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Se perguntarem por mim, dir-vos-ei que não estou. Esta que vos fala é outra que não eu.

{#198.168.2022}

Domingo que começou cedo. Consulta de manhã com o terapeuta fofinho, das poucas coisas que ainda me trazem algum sentido de normalidade. São momentos semanais que me fazem bem e me permitem falar sobre tudo o que trago cá dentro e que normalmente não sai com mais ninguém.

Muita preguiça neste segundo dia de férias, mas com algum estudo pelo meio. A tarde foi dedicada a reler manuais. Devia ter feito testes de preparação para o exame, mas não tive coragem. Amanhã sim, para além dos manuais irei também dedicar-me aos testes. Última oportunidade de meter na cabeça o que teima em não entrar.

E também amanhã, quem sabe, tenho resposta a uma simples pergunta feita esta tarde. Mas novamente o silêncio… E é esse silêncio que preciso de entender, especialmente depois de me ter sido cobrada a minha mudança. Não entendo. Afinal, mudei mas depois de me apontarem essa mudança e me dizerem que não era suposto mudar, alguém mudou. E não fui eu.

Enfim…é uma treta, essa é que é essa. Se podia tudo ser mais fácil? Podia, se o outro lado fosse como a tempestade perfeita que, conforme apareceu, desapareceu. Mas não é. É um porto de abrigo. Ou era. Já não sei. Sei, sim, que tudo seria mais fácil se não fosse quem é. E o que é.

Amanhã volto a perguntar. A repetir. E, amanhã, irei relembrar que não gosto de falar sozinha. E começa a ser um hábito. E é um hábito desnecessário para quem queria manter tudo como estava. A menos, claro, que os filmes na minha cabeça estejam certos. E, se assim for, algo de muito errado aconteceu.

São quase 5 anos de rituais matinais e nocturnos. Se for para acabar com isso, prefiro que mo digam abertamente. Mas que me digam mesmo se essa for, de facto, a vontade. Não acredito que seja. Mas parece, neste momento, não fazer grande diferença.

Amanhã? Logo se vê. Vou pedir resposta. Se não tiver, é o mesmo que dizer que já a tenho.

Encolher os ombros, sorrir e acenar. Mereço mais.

Enfim…

{#197.169.2022}

Sábado e primeiro dia de férias. E, percebo logo de manhã, que já estou farta de não ter nada para fazer… Tenho que estudar, é verdade, mas hoje não me apeteceu. Hei-de ir à praia, mas praia ao fim de semana é de evitar. E o calor ainda está demasiado.

Amanhã é dia de consulta com o terapeuta fofinho. Depois disso dedico-me ao estudo. Talvez só à tarde, porque já sei que depois da consulta é tempo de desligar por mais um bocadinho.

Vão ser duas semanas longas, sem ter nada para fazer… Já não sei, nunca soube, estar sem fazer nada. E isso preocupa-me porque estar sem fazer nada é abrir espaço para a minha cabeça começar a vaguear. A produzir filmes. E isso não é bom.

Hoje houve retorno. Mas acho que só existiu como retribuição de uma mensagem sincera e honesta. Faltou o resto. Talvez tenha sido falta de vontade de responder? Talvez um qualquer condicionamento? Quem sabe? A minha cabeça decididamente não sabe e, ao não saber, perde-se por aí.

Hoje não foi um dia mau, mas também não posso dizer que tenha sido bom. Foi só mais um dia que passou. Amanhã? Logo se vê. Espero por retorno que já sei que não vou ter. Logo se vê…

{#196.170.2022}

Sexta feira e as férias que começaram às 19h.

Uma noite muito má, por causa do excesso de calor. Senti-me verdadeiramente mal. Assustei-me, claro. Mas ligar a ventoinha o resto da noite acalmou o calor excessivo e permitiu-me uma melhoria. Mas sim, assustei-me. Como me assusto sempre com aquilo que não consigo controlar, que foge das minhas mãos. Como ontem à noite.

Felizmente hoje o calor parece ter abrandado ligeiramente. Vamos ver como corre a noite. Mas, já sei, será uma noite de ventoinha ligada. Controlo melhor o frio do que o calor.

