhã: um poço de dores. E muito cansada… Diz quem sabe que não é mero cansaço, é fadiga. Que também faz parte do que me apanhou na curva. E eu ainda estou a aprender a lidar com isto…mas já sei que obedecer não meu corpo é obrigatório. Por isso, seja!

Amanhã não vai haver consulta. Na realidade nem sei se voltará a haver… Mas, já sei, amanhã o despertador não vai tocar às 10h ou a outra hora qualquer. Vou deixar o meu corpo descansar enquanto lhe apetecer. E, já sei, é bem possível que acorde às 8h só porque sim. Logo se vê. O que já está decidido para amanhã é que não há caminhada para lado nenhum. O resto? Logo se vê. Mas, acima de tudo, é dar descanso ao corpo. É ele que mo exige. E eu obedeço-lhe. Já não é possível contrariá-lo. Por isso, mesmo que amanhã não saia de casa, logo se vê.

{#096.271.2024}

Hoje não há muleta. Hoje estreia-se a bengala que me ofereceram no jantar de aniversário. É linda. E, oh espanto!, é minha.

Se foi um bom dia para a estrear? A julgar pelas dores que tenho hoje nas pernas, com os músculos e os joelhos muito presos como estão hoje, se calhar não… E garanto: já estivemos mais longe de usar duas muletas para caminhar… E, a vontade de chorar, essa ninguém me tira…
Bora lá para a fisioterapia. A ver se alguma coisa melhora… (Não, o dia não está fácil. Nem bom…)

Ontem abusei. Era para ser só uma caminhada até ao parque. “Vamos até onde conseguires”, disse-me a minha Mãe. Claro que eu fiz questão de ir até ao paredão ver o Mar. Não o via desde Janeiro e achei que conseguia sem stress. E consegui… Mas depois houve o caminho de volta. Entre ir e voltar foram 2,5km. Não é muito. Para vocês. Para mim é imenso. Tanto o é que hoje estou como estou…

Fisioterapia terminada por hoje. Comecei com tudo preso. Pernas e joelhos principalmente. Com enorme dificuldade em andar. Mas depois fui entregue ao Miguel, o estagiário que agora me põe a mexer e parece que fui passada a ferro por um rolo compressor.

Não há nada que não me doa, essa é que é essa. Mas também não há nada que não tenha sido mexido e trabalhado. Só faltou porem-me a correr. E mesmo assim não faltou muito…Usain Bolt no corredor do hospital, diz-me ele que é assim que me quer. Está bem. Logo se vê.

Vamos ver como corre o jogo deste fim de semana (e eu não ligo a futebol), mas já lhe disse que quem vai ganhar é aquele que está em primeiro com menos um jogo, ao que ele respondeu logo que não, que quem vai ganhar são os encarnados. E que, se por acaso perderem, na segunda feira vem zangado para a fisioterapia e vinga-se em mim. Vamos ver.

A verdade é que, apesar de ser apenas estagiário, está muito bem preparado para trabalhar comigo.
Se um rolo compressor tiver nome, chama-se Miguel. E eu só posso agradecer o trabalho que está a fazer comigo.

E, depois de chegar a casa, foi hora de me instalar no sofá. Ainda cheia de dores. Desconfortável. Muito cansada. Ainda não eram 17h30 quando enviei a última mensagem antes de adormecer. Para acordar só às 21h10. Ainda cheia de dores. Sem saber o que fazer às pernas, porque já não as aguento e não tenho posição para elas. E amanhã às 9h e pouco é hora de ir até ao Yoga. E quem vai tem que voltar… A recomendação do Miguel, o fisioterapeuta, para o fim de semana é caminhar. E, só de manhã, vou ter de fazer, ida e volta, mais de 2km. Vai doer. Muito. Mas não vou faltar ao Yoga. Se vou caminhar à tarde? Não faço ideia. Vai depender de como vão estar as minhas pernas depois de voltar do Yoga.

Eu sei que tenho que caminhar. É o melhor remédio que tenho neste momento. Mas não deixa de ser verdade que as dores têm agravado. Assim como os desequilíbrios. E hoje foi prova disso.