Retorno esta manhã. Breve, mas existiu. E repito que tenho saudades de outros tempos. De outros retornos mais presentes. Eu sei que as coisas mudaram e nada me tira da ideia que a falta de retorno vem dessa mudança. Mas não é justo apontarem-me a mim a mudança quando estava magoada e mudarem também quando me dizem que não para mudar nada.

Enfim…os filmes na minha cabeça vão crescendo, claro. Acredito saber a razão da mudança. E, já o disse, não me admiro se estiver, de facto, certa. E não tenho muitas dúvidas que estarei, sim.

Encolho os ombros. É sorrir e acenar, certo? O tempo vai dar-me razão.

Agora quero aproveitar as férias. Descansar. Há mais de um ano e meio que não podia dizer isto, mas agora posso: estou de férias. E vão ser duas semanas que me vão saber muito bem.

Se a isso puder juntar a presença de retorno, melhor.

Amanhã? Será melhor.

{#195.171.2022}

Quinta feira e o calor. Ainda.

E quinta feira e falar sozinha. Ainda. Ou não, porque hoje não tentei o retorno. Se ainda o vou fazer? Não sei. Só sei que não gosto de falar sozinha…

Amanhã? Continuarei sem retorno. De certeza. Mas talvez o calor dê uma ligeira trégua.

Veremos como corre.

{#194.172.2022}

Quarta feira. Agora sei que é quarta feira. Não o sabia quando deixei o trabalho para trás. De que valem as boas avaliações no trabalho quando se chega ao fim do dia sem saber que dia da semana é?

Calor. Muito calor ainda. E eu começo a dar sinais de pouca resistência ao calor. A noite foi má, não só interrompida pelo motivo habitual mas também pelo excesso de calor.

E volto a não ter retorno. Nem à noite, nem de manhã quando costuma ser hábito. E, claro, na minha cabeça fazem-se filmes. Diferentes dos habituais, mas nem por isso menos plausíveis. Quero muito estar errada, mas se estiver certa não me admiro. Enfim…para já não são mais do que filmes. Mas a ausência permite que eles se desenrolem. E ausência custa a aceitar, especialmente quando me disseram que nada teria que mudar. E por isso mesmo eu retomei os rituais depois de uns dias diferentes. E depois de me apontarem essa mudança. Sim, é sinal que a mudança foi sentida e foi recebida e até percebida, mas talvez não totalmente. A verdade é que voltei aos rituais no registo de sempre. E agora, de um dia para o outro, o silêncio, a ausência. Não gosto disso.

Lembro-me, todos os dias, daquele primeiro dia. Daquele momento em que percebi que já não havia volta a dar. Todos os dias me lembro. E todos os dias confirmo que, se voltasse atrás, faria tudo exactamente da mesma forma. E sei que iria gostar da mesma forma.

Não é possível voltar atrás e repetir o primeiro dia. Mas é possível fazer diferente daqui para a frente. Mesmo que me apontem essa diferença. Mereço mais do que silêncio e ausência. Mas e se eu for silêncio e ausência? Não sei se o consigo ser. Mas às vezes penso que devia ser. Só a ausência permite sentir falta de algo. Vamos ver…tenho que pensar sobre o que fazer a seguir. Mas estar sempre presente nem sempre é positivo.

Vou ter que, em silêncio, sentir a ausência. E, quem sabe, fazer-me ausente. Quem sabe se fará diferença…

Só quero que esteja tudo bem. E acredito que esteja. Mas queria mais do que silêncio e ausência…

{#193.173.2022}

Terça feira e o calor abrasador. Ventoinha ligada o dia todo, mas nem assim se aguenta.

Sozinha em casa pela primeira vez em muito tempo, sem saber muito bem se é uma boa ideia. Apetece-me conversar, mas não vai acontecer, por isso vou tentar dormir mais cedo.

Cansada de um dia que, mais uma vez, começou mais cedo para acabar mais tarde. O calor, mesmo que em casa, não ajuda a passar o dia em frente ao computador. Mas pelo menos não tenho que andar pela rua com o absurdo de calor que tem estado.

Retorno matinal. É o que tenho conseguido. Porque à noite, já percebi, é mais difícil que aconteça. E sei bem porquê. Não queria, mas sei. E só tenho que aceitar.

Tenho saudades de quando ainda era possível um bocadinho de conversa antes de dormir. Tenho saudades dos primeiros tempos. Em que a novidade nos prendia ao ecrã do telemóvel, fosse a que horas fosse, o tempo que fosse.