Eu quero ver melhoras. Mas também quero senti-las. E não as vejo nem as sinto. Essa é que é essa. Trabalho muito na fisioterapia. Faço tudo o que me dizem para fazer. Mas não me sinto melhor…

Sei que tenho que continuar e não desistir. Mas, por enquanto, só posso continuar a esperar por um diagnóstico que nunca mais está fechado. E eu não sei até quando vou conseguir aguentar. Estou cansada. Cansada de esperar. E muito cansada disto que me apanhou na curva e não vai passar, que veio para ficar.

Sim, estou muito desanimada. Muito. Tanto. E, mais uma vez, a vontade é de chorar. Mas, como já vem sendo hábito, não consigo…

Amanhã, com mais ou menos dores, a manhã está preenchida. A tarde? Em parte vai ser para recuperar da manhã. E tentar não desanimar ainda mais. Vai ser fácil? Não. Não mesmo. Mas não posso, de todo, desanimar. É respirar fundo, levantar a cabeça e avançar. Depois logo se vê…

{#095.272.2024}

Acordar de manhã sem televisão, telefone e Internet… Saber que só amanhã poderá estar resolvido. Perceber que estou completamente desligada do Mundo. Não poder comunicar. Com ninguém. Ter que ir até à esplanada do costume beber café só para ter acesso ao Wi-Fi. Sim, posso dizer que estou demasiado dependente da Vodafone para poder ter acesso às minhas pessoas, aquelas que me acompanham todos os dias sem excepção. Mesmo que não se diga nada de jeito. Não interessa. São essas pessoas que me fazem sentir que, apesar de estar em casa desde Setembro, ainda pertenço ao Mundo. São essas pessoas que me impedem de pensar porque é que ainda estou aqui. E, também por isso, são 22h15m e eu voltei à esplanada do costume onde raramente, muito raramente, venho a esta hora…

O dia passou demasiado devagar. Nem à música tive acesso. E essa parte custou bastante. Porque eu já não sei estar sem música. É, provavelmente, ruído que abafa o barulho que vai dentro da minha cabeça. Não sei. Sei que, sem música, o barulho na minha cabeça deixa-me muito desconfortável…

À tarde, o desafio da minha mãe: uma caminhada até ao parque. “Até onde conseguires ir”, disse-me ela. E, de repente, com maior ou menor dificuldade, chegámos ao paredão para ver o Mar. Porque eu sou teimosa e vou sempre um bocadinho mais além do desafio que me é proposto. Para lá, não houve grande dificuldade. Mas, para voltar, as pernas já não obedeciam correctamente.

Todo o dia me queixei. Dor de costas logo ao acordar como acontece todos os dias, dor de cabeça que não me larga, dores nas pernas que teimam em se fazer sentir todos os dias. Agora? Não sei muito bem como consegui vir de casa até ao café e vou ter que regressar daqui a pouco sozinha. Dói-me tudo. Sou aquilo a que costumo chamar de “poço de dores”. Eu sei que preciso de caminhar. Não o fazia desde Janeiro por causa do frio e da chuva. Mas agora, com a Primavera a instalar-se, tenho que retomar os passeios até ao paredão. Mesmo que me custe muito e chegue a casa muito cansada e com vontade de chorar…

Mas a vontade de chorar está cá sempre. Porque ainda não aceitei o que me apanhou na curva e muito menos entendo. A única coisa que me é óbvia é que as dificuldades aumentam todos os dias…

Enfim…amanhã é dia de fisioterapia. Novamente vou dizer que não aguento mais. Que tudo me dói. Que sinto que as minhas pernas não me obedecem. E os desequilíbrios continuam demasiado presentes.

Já sei que ainda não há diagnóstico fechado porque os resultados dos exames ainda não estão todos disponíveis. E, sem diagnóstico, não há medicação. E toda a gente me diz que a medicação me vai ajudar. E é só isso que eu quero…que alguma coisa me ajude!

Não, estar isolada do Mundo não me faz bem. Mas andar, como ando!, ao sabor do vento, também não me ajuda nada.

Só peço que não me larguem a mão agora. Porque, sozinha, já sei que não aguento…

{#094.273.2024}

Se me pedissem para fazer um resumo dos últimos dias, já não sei quantos, conseguia fazê-lo muito rapidamente: dores de cabeça intensas e persistentes. Depois de alguns meses sem sinal delas, voltaram em força… E, para já, o que é que me dizem que posso tomar? Ben-u-Ron. Que tem em mim o mesmo resultado que beber um copo de água. Não resulta, portanto…

Tem sido assim todos os dias outra vez. E, claro, já sei que não havendo ainda um diagnóstico fechado o neurologista não sabe como me medicar para a dor de cabeça…

Noites mal dormidas, dias complicados, humor cada vez mais deprimido…

Hoje foi dia de fisioterapia. E foi a doer. Muito trabalho de pernas e equilíbrio. E, pelo meio, alguns exercícios de Yoga. Entrei na fisioterapia cheia de dores de cabeça e vontade de chorar. Entretanto a vontade de chorar passou, mas a dor de cabeça continuou.

Foi, também, dia de Yoga. Novamente a dor de cabeça. Repetir os exercícios que já tinha feito na fisioterapia. Não conseguir fazer o básico do equilíbrio. Mais uma vez…

Chegar a casa tarde. Jantar tarde. E a dor de cabeça sempre presente. Já devia estar a dormir há muito tempo. Mas, apesar da dor de cabeça, não há forma de desacelerar o pensamento. Sinto-me a mil, apesar de cansada e de sentir as pernas muito moídas. E a vontade de chorar a voltar…

Vou tentar dormir. Amanhã? Logo se vê. Se não me doer a cabeça ou se simplesmente doer menos já vai ser bom…

{#093.274.2024}

Tenho vontade de comunicar. Falar com pessoas. Estar com pessoas. E conversar. Seja sobre o que for, estou aberta a qualquer assunto. Bem, a futebol talvez não. Mas quero muito conversar.

Tenho a minha mãe sempre por perto e, claro, conversamos todos os dias. Passamos também muito tempo tempo cada uma no seu mundo. Ela a ver as suas séries na televisão, por exemplo, e eu a fazer scroll mais tempo do que o recomendado (seja lá qual for o tempo recomendado) e a ouvir música. Mas o que eu quero mesmo, o que eu preciso!, é de comunicar e conversar!

Há dois telefonemas que quero fazer, um dos quais ainda no rescaldo do jantar de sexta feira. Há, também, um pedido de desculpas que quero fazer, embora tenha plena noção de que é uma coisa irrelevante. Mas ainda assim… E esse pedido de desculpas que quero fazer será por mensagem escrita porque é o meio de comunicação habitual entre nós.

Ainda não fiz nada disso que quero fazer porquê? Porque, por muito que queira conversar, tenho percebido que falar ao telefone me agrava a dor de cabeça que regressou em força. Como no sábado que, numa escala de 0 a 10, bateu no 9. E ainda não me largou, embora não passe do 7.
Escrever o pedido de desculpas também está difícil. Porquê? Porque, dentro da minha cabeça cheia de dores, está uma grande confusão instalada. E sei que enviar esse pedido de desculpas pode iniciar aquilo que, no fundo, quero e preciso que é conversar, mas que simultaneamente temo porque me custa comunicar com a confusão que vai aqui dentro… Até escrever isto tudo foi difícil…

Não, não está fácil ter que lidar (e aguentar!) novamente com as dores de cabeça intensas e persistentes. Por isso, em vez de fazer aquilo que quero, comunicar, faço o que o tempo lá fora recomenda: recolho-me e faço de conta que não se passa nada.

Amanhã? Pode ser que a dor de cabeça dê tréguas. Logo se vê. Mas, por agora, está difícil. Quero comunicar. Preciso de conversar. Sentir-me minimamente normal. Mas não me sinto em condições para isso. Não agora. Amanhã logo se vê…

{#092.275.2024}

Há dias mais difíceis do que outros. E hoje, depois de 3 noites mal dormidas e uma dor de cabeça épica pelo meio, ao chegar ao Hospital e depois do café pré-fisioterapia, não se previa nada de bom. Muito sono, dor de cabeça a querer instalar-se e pouca vontade de fazer a fisioterapia. Mas, felizmente, estou acompanhada por uma equipa de profissionais que me põem a mexer e ainda me acordam a boa disposição.

Fazer este corredor depois do café a caminho da fisioterapia custou muito. Por todos os motivos expostos acima e também porque as minhas pernas queriam seguir em sentido contrário. Porque elas, como eu, não tivemos escolha sobre o que nos apanhou na curva e a vontade é fazer rewind até um qualquer momento que nem eu sei qual e fazer a curva para o outro lado.