Mas as coisas mudaram. Claro que mudaram. E pedem-me que não mude eu. Mas não faz sentido esse pedido. Se tudo o resto mudou…

Enfim. Dormir. Eu preciso é de dormir. Descansar. Amanhã? Logo se vê como corre com o calor. Antes disso há uma noite para passar.

{#192.174.2022}

Segunda feira e mais uma semana que começa. Entrar cedo e sair tarde a semana toda. Exame adiado. Retorno pela manhã e novamente à tarde.

Cansada. Claro que sim. Mas à beira das férias.

E, quatro anos depois daquela viagem de final de dia a um local emblemático que se começou a programar logo nos primeiros dias, hoje fazia tudo igual. Com a mesma companhia, claro, nem poderia ser de outra forma. Foi, para mim, uma tarde especial com alguém especial num lugar especial. Que gostava mesmo muito de repetir.

Não vai acontecer, claro. Como tantas outras coisas não vão acontecer. Daquelas que eu queria mesmo muito que acontecessem. Mas não vão acontecer. Talvez um dia, quem sabe.

Um dia deixo de sonhar acordada. Mas não é hoje. Se nem com aquele murro no estômago deixei de o fazer…

Resta-me encolher os ombros. O tempo dirá o que tiver a dizer. E o meu gut feeling cá anda…umas vezes a sussurrar, outras vezes quase a gritar. Mas o tempo irá confirmar o que o meu gut feeling me diz. Demore o tempo que demorar.

{#191.175.2022}

Domingo de calor extremo que começou demasiado cedo sem necessidade. Antes da consulta habitual, aproveitar o tempo para estudar.

O dia resume-se a isso mesmo: estudar. Muitos testes de preparação para o exame. Resultados positivos, mas não satisfatórios para mim. Queria mais. Queria melhor. Mas há coisas que simplesmente não estou a conseguir reter mesmo que já me tenha dedicado a elas várias vezes.

Fazer o quê? Encolher os ombros e aproveitar a falta de sono de hoje para mais uns testes e leitura dos manuais.

Amanhã? Começar a trabalhar mais cedo para sair mais tarde e dedicar-me novamente ao estudo. À última oportunidade de estudo antes do exame.

Vai correr bem. Vai ter que correr bem.

{#190.176.2022}

Sábado e o exame à porta. Dediquei-me ao estudo, claro. Não tanto quanto gostaria, mas com o cansaço acumulado e o calor abrasador não deu para muito mais. Testes vários, com avaliação positiva, mas queria mais. Queria melhor. Ainda tenho o dia de amanhã inteiro para rever pontos necessários e a noite de segunda feira para as últimas revisões. Vai correr bem. Vai ter que correr bem, não vai poder ser de outra forma.

Hoje queria muito um retorno por muito rápido que fosse em jeito de aconchego. Não aconteceu até agora, não vai acontecer hoje. Amanhã logo se vê.

Agora? Vou pegar nos manuais e vou continuar a estudar até não aguentar mais o sono. Amanhã será novo dia de estudo depois da consulta matinal. E depois logo se vê como será o dia.

{#189.177.2022}

De volta ao trabalho em casa. Acordar cedo, entrar ao serviço meia hora mais cedo para sair uma hora mais tarde. Cansada. Mas, apesar de tudo, um dia tranquilo. Nem muito trabalho, nem muito stress, mas muito calor mesmo com a ventoinha ligada o dia todo.

E hoje, como ontem, a cabeça lá longe. Sei tão bem que não devia. Mas é sempre lá que a minha cabeça está.

Hoje com algum retorno matinal. Não compensou o silêncio e ausência de ontem, mas retorno sabe sempre bem.

Às vezes, tenho vontade de arriscar e ir mais longe, de forma directa e objectiva. Dizer tudo directo, com as letrinhas todas. Não o faço. Sei que não devo. E sei que não posso. Por isso continuo a dizer o mesmo mas cheio de entrelinhas. A mensagem que quero passar está lá. E só não percebe quem não quiser perceber.