Mas, dizia eu, tenho uma boa equipa de fisioterapeutas à minha volta. Que puxam por mim na hora de trabalhar a sério como hoje trabalhámos mais uma vez, que conversam comigo e que me fazem rir.

Sim, o dia não prometia nada de bom para a fisioterapia. Mas por hoje está feito. Já conversei. Já ri. Quarta feira repetimos. E, daqui a pouco, quando chegar a casa lamento mas o meu companheiro sofá espera por mim.

——-

E o sofá que esperavas por mim lá estava a chamar por mim quando cheguei a casa muito cansada. E, depois de uma visita de uma vizinha e uma boa conversa com muita risota pelo meio, simplesmente apaguei. Dormi profundamente durante duas horas para acordar cheia de dores nas pernas não pelo exercício mas pelo calor de tantas mantas e uma gata em cima de mim. E aquilo que, no início da fisioterapia, era só uma moínha assumiu o seu papel de dor de cabeça intensa declarada…

São 23h00…é uma boa hora para deitar a cabeça na almofada e acreditar que vai passar, porque ainda me lembro das dores de cabeça intensas e persistentes do ano passado e não tenho vontade nenhuma de as repetir. A noite passada também não foi fácil e talvez por isso esteja novamente aflita. Quero muito que esta noite seja melhor. Só assim a dor de cabeça amanhã não volta…

{#091.276.2024}

O programa para esta tarde, depois de uma noite muito má, difícil e complicada, era simples: enroscar no sofá e ver, na televisão, o filme que não consegui ir ver ao cinema, O Mistério do Colar de São Cajó.


Vi o início e não devo ter conseguido ver mais de 10 minutos (se é que chegou a tanto) antes de adormecer. Quando acordei, ainda apanhei a frase “bem-vindo ao final do filme, Eduardo”. E mesmo depois disso não vi nada. Ou seja, mais uma vez se confirma que eu e o meu sofá temos tido uma relação muito próxima. Demasiado próxima.

A noite ontem não foi nada fácil. Uma dor de cabeça intensa e persistente como há muito tempo não tinha. Aliás, tão forte, intensa e desesperante como a de ontem à noite acho que nunca tive. Ao ponto de não conseguir dormir descansada, sempre hipervigilante até que, às 3h30 da manhã, não deu mais e chamei por ajuda. Não sei que medicação posso ou não tomar para além do Ben-u-Ron que tem o mesmo efeito que beber um copo de água. Segui então as indicações da médica de família quando, há um ano, comecei a ter dores de cabeça intensas e persistentes que duraram pelo menos dois meses: Nolotil. A verdade é que pode ter demorado um bocadinho mais do que eu gostaria, queria um efeito imediato, mas às 4h15 da manhã a dor de cabeça aliviou e consegui, finalmente, descansar.

O que é que causou tamanha dor de cabeça? O tempo que passei ao telefone? Não sei, mas foi aí que começou. Está relacionado com isto que me apanhou na curva? Não faço ideia. Na minha situação o Nolotil era o mais adequado? Se calhar não, mas até no Hospital me deram Nolotil na veia quando fui à urgência com dores de cabeça intensas mas ainda sem sequer suspeitar que tinha o que tenho.

Até indicação em contrário, já sei ao que recorrer. E o Mistério do Colar de São Cajó vai ter que esperar mais um bocadinho.

{#090.277.2024}

Ainda sobre o jantar de ontem: não posso dizer que foi bom, mas tenho que dizer que foi MUITO BOM. Nunca menos que isso.

Confirmei que sou uma miúda de sorte. De muita sorte. E ontem, ao juntar 15 pessoas, percebi isso. E percebi também que não são apenas pessoas que gostam de mim. São pessoas que gostam MUITO de mim.

Houve surpresas muito boas, começando logo com a presença da Maria Inês de 8 anos que ainda não me conhecia mas que, mal chegou, a primeira coisa que fez, depois de se apresentar, foi dar-me um abraço apertadinho e dizer “tu és muito fofinha”. Eu sei que sou conquistada muito facilmente, basta um abraço apertadinho com 8 anos de idade e umas palavras doces e ficamos amigas para sempre.

Houve mais surpresas. Muitas. Algumas que me deixaram sem palavras (e isso em mim é difícil de acontecer). Houve recordações com 30 anos, houve criação de novas memórias.