Sou apologista de não deixar nada por dizer. E, também por isso, já por duas vezes deixei as entrelinhas de lado e fui directa e deixei claro o que trago comigo, em mim. Já o disse, mesmo não tendo usado as letras todas que queria usar. E hoje, como nos últimos tempos, a vontade de usar todas as letras é muito grande. E quase as usei naquela terça feira que aconteceu. Não usei, mas fiz questão de dizer que o que trago comigo, em mim, é mais do que uma simples paixão. Se foi suficiente? Se foi entendido? Não sei. Acho que nunca saberei.

Neste momento, sei que não é justo voltar a pegar neste assunto. Por muito que me custe. Mas não é o momento. Nem para mim, nem para o outro lado. Por vários motivos que ainda me custam encaixar.

Se ainda dói? Um pouco. De forma diferente, mas dói. Mas, e vou usar uma frase que aprendi a detestar, é o que é.

Sexta feira e muito cansada. Vulnerável. E com vontade de dizer, com todas as letras, o que sinto. Não o vou fazer, claro. Vou, isso sim, desligar, enroscar e descansar.

Amanhã? Dia de estudar. Muito. Será melhor. Será um dia bom. Agora desligo. Enrosco. Mas ainda vou ao ritual nocturno.

{#188.178.2022}

Quinta feira. Um dia sem trabalho, mas muito preenchido. Sair de casa à hora habitual de dia de trabalho, fazer tempo numa esplanada para a consulta programada e aproveitar para estudar.

Confirmar que, mesmo com percalços como o do último mês que me confirmou a minha fragilidade, estou no bom caminho. Reduzir a medicação e voltar à consulta no final do ano para reduzir ainda mais. Que tudo corra bem até lá, é só o que preciso.

Seguir o dia, com muito calor e um cansaço de quem precisa de férias. Antes de tratar de mim, voltar àquele jardim que já adoptei como sendo um bocadinho meu. Que me recorda desde há quase 5 anos aquele momento em que, depois esperar como sempre, um sorriso e uma risada me conquistaram e pensei para mim “já foste”.

E “foste” mesmo. Não sabia, naquele dia, não tinha como saber, que foi naquele jardim, num final de dia de um Outono recente, por causa de um sorriso e de uma risada que algo nasceu em mim. E que desde esse dia tem vindo sempre a crescer sem esforço e sem forma de controlo.

Gosto daquele jardim assim como gosto das memórias que me traz. E também por isso volto lá. E hoje foi dia de me deixar ficar por lá a fazer tempo antes de ir tratar de mim e aproveitar para estudar mais um bocado.

E, ao mesmo tempo que fazia tempo e tentava concentrar-me no estudo, a minha cabeça estava longe. A sonhar acordada, claro. A querer, a qualquer momento, ter retorno de uma resposta que dei ontem. Que não vou ter, claro. Não o retorno que queria, claro. A cabeça sempre longe. Lá onde não devia estar. Mas está. Sempre. Talvez por ainda acreditar nem sei bem no quê. Mas estar naquele jardim faz com que seja mais difícil não viajar nos filmes da minha cabeça que nunca se irão realizar.

Um dia. Um dia, quem sabe. Até porque “não sabemos o dia de amanhã”, como foi dito naquela conversa da terça feira que aconteceu. E se, nessa mesma conversa, confirmei o que já sabia, há frases que ficam e despertam um gut feeling teimoso.

Mas não quero, nem posso, deixar-me levar por estados de sonhar acordada. Não me fazem bem. E neste momento só preciso do que me faz bem.

Regresso a casa menos demorado. Muito calor. Cansada. Muito cansada. E ainda a cabeça lá longe, lá onde queria estar agora mas não estou.

Dia longo, este. E amanhã dia de voltar ao trabalho, novamente a partir de casa para entrar mais cedo e sair mais tarde. E, sendo que hoje não houve retorno nenhum, pode ser que amanhã haja. E era tão bom que houvesse… Porque eu sinto falta desse aconchego. É isso mesmo que é: aconchego. E eu sinto a falta mas não o exijo. Porque as coisas são mesmo assim.

Vou manter o meu ritual. É hora de desligar e enroscar, mas não o faço sem antes fazer o que faço todas as noites. E sei que não é só a mim que faz sentido, ou não me tinha sido apontada a mudança de comportamento quando tudo me doía. E saber que essa mudança foi notada ainda me deu mais certezas.

É uma treta. Mas um dia…um dia o meu gut feeling vai ter razão.