Quem esteve presente talvez não se tenha apercebido, mas eu estava bastante emocionada e, como sempre, a esconder as emoções daquele meu jeitinho bruto que ainda ontem foi recordado 30 anos depois.

Já o disse acima: sou uma miúda de sorte. De muita sorte. E consegui ter junto a mim e por minha causa Amigos que gostam de mim. Ou, como me disse o Pedro já em casa, “que gostam muito de ti”. E gostam. E eu sou tão grata por ter cada um deles por perto.

Não escrevi mais cedo sobre o jantar porque ainda estou na ressaca das emoções de ontem. E que foram tão boas. Mas tinha que escrever, claro. Porque, no meio do carrossel (tantas vezes manhoso) que é a vida, o que realmente importa é isto: estar com as pessoas que gostam muito de nós.

Eu não queria prendas, mas tive-as. Queria presentes. E, para além de mim, estiveram ali presentes mais 14 pessoas por minha causa. E foi tão bom.

Como disse, ainda estou a ressacar das emoções de ontem. Muito obrigada a todos os que estiveram presentes. E agora peço-vos: o que aconteceu n’O Norte da China fica n’O Norte da China, mas podemos repetir rapidamente.

Muito obrigado aos 14 magníficos que me confirmaram que sou uma miúda de sorte. E que sim!, tenho por perto muita gente que gosta de mim.

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Sou uma miúda de sorte e tenho, à minha volta, muita gente que gosta de mim e eu não tinha noção do quanto…

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Manhã de acordar muito cedo e sair para tratar de burocracias e perceber que há leis que não fazem sentido. E quando mexem com baixas médicas ainda menos sentido fazem.

Segurança Social, Centro de Saúde, Hospital. Muitas voltas dadas em menos de 4 horas. E, claro, não aguentar as voltas da manhã e adormecer antes do almoço. Dormir 3 horas porque a fadiga me derruba. Porque agora, para além de tudo o resto, também a fadiga me acompanha. E fadiga e cansaço, tenho aprendido, não são a mesma coisa… A fadiga pesa demasiado e condiciona…

Mas não me apetece pensar nisso agora. Mas tenho que programar muito bem o dia de amanhã. Começo a manhã com uma aula de Yoga de duas horas para compensar a aula cancelada pelo mau tempo ontem. Logo de seguida Yoga Nidra. Meditação e relaxamento profundo. Já sei que, quando chegar a casa, vou querer e precisar de dormir. Só assim vou estar em condições para o meu jantar de aniversário que está marcado para as 21h em Lisboa.

Sábado não tenho nada programado a não ser descansar e um café com um amigo à tarde. Espero não ser um dia difícil no que diz respeito à fadiga. Logo se vê.

Agora é hora de enroscar e aninhar e sentir, à distância de um clique, aquele abraço quentinho e protector que todas as noites me aconchega e onde eu gosto tanto de ficar.

{#087.280.2024}

E depois há aquele dia em que, a meio de um exercício simples de fisioterapia em que tive algumas dificuldades, isto nem a meio da sessão íamos, o fisioterapeuta te diz para descansar, olha muito sério para ti e diz “não sei o que se passou consigo, mas hoje está muito pior do que na segunda feira passada”.

Pois estou…e até que enfim que alguém, que não eu, notou.

Enfim…já sei que melhorar é difícil, ficar boa novamente não vai acontecer e, o que me resta fazer, é ir vivendo um dia de cada vez e aprendendo todos os dias… Seja!

Não, não estou melhor. Não, ainda não tenho acesso a medicação porque os resultados dos exames não estão prontos. Ando a viver ao sabor do vento.

E, entretanto, chega mais uma marcação de consulta. Uma nova especialidade. Neuropsiquiatria. Onde mais testes e mais exames vão ser feitos. Já estou por tudo. Se me dizem que tenho que ir, eu vou. Mas, que já estou cansada deste carrossel, estou.

Fui apanhada numa curva. Não fiz nada para ter tudo isto que agora me acompanha e que é para sempre. E sim, sinto-me um pouco perdida. Felizmente, já encontrei quem me entenda porque já está diagnosticada há algum tempo e entende tudo o que estou a passar. É um conhecimento recente, referenciada por uma amiga comum e tem tudo para ser muito importante neste percurso.

Novamente: um dia de cada vez. Não mais do que isso. Depois? Logo se vê. Mas o que me espera é tudo menos bom…