Por hoje chega. Dia demasiado longo e preenchido. Amanhã? Prevê-se muito trabalho. Mas será melhor e mais tranquilo. E voltarei a repetir o ritual matinal, depois de repetir hoje o ritual nocturno.

Sim. Amanhã será melhor. Por agora chega.

{#187.179.2022}

Dia de trabalho mais curto. Regresso a casa demorado, novamente mais de duas horas para cá chegar. Parece que está a virar rotina e não há alternativas. E percebi que, pela primeira vez em muito tempo, ainda há coisas que me conseguem irritar e tirar do sério. Como esta questão dos transportes. Não tenho paciência para isto. Mesmo. Se antes perdia 3 horas por dia em deslocações, agora perco quatro e meia. E eu não tenho tempo para perder Tempo.

E noutra nota, sim, mais vale tarde do que nunca. Ou como um “bom dia” perto das 19h é tão válido e bem vindo como quando me chega às 8h da manhã. E sabe bem quando percebo que há tempo para uma conversa, mesmo que sem importância, mesmo que breve.

Dia estranho, este. Programado para ser um dia de trabalho mais curto e para conseguir chegar cedo a casa antes da consulta no dentista, só se cumpriu o horário de trabalho mais curto. Até a consulta, como sempre, começou depois da hora.

Estou cansada e a precisar de dormir. E Algés, de repente, aqui tão perto a julgar pelo som que vem dos concertos do festival. Vamos ver como corre a noite. Esta e as próximas. Até à noite de sábado o som é garantido. E, de repente, lembrei-me de outros anos em que o palco de música electrónica não deixava ninguém dormir muito depois da hora.

Vão ser quatro longas noites…

Agora volto ao ritual nocturno e vou responder a uma provocação que não o foi. Mas respondo sem malícia, apenas em jeito de brincadeira. Porque sim e porque também. E porque me apetece responder.

Que raio de dia do meio, este. Tento agora fazer dele algo um pouco mais interessante. Mas duvido que, a esta hora, ainda venha a ter resposta.

Enfim… Cansada e desejosa que cheguem as minhas férias. Já falta pouco, mas a próxima semana, em termos de trabalho, ainda vai ser pesada e só depois é que chegam as férias.

Chega por hoje. Amanhã? Será melhor e sem trabalho.

{#186.180.2022}

Dia dois de “mais mobilidade”, novamente mais de duas horas para chegar a casa. E eu já estou farta disto, mesmo que ainda agora tenha começado.

Retorno de manhã, retorno (e companhia, ainda que à distância) ao final do dia. Sabe bem. E há coisas que, de facto, não precisam (nem podem!) mudar.

Cansada, ainda hoje é terça feira e já estou muito cansada. Mas, saber que amanhã o dia de trabalho vai ser mais curto e quinta feira nem vai existir, faz-me acreditar que não vai custar tanto.

E, enquanto for tendo retorno, seja de manhã ou ao final do dia, vou-me sentindo aconchegada e serena. E acompanhada. E outras coisas que guardo comigo.

Agora é hora de recolher e enroscar. Amanhã? Dia do meio, dia nim, nem não nem sim, vai ser melhor.

{#185.181.2022}

Dia de regresso ao escritório. Acordar a horas impróprias, sair de casa de madrugada. Muito trabalho durante o dia. Sair à hora certa. Novos horários de transportes para chegar a casa. Demorar mais de duas horas desde que saio do trabalho até chegar, de facto, a casa. Duas horas e meia, na verdade. Quando, tantas vezes, demorava uma hora e meia ou menos.

Preferia continuar a trabalhar em casa. Mas faz-me falta sair e ver pessoas que me recebem sempre bem e com um sorriso. Mesmo que o trabalho não nos permita muita interacção.

Ir mantendo contacto e ter retorno. Sabe bem. Ainda não percebi se faz bem, mas algo me diz que sim. E a vontade é dizer “vamos jantar outra vez” ou só mesmo beber um café. Não digo, claro. Sei que ainda vai demorar um bocado até que se repita. Mas gostava, muito, que se tornasse um hábito.

Enfim…

E depois, do nada, lembro-me das promessas e planos de uma tempestade perfeita que, conforme apareceu assim desapareceu. E encolho os ombros. Pelos vistos não passou mesmo de uma espécie de brincadeira. Não levo a mal, da mesma forma que nunca levei demasiado a sério. Mas era escusado mexer com temas que me são, ainda, sensíveis.

E ainda hoje é segunda feira e eu já estou cansada. Amanhã? Será melhor. E a semana, apesar do volume de trabalho elevado, vai ser mais ligeira.

Amanhã repito os novos horários de regresso a casa, mas ainda vou procurar o meu percurso. E espero não demorar duas horas e meia para chegar a casa…

Agora é hora do ritual nocturno. Do qual não abro mão por me fazer sentido, apesar de tudo. E por me aconchegar e deixar um aconchego também no outro lado. Se devia parar? Nenhuma das partes acha que devia parar. Por isso, mantenho. Sempre que fizer sentido. Enquanto fizer sentido. E para mim faz.

{#184.182.2022}

Domingo com sabor estranho. Uma mistura de cansaço depois de uma semana intensa de emoções com a necessidade de estudar. Acordar mais cedo do que o despertador, consulta habitual – e necessária! – com o terapeuta fofinho, para depois acabar por adormecer no sofá para entrar no mundo dos sonhos estranhos. Há muito tempo que não me lembro de sonho nenhum. Mas este levou-me de volta ao tempo em que trabalhava com os navios de cruzeiro. Não sei quem é o senhor Vítor cujo telefonema tinha que atender para lhe fazer (ou ele a mim?) uma entrevista de trabalho. Não sei quem é o senhor Vítor, mas informei cá em casa que não podia almoçar ainda porque tinha que falar com ele. Fiquei sem perceber nada, quem estava comigo também. Mas deu para rir e perceber que estou, mesmo!, a precisar das minhas férias.

Estudar. Nos próximos dias vou ter que encontrar tempo para estudar depois de chegar do trabalho. O exame está quase aí. E a ansiedade que isso me provoca vai-se instalando devagarinho. Consegui estudar umas horas. Mas não o suficiente para o que preciso.

Tirando isso, o pensamento sempre lá, onde está há tanto tempo. Um local que me aconchega. Um porto de abrigo. Sempre lá. Que podia ser aqui, mas não é. E, percebo, continua a fazer-me mais bem que mal.

E por isso mesmo faço questão de manter por perto. Porque, já o disse antes, o que tenho ninguém me tira, e agora sei com certeza o que já sabia.

Um dia…porque ninguém sabe o dia de amanhã. Mas um dia…

Amanhã, dia de regressar ao trabalho presencial depois de três semanas em casa. Não tenho vontade. Mas tem que ser. Agora é hora de enroscar. Não sem antes voltar ao ritual nocturno. Porque, sei, faz sentido e não é só a mim. E saber isso faz-me bem. E por isso mantenho.

Agora é descansar até ao despertador tocar demasiado cedo. Dormir a correr. Para começar mais uma semana que será atípica já programada. Vai correr bem. Vai ficar tudo bem? Não, já está tudo bem.

{#183.183.2022}

As árvores, depois da poda, ficam inicialmente mais fracas, mais desprotegidas, mais frágeis. Mas essa poda é necessária para que se fortaleçam e continuem a abrigar as tantas vidas que acolhem.

Comigo passa-se o mesmo. É preciso passar pela poda, deixar cair o que está a mais, aparentar estar mais frágil e vulnerável para continuar a crescer forte.

Foi isso que aconteceu no último mês. Foi uma espécie de poda. Se por um lado perdi uma tempestade perfeita que desapareceu tão depressa como apareceu, por outro lado reforcei o porto de abrigo que cheguei a pensar ter perdido mas que faz questão de se manter por perto e assegurar o seu papel.

A poda pode ser um processo violento e doloroso. E foi. Não pelo afastamento da tempestade perfeita, mas pelo abalo do porto de abrigo. Se doeu? Muito. Mas também faz parte do processo de fortalecimento e crescimento. Hoje, ao contrário do que pensava que estaria e estava há uns dias, estou bem.

Há coisas que sei e que confirmei e que guardo para mim. E são essas coisas que me fazem estar bem. Porque, mais uma vez, o meu gut feeling não me enganou. Sei o que sei. E sei que pode demorar, mas mais uma vez irei dar razão ao meu gut feeling.

Não, não tenho dúvidas do que sei e do que confirmei. Agora é dar tempo ao tempo. E, se não chorei nestas últimas semanas, não vai ser agora que vou chorar. Já não faz sentido haver lágrimas. Já o sorriso faz todo o sentido. Mesmo com a máscara, o sorriso estará cá. E também no olhar.

Sempre disse que quando crescer quero ser uma árvore. E agora já reconheço o processo de poda. Já sei que é doloroso e violento. Mas sei, também, que é para meu bem, para me proteger e fortalecer.

Se vai ficar tudo bem? Já está tudo bem. E só isso importa. Fica tudo como estava. E como estava era muito bom. E por isso mesmo vai continuar a ser. E é só isso que importa.

{#182.184.2022}

E se me disserem que vai ficar tudo bem, direi que não vai. Já está.

Sim, já está tudo bem. E isso é que o interessa. E isso é o mais importante.

Hoje posso dizer que me sinto bem. E consigo sorrir, mesmo com o olhar.

Se vai, de facto, ficar tudo bem? Na realidade já está tudo bem.

Só precisei de um tempo para sentir tudo. E de uma conversa para me trazer de volta à serenidade. Agora? Como antes.

{#181.185.2022}

É estranha a capacidade de recuperação depois de uma simples conversa. Ainda estou sob o efeito da terça feira que aconteceu. E em muito melhor estado do que na pré conversa.

Não, já não tenho vontade de chorar. Já voltei a sorrir e a ter vontade de sorrir. Já não me dói o corpo como se tivesse sido espancada. E volto a sentir-me aconchegada. Porque sei que vale a pena.

Há coisas que são, sem dúvida, para manter. E isso é bom. E por isso não vou mudar. Até porque não há razão para mudar. Mantenho o sorriso e voltarei a dá-lo sempre que mo pedirem. Não há razão para não o fazer. Muito pelo contrário.

Aconchegada. Novamente. E isso é tão bom. E, para mim, é só o que interessa.

Amanhã? Voltarei a sorrir. Como sorri hoje. E ontem. E na terça feira à noite.

{#180.186.2022}

Quarta feira, dia do meio, dia nim, nem não nem sim. Mas hoje foi um dia sim depois de uma terça feira que, de facto, aconteceu.

E foi bom ter acontecido. Porque recuperei o sorriso. A pedido, é certo, mas correspondido sincero e com vontade. E hoje o sorriso mantém-se. E será para manter. Porque faz sentido. E vale a pena.

Ontem serviu também para confirmar algumas coisas. Boas. E essas já ninguém mas tira. A única pessoa capaz de mas tirar sou eu mesma. E não é isso que eu quero. Por isso volto aos hábitos de sempre que não têm razão para desaparecer e se perder por aí por razões que não interessam. Há coisas que sim, valem a pena manter.

E, se me voltarem a pedir um sorriso, voltarei a sorrir. E irei sorrir também com o olhar, se a máscara se impuser.

É bom saber que mantenho o meu porto de abrigo. Julguei-o perdido, é certo. Mas, afinal, estava no mesmo sítio de sempre. E ter essa confirmação fez tanta diferença.

Agora é seguir. Não sei para onde este seguir me leva. Mas há, de novo, um gut feeling presente. Demore o tempo que demorar, um dia vou dar-lhe razão.

{#179.187.2022 – parte 2}

E a terça feira aconteceu.

Sim, precisava que acontecesse, tal e qual aconteceu. Tranquila. Conversa de gente adulta. Com respeito, como seria de esperar. Se foi tudo dito? Não sei…mas também sei que nada ficou por dizer. Se faz sentido? Talvez não. Mas sei que me ajudou.

Agora? É recuperar o sorriso e a vontade de sorrir. Com tempo, encaixar e seguir. Em frente, claro.

Se as coisas têm que mudar? Não. Claro que não. Se eu mudei? Talvez um pouco. Se voltarei ao que era? É o mais provável. Mas ainda vou precisar de tempo. Porque eu levo tempo a digerir o que sinto. Porque sinto sempre tudo de forma intensa. O bom, o menos bom, o mau. E isso exige tempo para encaixar e permitir-me seguir.

Foi importante. Foi necessário. Mas a amizade é para manter. Porque faz sentido. Porque me faz bem. E porque sim.

Amanhã? Será melhor.